ESPAÇO DE ENCONTRO E REFLEXÃO ENTRE CRISTÃOS HOMOSSEXUAIS em blog desde 03-06-2007
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publicado por Riacho, em 08.07.13 às 19:16link do post | favorito

A renovação da Igreja está em curso.

 

O Papa Francisco se dirigiu neste sábado a 6.000 seminaristas e noviças, reunidos no Vaticano, e num discurso totalmente improvisado pediu que a Igreja não siga a riqueza e os religiosos sejam coerentes com seu voto de pobreza.

“Neste mundo em que as riquezas causam tanto dano”, disse o Pontífice, “os padres e as freiras temos que ser coerentes com a pobreza. Quando vemos que o primeiro interesse de uma instituição paroquial ou educativa é o dinheiro, isto é uma grande incoerência”, afirmou.

A informação é publicada por Religión Digital, 07-07-2013. A tradução é de Benno Dischinger.

O Papa, que falou durante uma hora aos seminaristas e noviços reunidos na Aula Paulo VI do Vaticano, motivado por uma iniciativa no Ano da Fé, assegurou que aos jovens “enoja” ver um padre ou uma freira que não é coerente.

Quando enfrentou o tema da coerência e da autenticidade como características que devem ter os religiosos, o Papa assegurou: “Justamente a vós, jovens, enoja quando um padre ou uma freira não são coerentes”.

Evangelizar ‘com o exemplo’.

O Pontífice, como já havia recordado em outras ocasiões, assegurou que os religiosos, “como dizia São Francisco, devem evangelizar primeiro com o exemplo e em seguida com as palavras”.

Em seu sermão, interrompido em várias ocasiões pelos aplausos e as risadas, Francisco reiterou em várias ocasiões a necessidade da pobreza na Igreja e assegurou que lhe “dói quando vê uma freira ou um padre com o último modelo de carro”.

“Eu sei que o carro é necessário porque é preciso fazer muito trabalho e ir daqui para lá, mas é melhor um carro humilde e, se vos surgir a tentação de um bom carro, pensai nas crianças que morrem de fome”, agregou.

A intervenção do Papa se produz precisamente uma semana depois que monsenhor Núncio Scarano, - conhecido como ‘monsenhor 500 euros’ – fora detido por ordem do Fisco de Roma sob a acusação de fraude e corrupção. Sua prisão provocou a demissão do diretor e subdiretor do Banco Vaticano.

Ser felizes

O Papa Francisco também advogou no sentido de que os futuros padres e freiras sejam pessoas felizes, e arrancou as risadas dos presentes ao explicar que “um religioso não pode ter cara de pimenta em vinagrete”.

Sobre o voto de castidade, o Papa assegurou que este “não termina no momento do voto” e que os padres e freiras podem ser “mães e pais pastorais de uma comunidade”.

O Papa também criticou o que chamou a “atual cultura da provisionalidade” e que leva a dizer: “Eu me caso enquanto durar o amor” ou “serei freira somente por alguns anos”.

“Esta cultura do provisional nos afeta a nós todos. Em meus tempos isso era mais fácil porque a cultura favorita era a do definitivo”, explicou.

O Papa gracejou sobre a duração desta audiência ao perguntar quanto tempo tinham à disposição e Monsenhor Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho pela promoção da nova evangelização, contestou ”que podiam permanecer até amanhã”.

“Pois se podemos ficar até amanhã, é bom trazer a todos um sanduíche e uma Coca-Cola“, continuou o gracejo, arrancando um aplauso e as risadas dos seminaristas.

O Papa também instou aos futuros padres e freiras a não falaram mal dos demais, deixar de lado “as fofocas”, porque são “somente fruto dos ciúmes e das invejas”.

Também os aconselhou que não “pratiquem o esporte” dos padres mais idosos, o do lamentar-se, e lhes disse: „Não sigais a deusa da Queixa. Sede positivos, continuai a vida espiritual e a encontrar as pessoas, sobretudo aquelas mais desafortunadas”.

O Papa terminou pedindo-lhes que rezem por ele porque também é “um pobre pecador”.

Eis um extrato do que o Papa Francisco falou:

“Mons. Fisichella me disse, não sei se seria verdadeiro, que todos vocês têm o desejo de consagrar sua vida para sempre a Cristo”, disse o Papa, que suscitou fortes aplausos.

“Vocês agora aplaudem porque é tempo de bodas, mas, quando terminar a lua de mel, “o que sucederá”? Recordou que um seminarista dizia “quero servir a Cristo por dez anos” e depois iniciar outra vida.  

“Também nós estamos sob a pressão da cultura do provisório”, recordou, “eu me caso enquanto durar o amor, sou freira ou religioso, mas não sei se passará”. “Isto não vai com Jesus”, reiterou.

Reconheceu que “uma escolha definitiva hoje é mais difícil que em meus tempos”! Porque “somos vítimas de uma cultura do provisório”, e convidou a refletir sobre como “não aceitar esta cultura”.

E sobre o tema recordou uma poesia em espanhol: “Esta tarde Señora, la promesa es sincera, pero por las dudas no te olvides las llaves afuera”. E alertou que “se alguém sempre deixa a chave do lado de fora, não é bom, temos que aprender a fechar a porta do lado de dentro”. E recomendou que, se não estou seguro, tomo um tempo e comunicando-me com Jesus, “quando me sinto seguro fecho a porta”.

A Alegria

Comentando a alegria que reinava na sala, se perguntou: A alegria de um seminarista nasce por ter ido dançar no fim de semana com os amigos? Ou centra-se, por exemplo, em possuir o último modelo de smart phone, ou o scouter mais rápido? O automóvel que se faz notar, “eu lhes digo verdadeiramente, a mim me faz mal quando vejo um padre ou uma freira com um automóvel último modelo. Não se pode! O carro é necessário, mas que seja um mais humilde e, se te agrada um carro lindo, pensa somente em quantas crianças no mundo morrem de fome”.

O Papa precisou que a verdadeira alegria não vem do ter, mas do encontro nas relações com os outros, do sentirem-se amados e compreendidos. Porque a alegria nasce da gratuidade de um encontro. A alegria “do encontro com Jesus“ e do “sentir-se amados por Deus”.

“Quando alguém se encontra - prosseguiu o Santo Padre – com um seminarista ou uma noviça demasiado triste, pensa: algo aqui não funciona, porque falta a alegria do Senhor, que conduz o serviço do encontro de Jesus e que te leva a encontrar-se com os outros” e mencionou o dito de Santa Teresa “Um santo triste é um triste santo”. E convidou a não ser desses com cara de pepinos em vinagre”.

Fecundidade pastoral e celibato

O Papa indicou: “Um padre ou uma freira sem alegria é triste” e indicou um problema de insatisfação. Aprofundou que é um problema de celibato, porque os religiosos têm que ser castos e ao mesmo tempo fecundos, porque têm que ser padres ou madres da própria comunidade.

Coerência e autenticidade

O Santo Padre sublinhou, ademais, a importância da coerência e autenticidade, recordou como Jesus fustigava os hipócritas e a dupla face. “Se queremos jovens coerentes, sejamos nós coerentes”, disse. Fazer como São Francisco, recordou o Santo Padre, porque ele convidava a ensinar o Evangelho também com a palavra. Ou seja, principalmente com a autenticidade da vida.

Pobreza

“Neste mundo em que a riqueza faz tanto mal é necessário que nós sejamos coerentes com nossa pobreza”. Quando se vê que uma instituição ou uma paróquia pensa primeiramente no dinheiro, não age bem, é uma incoerência. Porque “é em nossa vida que os outros têm que ler o evangelho”. 

Transparência com o confessor

E o Papa perguntou: “há aqui na Aula alguém que nunca tenha pecado? E convidou a ter transparência com o confessor “e não ter medo de dizer: padre, pequei”. Porque “Jesus sabe a verdade e te perdoa sempre, mas quer que lhe digas o que Ele já sabe”. Que triste, constatou, “quando um sacerdote ou freira peregrina pelos confessionários para esconder sua verdade”.

Preparação em diversas dimensões da vida

O pontífice convidou a preparar-se culturalmente “para dar razão sobre a fé e a esperança”. O contexto no qual vivemos “nos pede darmos as razões, não darmos nada por descontado”, disse.

Vida comunitária

Uma preparação que una as diversas dimensões da vida, em particular a “vida espiritual, intelectual, apostólica, a vida comunitária”. E precisou: “É melhor o pior seminário que nenhum seminário, porque é necessária a vida comunitária”.

Não falar mal dos outros

Recordou também as relações de amizade e fraternidade e o dano dos ‘mexericos’ numa comunidade. E isto em nosso mundo clerical e religioso é comum. Também eu caí nisso tantas vezes e me envergonho disto, isso não está bem, o ‘escutaste’? Isso é um inferno numa comunidade. Se tenho um problema com alguém, eu lho digo de frente e não por trás.

Uma vez uma freira me disse que havia feito a promessa ao Senhor de nunca falar mal dos outros. E, se é preciso dizê-lo, fazê-lo ao superior. Nunca a quem não pode ajudar.

Fraternidade

Advertiu, ademais, do perigo dos extremos: “seja preferível o isolamento que a dissipação”; e a verdadeira amizade é que evita isto.

Duas dimensões: transcendência e o próximo

“Saiam vocês a pregar o evangelho e para encontrar Jesus”, disse. Uma saída é a transcendência e a outra é para os demais, para anunciar Jesus. Uma só não funciona.

E recordou Madre Teresa de Calcutá que “não tinha medo de nada”, porque “essa freira se ajoelhava por duas horas diante do Senhor”.

Uma Igreja mais missionária

Queria uma Igreja mais missionária e menos tranquila. E recordou sua emoção ao saudar religiosos que estão em lugares de evangelização. Dêem sua contribuição a uma Igreja fiel ao caminho de Jesus. Não aprendam de nós, esse esporte que nós velhos praticamos é muitas vezes o do lamento, o culto da deusa lamentação.

E deu alguns conselhos finais: Sejam capazes de encontrar as pessoas mais desavantajadas; não tenham medo de ir contra a corrente; rezem o rosário; tenham a Virgem com vocês em vossa casa como o apóstolo são João e rezem também por mim, que sou um pobre pecador, mas vamos em frente. E concluiu convidando a não serem “nem solteirões nem solteironas”, senão terem a fecundidade apostólica.

 

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/521746-doi-ver-uma-freira-ou-um-padre-com-o-ultimo-modelo-de-carro


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publicado por Riacho, em 10.05.12 às 00:17link do post | favorito

João Paulo I, um papa à frente do seu tempo. Terá morrido de morte natural?

 

João Paulo I: “Sim a mesquitas e uniões de fato”

Os fiéis islamitas “têm direito de construir para si uma mesquita”, e se “quereis que os vossos filhos não se tornem muçulmanos, deveis usar melhor o catecismo”. Palavras de Albino Luciani, que assim explicava, no final do Concílio, o decreto sobre a liberdade religiosa. O futuro Papa, poucos meses antes da nomeação a patriarca de Veneza, abrirá à possibilidade de um reconhecimento a casais de fato, com a finalidade, nas suas intenções, de evitar a introdução do divórcio na Itália.

Estes são alguns dos episódios contidos no volume “João Paulo I”, a biografia do Papa Luciani, escrita por Marco Roncalli (São Paulo, 734 páginas). Graças a testemunhos e documentos inéditos, o autor contribui para desmentir o consolidado clichê de Luciani “conservador”.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada em “La Stampa”, 20-04-2012. A tradução é de Benno Dischinger.

Atuais, quase cinquenta anos após, são as palavras que Luciani pronunciava em novembro de 1964, explicando a declaração conciliar Dignitatis humanae: “Os não católicos têm o direito de professor a sua religião e eu tenho o dever de respeitar o seu direito: eu, cidadão privado, eu padre, eu bispo, eu Estado”. “Algum bispo – afirmava Luciani – se espantou ... Há quatro mil muçulmanos em Roma: eles têm direito de construir para si uma mesquita. Não há nada a dizer: é preciso deixá-los fazer. Se quiserdes que os vossos filos não se façam budistas ou não se tornem muçulmanos, deveis usar melhor o catecismo, fazer de modo que sejam verdadeiramente convencidos de sua religião católica”.

Nos “pensamentos à família”, recolhidos nos primeiros meses de 1969, o então bispo de Vitório Vêneto, abre, com cautela, às “uniões de fato” como um “mal menor” para evitar a introdução do divórcio. Luciani precisa que estas uniões não deveriam ser equiparadas ao matrimônio, mas acrescenta: “Existem, inegáveis, as situações patológicas da família, os casos dolorosos. Como remédio, alguns propõem o divórcio que, vice-versa, agravaria os males. Mas, algum remédio, fora do divórcio, não se pode então encontrar? Tutelai uma vez a família legítima e dado a esta um lugar de honra, não será possível reconhecer com todas as cautelas do caso algum “efeito civil” às “uniões de fato”?

É a mesma sensibilidade que nos meses precedentes a publicação da encíclica Humanae vitae de Paulo VI, a cujo ensinamento prontamente aderirá, fará ser Luciani “moderadamente liberal” sobre a pílula anticoncepcional, desde que fosse usada com “intenção reta”, com o propósito de “pôr no mundo o número dos filhos que se podem convenientemente manter e educar”. À objeção que essa posição fosse contrária à lei natural, responda: “A natureza quer que nós sejamos mais pesados do que o ar: não obstante, fazemos bem em viajar” de avião. O exemplo, explica dom Taffarel, já secretário de Luciani em Vitório Vêneto, tem este significado: “O avião que para voar vence a lei da gravidade, viola as leis da natureza, mas ninguém diz que os pilotos cometam pecado. Assim, se perguntava: por que não se pode vencer a natureza sem pecar?”

No livro afirma-se que já no dia seguinte após a eleição papal, ocorrida aos 26 de agosto de 1978, João Paulo I teria querido voltar sobre os seus passos: “Não sei como tenha podido aceitar. No dia seguinte eu já estava arrependido, mas agora era demasiado tarde”, lê-se numa carta escrita pelo Papa, cujo conteúdo foi revelado ex-presidente da Ação Católica Mario Agnes.

Enfim, é preciso citar o testemunho do padre xaveriano Gabriele Ferrari, que aos 2 de maio de 1978, encontrando o patriarca Luciani, ouviu este dizer: “Há algum tempo não estou bem...”. “Enquanto o dizia, tocou o peito com a mão e acrescentou: “Há tempo tenho um grande mal-estar aqui”.


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publicado por Riacho, em 10.01.12 às 23:32link do post | favorito

Uma entrevista que merece uma séria reflexão interna na Igreja de hoje

“Há medo na Igreja”

Entrevista do António Marujo a José Maria Castillo Sánchez.
Por António Marujo

 

Jesuíta durante 52 anos, abandonou a ordem aos 78. Hoje diz que a Igreja quer continuar a manter um grande poder sobre a sexualidade, mas que já não o consegue fazer. E que sofreu muito com a proibição que lhe foi imposta de deixar de ensinar Teologia. José María Castillo Sánchez, granadino nascido em 1929, viveu quase toda a sua vida como padre da Companhia de Jesus. Saiu, abandonando também o

ministério de padre, para manter a liberdade de pensar. Diz que há um grande medo na Igreja, critica a pressão do Vaticano sobre os teólogos e assume que a Igreja Católica deve voltar a um modelo mais próximo e fiel ao Evangelho de Jesus. Assegura que não quer uma Igreja paralela nem reinventar a que existe, mas que esta tem de mudar muitas coisas. Por duas vezes, em Outubro último e um ano antes, José María Castillo participou nos colóquios Igreja em Diálogo, promovidos em Valadares pela Sociedade Missionária da Boa Nova e organizados pelo filósofo e teólogo Anselmo Borges. Na apresentação que dele fez em Outubro, Anselmo Borges disse: “É um homem livre.”

                                  

ENTREVISTA:

Deixou os jesuítas aos 78 anos, após 52 anos na ordem. A sua vida foi um engano?

Não, não tenho essa sensação. Fiz o que tinha a fazer em cada momento. A partir dos anos 1980 comecei a ter dificuldades em publicar livros. Os jesuítas são uma ordem de gente muito aberta, há uma grande liberdade. Por isso há gente de extrema-direita e de extrema-esquerda, conservadores e progressistas. Os jesuítas a mim não me colocaram dificuldades.                       Não tenho queixas contra os jesuítas.

 

Foi a Congregação para a Doutrina da Fé, do Vaticano?

Sim. Mas quero que conste a minha gratidão para com os jesuítas. Tudo o que sou e sei devo-o aos jesuítas. O que acontece é que a Companhia de Jesus é uma instituição dentro de outra instituição maior que é a Igreja [Católica].
É daí que vêm as dificuldades. Sobretudo os pontificados de João Paulo II e, agora, de Bento XVI, têm sido muito duros com a teologia.

 

Começou por ter problemas em 1988, ao criticar o modelo de Igreja. O que estava em causa?

Na realidade, não sei. Proibiram-me que continuasse a ensinar Teologia. Pedi insistentemente que me dessem uma explicação, nunca a consegui. Esse é um dos problemas: condenam-se os teólogos, muitas vezes, sem dizer-lhes exatamente o que está em causa…

No meu caso, é claríssimo: a única explicação que me deu o provincial [superior] dos jesuítas [em Espanha] é que o atual Papa, quando era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cardeal Ratzinger, foi visitar o geral dos jesuítas com o cardeal de Madrid.
O que falaram não sei. A Santa Sé não me comunicou e o geral dos jesuítas, o padre [Peter-Hans] Kolvenbach, só me falou de um desafeto para com a Igreja, de um espírito crítico. Mas não me referiu pontos concretos contra a fé, porque eu tive muito cuidado em não atacar nenhuma dessas questões. Para mim foi um golpe muito duro: tive uma depressão muito forte.

 

O seu blogue intitula-se Teologia sem censura. A teologia continua a ser censurada?

Agora, mais do que nunca.

 

Mais do que nos tempos do Papa Pio XII, por exemplo?

Sim. O controlo agora é muito forte, através dos bispos, mais do que em nenhuma outra instância. Falei com um professor de um importante instituto teológico de Roma, que me referia o clima de medo que há nos seminários e institutos. Sobretudo entre os professores, porque as denúncias são muito frequentes e as pessoas têm medo de perder o posto de trabalho. O medo bloqueia as pessoas. O medo paralisa.

 

Isso tem consequências?
Deu-se um fenômeno terrível desde [o Papa] Paulo VI: o empobrecimento da teologia. Passou a geração dos grandes teólogos que fizeram o Concílio [Vaticano II] e não apareceu outra. Pode haver muitos fatores, mas é claro que a pressão de Roma é muito forte. A criatividade teológica desapareceu.
Este foi o motivo principal que me motivou [a sair]. Pensei durante mais de 25 anos: em 1983, já tinha pedido ao meu provincial para sair dos jesuítas. Já nessa altura era muito difícil…

 

Não foi um processo brusco?

Não, foi longo e muito duro. Fez-me muita luz ler o diário do padre [Yves] Congar. Ele conta o drama que viveu nos tempos do Papa Pio XII: foi três vezes desterrado de França, teve tentações sérias de suicídio… [Bernard] Häring, pouco antes de morrer, dizia, num pequeno livro [A Igreja Que Eu Amo, ed. Figueirinhas], que teve dois processos: um da Gestapo, durante a II Guerra Mundial, e outro do Santo Ofício, depois do Concílio. E dizia: “Prefiro o da Gestapo, é mais suportável.”

 

Dizia que, para si, foi também muito duro…

Sobretudo os oito anos em que estive com uma depressão. Tive uma circunstância que me ajudou a ultrapassá-la: a proibição [de ensinar Teologia] foi em 1988. Em 1989, deu-se o assassinato de seis jesuítas em El Salvador. Pediram ajuda a jesuítas espanhóis que pudessem ir para lá. Perguntei se podia ir. Como era uma universidade católica não sujeita à disciplina da Congregação para a Doutrina da Fé, pude ir ensinar, três meses por ano, desde 1990 e durante 15 anos.
Para mim foi muito rico, não me senti totalmente excluído. O encontro com o sofrimento do Terceiro Mundo foi determinante. Na evolução do meu modo de ver a sociedade e a função da teologia, o papel e o trabalho da Igreja, foi uito enriquecedor.

 

Dá a impressão que as condenações do Vaticano são, sobretudo, para quem fala da estrutura da Igreja e de questões morais. É assim?

A Igreja acabou por se organizar de maneira que o centro da vida cristã de muita gente não é já o Evangelho, mas a própria Igreja. Para muitas pessoas, tem mais importância o que diz o Papa do que o que diz o Evangelho.
Isto é uma traição ao Evangelho, uma desorientação total em relação ao que a Igreja tem de fazer no mundo: não magnificar a figura do Papa e do poder eclesiástico, mas exatamente o oposto, fazendo o que Jesus disse aos discípulos, que deviam ser como crianças, que tinham de andar pela vida sem dinheiro, sem sandálias… Hoje, uma viagem do Papa é exatamente o
contrário.

 

Criticou no seu blogue, em tempos, o modelo dessas viagens. O Papa não deve viajar?

Deve viajar, mas como um cidadão, apresentando-se modestamente. Não deveria ser chefe de Estado, pois isso não faz parte da fé nem faz nenhum bem à Igreja. Devia retirar todo o protocolo e a diplomacia, pois isso é hipotecar a liberdade do Papa e da Igreja. Não se sabe quantos milhões de euros custa uma viagem do Papa. Não me parece que os valores que se gastam tenham justificação pastoral, apostólica, evangélica, teológica ou religiosa…

 

Não faz falta também que, nas viagens, o Papa possa escutar o que sentem as comunidades católicas, as vozes alternativas?…

Claro, teriam de ser organizadas de maneira completamente diferente, para que o Papa pudesse escutar as pessoas, inteirar-se do que se passa em cada sítio. Uma das experiências mais curiosas que tive, enquanto simples padre, foi que, ao sair dos jesuítas, passou a haver gente que já nem sequer me saúda. Eu pensava que eram grandes amigos. Eram amigos do jesuíta, não de José Maria. As pessoas relacionam-se com a personagem, não com a pessoa.

 

Fala de católicos?

Sim. Religiosos, padres… Bispos nem falo, porque sei que, em Espanha, eles têm uma lista de nomes proibidos. E eu estou na lista. Se eu for dar uma conferência em qualquer sítio de Espanha, tem de ser num lugar laico. Se for num sítio religioso raramente me chamam, mas, se o fazem, o bispo proíbe-o.

 

No seu livro La Humanización de Dios (A Humanização de Deus), sugere que a teologia e a Igreja deveriam preocupar-se mais com o humano e menos com o celestial…

Não pode ser outro caminho. A razão tem a ver com o mistério central do dogma cristão: a encarnação de Deus, em Jesus. Deus, para salvar, humanizou-se. O caminho da salvação é o caminho da humanização.
A Igreja não pode pretender emendar o projeto de Deus. Tem de ser, antes, humanizada no ser humano como foi Jesus, que viveu de maneira determinada e como um trabalhador normal.
Eu tão-pouco gosto muito de exaltar a pobreza… Vivi mais de 50 anos o voto de pobreza e agora é que me dou conta do que realmente significa a pobreza.

 

Vive com dificuldades?

Não passo dificuldades, porque vivo com uma família numa casa onde não falta nada. Mas vivo com a pensão mínima de Espanha que, com os complementos, fica em 600 euros. Mas, se eu receber mais de seis mil euros por ano de outras origens, como os livros, fico apenas com 340 euros mensais…
Para mim, houve dois motivos para sair: a liberdade de pensar e dizer o que penso. E o segundo foi viver a normalidade, não ser uma pessoa notável, distinguida. Ser um cidadão qualquer e morrer como um cidadão qualquer. Não sei se estou equivocado, se sou utópico ou um ingênuo.

 

Falávamos do seu livro e da humanização de Deus…

O projeto de Deus para salvar foi o de humanizar-se. A Igreja e a teologia nunca o deveriam esquecer. O caminho da salvação não é o da divinização nem o do endeusamento, mas o da humanização. Só humanizando-nos, sendo cada vez mais profundamente humanos, podemos corrigir este mundo, aliviar o sofrimento humano, dar esperança às pessoas, estar perto de quem sofre.
No livro Las Victimas del Pecado (As Vítimas do Pecado), critica fortemente a relação entre pecado e castigo de Deus. Isso continua relacionado com a atitude da Igreja?
Claro, porque dá jeito à Igreja o tema do pecado, para exercer e potenciar o seu poder. O poder específico da religião é o poder sobre as consciências, a religião não tem poder civil…

 

Não tem exércitos, como pensava Estaline…

… mas tem um poder que nenhum poder humano tem, que é o poder sobre a consciência. O poder civil e militar até pode tirar a vida. Mas a religião chega a algo mais íntimo e mais fundo, à intimidade da consciência, onde cada qual se sente a si mesmo como uma pessoa ou como um canalha.
Na cultura do tempo de Jesus, a doença estava ligada ao pecado, era um castigo do pecado. Ele rompe com isso. Quando cura ou perdoa, o que devolve em primeiro lugar, antes da saúde, é a dignidade da pessoa.

 

Escreve também que Jesus foi morto por razões religiosas e políticas. Por quê?

A razão fundamental é que ele enfrentou claramente a concepção de Deus do judaísmo daquele momento. Havia a ideia de um Deus ameaçador e castigador, juiz. Jesus propõe como modelo o pai que perdoa todos e acolhe sempre, o pai do filho pródigo, que acolhe o que se perde e censura o que está a trabalhar em casa.
Jesus foi laico. O seu conflito mais forte foi com os sacerdotes [judaicos], com os funcionários do Templo, com a lei [religiosa], dizendo que o homem não era para o sábado, mas o sábado para o homem – ou seja, o homem não é para submeter-se à lei, esta serve para potenciar a humanidade.
Quando à religião se lhe tira o templo, os sacerdotes e a pressão sobre a consciência, o que fica? Fica-se sem o aparato que a sustém e a torna importante. O que interessa é uma religião que humanize, que nos liberte da desumanização e nos torne cada vez mais humanos.

 

Mas Jesus tinha de ser morto ou não? Há uma teologia que diz que Jesus tinha de ser morto para cumprir a vontade de Deus…

Isso já é a reinterpretação de Paulo, depois da ressurreição. Paulo não conheceu Jesus e dizia que Jesus “segundo a carne” não lhe interessava. Não se interessou em saber por que mataram Jesus, mas defronta-se com a questão de ele ter morrido crucificado, que era a morte mais horrenda daquele tempo.
Por outro lado, Paulo via Cristo glorificado e exaltado como filho de Deus.
O cristianismo primitivo viu-se com a dificuldade de explicar como acreditava num Deus crucificado. Paulo encontrou a explicação na teologia do sacrifício e da expiação do Antigo Testamento, que não está no Evangelho: Jesus foi morto porque teve um confronto com os poderes religiosos e, indiretamente, também com o poder político.

 

Fala também do modo como a Igreja vê ainda Jesus, quase numa perspectiva monofisista subtil. O debate vem dos primeiros séculos: Jesus era Deus ou homem?

Em primeiro lugar, foi homem. Através de São Paulo e dos Atos dos Apóstolos, sabemos que foi exaltado depois da ressurreição. Jesus é Deus? Esta é uma pergunta que supõe que eu já sei quem é Deus e como é Deus. Esse é o problema: Deus é o transcendente e não está ao nosso alcance.

 

E não se sabe como é?

Não sabemos. Deus está além do limite da nossa capacidade de conhecimento. Por isso é Deus. Quer dizer que o que conhecemos são representações de Deus que nós fazemos. Por isso, cada religião representou-o de maneira diferente.
O cristianismo tem um problema tremendo: o Deus do Antigo Testamento, que é nacionalista e violento, também é o Deus dos salmos, de amor e bondade. Os textos da violência, no Antigo Testamento, são terríveis.
Depois, há o Deus de Jesus, encarnado e humanizado. Não vale dizer que há um progresso de revelação, isso seria uma contradição. Porque se é nacionalista e violento, não pode ser Deus para todos e sempre bom. São coisas contraditórias.

 

Em que sentido?

O cristianismo confronta-se com três imagens de Deus. O mínimo que se pode pedir a uma religião é que tenha claro em que Deus crê. O cristianismo não tem nem pode ter. Uma pessoa que vá à missa ao domingo ouve um texto de violência na primeira leitura, depois um texto de Paulo falando do sacrifício e de Deus necessitar da morte do seu filho e, finalmente, um
texto sobre Jesus, que amava as crianças, os pobres e os pecadores. Não se pode estar de acordo com coisas contraditórias.

 

Falava do controle da Igreja sobre as consciências. Mas isso é na moral sexual porque, se falamos de questões sociais e de dinheiro, a Igreja parece menos dura…

A Igreja tem uma moral sexual que vai até ao último detalhe. Na moral social e econômica, são afirmações genéricas. E isto vem de São Paulo. Ele condenou a homossexualidade e a Igreja não a tolera. Isso é uma coisa terrível. A pressão social faz com que muitos [homossexuais] não saiam do armário. E entre o clero também há muitos.
É uma questão de poder. Quem controla a vida afetiva e sexual de uma pessoa controla a pessoa. Por isso o controle da sexualidade é tão forte na Igreja – ou pretende ser, porque cada vez mais as pessoas fazem menos caso, é um fracasso.
Isto não sucede só na Igreja Católica. Há grupos protestantes que são enormemente estritos em tudo o que é sexual e enormemente tolerantes em tudo o que é econômico. Trata-se de uma questão de poder. O dinheiro dá poder. Estar perto dos que têm dinheiro dá poder. E também o controlo da sexualidade, da afetividade e da emotividade, dá poder.

 

Nessa estrutura de poder, o que deveria mudar?

A Igreja teria de ser repensada de modo completamente distinto. Primeiro, mudar o papado. Não a pessoa do Papa, mas a instituição, que teria de inspirar-se no que foi o modelo da vida de Jesus e dos discípulos. E pensar até onde pode o papado aproximar-se desse modelo. Não sou tão ingênuo pensando que vá mudar já. Mas há coisas que se poderiam fazer: que os eleitores do Papa não fossem os cardeais, mas as conferências episcopais; segundo, que o cargo não fosse vitalício, mas a prazo; depois, que deixasse de ser chefe de Estado…

 

Isso significava acabar com a diplomacia do Vaticano?

Sim, acabar com tudo isso. A Igreja não tem de relacionar-se por interesses ou pactos políticos, mas pela sua exemplaridade evangélica. Quando o Papa vai a um país, não pode anunciar o Evangelho. Faz um discurso convencional, de coisas muito genéricas. Diz-se coisas mais concretas, são relacionadas com a sexualidade ou com os direitos e privilégios da Igreja. Mas não mais.

 

Essas mudanças como devem acontecer? Por decreto do Papa, com um concílio, pela base?…

Não me parece, estou muito pessimista, agora. Um Papa nunca irá assinar tal decreto. E um concílio, agora, não quero que aconteça. Porque o papado de João Paulo II foi muito longo e Bento XVI segue a mesma linha. Nestes mais de 30 anos, houve uma política de nomeação de bispos que têm de ser integralmente submissos e obedientes a Roma, com uma mentalidade
fundamentalmente conservadora. E, para que tenham estas duas coisas, são gente sobretudo medíocre.

 

Então o que é preciso? Uma revolução?

A base, não uma revolução. Não sou partidário de uma Igreja paralela. Nem se trata de inventar agora a Igreja. O que pretendo é recuperar as origens, a inspiração profética e carismática de Jesus.
Não tenho direito nem a pedir que voltemos ao Evangelho? Naturalmente, vivendo-o noutras circunstâncias, com a cultura, o desenvolvimento, a economia, a sociedade… Mas pode-se viver [como o Evangelho diz]. Monsenhor Óscar Romero viveu-o, em El Salvador. E mataram-no. O bispo Pedro Casaldáliga tem vivido assim no Brasil. Tantos bispos, tantos padres, tantas
religiosas que vivem isso… Isso dá jeito quando é para dizer que a Igreja se preocupa com o Terceiro Mundo, com o sofrimento… Mas, normalmente, essas pessoas estão mal vistas em Roma.

 

in Público, Terça-Feira 03/01/2012
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publicado por Riacho, em 10.10.10 às 23:13link do post | favorito
O Movimento Internacional Nós Somos Igreja – Portugal,
com o apoio do Convento de S. Domingos,
tem o prazer de anunciar uma

Conferência

Igreja: a Mudança Desejada

pela Teóloga Teresa Toldy

Luísa Ribeiro Ferreira fará a apresentação da conferencista
Pedro Jorge Freitas será o moderador do debate

Data: 16 de Outubro de 2010 às 17.30
Local: Convento de São Domingos
Rua João Freitas Branco Nº 12, 1500-359 Lisboa
Metro: Alto dos Moinhos
Estacionamento fácil nas imediações e no pátio do Convento

Entrada Livre

Teresa Maria Martinho Toldy teóloga, católica, escritora e professora, é Professora Associada da Universidade Fernando Pessoa, onde é docente desde 1997. Doutorada em Teologia pela Philosophisch-Theologische Hochschule Sankt Georgen, em Frankfurt/Main (Alemanha), a sua tese de doutoramento Gott und Wort Gottes in der feministischen Theologie. Bilanz und Anfrage foi publicada em português Deus e a Palavra de Deus na Teologia Feminista. Balanço e questionamento, Lisboa, 1998. Foi igualmente autora de A questão da identidade laical à luz da Lumen Gentium e dos desenvolvimentos pós-conciliares Lisboa, 1990 e participou com ensaios seus em várias obras, entre as quais destacamos Dizer Deus – Imagens e Linguagens. Os textos da fé na leitura das mulheres, coordenação de Manuela Silva, Lisboa, 2003 e Dicionário da Crítica Feminista, orgs. Ana Gabriela Macedo e Ana Luísa Amaral, Porto, 2005.

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publicado por Riacho, em 23.08.10 às 19:31link do post | favorito

Uma revolução "pode já ter começado" na Igreja Católica da Irlanda. Essa foi uma afirmação ouvida na Humbert Summer School, em Castlebar, no condado de Mayo, na Irlanda, na noite da última quinta-feira.

A reportagem é de Patsy McGarry, publicada no jornal Irish Times, 20-08-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O comentarista religioso norte-americano Robert Blair Kaiser (foto) disse em um discurso que as notícias da última semana sobre a convocatória de Jennifer Sleeman, 80 anos, a um boicote da missa dominical do dia 26 de setembro em protesto contra o tratamento do Vaticano para com as mulheres sugere que "essa avó de Cork" pode "já ter começado uma revolução".

"Ela obviamente acredita no que eu acredito, que vocês podem ter voz e voto em sua própria Igreja e ainda serem católicos e, ao mesmo tempo, irlandeses", disse.

Autor de 13 livros, muitos sobre a reforma da Igreja Católica, Kaiser foi homenageado com um um prêmio Overseas Press Club pela sua cobertura do Concílio Vaticano II como correspondente da revista Time.

Ao falar na noite dessa quinta-feira sobre o tema "Reforma da Igreja Católica: Tronos nunca mais", ele disse que, "até a revolução copernicana, os monarcas exerceram o controle absoluto sobre seus súditos por direito divino. Mas quando os povos do mundo, informados sobre uma nova cosmologia, colocaram o direito divino dos reis na lixeira da história, eles se esqueceram de também jogar no lixo o direito divino dos papas".

E enfatizou: "Não estou atacando a nossa fé católica. Estou falando sobre a tirania especial e corrosiva que os papas têm exercido sobre os católicos em todos os lugares".

O primeiro cardeal da Irlanda, Paul Cullen, no século XIX, e o arcebispo de Dublin, John Charles McQuaid, no século XX, "estabeleceram a cultura clerical na Irlanda, que a juíza Yvonne Murphy identificou como a causa central dos escândalos irlandeses que fizeram com que vocês e o seu país vacilassem".

Ele disse que "durante mil anos, os papas promoveram uma Igreja clerical em vez de uma Igreja de Jesus. Os Padres do Concílio Vaticano II trabalharam durante sérios quatro anos para dar a Igreja novamente para o povo. E os papas João Paulo II e Bento XVI passaram os 30 anos seguintes anulando seus trabalhos e permitindo que a corrupção reinasse, um movimento que deixou a nossa Igreja, que é o corpo de Cristo na terra, despedaçada".

"Vocês podem ajudar a criar uma Igreja do povo?", questionou. "Sim! Vocês podem, se quiserem. Nesse contexto, eu gostaria de citar o Papa João Paulo II. Em 1978, ele viajou para Varsóvia e disse a milhões de poloneses: 'Vocês podem pegar o seu país de volta se exigirem isso'. Vocês poderiam dizer a mesma coisa: 'Nós podemos tomar de volta a nossa Igreja se exigirmos isso'".

"Os poloneses estavam lutando contra todas as possibilidades – o próprio poderio militar da União Soviética. Mas venceram a batalha".

Ele disse que "as notícias da última década sobre a nossa Igreja em ruínas e que abusa de sua autoridade podem querer nos dizer que a mudança já está acontecendo, e acontecendo mais rápido do que se pensa".

Em resposta, o vice-editor do jornal Irish Catholic, Michael Kelly, disse que o clericalismo na Igreja "foi o cerne do escândalo dos abusos sexuais". Por "clericalismo", ele se referia a "uma mentalidade elitista, junto com estruturas e padrões de comportamento correspondentes a ela, que consideram como dado que os clérigos são intrinsecamente superiores aos outros membros da Igreja e merecem deferência automática. A passividade e a dependência são a sina dos leigos".

Para ler mais:

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=35603


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