ESPAÇO DE ENCONTRO E REFLEXÃO ENTRE CRISTÃOS HOMOSSEXUAIS em blog desde 03-06-2007
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publicado por Riacho, em 05.02.18 às 20:12link do post | favorito

O presidente da Conferência Episcopal Alemã declarou que, em sua opinião, os sacerdotes católicos podem realizar cerimônias de benção para casais homossexuais.

O cardeal Reinhard Marx disse ao serviço de rádio da Radiodifusão do Estado da Baviera que "não pode haver regras" sobre esta questão. Em vez disso, a decisão de se uma união homossexual deve receber a bênção da Igreja deve ser "um sacerdote ou um agente pastoral" e feito em cada caso individual, afirmou o prelado alemão.

Falando em 3 de fevereiro, por ocasião de seu 10º aniversário como Arcebispo de Munique e Freising, o Cardeal Marx perguntou por que "a Igreja nem sempre avança quando se trata de exigências de alguns católicos sobre, por exemplo, a ordenação feminina diáconos, a benção de casais homossexuais, ou a abolição do celibato obrigatório [sacerdotal] ".

Marx disse que, para ele, a questão importante a ser feita ressalta como "a Igreja pode enfrentar os desafios colocados pelas novas circunstâncias da vida hoje -, mas também por novas idéias, é claro", particularmente em relação à pastoral.

Descrevendo isso como uma "orientação fundamental" enfatizada pelo Papa Francisco, Marx pediu que a Igreja tome "a situação do indivíduo, ... sua história de vida, sua biografia, ... seus relacionamentos" mais seriamente e acompanhá-los, como indivíduos em conformidade.

Marx recentemente pediu uma abordagem individualizada da pastoral, que, segundo ele, não está sujeita a regulamentos gerais nem é relativismo.

Esse "cuidado pastoral mais próximo" também deve se aplicar aos homossexuais, disse o cardeal Marx ao radiodifusor do estado bávaro: "E também é preciso incentivar os sacerdotes e os pastores a encorajar as pessoas em situações concretas. Eu realmente não vejo nenhum problema lá".

A forma litúrgica específica que tais bênçãos - ou outras formas de "encorajamento" - deve tomar é uma questão bastante diferente, continuou o arcebispo de Munique, e que exige uma análise mais aprofundada.

Perguntado se ele realmente estava dizendo que "poderia imaginar uma maneira de abençoar casais homossexuais na Igreja Católica", Marx respondeu, "sim" - acrescentando, no entanto, que não poderia haver "nenhuma solução geral".

"Trata-se de cuidados pastorais para casos individuais, e isso também se aplica em outras áreas, que não podemos regular, onde não temos conjuntos de regras".

A decisão deve ser tomada por "o pastor no terreno e o indivíduo sob cuidado pastoral", disse Marx, reiterando que, na sua opinião, "há coisas que não podem ser regulamentadas".

(Aciprensa/InfoVaticana)

Foto de Escolástica da Depressão.
 
 
 
 

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publicado por Riacho, em 22.01.17 às 22:41link do post | favorito

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O antigo mestre-geral da Ordem dos Pregadores (Dominicanos) profere duas conferências no Convento de São Domingos, em Lisboa, dias 28 e 29 deste mês.

O frade dominicano Timothy Radcliffe falará sobre «How can the conscience of the Laity be heard?» (Como escutar a voz dos leigos na Igreja?) no dia 28 de janeiro e sobre «The holiness of the body» (A santidade do corpo) no dia seguinte.

Estas iniciativas são organizadas pela Família Dominicana, Instituto São Tomás de Aquino e o Movimento Nós Somos Igreja.

Fr. Timothy Radcliffe nasceu em 1945, em Londres, e é membro da Ordem dos Pregadores desde 1965.

Eleito mestre-geral dos Dominicanos em 1992, viajou por todo o mundo em visitas às diversas províncias da sua ordem.

O agora ex Mestre Geral da Ordem Dominicana é um proeminente defensor da proposta Kasperite em favor da comunhão para os "divorciados novamente casados."

Ele é também um defensor da ordenação de mulheres, senão para o sacerdócio, pelo menos para o diaconato. No entanto, ele tornou-se mais famoso pelas suas declarações públicas a favor de uma maior aceitação da homossexualidade, e por se ter tornado um celebrante das "Missas gays" em Soho, Londres. 

O seu apoio às "uniões civis do mesmo sexo" e o seu louvor pelo “amor  homossexual " são matéria de conhecimento público, e isso provocou devotos Católicos a fazerem de tudo para impedir que ele falasse na  Conferência da Divina Misericórdia na Irlanda e em San Diego, Califórnia, bem como na Conferência da Juventude Flame 2, em Londres. Todas estas tentativas falharam e a aceitação de Radcliffe acaba de receber um reforço importante com a nomeação pelo Papa Francisco como Consultor para o  Pontifício Conselho de Justiça e Paz.

 


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publicado por Riacho, em 26.11.14 às 18:43link do post | favorito

Nós não fazemos que reproduzir-nos, nós produzimos a nós mesmos reciprocamente, nós produzimos o novo. Trata-se de colocar no mundo uma pessoa afim de que esta pessoa nasça a si mesma. E isto vai muito além da mera procriação biológica", escreve Claude Besson copresidente da associação Réflexion et partage em artigo publicado pela revista mensal francesa, jesuíta, Études, edição de outubro de 2014. A tradução é de Benno Dischinger.

Segundo ele, "entrar na fecundidade não é mais viver para si mesmos, mas é viver para qualquer outro. Segundo Cristo a fecundidade é o dom de si, é uma morte a si mesmo e uma ressurreição. Esta ultrapassa infinitamente os nossos limites humanos. Realiza-se não segundo uma vontade humana, mas numa livre consagração das nossas ações a Deus, é um dom de Deus".

Eis o artigo.

A acolhida das pessoas homossexuais é hoje realmente uma realidade nas comunidades cristãs? Embora nos últimos anos tenham sido dados passos em frente, a clandestinidade que as pessoas homossexuais se auto-impõem por temor de serem submetidos a juízos negativos é real e dolorosa para eles mesmos e para suas famílias.

A homossexualidade é uma realidade que existe na história de cada sociedade e de cada cultura. É inegável. Este fato, que permaneceu escondido por séculos, tornou-se hoje público na nossa sociedade. Há muitos anos a Igrejacatólica tomou em consideração esta realidade. 

“Um número não transcurável de homens e de mulheres apresenta radicadas tendências homossexuais. Elas não escolhem sua condição homossexual que, ao invés, constitui para a maior parte delas uma difícil prova. Devem, portanto, ser escutadas com respeito, compaixão e delicadeza”.

Todavia, será que é possível viver contemporaneamente a própria homossexualidade e a própria fé cristã sem precisar esconder-se? Recentemente um documento do Conselho Família e Sociedade (francês) exigia esta acolhida incondicionada: “Para as comunidades católicas a acolhida incondicionada de cada pessoa está em primeiro plano. Cada pessoa, independentemente de seu percurso de vida, é em primeiro lugar um irmão ou uma irmã em Cristo, um filho de Deus.

Esta descendência divina transcende todos os elos humanos de família. “Toda pessoa tem direito a uma acolhida amável por aquilo que é, sem que deva esconder um ou outro aspecto de sua personalidade”.

Sabemos que cristãos, católicos e homossexuais estão entre nós, nas nossas famílias, entre os nossos amigos, nas nossas comunidades paroquiais. A diversidade das situações é complexa. A indagação de Martine Gross revela que os gays e as lésbicas cristãs, tendo interiorizado as afirmações da Igreja institucional, frequentemente vivem com desonra e sentimento de culpa a descoberta de sua homossexualidade.

Frequentes testemunhos de sofrimento.

Participando por mais de dez anos da associação “Réflexion et Partage [Reflexão e Partilha], sou testemunha da dificuldade para um bom número de pessoas homossexuais encontrarem seu devido lugar na Igreja. Revelam-no muitos testemunhos e narrações de vida.

O testemunho de Thérèse é um entre tantos: Precisei de tempo para entender-me verdadeiramente! Aos quase 53 anos, noiva, começo finalmente a reconhecer-me como homossexual. (...) Fiquei aprofundada numa longa, longuíssima fase de indecisão, até que a realidade me recuperou de modo extremamente brusco. E há quatro anos iniciei realmente este caminho para mim mesma, e também para os outros, nas lágrimas e no sofrimento, mas também na paz e na alegria que às vezes nasce de encontros fortes e autênticos, seja com alguns dos meus amigos/que, que com outros/e que chegaram/e bem antes de mim neste difícil e íngreme caminho.

(...) Na pastoral dos divorciados e dos divorciados/redesposados tem havido progressos notáveis. Quando poderemos ver estes progressos também na pastoral da homossexualidade? Quando se cessará de acrescentar sofrimento a sofrimento?

(...) Ouso, como Martin Luther King, ter um sonho: que nas nossas Igrejas, finalmente de portas abertas a toda a humanidade dos homens e das mulheres de hoje, cada um/uma seja acolhido/a como Filho e Filha de Deus, com suas riquezas e suas faltas, na Alegria e na Fraternidade... e que ninguém se deva jamais sentir um passageiro clandestino!”

E ainda o testemunho de Aurélia: “Nós somos inexistentes”: expressão de uma responsável pelas manifestações de“La Manif pour tous” [A Manifestação para todos] contra “O Matrimônio para todos”. Sim, vós sois milhares. Sim, vós não tendes sido entendidos. Perdoai!

Mas nós (pessoas homossexuais) somos milhões, há séculos, a não ser entendidos, a ser insistentes, invisíveis, estigmatizados, psiquiatrizados, exorcizados, torturados, humilhados, escondidos, e em alguns países até sepultados vivos!”.

E da mesma forma, quando um casal de homens (Julien e Bruno) que vivem junto há mais de dez anos, procura inserir-se num grupo de reflexão paroquial para os casais (hétero, certamente) tendo dez anos de vida em comum, por que excluí-los? São constringidos a marginalizar-se e a criar eles mesmos, fora de suas paróquias, o seu próprio grupo de reflexão junto com outros casais homossexuais católicos?

Evidentemente, os testemunhos não pretendem, por certo, dar uma imagem exaustiva do que vivenciam os cristãos homossexuais, mas têm o mérito de rejeitar toda concepção simplista. Se o testemunho não pode substituir-se ao debate e não pertence somente a ele a verdade, não se pode jogá-lo fora com um gesto da mão, como talvez se ouve: “Sim, mas contigo não é a mesma coisa, nós te conhecemos”.

A Igreja não pode hoje deixar de ir ao encontro das pessoas homossexuais e prosseguir o diálogo com eles e com suas famílias: “(...) o testemunho não pode substituir-se ao debate e não compete somente a ele a “verdade”. É evidente. Mas este debate e esta busca da verdade não podem regatear com este tipo de palavra. Sobretudo em nossa sociedade chamada de comunicação, na época do reino da informação, da imagem e da interatividade...

... Aceitando esta nova realidade (social e também política) através de um retorno ao testemunho, a Igreja pode beneficiar-se de uma nova oportunidade para o anúncio do evangelho nesta sociedade moderna ou mesmo pós-moderna. Para ela é a ocasião de demonstrar:

Que considera o homem de hoje como um interlocutor inteligente, de bom senso, capaz de refletir, e que ela respeita sua liberdade...

Que confia neles a priori (existe uma margem de diferença entre a ingenuidade e a paranóia, que condena de modo preconcebido o interlocutor), que confia nele. Em todos os encontros que teve Jesus não reduz jamais o outro à sua complexidade. Jamais o encerra na sua contingência...

Que aceita que o homem de hoje queira confrontar as idéias com a realidade através do filtro de suas experiências, que necessita entender e ter o seu próprio parecer. (...)

“Para ela (isto é, para a Igreja, ndr) seria o modo de atingir o homem de boa vontade lá onde ele se encontra, de dirigir-se a ele e de reconhecê-lo como alguém que faz parte de um mundo a inventar juntos.”

Significativos progressos pastorais.

Também se ainda resta um caminho a percorrer até que as pessoas homossexuais e suas famílias encontrem o seu justo lugar nas nossas comunidades cristãs, em muitas dioceses ocorrem hoje progressos fundamentais.

O objetivo não é tanto o de realizar uma pastoral distinta para favorecer a acolhida das pessoas homossexuais, que constituiria uma forma de estigmatização positiva, mas antes o de reconhecer e dar consideração ao que é vivenciado por cada um, “afim de que estas pessoas possam viver uma vida cristã normal e empenhada e ter o seu lugar na Igreja como toda pessoa batizada”.

A primeira iniciativa a realizar é a de incentivar os lugares de acolhida e de escuta, os grupos de palavra, tornando-os visíveis através de um “dépliant” [folheto] que registre o telefone, o email, o nome da pessoa a contatar.

Há muitíssimos anos algumas associações, como David e Jonathan, Devenir un em Christ [Tornar-se um em Cristo] já fizeram esta experiência. Mas, este tipo de iniciativa deve ter origem da responsabilidade das igrejas diocesanas, evidentemente com a colaboração das associações que as mantêm. Com efeito, muitas pessoas homossexuais e seus pais se sentem privados de recursos.

Sendo católicos, frequentemente se dirigem aos padres de suas paróquias ou à diocese: “Quando tomamos conhecimento da homossexualidade de nossa filha de 18 anos, encontramo-nos desarmados: por que ela era assim? O seu grandíssimo mal-estar e seu não querer viver nos impeliram a procurar entender. Sendo católicos, procuramos um padre para saber se ele conheceria uma associação que pudesse ajudar-nos.

Ele estava despreparado exatamente como nós. Nossa fé nos levou a perguntar-nos como viver esta situação serenamente e no amor atento por nossa filha e nossa família (temos quatro filhos, e esta é a última). Fizemos um percurso numa associação, encontrando outros pais e outros homossexuais.

Encontramos pessoas que escutam sem julgar e que compartilham das nossas dúvidas e das nossas preocupações. Abrimo-nos de um modo que não conhecíamos. Dez anos depois, podemos constatar que enriquecemos o nosso coração e o nosso modo de ver.
Deus é amor. Somente Ele sabe o que é a homossexualidade. Neste caminho que percorremos, confiamo-nos ao Seu Espírito que nos acompanha (...)”.

Muitas dioceses (St. Etienne, Lyon, Grenoble, Angouleme, Aix em Provence...) há um par de anos organizaram grupos de reflexão e/ou grupos de acolhida, de escuta, de discussão aberta. Assim em Angouleme: “Há dois anos, com o apoio e o encorajamento de Mons. Dagens criamos dois grupos de compartilhamento: um para pessoas homossexuais, e o outro para pais de pessoas homossexuais. Temos dado andamento a estes grupos em colaboração com a associação Devenir Un En Christ. Mas, havia também uma convergente vontade do Padre Dagens e dos dois grupos para uma conexão direta com a diocese, através da pastoral da família. Neste momento estamos começando a difundir um pequeno volante: “Acolhida e palavra”, para tornar conhecidos os dois grupos nas paróquias e também no site da diocese. De outra parte, queríamos ir mais longe na reflexão sobre o lugar na Igreja e nas nossas comunidades cristãs para as pessoas homossexuais.”

Em muitas dioceses vizinhas está sendo posta em marcha a mesma reflexão. Seria preciso dar evidência também a outros grupos de palavra para progenitores que estão coligados com a associação Réflexion et Partage [Reflexão e Partilha]. Mas, estes grupos ainda não têm verdadeira legitimidade diocesana. Numa diocese da periferia de Paris há cinco anos existe um grupo de discussão formado por pais que têm um filho homossexual.

“Somos cinco famílias. Este pequeno grupo é muito importante para trocar, comunicar e sustentar-nos uns com os outros. Há aproximadamente um mês contatamos com o pároco de St. Germain em Laye. Foi muito acolhedor e conectou um inserto no boletim paroquial. Pessoalmente, sinto-me sempre mais assegurado, e hoje não tenho mais medo de responder a pessoas que têm uma visão negativa. Um fato recente: Uma mãe de família, chegando ao conhecimento que eu tinha um filho homossexual, me disse: “Rezarei por ele”. Eu lhe respondi: “Não, sou-lhe grato, mas antes serei eu a rezar por você, para que seu visual se torne mais aberto”. Não posso mais calar. Creio que os nossos filhos dêem um valor adjunto às nossas famílias”. (Marie-Pierre, mãe de família).

Guilherme e Elisabete acrescentam: “É uma fórmula excepcional, que responde bem às expectativas dos genitores. Uma fórmula a promover por toda parte possa ser realizada. Tivemos ocasião de falar a respeito com certo número de amigos e muitos deles nos disseram que também eles estavam envolvidos com esta realidade.

O compartilhamento da nossa experiência teve uma acolhida positiva e tem sido iluminadora para outras famílias, mas com frequência essas famílias nos dizem que ninguém sabe (da homossexualidade de um componente) e que não se deve falar disso.”

Assim em Ardèche: “Somos um grupo de pais ativo há nove anos e nos encontramos 2 vezes ao ano com a presença do vigário geral. Atualmente fazem parte 9 casais. Dado que o vigário geral nos acompanha, o bispo tem conhecimento das nossas reuniões”. Os temas enfrentados no ano passado foram o matrimônio e a homogenitorialidade. Escrevemos um artigo em jornais paroquiais, mas obteve eco escasso”.

Em Paris existe um grupo de pessoas homossexuais que vivem como casais e se reúnem regularmente. Julien atesta: “Criamos o nosso grupo de casais católicos (que se encontram também como casais formados por pessoas do mesmo sexo). Este grupo de 6 casais se reúne aproximadamente cada 6 semanas para refletir sobre a questão da fecundidade do casal, em sentido geral.

Existe um aspecto espiritual e ele é compartilhado também por meio de um texto de meditação. De vez em quando convidamos uma pessoa externa ao grupo. Este grupo tem sido para nós e para a nossa fé uma âncora de salvação indispensável durante este último ano, no qual a Igreja da França foi convulsionada pela questão do matrimônio para todos.

Temos compartilhado momentos de rara fraternidade. Mas gostaríamos que tudo isso pudesse ser vivenciado em nível das paróquias. E nos agradaria fazer esta reflexão junto a casais homossexuais, estar dentro da Igreja e não esconder uma parte essencial do nosso ser”.

Devem ser vistos positivamente também os seis seminários tidos junto ao colégio dos Bernardinos em Paris sobre “Fé cristã e homossexualidade”, com a presença de representantes de várias associações (David e Jonathan, Devenir Un En Christ [Tornar-se um em Cristo], Communion Béthanie, Réflexion et Partage [Reflexão e Partilha]).

O último seminário, sobre o tema de “fare coppia” [fazer casal] permitiu cruzar as experiências de casais homossexuais e heterossexuais na escuta, no diálogo, na construção de um viver juntos e de uma fraternidade, destinados a dar os seus frutos.

Outras dioceses assumiram iniciativas para favorecer o diálogo e o encontro, como “O caminho de Emaús” (Nanterre,Orléans), peregrinação de um dia, aberto a todos e em particular às pessoas direta ou indiretamente envoltas com a homossexualidade. Por ter participado, posso assegurar-vos que tudo isso fez caírem muitos preconceitos sobre ahomossexualidade.

Muitos dos preconceitos de fato ainda estão ligados a representações mentais, frequentemente por causa da falta de conhecimento e informação sobre a vivência das pessoas, e também por causa da rejeição da diversidade, que provoca perturbação. Creio que esta falta de conhecimento, esta ignorância, traga o medo e o medo gere a exclusão, o desprezo, as confusões, talvez os conflitos, o relegar a gueto e, enfim, o desejo de desembaraçar-se do outro.

A alteridade em questão

O encontro do outro em sua alteridade é uma questão fundamental. Quantos discursos ouvimos da boca de certos ambientes católicos para estigmatizar as pessoas homossexuais: “Os homossexuais recusam a diversidade”; esta afirmação, nas palavras de certos intelectuais se torna “A homossexualidade é a negação da alteridade”.

Se as diferenças, que sejam sexuais, geracionais ou culturais preexistam sem que nós estejamos em condições de geri-las, elas não garantem que se realize a acolhida do outro. O saber reconhecer a alteridade nasce de uma aprendizagem que jamais termina, e permite a cada um ser, na relação com o outro, o que é, conduzir a própria vida, jamais sentir-se absorvido pelo outro, quem quer que ele seja (conjugado, amigo, genitor, professor, colega...).

Este trabalho ético é o mesmo para todos: “Cada casal é convidado a perguntar-se em que medida sua relação de amor gera confusão ou cria unidade, seja no interior ou no exterior do casal.

Há casais heterossexuais que de fato não respeitam estas relações da alteridade, como aquelas construídas sobre excessivas semelhanças entre o cônjuge e o pai ou a mãe, ou também aquelas nas quais os genitores consideram os seus filhos como objetos...” 

A semelhança genital não tira nada do “ser estranho” do outro. Ou seja, não é possível reduzir o outro ao que conheço de mim mesmo, dos meus desejos, dos meus comportamentos.

As pessoas homossexuais insistem no fato que sua busca sexual não deriva somente, como muitos crêem, de uma busca de prazer erótico. Costumeiramente as pessoas esperam encontrar um/uma amigo/amiga com o/a qual possam vivenciar experiências de ternura, fidelidade, ajuda recíproca, compartilhamento de preocupações e interesses diversos... e prazer sexual.

Procuram, deste modo, ter unidos “o desejo e a ternura” fazendo a experiência que amar “não é uma coisa óbvia”.

“Os psicanalistas menos sérios interpretaram erroneamente a conexão amorosa e sexual de um indivíduo com uma pessoa do mesmo sexo como uma conexão narcisista. Como se duas pessoas do mesmo sexo fossem a mesma pessoa! Como se somente a diferença sexual designasse a alteridade entre os seres! Como se, da mesma forma, entre homens e mulheres houvesse mais diferenças do que semelhanças.

A alteridade existe entre dois gêmeos, e com maior razão existe entre dois homens ou duas mulheres saídas de famílias diferentes. A alteridade é um dos determinantes do desejo sexual. Para desejar-nos reciprocamente, temos necessidade de muito de semelhante (o que temos em comum como seres humanos) e de um pouco de não semelhante, como confirma a neurobiologia.

Este “não semelhante” pode ser a diferença dos sexos, mas nem sempre e não somente. Nos humanos a alteridade, fonte de desejo sexual, pode encontrar-se na diferença física, na diferença cultural e social ou na diferença de personalidade.” 

Enfim, afirmar que o casal homossexual negue a alteridade significa voltar a reconduzir o conceito de “mesmo” ao aspecto sexual e este último ao sexo. Portanto, não é que, porque dois seres são semelhantes de um ponto de vista biológico que eles são “o mesmo”: dois homens, duas mulheres têm personalidades diversas e únicas que fazem deles seres singulares.

As pesquisas no campo da neurobiologia confirmam que as diferenças entre os indivíduos de um mesmo sexo são tão importantes que superam as diferenças entre os dois sexos. Esta variabilidade se explica com a plasticidade do cérebro. No nascimento, dos nossos 100 bilhões de neurônios, somente 10% são conectados entre si.

90% das restantes conexões se realizarão progressivamente em consequência das influências da família, da educação, da cultura, da sociedade, afirma Catherine Vidal, neurobióloga.
É na capacidade de amar que são postos à prova, para os homossexuais como para os heterossexuais, a aceitação ou a recusa da alteridade, não no valor diferencial e impessoal de um objeto de pulsão.

A relação homossexual, além da semelhança dos sexos, pode abrir à diferença e à alteridade, dado que é o encontro de duas pessoas, cada uma das quais é única. 

Os casais homossexuais têm um desejo duradouro e favorável de viver juntos. Tudo o que favorece os empenhos mais duradouros deve ser aprovado plenamente.

Uma pessoa homossexual que vive com um parceiro poderá ser fonte de fecundidade social para o ambiente circunstante.

Fecundidade

Na linguagem corrente temos limitado o sentido do termo “fecundidade” ao conceito de “dar a vida” ou “procriar”. Isto significa reduzir o ser humano ao seu nível animal.
Antropologicamente, a fecundidade recobre um significado mais amplo: a capacidade de dar uma vida humana.

Nós não fazemos que reproduzir-nos, nós produzimos a nós mesmos reciprocamente, nós produzimos o novo. Trata-se de colocar no mundo uma pessoa afim de que esta pessoa nasça a si mesma. E isto vai muito além da mera procriação biológica.

Dar a vida humana é o que a teóloga Marie-Christine Bernard, especializada em epistemologia das ciências humanas, chama a “genitoralidade espiritual”. É a responsabilidade que diz respeito a todos nós de fazer nascer alguém a si mesmo, de alguém gerar a própria vocação, de fazer que ele possa entrar em sua própria vida: "Pôr no mundo naquele sentido mais amplo que recém descrevemos, portanto, não só em sentido físico, se apresenta como o caminho por excelência que a bênção de Deus, destinada a todos, pode realizar. A bênção de Deus é ao mesmo tempo a promessa que Ele faz, o seu mais caro auspício de uma vida boa, rica de significado e de frutos e sua realização através do nosso livre consenso. A pessoa humana nasce a si mesma quando entende que esta promessa é destinada pessoalmente a ela, e segue este caminho".

Então, por que rejeitar os casais homossexuais, apelando à sua não fecundidade? Também eles são fecundos ou criativos, mas de modo diverso. Jesus revolucionou a ordem biológica da fecundidade: o homem não é fecundo porque gera, é fecundo porque se reconhece como pertencente ao Cristo.

A passagem do Evangelho segundo João (151-4.12.16) indica que a fecundidade reside no cumprimento do mandamento do amor de Jesus, isto é, de entrar na comunhão de amor de Jesus e do Pai, de deixar-se aproximar deDeus, entrar na intimidade com Ele, tornar-se seu amigo. Este amor chega realmente a desapropriar-se de si próprio.Jesus impeliu este despossuir-se de si ao morrer sobre a Cruz, e é precisamente a Cruz que garante “ao extremo” sua fecundidade: “Se o pequeno grão que cai por terra não morre, permanece só; ao invés, se morre produz fruto in abundância”.

Portanto, entrar na fecundidade não é mais viver para si mesmos, mas é viver para qualquer outro. Segundo Cristo a fecundidade é o dom de si, é uma morte a si mesmo e uma ressurreição. Esta ultrapassa infinitamente os nossos limites humanos. Realiza-se não segundo uma vontade humana, mas numa livre consagração das nossas ações a Deus, é um dom de Deus.

Assim dá testemunho Yvon, homossexual e cristão empenhado a mais de quarenta anos em sua paróquia: “Após estes 40 anos de lutas, nos quais houve momentos de alegria e de desespero – e também falências – me admiro que eu ainda queira fazer parte desta Igreja que com tanta frequência me maltratou.

Todavia, se os cristãos (e não somente os seus pastores) soubessem o que a Igreja deve a estes homossexuais (homens e mulheres), que atuam dentro dela, no segredo de sua identidade, se os cristãos reconhecessem todos os tesouros de paciência, de devoção e de atenção aos mais “pobres”, dos quais os homossexuais a cada dia dão prova (ajuda aos doentes de AIDS e aos anciãos, trabalho no âmbito da saúde ou da educação, etc.), os cristãos não estariam tão inclinados a condenar milhares de seus irmãos e irmãs ou de aceitar-lhes somente as palavras”.

A verdadeira fecundidade cristã não está ligada em primeiro lugar ao fato de ter filhos, mas à realização do Reino nas nossas vidas.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/537852-qual-o-lugar-para-as-pessoas-homossexuais-nas-nossas-comunidades-cristas


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publicado por Riacho, em 27.10.14 às 19:35link do post | favorito

A homossexualidade foi um dos temas mais controvertidos no recente Sínodo Extraordinário sobre a Família, como prova desta afirmação a diferença abismal entre o parágrafo delicada a ela na “Relatio” final e os três parágrafos da anterior “Relatio”, elaborada na metade da discussão.

 
Fonte: http://goo.gl/olMIDG  

A reportagem é de Sandro Magister, publicada por Chiesa.it, 22-10-2014. A tradução é do Cepat.

“Relatio” final:

55. Algumas famílias vivem a experiência de ter em seu interior pessoas com orientações homossexuais. A esse respeito, temos nos perguntado sobre que tipo de atenção pastoral é oportuna frente a esta situação, referindo-nos ao que ensina a Igreja: ‘Não existe nenhum fundamento para assimilar ou estabelecer analogias, nem sequer remotas, entre as uniões homossexuais e o desígnio de Deus sobre o matrimônio e a família’. No entanto, os homens e as mulheres com tendências homossexuais devem ser acolhidos com respeito e delicadeza. ‘Será evitado, a respeito deles, todo tipo de discriminação injusta’ (Congregação para a Doutrina da Fé, Considerações acerca dos projetos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais, n.4)”.

“Relatio post discreptationem”:

50. As pessoas homossexuais possuem dons e qualidades para oferecer à comunidade cristã: estamos em condição de receber estas pessoas, garantindo-lhes um espaço de fraternidade em nossas comunidades? Muitas vezes, desejam encontrar uma Igreja que seja casa acolhedora para eles. Nossas comunidades estão em condição de ser esta casa, aceitando e avaliando sua orientação sexual, sem comprometer a doutrina católica sobre a família e o matrimônio?”

51. A questão homossexual nos interpela a uma reflexão séria sobre como elaborar caminhos realísticos de crescimento afetivo e de maturidade humana e evangélica, integrando a dimensão sexual. Portanto, apresenta-se como um importante desafio educativo. A Igreja, por outro lado, afirma que as uniões entre pessoas do mesmo sexo não podem ser equiparadas ao matrimônio entre um homem e uma mulher. Tampouco é aceitável que se queiram exercitar pressões sobre a atitude dos pastores ou que organismos internacionais condicionem ajudas financeiras à introdução de normas inspiradas na ideologia gender.”.

52. Sem negar as problemáticas morais que dizem respeito às uniões homossexuais, leva-se em consideração que há casos em que o apoio mútuo, até o sacrifício, constitui um valioso suporte para a vida dos casais. Além disso, a Igreja apresenta uma atenção especial às crianças que vivem com casais do mesmo sexo, reiterando que é preciso sempre colocar em primeiro lugar as exigências e direitos dos pequenos”.

Primeiro pelo cardeal relator Péter Erdö, e depois pelo presidente delegado Raymundo Damasceno Assis, foi destacado como autor material destes três parágrafos o secretário especial do sínodo Bruno Forte, a quem o papaFrancisco quis neste papel.

Porém, também é ilustrativa a pré-história destes parágrafos. Dois dos três padres sinodais que na aula haviam apresentado a argumentação – sozinhos, frente a quase duzentos presentes – apoiaram efetivamente seus discursos sobre afirmações do papa Jorge Mario Bergoglio.

O arcebispo de Kuching, John Ha Tiong Hock, presidente da Conferência Episcopal da Malásia, Singapura e Brunei, destacou uma passagem da entrevista de Francisco para a revista “La Civiltà Cattolica”, na qual o Papa pede àIgreja que amadureça e reformule seus próprios juízos a respeito da compreensão que o homem de hoje tem de si mesmo – também em matéria de homossexualidade, especificou o arcebispo –, com a mesma disposição para mudar que havia mostrado no passado, ao mudar radicalmente seus próprios juízos sobre a escravidão.

Esta entrevista foi publicada em setembro de 2013, pelo diretor da revista “La Civiltà Cattolica”, o jesuíta Antonio Spadaro, que também transcreveu e publicou na mesma revista, em janeiro de 2014, uma entrevista realizada anteriormente, em novembro, entre o Papa e os superiores gerais das ordens religiosas.

E é desta segunda entrevista que o padre Spadaro – nomeado pessoalmente membro do Sínodo por Francisco – retomou na aula as palavras textuais do Papa a respeito de uma criança adotada por duas mulheres lésbicas, para solicitar à Igreja uma renovada e necessária “escuta e discernimento” de situações deste tipo.

O padre Spadaro, desobedecendo as ordens da Secretaria Geral do Sínodo, tornou pública sua intervenção na aula.

A “Relatio post disceptationem”, nos três parágrafos dedicados à homossexualidade, retomou e desenvolveu posteriormente o dito na aula pelo Arcebispo malásio, pelo padre Spadaro e pelo cardeal Christoph Schönborn, o terceiro que interveio sobre o tema.

Contudo, a posterior discussão no Sínodo transformou em pedaços os três parágrafos e deles praticamente nada restou na Relatio” final, que sobre a homossexualidade se limita a dizer o que já está dito pelo Catecismo da Igreja Católica e pela Congregação para a Doutrina da Fé.

Depois de duas semanas de acalorada discussão no Sínodo, parece que a discussão retornou ao ponto de partida.

Porém, qual é este ponto de partida, para além das magras indicações da “Relatio”? Ou seja, qual é a leitura que o magistério e a teologia moral católica, em suas sedes oficiais, oferecem a respeito da questão da homossexualidade?

Do ponto de vista teológico e filosófico, o artigo abaixo é uma nítida fotografia da visão clássica na matéria, sobre as pegadas de São Tomás de Aquino.

O autor é Martin Rhonheimer, suíço, sacerdote do Opus Dei, professor de Ética e Filosofia Política na Pontifícia Universidade de Santa Cruz, em Roma.

Sobre o caráter não razoável dos atos homossexuais. Artigo de Martin Rhonheimer

Quero aprofundar, aqui, a ideia central da “verdade da sexualidade”, ou seja, a ideia de que a sexualidade humana possui sua verdade própria que, sem desvalorizar a bondade intrínseca como vivência afetiva e sensual, transcende e a integra no conjunto da dimensão espiritual da pessoa humana. [...]

A verdade da sexualidade é o matrimônio. É a união entre pessoas para as quais a inclinação é vivida como escolha preferencial – “dilectio” – convertida no amor, doação mútua, comunhão indissolúvel, aberta à transmissão da vida e amizade em prol de uma comunidade de vida que perdura até a morte. Assim, neste contraste preciso – o contexto da castidade matrimonial, que inclui o bem da pessoa e transcende para o bem da espécie humana – é que a vivência sexual, também em suas dimensões afetivas, impulsivas e sensuais, também se apresenta como autêntico “bonum rationis”, como algo intrinsecamente razoável e bom para a razão. [...]

Os atos sexuais – a saber, a cópula carnal – e a vivência sexual, como atos razoáveis, são então necessariamente, e por sua própria natureza, expressão de um amor no contexto da transmissão da vida.

Ao contrário disso, uma atividade sexual que exclua por princípio tal contexto, tanto no modo intencionalmente buscado (como no caso da anticoncepção referente a atos heterossexuais), como no modo “estruturalmente” dado (como é o caso dos atos homossexuais), não é um bem para a razão, precisamente como sexualidade e como vivência sexual. Apresenta-se no nível de um mero bem dos sentidos, de uma afetividade truncada, estruturalmente reduzida ao nível sensual, instintivo e impulsivo.

Tal redução sensual do amor e da afetividade é também logicamente possível no caso dos atos heterossexuais, também para além do caso da anticoncepção, e no matrimônio. Porém, no caso da homossexualidade essa redução não é somente intencional e voluntariamente buscada, mas, sim, “estrutural”, dada pelo próprio fato de que se trata de pessoas do mesmo sexo, que por motivos biológicos e por sua mesma natureza não podem ser procriativos.

A causa última deste tipo de redução está no fato que de se trata – sobre a base das escolhas conscientes e livres – de uma sexualidade sem obrigação ou sem “missão”, de uma inclinação sensual que não transcende para um bem humano inteligível que vá além da mera vivência sensual. A experiência – também a dos homossexuais praticantes, muitas vezes tão dolorosa – confirma o fato. [...]

No caso da homossexualidade, a separação entre sexualidade e procriação é então estrutural. Por isso, trata-se também de atos estruturalmente não razoáveis e, em consequência, moralmente não justificáveis por sua própria natureza. É o que tradicionalmente os moralistas chamam de pecado “contra naturam”, ainda que, no horizonte de uma afetividade orientada para a satisfação do impulso sensual, esses atos possam parecer razoáveis e justificáveis e, ao menos por certo tempo, possam ser subjetivamente vividos como tais.

A ampla cultura hodierna de separação entre sexualidade e procriação torna cada vez mais difícil a compreensão da intrínseca não-razoabilidade dos atos homossexuais. Esta cultura, favorita em nível global pelo fácil acesso aos meios anticonceptivos e, agora, convertida em algo normal, é o caráter distintivo dessa “revolução sexual” que é também uma verdadeira e autêntica revolução cultural. Uma das consequências desta revolução é que o matrimônio é cada vez menos entendido como projeto de vida e mais concretamente como projeto com uma transcendência social, vale dizer, capaz de unir duas pessoas que olham para o futuro e que tem como objetivo comum o de constituir uma família que persista no tempo.

Neste sentido, as uniões homossexuais não podem se definir como famílias, mesmo quando em seu seio se encontrem crianças adotadas ou “fatos” mediante modalidades de tecnologia reprodutiva. Essas “famílias” formadas por casais do mesmo sexo não são mais do que uma imitação do que é a verdadeira família: um projeto realizado por duas pessoas mediante seu amor, seu dom recíproco na totalidade de seu ser corpóreo e espiritual. As “famílias” de casais homossexuais jamais poderão realizar este projeto, já que o amor que está na base destas uniões – a saber, os atos sexuais que pretendem ser atos de amor esponsal – é estrutural e necessariamente infecundo, dada sua própria natureza.

Por certo, é diferente o caso de um casal heterossexual que por razões que são independentes da vontade de ambos não pode ter filhos e por esta razão adota uma ou mais crianças. Neste caso, com efeito, sua união é por sua própria natureza – vale dizer, estruturalmente – de tipo generativo. Por esta razão é que também muda a estrutura intencional e o caráter moral do ato de adoção: este adquire o valor de uma realização alternativa de algo para o qual a união conjugal está predisposta por natureza, e somente impedida por “accidens”. A não-fecundidade é então “praeter intentionem” e não entra na valoração moral. Assim, o ato de adoção pode participar na estrutura de fecundidade intrínseca do amor matrimonial.

Não se pode dizer o mesmo no caso de um casal formado por pessoas do mesmo sexo. Neste caso, a infecundidade é estrutural e é assumida intencionalmente por meio da livre decisão de formar justamente este tipo de união. Aqui, não existe nenhum nexo entre o amor matrimonial e a adoção, já que o primeiro (o amor matrimonial que inclui a abertura à dimensão procriativa) está totalmente ausente. Por isso, o ato de adoção em uma união homossexual é pura imitação – um ato falso – daquilo para o qual o matrimônio está predisposto por sua própria natureza.

Uma última observação: todo juízo sobre a homossexualidade, sua intrínseca não razoabilidade e imoralidade, refere-se obviamente apenas e unicamente aos atos sexuais entre pessoas do mesmo sexo. Mas, não se trata de um juízo sobre a mera disposição a tais atos que, ainda que se a considere não razoável, não tem caráter de erro moral, na medida em que esta disposição não é apoiada.

E muito menos se trata de um juízo sobre as pessoas com tendências homossexuais, sobre sua dignidade e seu valor moral, o que pode ser posto em discussão apenas pela prática de todos homossexuais e pela escolha de um respectivo estilo de vida, livremente escolhido como bem, porque constituiria uma escolha moralmente equivocada e por isso má, capaz de distanciar do verdadeiro bem humano.

Ao contrário, um homossexual que se abstenha da prática de atos homossexuais pode viver a virtude da castidade e todas as outras virtudes, chegando também ao mais elevado nível de santidade.


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publicado por Riacho, em 17.10.14 às 22:23link do post | favorito

O arcebispo de Munique, o cardeal alemão Reinahrd Marx, defendeu hoje a necessidade da Igreja “acolher” as novas situações familiares e considerou “inconcebível” que um homossexual não possa viver o Evangelho.

O também presidente da Conferência Episcopal alemã e um dos membros do chamado “G9” vaticano, nomeado pelo Papa Francisco para reformar o governo da Igreja, explicou hoje numa conferência de imprensa, no Vaticano, a sua posição durante o Sínodo dos Bispos.

Marx, considerado um dos arcebispos mais favorável à abertura da Igreja a modelos familiares não tradicionais, afirmou que também o Papa espera por partes dos bispos “novos impulsos que abram portas para poder continuar a seguir o modelo da família”.

O arcebispo explicou que não se trata de mudar a doutrina, mas recordou que a Igreja tem 2.000 anos e que não se pode continuar a repetir sempre o mesmo.

Sobre os homossexuais explicou que “o catecismo não os condena pela sua condição” embora a Igreja não possa aceitar a prática da homossexualidade, mas que não se pode descartar os “valores” que há em alguns casais homossexuais que têm sido fiéis durante anos.

“És homossexual e não podes viver o Evangelho. Dizer isto é algo que é inconcebível”, acrescentou o cardeal.

Para Marx, a palavra “exlusão” não pode fazer parte da Igreja católica e não se podem criar “católicos de segunda ou terceira classe”.

Em relação ao tema dos divorciados que se voltaram casar poderem aceder aos sacramentos, e que a assembleia não está de acordo, Marx defendeu que “o magistério da Igreja pode obviamente mudar”.

O cardeal confirmou que nestes dias, na reunião do Sínodo tem havido momentos de “tensões” e “grande efervescência”, mas considerou positivo que tenha surgido vontade de encontrar uma linha comum sobre as várias matérias.

Os bispos reuniram-se de manhã, pela última vez para aprovar o documento final depois do sínodo extraordinário que começou no passado dia seis de outubro. O pensamento generalizado é que se tratará não de um texto de conclusões mas um “passo à frente” face ao próximo Sínodo, sobre o mesmo tema, em outubro de 2015.

*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela agência Lusa
 

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publicado por Riacho, em 14.10.14 às 21:57link do post | favorito

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 Disponível, por exemplo, em: http://www.wook.pt/ficha/o-casamento-sempre-foi-gay-e-nunca-triste/a/id/1498990

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 Disponível, por exemplo, em: http://www.fnac.pt/Arco-da-porta-do-mar-ALMEIDA-JOSE-ANTONIO/a738359

 

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Disponível, por exemplo, em: http://livrariautopia.blogspot.pt/2014/10/almeida-jose-antonio-memoria-de-lapis.html

Este último livro relata a história do Riacho e conta, portanto, parte das nossas próprias memórias. A não perder!

 

 


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publicado por Riacho, em 14.10.14 às 21:42link do post | favorito

Na manhã desta terça-feira, o padre Frederico Lombardi, porta-voz da Santa Sé, mostrou-se espantado com a quantidade de jornalistas que acorreram à conferência de imprensa, depois de divulgado o documento de trabalho do Sínodo dos Bispos sobre a Família. Neste, são referidos temas considerados polémicos como o divórcio, os casais recasados, os que vivem em união de facto e os casais homossexuais.

Na segunda-feira, o Sínodo de Bispos, que decorre no Vaticano, emitiu num comunicado que prevê algum tipo de integração dos homossexuais na Igreja Católica. Mas também propõe que se façam "escolhas pastorais corajosas" junto das "famílias feridas" pela separação ou pelo divórcio.

Na conferência de imprensa desta manhã, onde estiveram presentes os cardeais Wilfrid Fox Napier (sul-africano) e Fernando Filoni (italiano), o porta-voz do Vaticano começou por lembrar aos jornalistas que o documento é de trabalho e não é definitivo. "Repito, o documento é de trabalho e está a ser discutido em pequenos grupos de trabalho", disse, lendo um comunicado da secretaria do sínodo. Trata-se de um texto que "resume as intenções depois da primeira semana de trabalho".

Agora, os participantes estão reunidos em pequenos grupos a discutir precisamente esse documento de trabalho. "Estamos a trabalhar para apresentarmos ao Santo Padre o resultado final", explicou Filoni, que enalteceu a "riqueza do debate" e salvaguardou que o texto "não é uma ordem, como se tudo já estivesse definido". "Temos em mãos a riqueza de uma semana de intervenções", disse.

Por seu lado, Napier contou que no seu grupo de trabalho não se está a falar de contracepção, divórcio ou aborto, mas se está a reflectir sobre a família e se olha para esta como se olha para o dia: a manhã, onde tudo é esperança; a tarde, quando surgem as primeiras dificuldades; a noite, quando é preciso lidar com os problemas; e a manhã da ressurreição, quando se resolvem os problemas. "É assim que estamos a olhar no nosso grupo."

Polémica: a imprensa teve acesso primeiro ao documento?
Questionado pelos jornalistas, Napier reconheceu que não se revê em muitos dos pontos do documento e lamentou que aquele tivesse sido divulgado. "A mensagem que saiu foi: 'Isto é o que o sínodo disse, isto é o que a Igreja Católica disse' e não é verdade", declarou o sul-africano, confessando que faz parte de um grupo de participantes no sínodo que se mostraram insatisfeitos com o texto divulgado, embora o prelado admita que o documento reflecte o que se disse durante os encontros.

"Vocês tiveram o documento antes de nós", disse, dirigindo-se aos jornalistas e referindo que agora cabe aos grupos de trabalho gerir os "danos colaterais" da divulgação do documento. Napier ainda disse que este é um texto do cardeal Peter Erno, o relator-geral do sínodo. Contudo, questionado se aquele documento não deveria ser levado em conta, o cardeal sul-africano respondeu que "seria exagerado" e reconheceu que muito do que está escrito foi dito durante a semana que passou. "Mas há coisas que foram ditas por um indíviduo e que estão aqui como se fossem de todo o sínodo", salvaguardou.

Sem entrarem em diálogo mas respondendo apenas às perguntas dos jornalistas, Filoni reforçou que o documento é "fruto de uma longa análise" e uma recolha de todo o trabalho que foi feito.

Lombardi explicou aos jornalistas que a decisão de divulgar o documento foi da organização do sínodo e que, por exemplo, as conferências de imprensa com os diferentes relatores dos grupos de trabalho – a primeira decorreu esta terça-feira e na quarta haverá outra – é também uma novidade, de maneira a que se saiba como estão a decorrer os trabalhos. O porta-voz do Vaticano lembrou ainda que a organização informou todos os participantes que poderiam falar com a comunicação social e dar entrevistas ao longo dos trabalhos. No entanto, Frederico Lombardi sublinhou que nenhuma das declarações é reflexo do documento final, mas dos trabalhos em curso.

O relatório vai agora ser discutido, e só depois do fim do sínodo será divulgada uma versão definitva, que será discutida em todo o mundo, durante o ano que vem. Em Outubro de 2015 haverá um novo sínodo em Roma, onde haverá uma nova discussão, e no final de todo este processo será a vez de o Papa Francisco indicar o caminho a seguir, em termos de doutrina.

Fonte: http://www.publico.pt/mundo/noticia/bispos-reunidos-em-sinodo-alertam-este-e-so-um-documento-de-trabalho-1672836

 

 


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publicado por Riacho, em 05.06.14 às 23:42link do post | favorito

O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reconhece a necessidade de um "amparo legal da sociedade". A questão homossexual é tratada com muita prudência dentro da poderosa Igreja brasileira.

A reportagem é de Aglaé de Chalus, publicada no jornal La Croix, 30-05-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"É necessário dialogar sobre os direitos da vida comum entre pessoas do mesmo sexo, que decidiram viver juntas. Elas necessitam de um amparo legal na sociedade". A afirmação é do bispo Dom Leonardo Steiner, secretário-geral da CNBB, em entrevista ao jornal O Globo, o maior jornal brasileiro.

Para Arnaldo Adnet, um dos fundadores da Diversidade Católica, um grupo de católicos homossexuais, essa declaração é um "passo muito importante e inédito" da Igreja rumo ao reconhecimento de uma união civil entre pessoas do mesmo sexo.

No entanto, há um ano, a Conferência Episcopal tinha se oposto fortemente à resolução da Justiça que autorizava os casamentos homossexuais e transformava as uniões estáveis, uma espécie de pacto civil solidariedade brasileiro introduzido em 2011, em casamento, à espera de que uma lei fosse votada pelo Parlamento em nesse sentido.

Dom Antônio Dias Duarte, bispo auxiliar do Rio, ressalta que Dom Steiner "não se pronunciou a favor do casamento gay. A Igreja brasileira, assim como a Igreja do mundo inteiro, é contrário. Ele lembrou que as pessoas do mesmo sexo que decidem viver juntas devem ser protegidas pelo Estado, como qualquer outro cidadão; mas tal união não deve ser assimilada a um casamento".

A questão homossexual é tratada com muita prudência na poderosa Igreja brasileira. Mas, há alguns meses, ela deu vários passos. No ano passado, uma nota da CNBB intitulada "Uma nova paróquia" insistia na importância da acolhida, por parte da Igreja, das "novas situações familiares", como as "crianças adotadas por pessoas solteiras ou por pessoas do mesmo sexo que vivem em união estável".

Em janeiro, o padre-estrela Fábio de Melo tomou posição na televisão em favor da união civil para os homossexuais. Mais recentemente, no fim de abril, por ocasião da Parada Gay, a arquidiocese de São Paulo se solidarizou com as associações, defendendo as pessoas homossexuais na sua luta contra a discriminação e a violência de que são vítimas.

Arnaldo Adnet vê na declaração de Dom Steiner a consequência do que o papa confidenciou aos jornalistas depois da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, no seu voo de volta para Roma: "Se uma pessoa é gay e busca o Senhor com boa vontade, quem sou eu para julgar?".

"Muitos padres e bispos dão prova de grande abertura quando se discute a questão da união gay em particular, mas se recusam a fazê-lo em público. O Papa Francisco abriu o caminho para que outros representantes da Igreja possam se posicionar livremente."

"Ainda há muita homofobia no Brasil", lamenta Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia, que registrou 312 assassinatos de homossexuais e travestis no país em 2013. "A declaração de Dom Steiner e a do papa vão na direção certa. Abrem um novo espaço de aceitação. Este século será o da integração".

 

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/532024-igreja-brasileira-da-um-passo-rumo-ao-reconhecimento-da-uniao-civil-dos-homossexuais


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publicado por Riacho, em 12.05.14 às 19:29link do post | favorito

Um livro que parece ser uma longa carta ao Papa Francisco sobre a questão homossexual depois da famosa frase:"Quem sou eu para julgar um gay?". A pergunta da qual se parte: o que é a violência para Jesus? "Violência, paraJesus, é imputar aos diferentes, aos rejeitados e aos oprimidos que eles são constitutivamente negativos, colocando no coração da sua autoconsciência a culpa e o desprezo por serem o que são, mesmo não tendo feito mal a ninguém".

A resenha é da filósofa e jornalista italiana Delia Vaccarello, vencedora do prêmio For Diversity Against Discrimination, da União Europeia. O artigo foi publicado no jornal L'Unità, 07-05-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Se a violência é induzir os "diferentes" a punirem a si mesmos com as próprias mãos, assimilando os ditames de uma doutrina segundo a qual a condição homossexual é uma tendência de "desordem objetiva", torna-se evidente a contradição entre o anúncio de salvação de Jesus e a condenação do amor gay e lésbico por parte da doutrina oficial católica.

Essa é a tese na base do livro de Paolo Rigliano, a partir do dia 12 de maio nas livrarias, intitulado Gesù e le persone omosessuali (ed. La meridiana), que abre à esperança. Com a carta-livro, Rigliano (autor, dentre outros, de Amori senza scandalo, Ed. Feltrinelli; Curare i gay?, Ed. Cortina) reúne entrevistas realizadas ao longo de quatro anos com personalidades de destaque entre as quais aparecem Alberto MaggiVito MancusoFranco BarberoElizabeth Green.

A questão dirigida a todos é: "como seguir Jesus?". E ela é formulada a partir deste princípio: "Para Simone Weil, violência é impor aos outros – os oprimidos – que sonhem e realizem o sonho do dominador, egocêntrico e exclusivo. A mensagem de Jesus nega na raiz essa violência, toda violência: compromete a criar as condições interiores e exteriores para que floresça o desejo e o sonho de cada um – dos diferentes e dos rejeitados em primeiro lugar".

A pergunta, então, torna-se uma vara divinatória que busca uma solução capaz de promover uma "relacionalidade nova" reconhecida pela doutrina: "Eu perguntei aos meus interlocutores como seguir Jesus e, portanto, dialoguei com eles sobre por que e como realizar uma acolhida integral da vida e do amor das pessoas lésbicas e gays: como fundamentá-lo e anunciá-lo, como antecipá-lo e suscitá-lo".

Das respostas de Elizabeth Green, vem à tona que Jesus não fala de homossexualidade porque isso não lhe interessa, porque o Evangelho "nos liberta da necessidade de criar categorias como 'homossexuais', 'mulheres', 'imigrantes', das quais eu tenho que me separar e que eu tenho que excluir para conseguir ser eu mesmo ou eu mesma".

Para Green, a "grandeza de Jesus está no fato de que ele se faz próximo de todos e de todas, vai ao encontro de todos e de todas", enquanto a oposição heterossexualidade/homossexualidade enrijece, multiplica as exclusões, engessa a sexualidade.

Alberto Maggi convida a buscar novas respostas: "A grande força que Jesus deu ao Evangelho é quando ele diz: 'O Espírito os acompanhará nas coisas futuras'. Ou seja, a comunidade tem a capacidade, graças ao Espírito Santo, de dar novas respostas às novas necessidades. Não se pode dar respostas velhas para as novas necessidades, portanto não se pode buscar nas Escrituras respostas a essa problemática".

Maggi se mostra confiante nas capacidades da Igreja de encontrar caminhos para evitar a exclusão, justamente porque os fechamentos sobre a sexualidade são e foram muito fortes, a ponto de serem paradoxais, e a reflexão está em andamento: "Ora, o pecado do divórcio é pior do que o de homicídio - diz o padre de Marche –, porque, se você matar a sua esposa e depois se arrepender, você retorna novamente à comunhão da Igreja. Mas se você se divorciar, não há mais perdão para você. É possível que seja mais grave se divorciar de um cônjuge do que matá-lo? Portanto, há comissões estudando isso, também o divórcio e a condição homossexual".

A propósito de "lei natural", com base na qual a homossexualidade é definida como "contra a natureza", Vito Mancusofornece uma leitura alta disso, alinhada com os Evangelhos: "A lei que vivifica a natureza é a lei da relação. Tudo o que favorece a relação está em conformidade com a lei natural; tudo o que impede a relação é contrário à lei natural". E o Evangelho é "relação que busca alimentar os outros a ponto de se fazer alimento, relação que se esvazia para saciar os outros". Portanto, argumenta Mancuso, o Evangelho diz "que esses afetos que você desenvolve em nível físico devem poder ser vividos sob a insígnia da relação total harmoniosa".

Com uma prosa discursiva, o livro, através dos diálogos, mostra como o livre pensamento está presente dentro da Igreja. Ele oferece aos fiéis homossexuais uma nova forma de ler a própria experiência, colocando em primeiro lugar não a lei que exclui, mas sim a relação e o amor de Deus. Ele se inscreve no rastro da interrogação traçada pelo Papa Francisco.


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