ESPAÇO DE ENCONTRO E REFLEXÃO ENTRE CRISTÃOS HOMOSSEXUAIS em blog desde 03-06-2007
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publicado por Riacho, em 08.06.12 às 22:35link do post | favorito

papa e o Vaticano estão cada vez mais defendendo a ideia de uma Igreja remanescente – uma Igreja pequena e pura que se vê muitas vezes em oposição ao mundo ao seu redor. Parece como se as autoridades da Igreja não estão nada preocupadas com aqueles que deixam a Igreja. Qualquer outra organização tomaria medidas fortes para remediar a perda de um terço de seus membros.

A opinião é do teólogo norte-americano Charles E. Curran, professor da cátedra Elizabeth Scurlock de Ética Cristã daSouthern Methodist University. O artigo foi publicado no sítio do jornal National Catholic Reporter, 06-06-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

A condenação por parte da Congregação para a Doutrina da Fé ao premiado livro da Ir. Margaret Farley, das Irmãs da MisericórdiaJust Love: A Framework for Christian Sexual Ethics, não é nenhuma surpresa. A Congregação insiste que o livro "não pode ser usado como uma expressão válida da doutrina católica" porque discorda do magistério hierárquico sobre masturbação, atos homossexuais, uniões homossexuais, indissolubilidade do casamento, divórcio e segundo casamento.

Há uma longa lista de teólogos morais católicos cujas obras sobre ética sexual, em um veio semelhante, foram condenados ou censurados pela Congregação para a Doutrina da Fé ao longo dos últimos 40 anos. O Papa João Paulo II escreveu a sua encíclica Veritatis splendor, em 1993, por causa da discrepância entre o ensino oficial da Igreja sobre questões morais e o ensino de alguns teólogos morais, até mesmo nos seminários. Segundo o papa, a Igreja está "enfrentando o que certamente é uma crise genuína, que não se trata já de contestações parciais e ocasionais, mas de uma discussão global e sistemática do patrimônio moral".

Todos têm que reconhecer que há uma crise real como essa na Igreja hoje. Mas a crise não é apenas uma crise na teologia moral: ela envolve uma crise na Igreja como um todo e na nossa própria compreensão da Igreja Católica. De acordo com o respeitado Pew Forum on Religion & Public Life, uma em cada três pessoas que foram educadas como católicas romanas nos Estados Unidos já não é mais católica. A segunda maior "denominação" nos EUA é de ex-católicos. Uma em cada 10 pessoas nos EUA é ex-católica. Todos nós temos experiência pessoal daqueles que deixaram a Igreja por causa do ensino sobre questões sexuais. Questões relacionadas, incluindo o papel das mulheres na Igreja, o celibato para o clero e o fracasso das lideranças eclesiais em lidar com o escândalo dos abusos infantis e o seu encobrimento, também foram reconhecidas como razões pelas quais muitas pessoas abandonaram a Igreja Católica.

A reação de papas e bispos até teólogos morais revisionistas é apenas uma parte de uma realidade crescente em nossa Igreja hoje. Há uma ladainha de outras ações similares tomadas pelo Vaticano – as restrições impostas àLeadership Conference of Women Religious (LCWR); o controle sobre as atividades da Caritas Internationalis, a agência da Igreja dedicada à ajuda aos pobres; a reação muito negativa das associações de padres na Áustria e naIrlanda; a remoção de Dom William Morris, bispo de Toowoomba, na Austrália, por ter meramente incentivado a discussão sobre o celibato e o papel das mulheres; a nomeação apenas de clérigos muito seguros como bispos etc. E a lista continua.

O que está acontecendo aqui é que o papa e o Vaticano estão cada vez mais defendendo a ideia de uma Igreja remanescente – uma Igreja pequena e pura que se vê muitas vezes em oposição ao mundo ao seu redor. Parece como se as autoridades da Igreja não estão nada preocupadas com aqueles que deixam a Igreja. Qualquer outra organização tomaria medidas fortes para remediar a perda de um terço de seus membros. Mas a Igreja remanescente se vê como uma Igreja forte de fiéis verdadeiros e, portanto, não está preocupada com essas partidas.

Esse conceito de Igreja opõe-se à melhor compreensão da Igreja Católica. A palavra "católico", em sua própria definição, significa grande e universal. A Igreja abraça tanto santos e pecadores, ricos e pobres, homens e mulheres, e conservadores e liberais políticos. Sim, há limites para o que significa ser católico, mas a compreensão de "católico" com "c" minúsculo insiste na necessidade de ser o mais inclusivo possível. Muitos de nós ficaram profundamente impressionados com os gestos do Papa Bento XVI no início do seu papado, ao ir ao encontro emdiálogo com Hans Küng e de Dom Bernard Fellay, chefe do grupo originalmente fundado pelo arcebispo Marcel Lefebvre. Infelizmente, hoje, o diálogo ainda está em andamento com Dom Fellay, mas não com Hans Küng.

O problema básico de tudo isso é a compreensão e o papel da autoridade na Igreja Católica. Essa questão é muito vasta e complicada para ser discutida aqui com detalhes, mas três pontos deveriam orientar qualquer consideração sobre a autoridade na Igreja.

Primeiro, a principal autoridade na Igreja é o Espírito Santo, que fala de diversas maneiras; e todos os outros na Igreja, incluindo os detentores de cargos, devem se esforçar para ouvir e discernir o chamado do Espírito.

Segundo, a Igreja precisa dar corpo à compreensão de Tomás de Aquino de que algo é mandado e ordenado porque é bom, e não o contrário. A autoridade não faz algo certo ou errado. A autoridade deve se conformar ao que é verdadeiro e bom.

Terceiro, o perigo para a autoridade na Igreja é alegar uma certeza muito grande para o seu ensino e propostas.Margaret Farley desenvolveu esse ponto em um ensaio muito significativo, Ethics, Ecclesiology, and the Grace of Self-Doubt [Ética, Eclesiologia, e a Graça da Dúvida de Si]. A pressão por certeza fecha muito facilmente a mente e às vezes também o coração. A graça da dúvida de si permite a humildade epistêmica, condição básica para o discernimento moral comunitário e individual.


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publicado por Riacho, em 07.06.12 às 23:47link do post | favorito

Hospital católico nega medicamentos a Gay HIV+ "por ir contra a vontade de Deus"

Um hospital católico em Nova Jersey esta sendo acusado de negar a um homem gay e HIV-positivo, medicamentos antirretrovirais. Uma médica da equipe do hospital teria justificado o ato "por ir contra a vontade de Deus!"

O paciente João Simões está processando o "Trinitas Regional Medical Center", de Nova Jersey. Segundo o paciente, ele foi admito em agosto de 2011, mas os pedidos de medicamentos, que fazem parte do coquetel antirretroviral, foram negados, além disso sua irmã teria sido impedida de visitá-lo.

Susan V. Borja, do Departamento de Saúde Comportamental e Psiquiatria, atendeu Simões enquanto ele estava confinado na ala de doentes mentais do hospital. Susan teria perguntado a Simões como ele havia contraído o vírus HIV, ao que ele respondeu: "Eu fui contaminado ao fazer sexo desprotegido."

Segundo a denúncia, a Dra. Susan teria fechado o arquivo, olhado com desgosto para o paciente e perguntado friamente: "Relações sexuais com homens?"

Simões respondeu afirmativamente e, imediatamente depois de ouvir a resposta, a Dra. Susan saiu do quarto.

Ainda de acordo com a denúncia, após esta consulta, nenhum outro médico ou enfermeiro veio ver Simões, mesmo depois do paciente dizer que precisava tomar suas medicações antirretrovirais. Quando o hospital finalmente permitiu que Simões chamasse seu médico particular, no terceiro dia após sua internação, ele ficou sabendo que o médico já havia falado com a Dra. Sausan ao telefone sobre as medicações.

Na ocasião Susan supostamente declralou: "Você deve ser gay também, você e seu médico."

Além disso, aparentemente percebendo que o médico queixoso tinha sotaque, Dra. Susan exclamou: "O quê, você precisa de um tradutor?" O médico queixoso novamente respondeu a Dra. Susan sobre a necessidade do paciente receber as medicações anti-retrovirais. Ao que a Dra. Susan respondeu: "Isto é o que ele recebe por ir contra a vontade de Deus", e desligou o telefone.
A "University of California", em San Francisco e a "AIDS Research Institute" em nota declararam: O sucesso do tratamento pode ocorrer rapidamente com a adesão. Alguns estudos sugerem que a resistência às drogas podem se desenvolver após uma semana de falta de medicação, ou por uso irregular. Quando o paciente desenvolve uma resistência a uma droga, esta perde a sua eficácia para sempre, em alguns casos, a resistência cruzada a outras drogas ocorre, limitando ainda mais opções de tratamento.
João Simões disse nos documentos judiciais que ele havia perdido cinco doses, como resultado das ações do hospital. Presumivelmente, o processo vai revelar quais foram os danos causados ​​à sua saúde, bem-estar diário e capacidade de sobreviver.
O "Hastings Center", que se concentra em questões de bioética, afirmou: "Objeção de consciência nos cuidados de saúde não pode ser enquadrado apenas como uma questão de direitos individuais ou crenças. Profissionais de saúde com objeções morais a prestação de serviços específicos, têm a obrigação de minimizar a interrupção na prestação dos cuidados e os encargos sobre outros provedores."
O "Trinitas Regional Medical Center" é um hospital católico, onde afirma no seu site que tem uma "reverência pela vida", e: "Reconhece e respeita a dignidade e o valor da vida em cada fase e condição."
Desde de que a pessoa em questão professe a mesma crença, obviamente. Muito cristão isso né?

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publicado por Riacho, em 05.06.12 às 21:20link do post | favorito

Parece evidente que tudo não passa de uma questão de poder por parte do Vaticano. Não há nada de irrepreensível teologicamente falando do texto da teológa Ir. Margaret. Há presentemente no Vaticano uma caça às bruxas fazendo lembrar os tempos aureos da inquisição no mais completo desrespeito pelo espírito do Concílio Vaticano II. Para quando uma indignação generalizada de todos os católicos de boa vontade contra esta atitude anti-evangélica do Vaticano?

 

Vaticano critica livro de teóloga sobre ética sexual

Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano criticou duramente o premiado livro Just LoveA Framework for Christian Sexual Ethics (New York: Continuum, 2006), sobre ética sexual, de autoria da Ir. Margaret Farley (foto), das Irmãs da Misericórdia, uma proeminente teóloga católica da Yale University, nos Estados Unidos.

A reportagem é de Jerry Filteau, publicada no sítio do jornal National Catholic Reporter, 04-06-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"Dentre os muitos erros e ambiguidades desse livro estão as suas posições sobre a masturbação, os atos homossexuais, as uniões homossexuais, a indissolubilidade do casamento e o problema do divórcio e do segundo casamento", diz a Notificação de cinco páginas da Congregação. Nessas áreas, afirma-se, a posição da autora "contradiz" ou "se opõe a" ou "não se conforma com" o ensino da Igreja.

Divulgada no dia 4 de junho, mas datada de 30 de março, a Notificação foi aprovada pelo Papa Bento XVI e assinada pelo cardeal William J. Levada, dos EUA, prefeito da Congregação, e pelo arcebispo Luis F. Ladaria, seu secretário.

Farley disse: "Embora minhas respostas a algumas questões sexuais éticas particulares realmente se afastam de algumas respostas cristãs tradicionais, eu tentei mostrar que elas, no entanto, refletem uma profunda coerência com os objetivos e intuições centrais dessas tradições teológicas e morais".

Embora a Notificação cite resumidamente as conclusões da religiosa sobre cada um dos cinco tópicos específicos que são apontados, seguidas de um breve resumo sobre como essas conclusões se afastam do ensino da Igreja,Farley disse que a crítica da Congregação "não leva em consideração também os meus argumentos para essas posições" ou os "complexos contextos teóricos e práticos aos quais eles são uma resposta".

Nesse sentido, a Notificação "deturpa – talvez inconscientemente – os objetivos do meu trabalho e a sua natureza como uma proposta que pode estar ao serviço, e não contra, a Igreja e seus fiéis", disse ela.

Just Love: A Framework for Christian Sexual Ethics [Apenas amor: Um marco para a ética sexual cristã] foi publicado em 2006 pela Continuum, uma editora internacional especializada em trabalhos acadêmicos. O livro argumenta que a justiça é uma qualidade-chave nas relações sexuais humanas, porque o amor autêntico é formado, guiado e protegido pela justiça. Em seu central capítulo 6, "Marco para uma ética sexual: Apenas amor", dentre os tópicos abordados, estão a personalidade, o livre consentimento, a reciprocidade, a igualdade, o compromisso, a fecundidade e a justiça social.

"Em última análise, nesse livro, eu propus um marco para a ética sexual que usa critérios de justiça na avaliação de relacionamentos e atividades sexuais verdadeiros e fiéis", disse Farley. "Ao fazer isso, eu ofereço não apenas ideais para as relações sexuais humanas, mas também alguns requisitos absolutos".

Em 2008, ela recebeu o prestigioso Prêmio Louisville Grawemeyer de Religião pelo livro.

Agora como professora emérita, Farley lecionou ética cristã durante 50 anos e começou sua carreira na Yale University em 1971. Ela foi a primeira professora mulher de tempo integral da Yale Divinity School. Ela e o renomado escritor espiritual Henri Nouwen compartilha a distinção de terem sido os primeiros católicos da história no corpo docente da faculdade.

"Eu não contesto o julgamento de que algumas das posições [expressadas em Just Love] não estão de acordo com o atual ensino oficial católico", disse ela. "No fim, eu só posso esclarecer que o livro não foi concebido para ser uma expressão do atual ensino católico oficial, nem estava especificamente voltado contra esse ensino. É de um gênero completamente diferente".

Em um e-mail para o NCRLisa Sowle Cahill, uma conhecida teóloga católica, autora e professora de ética na universidade jesuíta Boston College, disse: "Os teólogos não veem nem apresentam o seu trabalho como 'ensino oficial da Igreja', e poucos fiéis ficam confusos acerca desse fato".

Ir. Patricia McDermott, provincial das Irmãs da Misericórdia das Américas, expressou um "profundo pesar por essa Notificação ter sido emitida". Ela disse que Farley "assiduamente tenta apresentar a tradição católica como formativa de sua própria rica experiência, reconhecendo ao mesmo tempo o público ecumênico com o qual ela geralmente se envolve".

Rev. Paul Cadetz, ministro presbiteriano ordenado e professor de teologia histórica no United Theological Seminary of the Twin Cities, de New BrightonMinnesota, disse ao NCR que, no ensino dos cursos de graduação sobre religião, gênero e sexualidade, por duas vezes nos últimos cinco anos, ele usou como texto obrigatório o livro Just Love.

"Eu acho que é o melhor livro sobre ética sexual" disponível hoje, disse ele. "Eu simplesmente acho que não há nada melhor".

O que a Notificação diz

A Congregação doutrinal disse, após um exame inicial do livro, em março de 2010, ela enviou a Farley e à sua superiora religiosa uma "avaliação preliminar (...) indicando os problemas doutrinais presentes no texto".

A resposta de Farley em outubro daquele ano "não esclareceu esses problemas de forma satisfatória", disse a Congregação, de modo que realizou um exame completo do livro de acordo com os “Regulamentos para Exames Doutrinais”.

Após um segundo intercâmbio entre a congregação, Farley e sua superiora em 2011, a Congregação concluiu que a resposta dela aos "graves problemas" presentes no livro ainda eram inadequados, e ela decidiu prosseguir com aNotificação, que é uma forma padrão por meio da qual a Congregação notifica as lideranças e membros da Igreja de que encontrou sérios problemas doutrinais na obra de algum/a teólogo/a.

Sobre a abordagem geral de Farley, a Notificação diz que, ao acordar questões morais, ela "ignora o ensino constante do magistério [a autoridade de ensino oficial da Igreja] ou, onde ele é ocasionalmente mencionado, ela o trata como mais uma opinião dentre outras. Tal atitude não é de forma alguma justificável, mesmo dentro da perspectiva ecumênica que ela deseja promover".

Farley também é acusada de possuir uma "compreensão deficiente da natureza objetiva da lei moral natural", há muito tempo uma peça-chave do ensino moral católico oficial. "Essa abordagem não é consistente com a autêntica teologia católica", disse a Congregação.

Sobre as cinco questões específicas pelas quais a Congregação criticou as posições de Farley, segue aqui uma versão resumida do que a Congregação citou do seu livro e de suas respostas:

Masturbação: "Irmã Farley escreve: "A masturbação (...) geralmente não comporta nenhum problema de caráter moral. (...) Por isso a minha observação conclusiva é que os critérios da justiça, assim como os apresentei até agora, pareceriam aplicáveis à escolha de provar prazer sexual auto-erótico somente enquanto esta atividade pode favorecer ou danificar, mantém ou limita, o bem-estar e a liberdade de espírito. E esta resta amplamente uma questão de caráter empírico, não moral".

O firme e constante ensino da Igreja "e o sentido moral dos fiéis não tiveram nenhuma dúvida e mantiveram firmemente que a masturbação é uma ação intrínseca e gravemente desordenada", mesmo que também se devam levar em conta fatores tais como "a imaturidade afetiva, a força de hábito adquirido", que podem "diminuir ou mesmo atenuar a culpabilidade moral", respondeu a Congregação.

Atos homossexuais: "Irmã Farley escreve: "Do meu ponto de vista (...), as relações homossexuais o os atos homossexuais podem ser justificados, de acordo com a mesma ética sexual, exatamente como as relações e os atos heterossexuais. Por isso, as pessoas com inclinações homossexuais, assim como os seus respectivos atos, podem e devem ser respeitados, indiferentemente de haver ou não a alternativa de serem diferentes".

"Essa opinião não é aceitável", disse a Congregação. Embora as pessoas com tendências homossexuais "devem ser acolhidas com respeito, compaixão e delicadeza", acrescenta-se, a tradição da Igreja, baseada na Escritura, "sempre declarou que os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados. Eles são contrários à lei natural".

Uniões homossexuais: observando que a Ir. Farley argumenta que as leis antidiscriminação desempenham um papel importante para reverter o ódio e a estigmatização de gays e lésbicas, a Congregação citou o seguinte trecho do livro: "Uma das questões mais urgentes do momento, diante da opinião pública dos Estados Unidos, é o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo – equivale a dizer a concessão de um reconhecimento social e de uma qualificação jurídica às uniões homossexuais, sejam masculinas ou femininas, comparáveis às uniões entre heterossexuais".

"Essa posição é oposta ao ensino do magistério", disse a Congregação, citando o Catecismo da Igreja Católica e declarações anteriores feitas sobre o assunto, incluindo: "Os princípios de respeito e de não discriminação não podem ser invocados para apoiar o reconhecimento legal das pessoas homossexuais" – em parte porque isso significaria a "aprovação do comportamento desviante, com a consequência de torná-lo um modelo na atual sociedade".

Indissolubilidade do casamento: "Irmã Farley escreve: "A minha posição pessoal é que o empenho matrimonial seja sujeito à dissolução pelas mesmas razões fundamentais pelas quais todo empenho permanente, extremamente grave e quase incondicionado, pode cessar de exigir um vínculo. (…) Mas é possível de sustentá-lo sempre? É possível sustentá-lo apesar de mudanças radicais e imprevistas? A minha resposta é: às vezes não é possível. Às vezes a obrigação pode ser desfeita e o compromisso pode ser legitimamente modificado".

"Essa opinião está em contradição com o ensino católico sobre a indissolubilidade do matrimônio", afirmou a Congregação. Sua resposta, citando a lei da Igreja e o Concílio Vaticano II como suas fontes, disse em parte que "o amor busca ser definitivo; não pode ser um acordo 'até novo aviso'. (...) O Senhor Jesus insistiu na intenção original do Criador, que queria que o matrimônio fosse indissolúvel. (…) Dentre os batizados, um matrimônio ratificado e consumado não pode ser dissolvido por qualquer poder humano nem por qualquer outra razão que a morte".

Divórcio e novo casamento: "A Ir. Farley escreve: 'As vidas de duas pessoas uma vez casadas entre si são sempre qualificadas pela experiência desse matrimônio. (…) Mas [se ele acaba em divórcio] o que resta não permite um segundo casamento? Minha opinião é de que não. Qualquer obrigação permanente que um vínculo residual imponha, ela não precisa incluir a proibição de um novo casamento – não mais do que o fato de a união permanente entre os cônjuges depois que um deles tenha morrido proíbe um segundo casamento por parte daquele que ainda vive".

Citando Cristo no Evangelho de Marcos – "O homem que se divorciar de sua mulher e se casar com outra, cometerá adultério contra a primeira mulher. E se a mulher se divorciar do seu marido e se casar com outro homem, ela cometerá adultério" –, a Congregação respondeu que, no ensino da Igreja, no caso do divórcio e do novo casamento civil, "uma nova união não pode ser reconhecida como válida, se o primeiro casamento foi válido", e aqueles que se encontram em tal situação não podem receber a Comunhão se não se arrependerem, se confessarem no sacramento da penitência e se comprometerem "a viver em completa continência".

A Congregação disse que, por causa de suas posições "em direta contradição com o ensino católico no campo da moral sexual", o livro Just Love não pode ser usado como expressão válida do ensino católico, nem no aconselhamento e formação, ou no diálogo ecumênico e inter-religioso".

Notificação encerra com um apelo aos teólogos para que estudem e ensinem a teologia moral "em plena conformidade com os princípios da doutrina católica".

Outras reações


Harold Attridge, reitor da Yale Divinity School e católico, disse: "Teólogos honestos e criativos muitas vezes se encontraram com uma resposta crítica à reflexão teológica séria, e não é nenhuma surpresa que o trabalho da professora Farley também tenha passado por isso".

Ele acrescentou: "A propósito, eu suspeito que aqueles que reagem negativamente a ele agora apreciarão a importante contribuição que ele faz àquele que deve ser o nosso esforço constante de examinar os fundamentos da nossa vida moral".

Farley é ex-presidente da Catholic Theological Society of America (CTSA) e da Christian Ethics Society. Ela recebeu 11 títulos honoris causa e, em 1992, recebeu a maior honraria da CTSA pela sua realização teológica, o Prêmio John Courtney Murray.

Teóloga do Boston CollegeCahill disse em seu e-mail ao NCR que a Notificação adotou uma estratégia de apenas relatar as conclusões de Farley sobre cinco questões morais específicas e contrapô-las com as conclusões do ensino da Igreja – sem "se engajar com nenhum dos argumentos a favor ou contra" que a Igreja ensina.

Ela disse que essa abordagem cria a "infeliz impressão" de que:

  • "Engajar-se com os argumentos da Ir. Margaret e as respostas às inquirições anteriores [ao longo da investigação de dois anos] é supérfluo e desnecessário, porque a condenação do seu livro foi pré-determinada, e a investigação, uma mera formalidade;
  • "Não há, de fato, nenhum argumento razoável para apoiar as posições afirmadas pela Notificação;
  • "A própria Congregação para a Doutrina da Fé abandonou a fundamentação da teologia moral na 'natureza objetiva da lei moral natural' e está contando exclusivamente com a autoridade das conclusões passadas".

Cadetz, teólogo presbiteriano de Minnesota – analisando o livro Just Love a partir da perspectiva de um professor bastante afastado dos debates católicos internos – disse em uma resenha do livro de 2007, publicado na The Ecumenist, revista que promove a unidade dos cristãos, que duas coisas o atraíram ao livro como um texto principal para o ensino de cursos universitários sobre a ética sexual.

"Em primeiro lugar, ele oferecia aos meus estudante resumos claros e legíveis de grande parte da literatura já coberta, mas que não é tão estilisticamente lúcida como o texto de Farley", escreveu. "Em segundo lugar, seu livro foi um maravilhoso manual para ensinar aos estudantes o que acarreta a produção de um argumento ético e de como eles podem ir construindo tal posição normativa sobre a ética secular para si mesmos".

Cahill comentou que "o momento dessa intervenção é incrível e ironicamente ruim". "Os bispos dos EUA e, em sua investigação, o Vaticano já estão atraindo uma enorme quantidade de comentários negativos na imprensa acerca da sua perseguição às irmãs norte-americanas", disse ela. "Eles apenas jogaram mais lenha no fogo".

Nota da IHU On-Line: A íntegra da Notificação pode ser lida, em português, aqui.


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publicado por Riacho, em 13.03.12 às 19:26link do post | favorito

Suspenso. Ou, melhor, como recita a fria prosa do jargão burocrático eclesiástico, "em licença administrativa" até que as investigações sejam concluídas e a confusão gerada na paróquia por causa do seu "comportamento intimidatório" volte ao normal.

A reportagem é de Mauro Pianta, publicada no sítio Vatican Insider, 12-03-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Está pendente sobre essas poucas linhas escritas por Dom Barry C. Knestout, vigário-geral da Arquidiocese de Washington, o destino do padre Marcel Guarnizo, o vigário paroquial da paróquia São João Neumann (Gaithersbur, em Maryland), que, no dia 25 de fevereiro passado, negou a comunhão a uma lésbica durante o funeral da própria mãe.

Quando Barbara Johnson, nas exéquias da mãe, se aproximou do sacerdote para receber a Eucaristia, viu o religioso cobrir o cibório contendo as hóstias e teria ouvido estas palavras: "Não posso lhe dar a comunhão, porque você vive com uma mulher, e isso, segundo o que a Igreja ensina, é pecado". Antes da cerimônia, Johnson havia apresentado a sua parceira ao celebrante.

A poucos dias da aprovação da normativa que legaliza o casamento homossexual no Estado de Maryland(procedimento que entrará em vigor em 2013), o episódio causou clamor nos jornais e na Internet. A mulher, uma artista de 51 anos, recebeu um pedido de desculpas da arquidiocese, desculpas em que se fazia referência à falta de "gentileza" e de "sensibilidade pastoral" do padre. 

Mas não foi suficiente. Segundo a Associated PressBarbara Johnson pediu o "licenciamento" do sacerdote, declarando: "Só assim, no futuro, ele não terá a possibilidade de infligir uma dor tão grande a outras famílias". E, no último dia 9 de março, o Washington Post publicou uma carta da arquidiocese com a qual o Pe. Guarnizo, natural do norte da Virgínia e com um ministério vivido em grande parte entre a Rússia e a Europa Oriental, era suspenso.

Em uma primeira nota emitida pela arquidiocese depois do fato, afirmava-se: "Quando surgem dúvidas sobre se uma pessoa deve ou não receber a comunhão, a nossa política não é a de criticar publicamente a pessoa. As questões relativas à idoneidade de um fiel para receber a Eucaristia devem ser abordadas pelo sacerdote em âmbito privado". 

A nota também lembrava, no entanto, que quem recebe a comunhão deve estar em "estado de graça". "Se uma pessoa está consciente de ter cometido um pecado grave, não pode receber a comunhão antes de ter se confessado e reconciliado".

Enquanto isso, muitos blogueiros locais, também católicos, lançaram uma campanha de boicote às doações em favor da Arquidiocese de Washington. E não para por aí. A Catholic News Agency, agência dos bispos norte-americanos, informou que Barbara Johnson seria, na realidade, budista. "No site da escola de arte por ela fundada – observa a CNA –, diz-se que essa instituição se inspira na filosofia budista. Em um artigo recente – continua a agência – publicado online para o programa de mestrado na Kutzown University, Johnson também se identifica como budista". A história, com toda a probabilidade, vai continuar.


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publicado por Riacho, em 05.03.12 às 19:05link do post | favorito

DignityUSA é uma organização que  trabalha pelo respeito e a justiça para com pessoas de todas as orientações sexuais, géneros e identidades de género, especialmente de gays, lésbicas, bissexuais e transgeneros na Igreja Católica e no mundo através da educação, defesa e apoio. Dignity/ Washington and DignityUSA prontificaram-se a oferecer consolo e apoio a Barbara Johnson e sua família após o Pe. Maciel Guarnizo lhe ter negado a Comunhão na missa do funeral da sua mãe, pelo facto de ser lésbica. Resposta de Marianne Duddy-Burke, dirigente da Dignity USA, para esta caricatura pastoral: Bem-aventurados os que choram?, A notícia foi publicada no Washington Post, quer na edição impressa quer na edição online de sábado passado. Allen Rose, presidente da Dignity / Washington, iniciou uma petição para que este sacerdote seja removido do ministério pastoral, que pode ser encontrada em Change.org ou neste link:   http://www.change.org/petitions/cardinal-donald-wuerl-archdoicese-of-washington-dc-remove-fr-guarnizo-from-pastoral-work-for-refusing-communion-to-a-lesbian#

Assina a petição já. Obrigado!


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publicado por Riacho, em 06.01.12 às 19:21link do post | favorito

A Igrega católica americana nos seus laivos diabólicos de influenciar o poder político prepara-se para ajudar a lançar um candidato a presidente ultraconservador que se oponha ao casamento civil entre homossexuais por causa do "descaramento" de Obama em apoiar tais uniões num total desrespeito do evangelho e do serviço de toda a pessoa humana. Hipocrisias II

 

A frase homófoba do cardeal: um sinal para as eleições dos EUA

Agora que os pastores das grandes dioceses foram nomeados como chefes das congregações romanas, a púrpura, que uma vez pacificava as aspirações, é vivida por alguns como uma etapa. E, para aqueles que têm a ambição de ter um papel no próximo conclave, ao menos de grande eleitor, é o momento de dar um sinal. Mesmo que seja um sinal desgostoso como uma frase homofóbica.

A análise é Alberto Melloni, historiador da Igreja italiano, professor da Universidade de Modena-Reggio Emilia e diretor da Fundação João XXIII de Ciências Religiosas de Bolonha. O artigo foi publicado no jornal Corriere della Sera, 04-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

O cardeal Francis George (foto) é um homem de experiência. Arcebispo de Chicago desde 1997, presidente da Conferência Episcopal dos EUA por três anos, ele se declarou parte da maioria do conclave de 2005. Não despreza as frases de efeito.

O seu comentário sobre a lei de Illinois sobre as uniões civis ("Eu morrerei no meu leito, o meu sucessor morrerá na prisão, o seu morrerá mártir") causou rumores pelo seu vitimismo rosnento. Em uma recente entrevista sobre a possível celebração da Parada do Orgulho Gay em Chicago, ele foi além. Disse também que, em seu opinião, corre-se o risco de que o movimento se transforme em um "Ku Klux Klan que se manifesta nas ruas contra o catolicismo". A comparação não indignou apenas uma comunidade que passou por violências infinitas.

National Catholic Reporter escreveu no dia 3 de janeiro que essa frase corre o risco de levar a estaca zero "a estatura que a Igreja ainda pode ter no debate público". Mas se George lança uma bomba contra os gays (e contra o catecismo católico que prega respeito), não o faz por acaso.

O cardeal fala junto com as primárias para a eleição presidencial: e, portanto, dá a entender aos republicanos que, segundo ele, o cristão "liberal"Obama deve ser desafiado por um ultraconservador de tons brutais, que não teme o risco de radicalizar as posições e de dividir sociedade, mas, ao contrário, que ponha isso como objetivo.

Mas o cardeal também fala em um momento muito particular do pontificado de Bento XVI. Infinitamente mais saudável do que seu antecessor na mesma idade, Ratzinger se prepara para se tornar o papa mais longevo do último século.

Embora com alguns resguardos óbvios com relação à fadiga e com alguma distância com respeito aos assuntos correntes, o pontífice viaja e fala regularmente. As pequenas fragilidades típicas da sua idade criam um protagonismo cardinalício não incomum. Agora que os pastores das grandes dioceses foram nomeados como chefes das congregações romanas, a púrpura, que uma vez pacificava as aspirações, é vivida por alguns como uma etapa. E, para aqueles que têm a ambição de ter um papel no próximo conclave, ao menos de grande eleitor, é o momento de dar um sinal. Mesmo que seja um sinal desgostoso como uma frase homofóbica.

 

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/505444-a-frase-homofoba-do-cardeal-um-sinal-para-as-eleicoes-dos-eua


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publicado por Riacho, em 05.01.12 às 19:33link do post | favorito

Alguém me explica porque é que o anúncio pela Igreja de que o agora ex-bispo de Los Angeles tem dois filhos é uma triste e difícil notícia? De acordo com a Igreja era preferível o aborto que condena destas crianças? Onde está o crime de ser pai e dar vida a duas crianças? Em que é que o facto de ser pai diminui as suas qualidades de bispo? Quando é que a Igreja acaba com o crime do celibato obrigatório? Hipocrisias!!!

 

Bispo renuncia após divulgação de ser pai de dois filhos

O bispo auxiliar de Los Angeles Gabino Zavala renunciou depois de revelar aos seus superiores que ele é pai de dois filhos.

A reportagem é de John Travis, publicada no sítio National Catholic Reporter, 04-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O Vaticano anunciou a renúncia do bispo no dia 4 de janeiro em um comunicado de uma linha que citava a lei da Igreja sobre a resignação por doença ou outras razões graves.

O arcebispo de Los AngelesJose Gomez, anunciou a "triste e difícil" notícia em uma carta aos católicos da arquidiocese. Ele disse que Dom Zavala, que era bispo auxiliar para aRegião Pastoral de San Gabriel, havia informado no início de dezembro que era o pai de dois filhos adolescentes que vivem com sua mãe em outro Estado.

Dom Zavala contou ao arcebispo Gomez que havia apresentado a sua renúncia ao Papa Bento XVI. Desde aquela época, Dom Zavala não esteve ativo no ministério e "irá viver de forma privada", disse o arcebispo Gomez.

"A arquidiocese foi ao encontro da mãe e dos filhos para fornecer assistência espiritual, assim como financiamento para ajudar as crianças com os custos universitários. A identidade da família não é conhecida do público, e eu gostaria de respeitar o seu direito à privacidade", afirmou o arcebispo Gomez. Ele pediu orações por todos os afetados pela situação.

Zavala também atuou como bispo-presidente da Pax Christi USA, o braço nacional do grupo internacional de paz, desde 2003.

John Zokovitch, diretor de comunicações do Pax Christi USA, disse em um e-mail ao NCR que a organização soube da renúncia de Zavala na manhã desta quarta-feira, 4 de janeiro, e gostaria de "oferecer nossas orações por todos os envolvidos e todos os afetados por essa notícia durante este momento difícil".

Zokovitch também disse em um breve telefonema que, embora a notícia da renúncia de Zavala era inesperada, ela vem enquanto a organização já está se preparando para substituir o bispo como seu presidente, já que o seu terceiro mandato de três anos está por encerrar.

Aqui está o texto da carta de Dom Gomez, datada de 4 de janeiro:

Queridos irmãos e irmãs:

Eu tenho algumas informações tristes e difíceis para compartilhar com vocês. Dom Gabino Zavala, bispo auxiliar da Região Pastoral de San Gabriel, informou-me no início de dezembro que ele é o pai de dois filhos adolescentes, que vivem com a sua mãe em outro Estado.

Dom Zavala também me disse que apresentou ao Santo Padre a sua renúncia, em Roma, que foi aceita. Desde esse momento, ele não esteve ativo no ministério e irá viver de forma privada.

A arquidiocese foi ao encontro da mãe e dos filhos para fornecer assistência espiritual, assim como financiamento para ajudar as crianças com os custos universitários. A identidade da família não é conhecida do público, e eu gostaria de respeitar o seu direito à privacidade.

Rezemos por todos os afetados por essa situação e uns pelos outros enquanto refletimos sobre esta carta.

Que o Senhor Jesus, por intercessão de Maria, lhes conceda a paz.

Reverendíssimo Jose H. Gomez
Arcebispo de Los Angeles

As informações biográficas sobre Zavala no site da arquidiocese de Los Angeles dizem que Zavala é natural deGuerreroMéxico, mas cresceu em Los Angeles. Depois de frequentar o St. John's Seminary, foi ordenado padre em 1977 pelo cardeal Timothy Manning e foi designado para a Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, em East Los Angeles.

Obteve uma graduação em direito canônico pela Universidade Católica dos EUA, trabalhou no tribunal eclesiástico e foi nomeado reitor do St. John's Seminary em 1992.

Dois anos depois, o cardeal Roger Mahony ordenou-o bispo auxiliar para a região de San Gabriel.

 

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/505402-bispo-renuncia-apos-divulgacao-de-ser-pai-de-dois-filhos


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publicado por Riacho, em 22.01.10 às 23:52link do post | favorito

Que autoridade tem o cardeal pariarca para fazer as afirmações que a seguir se publicam quando ele próprio não se junta a nenhuma mulher para procriar? Onde estão as razões teológicas para excluir os homossexuais de formar uma família? Quer com estas declarações afirmar que os casais heterossexuais que não procriam não são verdadeiras famílias?  Só temos medo do que desconhecemos e o senhor cardeal patriarca mostra desconhecer o que a ciência diz sobre a homossexualidade e que esta condição não se pega às famílias heterossexuais pelo que na família humana há lugar para todos com igual dignidade. Queira Deus que ainda seja no tempo do cardeal patriarca que a chamada teologia gay abra uma nova visão aos responsáveis da Igreja e esta seja cada vez mais inclusiva e mais una não afastando nenhum irmão da dignidade de filho de Deus só porque tem diferenças sejam elas de que natureza forem. 

 

Carlos

 

O cardeal patriarca de Lisboa afirmou hoje que a Igreja “nunca aceitará” o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, argumentando que a família se baseia no “contrato entre um homem e uma mulher”, “onde acontece a procriação”.

D. José Policarpo entende que a cidade precisa de famílias tradicionais D. José Policarpo entende que a cidade precisa de famílias tradicionais (Joana Bougard (arquivo))

D. José Policarpo escolheu o dia de São Vicente, principal padroeiro de Lisboa, para, numa homilia na Sé Patriarcal, declarar que “não se salvará a cidade se não se salvar a família”.

Esta é a primeira intervenção pública do cardeal patriarca de Lisboa após a polémica em torno da inclusão de casamentos entre homossexuais nos casamentos de Santo António, admitida pelos serviços camarários e depois recusada pelo presidente da Câmara de Lisboa, António Costa (PS).

“Ajudar a família é, antes de mais, respeitá-la na sua dignidade e na sua natureza antropológica de instituição baseada no contrato entre um homem e uma mulher, que origine uma comunidade específica, onde acontece a procriação e a caminhada em conjunto na descoberta da vida”, declarou D. José Policarpo.

Este é um dos “pontos concretos que desafiam o compromisso cooperante de todos os intervenientes na construção da cidade” referidos pelo patriarca, que afirmou que “a participação da Igreja na construção da cidade tem de processar-se em convergência cooperante com outras instituições com responsabilidade, os poderes políticos, de modo particular o poder autárquico, a Santa Casa da Misericórdia, outras instituições da sociedade civil”.

“Nessa participação no bem-comum da cidade, a Igreja está com os seus valores próprios”, recordou, depois de sublinhar que “o princípio da cooperação entre Igreja e os poderes públicos inspira a nova Concordata”.

Para o cardeal patriarca, “o projecto de lei, recentemente votado na Assembleia da República, em ordem a reconhecer que uniões entre pessoas do mesmo sexo são casamento e fundam uma família, altera a dignidade da família natural, levará ao enfraquecimento da sua auto-estima e contribuirá para o enfraquecimento da comunidade familiar”.

“A Igreja nunca aceitará a equivalência ao casamento das uniões entre pessoas do mesmo sexo, seja qual for o enquadramento legal que, porventura, lhe venha a ser dado”, declarou.

D. José Policarpo afirmou também que a Igreja nunca permitirá, em nenhuma expressão da sua acção com famílias, “que as uniões de pessoas do mesmo sexo toldem a beleza e a verdade dos autênticos casamentos”.

Com a aprovação da lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o patriarca prometeu um “empenhamento renovado no apoio aos casais, valorizando a complementaridade e a estabilidade dos esposos”.

Segundo o cardeal patriarca, a “fidelidade” e “harmonia” dos casais são “ameaçadas pela cultura ambiente, que veicula a provisoriedade de tudo e a dimensão consumista do próprio amor”.

“A comunhão entre os esposos é bela, mas não é fácil. Os católicos sabem que a fidelidade e a profundidade do seu amor só é possível com a força de Deus, garantida no sacramento do matrimónio”, sustentou.

Fonte: http://www.publico.pt/Sociedade/igreja-nunca-aceitara-o-casamento-entre-homossexuais_1419319

 

 


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