ESPAÇO DE ENCONTRO E REFLEXÃO ENTRE CRISTÃOS HOMOSSEXUAIS em blog desde 03-06-2007
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publicado por Riacho, em 19.04.16 às 00:02link do post | favorito

"A meu ver, a Teologia Moral e Pastoral que perpassa toda a Exortação é a da Libertação, que é uma Teologia radicalmente humana e, por isso, cristã (evangélica). De fato, ser cristão ou cristã é ser radicalmente humano ou humana. Nunca alguém é humano ou humana demais", escreve Marcos Sassatelli, frade dominicano, doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP), professor aposentado de Filosofia da UFG.

Eis o artigo.

Na Exortação apostólica pós-sinodal sobre o amor na família “A Alegria do Amor” (“Amoris Laetitia” - AL) - datada de 19 de março (Solenidade de S. José) e divulgada no dia 8 deste mês de abril - o Papa Francisco recolhe os resultados de dois Sínodos sobre a família (outubro de 2014 e outubro de 2015), além de outras valiosas contribuições.

O que caracteriza a Exortação é sua profundidade humana e sua abordagem libertadora. De um lado, Francisco apresenta com clareza e simplicidade de irmão o projeto de matrimônio e família de Jesus de Nazaré como um ideal de vida que liberta, humaniza e leva à felicidade: uma meta a ser perseguida. De outro lado, o Papa, com muita sensibilidade e ternura, sabe compreender e respeitar os casais e as famílias nas diferentes situações concretas em que se encontram, com seus limites, seus problemas e suas dificuldades. Sabe enxergar e valorizar os aspectos positivos que existem em todas as situações matrimoniais e familiares como sinais da graça e da presença de Deus.

A meu ver, a Teologia Moral e Pastoral que perpassa toda a Exortação é a da Libertação, que é uma Teologia radicalmente humana e, por isso, cristã (evangélica). De fato, ser cristão ou cristã é ser radicalmente humano ou humana. Nunca alguém é humano ou humana demais. Mas como o ser humano faz parte do mundo e é mundo, faz parte da natureza e é natureza, podemos dizer que o cristianismo é um humanismo radical natural e, ao mesmo tempo, um naturalismo radical humano.

Tendo consciência da historicidade do ser humano, o critério que sempre guiou as minhas reflexões sobre Ética filosófica (Ética à luz da razão) e Ética teológica (Ética à luz da razão iluminada pela Fé) foi esse: é ético (ou moral) o comportamento mais humano possível numa determinada situação concreta.

Constato agora com alegria que é justamente esse o critério que guiou o Papa Francisco na elaboração da Exortação apostólica pós-sinodal: “A Alegria do Amor

Para o Papa Francisco a Ética (ou a Moral) matrimonial e familiar é uma Ética que - à luz da Palavra de Deus - parte da situação concreta em que se encontram os casais e as famílias. É o próprio Francisco que diz isso fazendo um resumo da Exortação.

“No desenvolvimento do texto, começarei por uma abertura inspirada na Sagrada Escritura, que lhe dê o tom adequado. A partir disso, considerarei a situação atual das famílias, para manter os pés assentes na terra. Depois lembrarei alguns elementos essenciais da doutrina da Igreja sobre o matrimônio e a família, seguindo-se os dois capítulos centrais, dedicados ao amor. Em seguida destacarei alguns caminhos pastorais que nos levem a construir famílias sólidas e fecundas segundo o plano de Deus, e dedicarei um capítulo à educação dos filhos. Depois deter-me-ei sobre um convite à misericórdia e ao discernimento pastoral perante situações que não correspondem plenamente ao que o Senhor nos propõe; e, finalmente, traçarei breves linhas de espiritualidade familiar” (AL, 6).

E ainda: “Quero reiterar que nem todas as discussões doutrinais, morais ou pastorais devem ser resolvidas através de intervenções magisteriais. Naturalmente, na Igreja, é necessária uma unidade de doutrina e práxis, mas isto não impede que existam maneiras diferentes de interpretar alguns aspectos da doutrina ou algumas consequências que decorrem dela. Assim há de acontecer até que o Espírito nos conduza à verdade completa (cf. Jo 16,13), isto é, quando nos introduzir perfeitamente no mistério de Cristo e pudermos ver tudo com o seu olhar. Além disso, em cada país ou região, é possível buscar soluções mais inculturadas, atentas às tradições e aos desafios locais. De fato, ‘as culturas são muito diferentes entre si e cada princípio geral (...), se quiser ser observado e aplicado, precisa ser inculturado’” (AL, 3)

Refletindo sobre a vida matrimonial e familiar, precisamos sempre ter presente o critério da gradualidade. “Durante muito tempo - afirma Francisco - pensamos que, com a simples insistência em questões doutrinais, bioéticas e morais, sem motivar a abertura à graça, já apoiávamos suficientemente as famílias, consolidávamos o vínculo dos esposos e enchíamos de sentido as suas vidas compartilhadas. Temos dificuldade em apresentar o matrimónio mais como um caminho dinâmico de crescimento e realização do que como um fardo a carregar a vida inteira. Também nos custa deixar espaço à consciência dos fiéis, que muitas vezes respondem o melhor que podem ao Evangelho no meio dos seus limites e são capazes de realizar o seu próprio discernimento perante situações onde se rompem todos os esquemas. Somos chamados a formar as consciências, não a pretender substituí-las” (AL, 37).

O Papa continua dizendo: “No mundo atual aprecia-se também o testemunho dos cônjuges que não se limitam a perdurar no tempo, mas continuam a sustentar um projeto comum e conservam o afeto. Isto abre a porta a uma pastoral positiva, acolhedora, que torna possível um aprofundamento gradual das exigências do Evangelho. No entanto, muitas vezes agimos na defensiva e gastamos as energias pastorais multiplicando os ataques ao mundo decadente, com pouca capacidade de propor e indicar caminhos de felicidade. Muitos não sentem a mensagem da Igreja sobre o matrimónio e a família como um reflexo claro da pregação e das atitudes de Jesus, o qual, ao mesmo tempo que propunha um ideal exigente, não perdia jamais a proximidade compassiva às pessoas frágeis como a samaritana ou a mulher adúltera” (AL, 38).

Na Exortação apostólica pós-sinodal, Francisco aplica à realidade do matrimônio e da família o ensinamento do Concílio Vaticano II: "O mistério do ser humano só se torna claro verdadeiramente no mistério do Verbo encarnado. (…) Cristo manifesta plenamente o ser humano ao próprio ser humano e lhe descobre a sua altíssima vocação" (A Igreja no mundo de hoje - GS, 22). “O pecado diminui o ser humano, impedindo-o de atingir a sua plena realização” (GS, 13). "Todo aquele que segue Cristo, o Homem perfeito, torna-se ele também mais ser humano" (GS, 41). "A fé esclarece todas as coisas com luz nova. Manifesta o plano divino sobre a vocação integral do ser humano. E por isso orienta a mente para soluções plenamente humanas" (GS, 11). Meditemos!

Oportunamente voltarei sobre o assunto, aprofundando os pontos principais da Exortação apostólica pós-sinodal: “A Alegria do Amor”.

Veja também:


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publicado por Riacho, em 08.07.13 às 19:16link do post | favorito

A renovação da Igreja está em curso.

 

O Papa Francisco se dirigiu neste sábado a 6.000 seminaristas e noviças, reunidos no Vaticano, e num discurso totalmente improvisado pediu que a Igreja não siga a riqueza e os religiosos sejam coerentes com seu voto de pobreza.

“Neste mundo em que as riquezas causam tanto dano”, disse o Pontífice, “os padres e as freiras temos que ser coerentes com a pobreza. Quando vemos que o primeiro interesse de uma instituição paroquial ou educativa é o dinheiro, isto é uma grande incoerência”, afirmou.

A informação é publicada por Religión Digital, 07-07-2013. A tradução é de Benno Dischinger.

O Papa, que falou durante uma hora aos seminaristas e noviços reunidos na Aula Paulo VI do Vaticano, motivado por uma iniciativa no Ano da Fé, assegurou que aos jovens “enoja” ver um padre ou uma freira que não é coerente.

Quando enfrentou o tema da coerência e da autenticidade como características que devem ter os religiosos, o Papa assegurou: “Justamente a vós, jovens, enoja quando um padre ou uma freira não são coerentes”.

Evangelizar ‘com o exemplo’.

O Pontífice, como já havia recordado em outras ocasiões, assegurou que os religiosos, “como dizia São Francisco, devem evangelizar primeiro com o exemplo e em seguida com as palavras”.

Em seu sermão, interrompido em várias ocasiões pelos aplausos e as risadas, Francisco reiterou em várias ocasiões a necessidade da pobreza na Igreja e assegurou que lhe “dói quando vê uma freira ou um padre com o último modelo de carro”.

“Eu sei que o carro é necessário porque é preciso fazer muito trabalho e ir daqui para lá, mas é melhor um carro humilde e, se vos surgir a tentação de um bom carro, pensai nas crianças que morrem de fome”, agregou.

A intervenção do Papa se produz precisamente uma semana depois que monsenhor Núncio Scarano, - conhecido como ‘monsenhor 500 euros’ – fora detido por ordem do Fisco de Roma sob a acusação de fraude e corrupção. Sua prisão provocou a demissão do diretor e subdiretor do Banco Vaticano.

Ser felizes

O Papa Francisco também advogou no sentido de que os futuros padres e freiras sejam pessoas felizes, e arrancou as risadas dos presentes ao explicar que “um religioso não pode ter cara de pimenta em vinagrete”.

Sobre o voto de castidade, o Papa assegurou que este “não termina no momento do voto” e que os padres e freiras podem ser “mães e pais pastorais de uma comunidade”.

O Papa também criticou o que chamou a “atual cultura da provisionalidade” e que leva a dizer: “Eu me caso enquanto durar o amor” ou “serei freira somente por alguns anos”.

“Esta cultura do provisional nos afeta a nós todos. Em meus tempos isso era mais fácil porque a cultura favorita era a do definitivo”, explicou.

O Papa gracejou sobre a duração desta audiência ao perguntar quanto tempo tinham à disposição e Monsenhor Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho pela promoção da nova evangelização, contestou ”que podiam permanecer até amanhã”.

“Pois se podemos ficar até amanhã, é bom trazer a todos um sanduíche e uma Coca-Cola“, continuou o gracejo, arrancando um aplauso e as risadas dos seminaristas.

O Papa também instou aos futuros padres e freiras a não falaram mal dos demais, deixar de lado “as fofocas”, porque são “somente fruto dos ciúmes e das invejas”.

Também os aconselhou que não “pratiquem o esporte” dos padres mais idosos, o do lamentar-se, e lhes disse: „Não sigais a deusa da Queixa. Sede positivos, continuai a vida espiritual e a encontrar as pessoas, sobretudo aquelas mais desafortunadas”.

O Papa terminou pedindo-lhes que rezem por ele porque também é “um pobre pecador”.

Eis um extrato do que o Papa Francisco falou:

“Mons. Fisichella me disse, não sei se seria verdadeiro, que todos vocês têm o desejo de consagrar sua vida para sempre a Cristo”, disse o Papa, que suscitou fortes aplausos.

“Vocês agora aplaudem porque é tempo de bodas, mas, quando terminar a lua de mel, “o que sucederá”? Recordou que um seminarista dizia “quero servir a Cristo por dez anos” e depois iniciar outra vida.  

“Também nós estamos sob a pressão da cultura do provisório”, recordou, “eu me caso enquanto durar o amor, sou freira ou religioso, mas não sei se passará”. “Isto não vai com Jesus”, reiterou.

Reconheceu que “uma escolha definitiva hoje é mais difícil que em meus tempos”! Porque “somos vítimas de uma cultura do provisório”, e convidou a refletir sobre como “não aceitar esta cultura”.

E sobre o tema recordou uma poesia em espanhol: “Esta tarde Señora, la promesa es sincera, pero por las dudas no te olvides las llaves afuera”. E alertou que “se alguém sempre deixa a chave do lado de fora, não é bom, temos que aprender a fechar a porta do lado de dentro”. E recomendou que, se não estou seguro, tomo um tempo e comunicando-me com Jesus, “quando me sinto seguro fecho a porta”.

A Alegria

Comentando a alegria que reinava na sala, se perguntou: A alegria de um seminarista nasce por ter ido dançar no fim de semana com os amigos? Ou centra-se, por exemplo, em possuir o último modelo de smart phone, ou o scouter mais rápido? O automóvel que se faz notar, “eu lhes digo verdadeiramente, a mim me faz mal quando vejo um padre ou uma freira com um automóvel último modelo. Não se pode! O carro é necessário, mas que seja um mais humilde e, se te agrada um carro lindo, pensa somente em quantas crianças no mundo morrem de fome”.

O Papa precisou que a verdadeira alegria não vem do ter, mas do encontro nas relações com os outros, do sentirem-se amados e compreendidos. Porque a alegria nasce da gratuidade de um encontro. A alegria “do encontro com Jesus“ e do “sentir-se amados por Deus”.

“Quando alguém se encontra - prosseguiu o Santo Padre – com um seminarista ou uma noviça demasiado triste, pensa: algo aqui não funciona, porque falta a alegria do Senhor, que conduz o serviço do encontro de Jesus e que te leva a encontrar-se com os outros” e mencionou o dito de Santa Teresa “Um santo triste é um triste santo”. E convidou a não ser desses com cara de pepinos em vinagre”.

Fecundidade pastoral e celibato

O Papa indicou: “Um padre ou uma freira sem alegria é triste” e indicou um problema de insatisfação. Aprofundou que é um problema de celibato, porque os religiosos têm que ser castos e ao mesmo tempo fecundos, porque têm que ser padres ou madres da própria comunidade.

Coerência e autenticidade

O Santo Padre sublinhou, ademais, a importância da coerência e autenticidade, recordou como Jesus fustigava os hipócritas e a dupla face. “Se queremos jovens coerentes, sejamos nós coerentes”, disse. Fazer como São Francisco, recordou o Santo Padre, porque ele convidava a ensinar o Evangelho também com a palavra. Ou seja, principalmente com a autenticidade da vida.

Pobreza

“Neste mundo em que a riqueza faz tanto mal é necessário que nós sejamos coerentes com nossa pobreza”. Quando se vê que uma instituição ou uma paróquia pensa primeiramente no dinheiro, não age bem, é uma incoerência. Porque “é em nossa vida que os outros têm que ler o evangelho”. 

Transparência com o confessor

E o Papa perguntou: “há aqui na Aula alguém que nunca tenha pecado? E convidou a ter transparência com o confessor “e não ter medo de dizer: padre, pequei”. Porque “Jesus sabe a verdade e te perdoa sempre, mas quer que lhe digas o que Ele já sabe”. Que triste, constatou, “quando um sacerdote ou freira peregrina pelos confessionários para esconder sua verdade”.

Preparação em diversas dimensões da vida

O pontífice convidou a preparar-se culturalmente “para dar razão sobre a fé e a esperança”. O contexto no qual vivemos “nos pede darmos as razões, não darmos nada por descontado”, disse.

Vida comunitária

Uma preparação que una as diversas dimensões da vida, em particular a “vida espiritual, intelectual, apostólica, a vida comunitária”. E precisou: “É melhor o pior seminário que nenhum seminário, porque é necessária a vida comunitária”.

Não falar mal dos outros

Recordou também as relações de amizade e fraternidade e o dano dos ‘mexericos’ numa comunidade. E isto em nosso mundo clerical e religioso é comum. Também eu caí nisso tantas vezes e me envergonho disto, isso não está bem, o ‘escutaste’? Isso é um inferno numa comunidade. Se tenho um problema com alguém, eu lho digo de frente e não por trás.

Uma vez uma freira me disse que havia feito a promessa ao Senhor de nunca falar mal dos outros. E, se é preciso dizê-lo, fazê-lo ao superior. Nunca a quem não pode ajudar.

Fraternidade

Advertiu, ademais, do perigo dos extremos: “seja preferível o isolamento que a dissipação”; e a verdadeira amizade é que evita isto.

Duas dimensões: transcendência e o próximo

“Saiam vocês a pregar o evangelho e para encontrar Jesus”, disse. Uma saída é a transcendência e a outra é para os demais, para anunciar Jesus. Uma só não funciona.

E recordou Madre Teresa de Calcutá que “não tinha medo de nada”, porque “essa freira se ajoelhava por duas horas diante do Senhor”.

Uma Igreja mais missionária

Queria uma Igreja mais missionária e menos tranquila. E recordou sua emoção ao saudar religiosos que estão em lugares de evangelização. Dêem sua contribuição a uma Igreja fiel ao caminho de Jesus. Não aprendam de nós, esse esporte que nós velhos praticamos é muitas vezes o do lamento, o culto da deusa lamentação.

E deu alguns conselhos finais: Sejam capazes de encontrar as pessoas mais desavantajadas; não tenham medo de ir contra a corrente; rezem o rosário; tenham a Virgem com vocês em vossa casa como o apóstolo são João e rezem também por mim, que sou um pobre pecador, mas vamos em frente. E concluiu convidando a não serem “nem solteirões nem solteironas”, senão terem a fecundidade apostólica.

 

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/521746-doi-ver-uma-freira-ou-um-padre-com-o-ultimo-modelo-de-carro


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publicado por Riacho, em 16.02.13 às 11:40link do post | favorito

Que tipo de Papa? As tensões internas da Igreja atual

 

12/02/2013, texto de Leonardo Boff

 

Não me proponho apresentar um balanço do pontificado de Bento XVI que acaba de renunciar, coisa que foi feito com competência por outros. Para os leitores talvez seja mais interessante conhecer melhor uma tensão sempre viva dentro da Igreja e que marca o perfil de cada Papa. A questão central é esta: qual a posição e a missão da Igreja no mundo?

Antecipando dizemos que uma concepção equilibrada deve assentar-se sobre duas pilastras fundamentais: o Reino e o mundo. O Reino é a mensagem central de Jesus, sua utopia de uma revolução absoluta que reconcilia a criação consigo mesma e com Deus. O mundo é o lugar onde a Igreja realiza seu serviço ao Reino e onde ela mesma se constrói. Se pensarmos  a Igreja demasiadamente ligada ao Reino, corre-se o risco da espiritualização e do idealismo. Se demasiadamente próxima do mudo, incorre-se na tentação da mundanização e  da politização. Importa saber articular Reino-Mundo-Igreja. Ela pertence ao Reino e também ao mundo. Possui uma dimensão histórica com suas contradições e outra transcendente.

Como viver esta tensão dentro do mundo e da história? Apresentam-se dois modelos diferentes e, por vezes, conflitantes: o do testemunho e o do diálogo.

O modelo do testemunho afirma com convicção: temos o depósito da fé, dentro do qual estão todas as verdades necessárias para a salvação; temos o sacramentos que comunicam graça; temos uma moral bem definida; temos a certeza de que a Igreja Católica é a Igreja de Cristo, a única verdadeira; temos o Papa que goza de infalibilidade em questões de fé e moral; temos uma hierarquia que governa o povo fiel; e temos a promessa de assistência permanente do Espírito Santo. Isto tem que ser testemunhado face a um mundo que não sabe para onde vai e que por si mesmo jamais alcançará a salvação. Ele terá que passar pela mediação da Igreja, sem a qual não há salvação.

Os cristãos deste modelo, desde Papas até simples fiéis, se sentem imbuídos de uma missão salvadora única. Nisso são fundamentalistas e pouco dados ao diálogo. Para que dialogar? Já temos tudo. O diálogo é para facilitar a conversão.

O modelo do diálogo parte de outros pressupostos: O Reino é maior que a Igreja e conhece também uma realização secular, sempre onde há verdade, amor e justiça; o Cristo ressuscitado possui dimensões cósmicas e empurra a evolução para um fim bom; o Espírito está sempre presente na história e nas pessoas de bem; Ele chega  antes do missionário, pois estava nos povos na forma de solidariedade, amor e compaixão. Deus nunca abandonou os seus e a todos oferece chance de salvação, pois os tirou de seu coração para um dia viverem felizes no Reino dos libertos. A missão da Igreja é ser sinal desta história de Deus dentro da história humana e também um instrumento de sua implementação junto com outros caminhos espirituais. Se a realidade tanto religiosa quanto secular está empapada de Deus devemos todos dialogar: trocar, aprender uns dos outros e tornar a caminhada humana rumo à promessa feliz, mais fácil e mais segura.

O primeiro modelo do testemunho é da Igreja da tradição, que promoveu as missões na África, Ásia e América latina, sendo até cúmplice em nome do testemunho da dizimação e dominação de milhares de povos originários, africanos e asiáticos. Era o modelo do Papa João Paulo II que corria o mundo, empunhando a cruz como testemunho de que ai vinha a salvação. Era o modelo, mais radicalizado ainda, de Bento XVI que negou o título de “Igreja” às igrejas evangélicas, ofendendo-as duramente; atacou diretamente a modernidade pois a via negativamente como relativista e secularista. Logicamente não lhe negou todos os valores mas via neles como fonte a fé cristã. Reduziu a Igreja a uma ilha isolada ou a uma fortaleza, cercada de inimigos por todos os lados  dos quais temos que nos defender.

O modelo do diálogo é do Concílio Vaticano II e  de Medellin e de Puebla na América Latina. Viam o cristianismo não um depósito, sistema fechado com o risco de ficar fossilizado, mas como uma fonte de águas vivas e cristalinas que podem ser canalizadas por muitos condutos culturais, um lugar de  aprendizado mútuo porque todos são portadores do Espírito Criador e  da essência do  sonho de Jesus.

O primeiro modelo, do testemunho, assustou a muitos cristãos que se sentiam infantilizados e desvalorizados em seus saberes profissionais; não sentiam mais a Igreja como um lar espiritual e, desconsolados, se afastavam da instituição mas não do Cristianismo como valor e utopia generosa de Jesus.

O segundo modelo, do diálogo, aproximou a muitos pois se sentiam em casa, ajudando a construir uma Igreja-aprendiz e aberta ao diálogo com todos. O efeito era o sentimento de liberdade e de criatividade. Assim vale a pena ser cristão.

Esse modelo do diálogo se faz urgente caso a instituição-Igreja quiser sair da crise em que se meteu e que atingiu seu ponto de honra: a moralidade (os pedófilos) e a espiritualidade (roubo de documentos secretos e problemas graves de transparência no Banco do Vaticano).

Devemos discernir com inteligência o que atualmente melhor serve a mensagem cristã  no contexto de uma crise social e ecológica de gravíssimas consequências. O problema central não é a Igreja mas o  futuro da Mãe Terra, da vida e da nossa civilização. Como a Igreja ajuda nessa travessia? Só  dialogando e somando forças com todos.

 

Leonardo Boff é autor de Igreja: carisma e poder, livro ajuizado pelo então Cardeal Joseph Ratzinger.

 

Fonte: http://leonardoboff.wordpress.com/2013/02/12/que-tipo-de-papa-as-tensoes-internas-da-igreja-atual/

 


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publicado por Riacho, em 31.01.13 às 21:20link do post | favorito

PolôniaHungriaRepública Tcheca: uma geração após o fim do império do mal, aumentam as discriminações e hostilidades contra as comunidades gays, alimentadas por minorias populistas que incitam o ódio para obter consensos. No silêncio das instituições europeias e muitas vezes também da Igreja.

A reportagem é de Andrea Tarquini, publicada no jornal La Repubblica, 29-01-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Se você caminhar pela Nowy Swiat ou pela Krakowskie Przedmiesce, no belo centro histórico de Varsóvia, é normal ver jovens gays ou lésbicas se beijando ou de mãos dadas, mas, mais a leste, nos vilarejos e na zona rural daPolônia profunda, feudos de skinheads, católicos integralistas e nacional-populistas de Kaczynski, "eles" têm medo de caminhar sozinhos à noite.

Em Budapeste, a Corte Constitucional, em um dos últimos desafios a Orbán, rejeitou a sua lei sobre a família que reconhecia somente a união consagrada entre um homem e uma mulher para criar filhos. No entanto, os ultraviolentos da Guarda Magyar odeiam os homossexuais, assim como os ciganos e os judeus. Ameaçam e provocam, mesmo sendo teoricamente ilegais: "Se até mesmo as bichas imundas podem se manifestar, o direito de marchar também é nosso". 

Até mesmo na civilizadíssima Praga, as leis são mais avançadas, mas as celebridades que optaram por sair do armário são raras, e o presidente cessante, o eurocético Vaclav Klaus, foi por muito o homofóbico mais poderoso da República, e muitas vezes protestava contra o fato de "vê-los aparecer em público".

Europa centro-oriental, início de 2013: uma geração após o fim do Império do Mal, há um Muro que ainda não caiu. O muro da homofobia, das discriminações, preconceitos e hostilidades contra os diferentes. Minorias contra as quais convém a muitos populistas incitar o ódio, e, infelizmente, a Igreja Católica, órfão daquele gênio clarividente e aberto ao mundo que foi Karol Wojtyla, muitas vezes é cúmplice ou inspiradora dos venenos.

"Não estamos na Rússia da repressão homofóbica brutal, diferenciemos bem", adverte Krystian Legierski, um dos mais proeminentes ativistas gays da Polônia, da organização pelos direitos LGBT (www.lgbt.pl). Mas certas coincidências são ruins: no mesmo dia em que, em Moscou, era aprovada a lei infame sobre a "proibição de toda propaganda gay", o primeiro-ministro liberal polonês, Donald Tusk, embolsava uma dura derrota. O Parlamento rejeitava três projetos de lei pelo reconhecimento das uniões de fato, homossexuais ou não.

Poucos meses antes, o arcebispo de VarsóviaKazimierz Nycz, lançara um apelo comum com o patriarca ortodoxo russo, Kirill, contra "a recusa dos valores tradicionais, que coloca cada vez mais em discussão os princípios éticos". Inimigas por séculos, as duas Igrejas se reconciliaram contra os gays.

"Foi desconcertante", relata Krystian. "No Parlamento, todos os deputados conservadores ou reacionários disseram 'não' aos direitos dos gays, remetendo-se à religião, à doutrina católica, segundo a qual a lei poria a família em perigo. No fim, 46 deputados do partido do primeiro-ministro, embora ele quisesse a lei, também votaram contra".

Na zona rural, no distante leste da "Polônia profunda", o clima é muito pior. Varsóvia é um outro mundo. "Em cidades como Bialystok, os skinheads enfurecem, as autoridades não investigam, não mexem um dedo. Os ultras atacam a nós, gays, ou os estrangeiros, impunemente. Uma vez, um jovem tchetcheno, lutador de luta livre, conseguiu se defender de seis skinheads que queriam espancá-lo até a morte. O tribunal condenou ele e não eles pela violência. Em geral, volta à vida aqui a convicção de que, se você der direitos a judeus, gays ou outras minorias, você perderá alguma coisa". 

Tem um rosto feio, esquálido e inquietante o último Muro do Leste. "A outra ameaça", continua Legierski, "são os torcedores violentos: muitas vezes, eles vêm para Varsóvia para expedições antigays, especialmente para tentar ataques contra as paradas gay". Ao menos na capital, as forças especiais da polícia fazem o seu trabalho.

A discriminação, conta Yga Kostrzewa, ativista lésbica do site Lambdawarszawa.org, começa na escola. "A maioria dos livros escolares sobre moral são homofóbicos. Daí ao bullying, é um pequeno passo, e então, especialmente na zona rural, os homossexuais idosos são os mais discriminados, mas mesmo entre jovens, se você só tiver amigos gays, logo chamam você de 'bicha'. Uma das nossas associações, a Ilga, publicou no seu relatório anual o mapa do coeficiente de homofobia na Europa. A fronteira Leste-Oeste era traçada claramente: voto negativo para a Polônia, positivo para a República Tcheca, e os melhores votos no Ocidente. Mas, lentamente, a situação melhorou – explicaYga – e agora temos programas na TV pública e privada que contam sobre casais de fato gays com filhos como uma realidade normal". Uma pedra no sapato do episcopado, que condena as "aberradoras mensagens do Pecado contra a natureza".

Depois de uma hora de voo a sudoeste, a Praga, a fraqueza da Igreja e o laicismo majoritário moderam a homofobia. Mas políticos proeminentes a usaram com demagogia descarada: Klaus, que insultou a parada gay como um "desfile obsceno", ao ex-primeiro-ministro Mirek Topolanek, antigamente convidado das festas de Berlusconi na Villa Certosa. Ele atacou um rival como homossexual e judeu, mas pagou, perdendo o posto. E a lei sobre os casais de fato ao menos existe.

O quadro mais alarmante vem da Hungria de Orbán. "Ele está cultivando os novos Breivik. Chama a atenção culpar totalmente judeus e homossexuais, ciganos e estrangeiros", escreveu recentemente o New York Times. O mais triste, explica Tamás Dombos, líder da ONG Hàttér pela defesa dos gays, "é que antes de Orbán tínhamos leis de vanguarda no Leste, inclusive sobre os direitos de herança e fiscais dos casais de fato, homossexuais ou não. O novo governo ainda não os cancelou, mas a inversão de tendência é total. A nova Constituição só exalta as raízes culturais cristãs e a união entre homem e mulher para ter filhos. Não menciona mais os direitos das minorias. A lei sobre a família rejeitada pela Consulta protegia somente a família oficial heterossexual. Temo que, como fez o ditador stalinista Rákosi, queiram adotar a 'tática do salame': o corte de direitos uma fatia de cada vez. Na Fidesz, ainda não falam contra nós, mas a sua homofobia transparece: nas novas leis de direito civil, falam de proteção apenas da família heterossexual, e não mais dos casais de fato".

Sombras e ameaças sobre os direitos dos gays são insidiosas na Budapeste do autocrata. A organização juvenil do pequeno partido democrata-cristão (Kdnp, aliado da Fidesz de Orbán) marcha pelas ruas gritando "Contra os buzi" (um termo muito vulgar e injuriante).
Guarda Magyar pede todos os dias que "as bichas sejam banidas". Orbán não apoia, mas acaricia alguns humores, explica Dombos. "Quando um deputado dos ultras de Jobbik, abertamente homofóbico e antissemita, propôs uma lei à la Rússia, três anos de detenção por propaganda homossexual, a Fidesz recusou dizendo ambiguamente que 'aqueles que vocês querem punir já são punidos pela lei'".

Para os ultras, violentos, a parada gay é um alvo favorito, diz Gábor Kuszing. "E durante dois anos a polícia proibiu a marcha. Só o recurso ao poder judiciário nos permitiu desfilar".

Os relatos do horror não param por aí. Ouvir Dombos Kuszing provoca calafrios. "Longe de Budapeste, o medo cresce. E em todos os lugares, até mesmo na capital, a justiça e a polícia minimizam. Quando um comando neonazista atacou com bombas molotov um clube gay cheio de clientes, investigaram-nos por vandalismo, e não por tentativa de massacre que cometeram. Pior do que nunca, Jobbik é forte especialmente entre os jovens. A homofobia pode conquistar uma geração".

"Entre nós, ideias tradicionais sobre os papéis de homem e mulher, e sobre a ordem social são a base da homofobia, e não a religião", destaca Dombos. As estatísticas são assustadoras: 58% dos húngaros não gostariam de ter um vizinho gay, 49% rejeitam um colega gay.

"A discriminação contra as minorias, infelizmente, pode ter muitas faces: contra etnias, grupos sexuais, deficientes, e diz muito sobre o estado psíquico e moral de uma sociedade", constata tristemente Károly Voeroes, ex-diretor do jornal liberal Népszabadság, uma das melhores "grandes penas" independentes. 

"O problema também pesa na França. Imagine aqui entre nós, onde as tradições democráticas são muito escassas. O Lord Dahrendorf nos disse uma vez que uma ditadura política pode ser desmontada em seis meses, uma economia do Estado, em seis anos, mas para mudar a mentalidade, é preciso três gerações".

"O silêncio da União Europeia – contra as discriminações e contra autocratas à la Orbán – certamente não ajuda", observa Dombos. "Ele deveriam monitorar mais os direitos humanos, incluindo os nossos". Mas outros ativistas gays não têm ilusões: "No máximo – diz o polonês Legierski –, serve o apoio de ONGs europeias. Infelizmente, aComissão e o Parlamento Europeu no Leste muitas vezes são vistos como um arrogante opressor estrangeiro".


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publicado por Riacho, em 29.12.12 às 00:25link do post | favorito

Mais de três em cada cinco eleitores britânicos apoiam o desejo de David Cameron de introduzir o casamento gay, de acordo com uma pesquisa conduzida pelo jornal Guardian. O forte apoio a uma mudança vem depois do arcebispo de Westminster questionar a legitimidade democrática dos planos.

A pesquisa, conduzida logo antes do Natal, mostrou que 62% dos eleitores apoia a proposta, e apenas 31% se opõe. Grande parte das pesquisas anteriores revelavam o mesmo tipo de resposta, mas não na proporção actual.

Apesar de partidários das alas trabalhista e liberal-democrata continuarem os mais prováveis apoiantes do casamento gay, com proporções de 67% e 71%, respectivamente, agora existe também uma maioria entre os conservadores, com 52% a favor contra 42% contrários.

Homens e mulheres apoiam o casamento gay, apesar de a margem ser mais ampla entre eleitoras do sexo feminino (65%) do que do masculino (58%). O apoio mantém-se em todas as regiões do país e em todas as classes sociais e grupos etários.

O resultado deve encorajar Cameron, cujo apoio ao casamento gay se provou controverso não apenas entre líderes religiosos.

 

Fonte: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=608038


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publicado por Riacho, em 16.11.12 às 23:13link do post | favorito

Jesus não é a favor da liberdade de expressão?

 

Peça de teatro com Jesus gay enfrenta processo por blasfémia na Grécia

O elenco e o produtor de uma peça de teatro na Grécia estão a enfrentar um processo judicial por acusação de blasfémia, na sequência de terem retratado Jesus Cristo como sendo homossexual.

Padres e grupos de direita, incluindo deputados do partido ultranacionalista Golden Dawn, realizaram protestos quase todos os dias nas últimas semanas em frente ao teatro que apresenta «Corpus Christi», levando ao cancelamento do espectáculo este mês.

O bispo Seraphim de Piraeus acusou a peça de «insultar a religião» e de «blasfémia maliciosa», abrindo um processo em tribunal contra os profissionais responsáveis.

Em reacção às acusações, o director da peça disse que estava surpreendido por os promotores escolherem persegui-lo em vez de se concentrarem nos sonegadores de impostos e outros acusados por levar a Grécia à beira da falência.

«O que eu vejo é que há pessoas que roubaram os cegos do país que não estão na cadeia e o promotor volta-se contra a arte», afirmou Laertis Vasiliou, da Albânia.

Ainda não há data marcada para o julgamento. Se for considerado culpado, Vasiliou, a par com outros réus, poderá ver aplicada uma pena de vários meses de prisão.

 

Fonte: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=602220

 

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publicado por Riacho, em 18.08.12 às 11:25link do post | favorito

Católicos e amigos americanos reuniram-se para cantar com o coração em prol das pessoas LGBT. Cristãos leigos católicos estão de pé e cantando a espalhar a boa notícia do amor de Cristo. Os católicos em Portugal ficariam tão enriquecidos se conhecessem e partilhassem desta experiência.



O, may our hearts and minds be opened,
fling the church doors open wide.
May there be room enough for everyone inside.
For in God there is a welcome, 
in God we all belong;
may that welcome be our song.
                                         ©2007 Welcome Song Music


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publicado por Riacho, em 20.03.12 às 23:16link do post | favorito

Este puto de 21 anos sabe de teologia e homossexualidade à séria. Vale a pena ouvir esta conferência até ao fim e discuti-la nas igrejas, nas paróquias, com os padres, com os leigos. Não há que ter medo da bíblia e muito menos da homossexualidade. Se as legendas do video não aparecerem por defeito selecionem o português no ícone CC. Boas reflexões!

 


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publicado por Riacho, em 03.03.12 às 22:52link do post | favorito
Frédéric Lenoir, director da Revista Le Monde des Réligions, é autor de uma obra muito vasta, de vários géneros literários, mas sempre em torno do fenómeno religioso. A sua obra mais recente e mais abrangente tem o título mais rápido: Dieu[1]. É um percurso de entrevistas com Marie Drucker, jornalista da RTL e France 2.
O tema da penúltima das entrevistas, Violência, Misoginia, Sexualidade Reprimida, introduz a pergunta: será Deus fanático?
Começa por dizer que as religiões, apesar das suas mensagens de amor, misericórdia e fraternidade, têm todas sangue nas mãos. É sobretudo verdade no caso dos monoteísmos, religiões fundadas sobre uma revelação e cada uma persuadida de ser a detentora da única verdade que Deus concedida por Deus. Cada uma tem um sentimento de superioridade sobre as outras, cada uma julga que é a única que brota da verdadeira revelação divina. Tornam-se intolerantes e têm, muitas vezes, legitimado a violência “em nome de Deus”. Além disso, a intolerância ligada à revelação é um desejo de dominação. É a atracção do poder que torna as religiões violentas.
Repassa, depois, o olhar sobre a situação e as evoluções das mulheres nas religiões, sobretudo nas monoteístas: Judaísmo, Islão e Cristianismo. Não diz muitas novidades em relação ao que já tinha escrito noutras obras, mas responde à pergunta de Marie Drucker: E se Deus fosse Mulher? , com uma história preciosa:
- O efémero Papa João Paulo I tinha dito, no começo do seu pontificado, que Deus podia muito bem ser representado como uma mulher, pois Ele não tem sexo! Tínha-se igualmente expresso a favor da contracepção. Morreu de maneira não elucidada, algumas semanas mais tarde.
Conhece a seguinte história judaica? No Paraíso, Deus criou em primeiro lugar a mulher e não o Adão. Eva aborrece-se. Pede então a Deus companheiros. Deus criou os animais. Eva continua insatisfeita e pede a Deus um companheiro que lhe seja semelhante com quem ela pudesse ser mais cúmplice. Deus criou Adão, mas pôs uma só condição a Eva: que ela nunca revelasse ao homem que tinha sido criada antes dele para não irritar a sua susceptibilidade. E Deus concluiu: “que isso fique um segredo entre nós…, entre mulheres!»

[1] Frédéric Lenoir, Dieu, Robert Laffond , 2011


Frei Bento Domingues, O.P.
01.03.2012

Fonte: http://nsi-pt.blogspot.com/2012/03/e-se-deus-fosse-mulher.html#comment-form


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publicado por Riacho, em 24.02.12 às 19:59link do post | favorito

Orações para Bobby [Prayers for Bobby] não é um filme de final feliz, mas mostra que depois do final infeliz pode haver um recomeço. Mesmo que ele seja duro, angustiado e cheio de culpas nos questionamentos sociais e religiosos quanto à homossexualidade. O filme é também uma história sobre o amor materno. E nesta relação maternal está Bobby Griffith e Mary Griffith, interpretados pelos atores Ryan Kelley e Sigourney Weaver. O filme foi baseado no livro homônimo publicado pelo jornalista Leroy Aarons, em 1995, que foi o fundador do "National Lesbian and Gay Journalists Association". Um bom filme para ver e meditar durante a quaresma!
O filme foi exibido na TV americana. Desde então, abre a discussão na trilogia "Homossexualidade ► Família ► Igreja". 

""Eu não posso deixar que ninguém saiba que eu não sou hétero. Isso seria tão humilhante. Meus amigos iriam me odiar, com certeza. Eles poderiam até me bater. Na minha família, já ouvi várias vezes eles falando que odeiam os gays, que Deus odeia os gays também. Isso realmente me apavora quando escuto minha família falando desse jeito, porque eles estão realmente falando de mim. Às vezes eu gostaria de desaparecer da face da terra". (Bobby Griffith)

 



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