ESPAÇO DE ENCONTRO E REFLEXÃO ENTRE CRISTÃOS HOMOSSEXUAIS em blog desde 03-06-2007
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publicado por Riacho, em 31.05.11 às 22:00link do post | favorito

O antigo Bispo de Oxford, Richard Harries, declarou apoiar o escritor cristão Symon Hill na sua decisão de fazer uma peregrinação de arrependimento pelos seus actos de homofobia no passado e acrescentou que a Igreja precisa de se arrepender no que diz respeito ao seu tratamento das pessoas gays e lésbicas.

Symon Hill, director associado da Ekklesia, e autor de obras publicadas no Brasil como "Quando a crise é real" ou "Motivação", irá caminhar de Birmingham até Londres entre 15 de Junho a 1 Julho. Pelo caminho será palestrante em várias igrejas e irá apelar para que a Igreja se arrependa da sua homofobia. No final, Symon juntar-se-á à Marcha do Orgulho em Londres marcada para dia 2 de Julho.


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publicado por Riacho, em 26.05.11 às 21:35link do post | favorito
26/5/2011
 
Padre coordena grupo que lançou consultoria online para público LGBT
 

O portal Amai-vos lançou um serviço de consultoria online para público LGBT.O jornal O Globo, 20-05-2011, publicou uma entrevista com Luís Corrêa Lima, padre jesuíta, professor da PUC-Rio, sobre o tema. Na PUC-Rio, segundo o jornal carioca, ele dirige o Grupo de Pesquisa Diversidade Sexual, Cidadania e Religião da PUC, formado por professores e alunos de teologia, psicologia e pedagogia. A entrevista é de Chico Otávio.

Eis a entrevista.

O Grupo de Pesquisa Diversidade Sexual, Cidadania e Religião sofreu alguma resistência dentro da Igreja Católica do Brasil?

Felizmente, não. Nós estamos em uma universidade, onde a liberdade acadêmica é fundamental para a produção do conhecimento, que se realiza através de debates, pesquisas, eventos e publicações.

Como o senhor recebeu a decisão do Supremo quanto à união civil homoafetiva?

Há coisas positivas nesta decisão. Ao contrário do senso comum, existem elementos de convergência entre a decisão do Supremo e a doutrina da Igreja. Um documento do Vaticano, de 2003, trata do reconhecimento civil da união entre pessoas do mesmo sexo. Ele se opõe à equiparação desta forma de união àquela entre homem e mulher, bem como a mudanças no direito familiar neste sentido. No entanto, o Vaticano afirma que se podem reconhecer direitos decorrentes da convivência homossexual.

Este passo é muito importante. Se não houver nenhum reconhecimento social ou proteção legal às uniões homoafetivas, a homofobia presente na sociedade vai pressionar os gays a contraírem uniões héteros, para fugirem de um preconceito que é muito forte. Isto já acontece há séculos, traz muito sofrimento e precisa parar. O sacramento do matrimônio nestas circunstâncias é inválido. É preciso que os fiéis saibam disto. O casamento tradicional não é, de modo algum, solução para a pessoa homossexual.

A posição da CNBB, expresso em documento público, é consensual?

Tudo indica que sim, por ser da Presidência da entidade. Alguns bispos individualmente se manifestaram a favor de direitos dos conviventes homossexuais, mas frisando que não se deve considerar esta convivência como família.

Como o senhor se posiciona sobre o casamento religioso entre pessoas do mesmo sexo?

O casamento religioso está fortemente enraizado na tradição judaico-cristã, que desde os tempos bíblicos é heterossexual. Em países escandinavos e em regiões onde as uniões homoafetivas são comuns, igrejas como a Anglicana e a Luterana realizam bênçãos para estes conviventes, embora distinguindo estas uniões do casamento. Mudanças na tradição não são impossíveis de acontecer, mas é difícil saber o que vai permanecer, o que vai mudar e quanto tempo vai levar.

O senhor defende o batismo de crianças criadas por casais homoafetivos?

O número de crianças criadas por casais homoafetivos não é muito. Mas este número deve aumentar devido ao crescente reconhecimento destas uniões. Os bispos americanos se depararam com esta questão em 2006. Eles se posicionaram contra este tipo de paternidade, chamada homoparentalidade. Mas aceitam que estas crianças sejam batizadas desde que possam ser educadas na fé da Igreja. No Brasil, não estamos longe desta questão e convém considerar o que for melhor para a criança.

Para ler mais:

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=43652

 


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publicado por Riacho, em 17.05.11 às 18:50link do post | favorito
17/5/2011
 
Desnaturalização da heterossexualidade
 

"Para executar estratégias políticas que denunciem o quanto a heterossexualidade é compulsória, não podemos apostar só em marcos legais", escreve Leandro Colling, professor da Universidade Federal da Bahia, é presidente da Associação Brasileira de Estudos da Homocultura e membro do Conselho Nacional LGBT, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 17-05-2011.

Eis o artigo.

O Dia de Combate à Homofobia, 17 de maio, é uma boa data para repensarmos as estratégias que utilizamos para desconstruir os argumentos dos homofóbicos.

As políticas de afirmação identitária, utilizadas para atacar as opressões contra LGBTTTs (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros), negros e mulheres, para citar apenas alguns grupos, surtiram efeito e por causa delas podemos comemorar algumas conquistas. Mas, ao mesmo tempo, essas políticas são limitadas em alguns aspectos.

Além de afirmar as identidades dos segmentos que representamos, também precisamos problematizar as demais identidades. Por exemplo: LGBTTTs podem, se assim desejarem, problematizar a identidade dos heterossexuais, demonstrando o quanto ela também é uma construção, ou melhor, uma imposição sobre todos.
Assim, em vez de pensarmos que as nossas identidades são naturais, no sentido de que nascemos com elas, iremos verificar que nenhuma identidade é natural, que todos resultamos de construções culturais.

Dessa maneira, a "comunidade" LGBTTT passaria a falar não apenas de si e para si, mas interpelaria mais os heterossexuais, que vivem numa zona de conforto em relação às suas identidades sexuais e de gêneros (aliás, bem diversas entre si).

Para boa parte dos heterossexuais, apenas LGBTTTs têm uma sexualidade construída e problemática, e o que eles/as dizem não tem nada a ver com as suas vidas.

É a inversão dessa lógica que falta fazermos para chamar os heterossexuais para o debate, para que eles percebam que não são tão normais quanto dizem ser.

Ou seja: para combater a homofobia, precisamos denunciar o quanto a heterossexualidade não é uma entre as possíveis orientações sexuais que uma pessoa pode ter.

Ela é a única orientação que todos devem ter. E nós não temos possibilidade de escolha, pois a heterossexualidade é compulsória.

Desde o momento da identificação do sexo do feto, ainda na barriga da mãe, todas as normas sexuais e de gêneros passam a operar sobre o futuro bebê. Ao menor sinal de que a criança não segue as normas, os responsáveis por vigiar os padrões que construímos historicamente, em especial a partir do final do século XVIII, agem com violência verbal e/ou física.

A violência homofóbica sofrida por LGBTTTs é a prova de que a heterossexualidade não é algo normal e/ou natural. Se assim o fosse, todos seríamos heterossexuais. Mas, como a vida nos mostra, nem todos seguem as normas.

Para executar estratégias políticas que denunciem o quanto a heterossexualidade é compulsória, e de como ela produziu a heteronormatividade (que incide também sobre LGBTTTs que, mesmo não tendo práticas sexuais heterossexuais, se comportam como e aspiram o modelo de vida heterossexual), não podemos apostar apenas em marcos legais e institucionais.

Precisamos desenvolver, simultaneamente, estratégias que lidam mais diretamente com o campo da cultura, a exemplo de ações nas escolas, na mídia e nas artes.

O projeto Escola sem Homofobia, assim, não correria o risco de apenas interessar a professores/as e alunos/as LGBTTTs. Nesse processo, comunicadores e artistas também poderiam servir como excelentes sensibilizadores para que tenhamos uma sociedade que realmente respeita a diversidade. E a festeja como uma das grandes riquezas da humanidade.

 

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=43359


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publicado por Riacho, em 13.05.11 às 23:05link do post | favorito
13/5/2011
 
Gays e fiéis na sua Igreja
 

Os gays entram nas igrejas. Grupos de fiéis homossexuais irão se reunir neste ano em uma série de paróquias italianas para as vigílias de oração em memória das vítimas da homofobia. Com a permissão dos bispos e ou por decisão autônoma dos párocos. Da Lombardia à Sicília. Ainda são pequenos passos – as paróquias que abrirão suas portas serão mais ou menos oito entre os dias 12 e 29 de maio –, mas as reviravoltas sempre começam gradualmente.

A reportagem é de Marco Politi, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 12-05-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Popoli, a revista online dos jesuítas, colocou a iniciativa na sua primeira página. Luteranos, valdenses, batistas, metodistas irão abrir seus templos em outras localidades.

Na Itália, a Igreja Católica também se dá conta de que não é mais possível demonizar os fiéis pela sua orientação sexual. Claro, continua invariável a condenação vaticana às relações homossexuais, mas muda a cabeça dos católicos do dia a dia. Innocenzo Portillo, envolvido no site Gionata, em Florença, lembra que um dia, durante o encontro em uma paróquia, a responsável pela catequese lhe disse: "Antes de falar com vocês, eu acreditava que os gays eram aqueles que andavam por aí travestidos. Entendi tudo errado, venham mais vezes".

Nada de lantejoulas, nada de carnavais brasileiros, nada de cage aux folles caricaturais. Está chegando uma nova e muito jovem geração de gays que se sentem totalmente normais e querem poder viver suas vidas como crentes sem barreiras. No ano passado, eles se encontraram em Albano, entre os dias 26 e 28 de março, para o primeiro fórum italiano dos cristãos homossexuais. Merece destaque: em uma estrutura religiosa, um centro de retiros dos padres Somaschi.

Este ano, rezarão em Milão, com a autorização da diocese, na igreja de San Gabriele, em Mater Dei. Em Florença, na paróquia da Madonna della Tosse. Em Bolonha, na igreja de São Bartolomeo della Beverara. Em Gênova, na igreja de São João Bosco. Em Pádua, conseguiram se reunir na igreja reservada aos universitários, Santa Catarina de Alexandria. Portillo conta que, na igrejinha de Dosimo, diocese de Cremona, no ano passado, quem presidiu a oração foi o bispo Dante Lanfranconi. Finalmente, em Catânia, está a paróquia da Boa Morte, que durante muitos anos acolhe um grupo de católicos homossexuais.

São grupos que têm nomes poéticos. Elpis (esperança), Querce di Mamre (carvalhos de Mamre), Ali d'Aquila (Asas de Águia). Tenazes em abrir caminho. Em Palermo, entraram em acordo com o pároco de Santa Lúcia para manter a vigília na igreja. O cardeal Romeo disse que não. Mas chegaram tantos e-mails de protesto na diocese e na paróquia que o cardeal, por fim, decidiu se encontrar com os jovens do Ali d'Aquila. O veto continua, "mas é a primeira vez que pudemos contar as nossas vidas", diz Fabio. Cinzia também faz parte do grupo, feliz, porque "finalmente somos olhados nos olhos", amargurada "porque não se dão conta da dor que nos infligem."

Cardeal e gays irão se ver novamente. A iniciativa das vigílias de oração foi estimulada por um comentário ácido de Michele Serra, que se perguntou por que a comunidade gay está tão determinada a "pedir asilo em uma comunidade (a Igreja Católica) que considera a homossexualidade não só uma culpa, mas também uma doença".

A resposta é simples. Porque não se trata de um lobby externo que quer forçar o ingresso no templo, mas de pessoas de fé que querem ser reconhecidas na sua casa de oração. Porque Giulia, uma lésbica de Florença, não quer estar em uma reunião paroquial e ouvir o padre dizer: "Chega desses homens efeminados e dessas mulheres masculinizadas".

O catolicismo cotidiano está mudando. Vários expoentes eclesiásticos podem dizer com o cardeal Martini: "Entre os meus conhecidos, há casais homossexuais, homens muito estimados e sociais. Jamais me foi pedido nem pensaria em condená-los".

Nos dias da Páscoa, o jornal dos bispos italianos, Avvenire, dedicou o fascículo do seu periódico Noi Genitori à questão dos filhos homossexuais. A linha oficial do magistério ratzingeriano permanece, mas o artigo envia uma mensagem específica: "É importante pôr-se à escuta, entender, acolher". E se os pais desorientados querem se dirigir a um especialista, deve, saber que o objetivo deve ser um: "Permitir que o jovem viva melhor, que readquira a serenidade. O que, às vezes, coincide com a mudança e o retorno a uma orientação heterossexual; outras vezes, com a aceitação da sua própria condição".

Algumas centenas de milhares de leitores católicos puderam ler que "o recurso ao psicólogo jamais deve ser entendido como um tratamento, como um instrumento para chegar a uma improvável cura". Pois a "homossexualidade não é uma doença". Dez anos atrás, um artigo semelhante seria impensável. Outros textos do fascículo colocam em primeiro plano o "amor entre homem e mulher... o matrimônio, os filhos". Mas surge o conselho de não demonizar. "Não repreenda o seu filho: ele não tem nenhuma culpa ou responsabilidade pela atração que sente". É uma rachadura na velha doutrina da abominação sodomita.

Para ler mais:

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=43225


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publicado por Riacho, em 10.05.11 às 20:36link do post | favorito
10/5/2011
 
Igreja: portas abertas para as vítimas da homofobia
 

"Deus ensinou a não chamar de profano ou impuro nenhum ser humano": esse versículo dos Evangelhos será recitado pelas muitas pessoas de fé reunidas em oração para recordar as vítimas da homofobia e se lembrarão de David Kato Kisule, um jovem ativista da Uganda morto por estar comprometido com os direitos das lésbicas e gays.

A reportagem é de Delia Vaccarello, publicada no jornal L'Unità, 09-05-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

De Palermo a Aosta, passsando por Milão, Pádua, Grosseto, Bolonha, Gênova, Catânia, Roma e muitas outras cidades italianas, neste ano, por ocasião do Dia Internacional Contra a Homofobia, multiplicam-se as iniciativas de cristãos e evangélicos, gays e heterossexuais simpatizantes, que se confiam ao diálogo com Deus para dar um basta à violência contra homossexuais e transgêneros.

Em Palermo, o único bloqueio de cima para baixo. A vigília não será no interior da Igreja de Santa Lúcia, na quinta-feira 12 de maio, mas será realizada na praça em frente, isto é, do lado de fora. O padre Luigi escreveu no site da paróquia que a Cúria o convidou ao respeito de um documento da Santa Sé de 1986 sobre o cuidado pastoral das pessoas homossexuais, pedindo que cancele o encontro. O grupo Ali d'Aquila respondeu que irá rezar "até diante de uma porta fechada".

É o único "não" para as vigílias celebradas dentro das igrejas, com encontros também na Espanha, em Madri, Barcelona, Valência, Sevilha, Tenerife e Jerez de la Frontera. No Peru e até em Bishkek, capital da República do Quirguistão, onde se rezará de forma quase clandestina, dadas as frequentes violações dos direitos humanos também contra gays e lésbicas. No entanto, os organizadores quiseram que a vigília fosse marcada pelo grupo Gionata, que, em seu site, informa sobre todos os encontros (www.gionata.org).

Quem irá começar o período de vigílias que termina no dia 29 de maio são as cidades de Palermo e Florença, com eventos ecumênicos: junto com cristãos homossexuais, estão rezando tanto católicos quanto evangélicos. Florença e Palermo são cidades muito ligadas às vigílias. Foi o grupo Kairos em 2007 que lançou um apelo a se unir em oração depois do suicídio do pequeno Matteo, em Turim, que não suportava mais os deboches sofridos na escola devido à sua suposta homossexualidade.

Por outro lado, o Ali d'Aquila de Palermo nasceu graças ao encontro de jovens homens e mulheres que sentiram o estímulo a recordar com a oração as vítimas da violência homofóbica. "As vigílias não são só uma comemoração dos mortos, mas nasceram justamente para abrir uma estrada no deserto da indiferença e do isolamento que muitos homossexuais percebem no ambiente que os circunda", declara uma jovem lésbica, perguntando-se: "É possível que os nossos pastores não tenham tido uma palavra para Matteo? Por qual motivo as orações nos nossos cultos dominicais jamais formulam para nós um único pensamento a respeito?".

A primeira vigília foi celebrada no dia 28 de junho de 2007, na Igreja Evangélica de Florença, para lembrar Matteo e as outras vítimas, com ministros de diversas confissões religiosas e representantes de grupos e movimentos cristãos que vieram de toda a Itália. Agora, de vítimas, tornam-se testemunhas.

"É tarefa de quem se sentiu vítima despertar as consciências e inverter o julgamento sobre si mesmo. É tarefa de quem se reconhece nessas palavras evangélicas testemunhar tamb[em com gestos concretos na sociedade", observa Federica Mandato, do grupo Ressa, de Trento.

Enquanto isso, já são quatro as dioceses da ItáliaTurim, Crema, Cremona e Parma – que aprovaram pastorais de acolhida pública às pessoas homossexuais, enquanto em muitas cidades se difunde a presença de grupos homossexuais nas paróquias. O convite é claro: "Não discriminar ninguém".

Para ler mais:

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=43108


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publicado por Riacho, em 06.05.11 às 20:22link do post | favorito

 

Um Dia as Canas Tocarão nos Céus? | 18 maio, 18.45 | Centro LGBT

Convidamo-las/os a assistir à Apresentação da obra Um Dia as Canas Tocarão nos Céus?, no próximo dia 18 de maio, às 18.45, no Centro LGBT, em Lisboa. Este romance autobiográfico, Um Dia as Canas Tocarão nos Céus?, o mais recente livro do escritor, poeta, músico e psicólogo João Firmino, acompanha e descreve o percurso de vida da principal personagem, desde 1974 até 2009, e será o ponto de partida de discussão sobre a construção da identidade homossexual antes e depois do Movimento LGBT, contando também com a participação de Guilherme de Melo, autor de um outro romance autobiográfico, “A sombra dos dias”, publicado em 1982, de São José Almeida e A. Fernando Cascais.

Esperamos poder contar com a vossa presença e agradecemos desde já a divulgação que possam oferecer a este evento!

 

Sobre este livro escreveram:

 

"(Este livro) É uma história sobre uma geração ou um grupo dentro de uma geração que foi e é a geração das incertezas, a geração da desilusão, a eração que teve a promessa da liberdade e do desenvolvimento e teve liberdade e desenvolvimento de facto, mas cujos sonhos e aspirações, na maioria dos casos continua a morrer na praia e continua à espera do pais prometido (...) A importância deste texto é essa. O não ser só uma coisa. Mas ser o começo de várias coisas. É por isso que “Um dia as canas tocarão nos céus?” é importante, porque é um começo, um primeiro grito a mostrar, a escancarar aquilo que antes em Portugal não foi dito (...) É a história desse crescimento, na versão do que foi dado viver e assistir ao seu autor, que aqui está. Um depoimento de como foi crescer para um homem nascido em Portugal que se fez adulto nos anos 80. E que, entre várias coisas, aprendeu a identificar-se como gay e recusou ser estigmatizado como homossexual. Mas que, nem por isso, deixou de ser um ser desiludido."
(São José Almeida, jornalista e escritora)



"Antes do surgimento do associativismo, o meio gay resumia-se essencialmente ao mundo noturno de bares, discotecas e saunas e ao engate de rua, centro comercial, parque ou jardim público, praia e estação de comboios, semi-clandestino, envergonhado, culpabilizante, invisível, tolerado, nem sempre seguro e decerto que protegido por maneirismos, praxes, regras e provas de fogo que provocavam no noviço um sentimento de não-pertença semelhante ao da rejeição social na sua comunidade ou família de origem. Nada convidativo e nada facilitador, portanto, de um autêntico modo de vida gay, de resto reservado a círculos restritos e relativamente estanques providos de recursos sociais, económicos e culturais suscetíveis de sustentar uma forma incipiente daquele. Um dia as canas tocarão nos céus? descortina um pouco desse mundo, mas sobretudo o tipo de subjetividade a ele normalmente associado."

"Só quem se reergue por entre os estragos, os destroços, as ruínas íntimas da auto-rejeição, do ódio de si, da homofobia interiorizada, por ela recipitados, é que sabe o que é o orgulho, essa coisa tão alheia, tão incompreensível, tão arrogante e até tão afrontosa, aos olhos de quem não passou pelo processo. Só quem sabe o que significa reconstruir-se a partir da devastação é que pode entender que o orgulho passa por ousar desejar ser aquilo que se é e, mais do que isso, aquilo que se quer ser. Um dia as canas tocarão nos céus? dá-nos a ver o percurso que vai do fazerem-nos homossexuais ao reconstruirmo-nos como gays e no qual muitos sem dificuldade se reconhecerão."

 
(A. Fernando Cascais, Professor auxiliar da FSCH da Universidade Nova de Lisboa)


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publicado por Riacho, em 05.05.11 às 00:42link do post | favorito

 

Hoy desperte te busque
Me hizo faltar estar contigo
Quise rozar tu mirada
Hoy te pense te extrañe
Añore sentir tu mano sobre mi piel y mi alma
Tu viajando por la adversidad
Yo volando sin poder asimilar
Que detras de cada limite estoy

Hoy sin querer te mire
Vi tu foto y me transporte
Al calor de tus besos y te acaricie
Te tome, te llene, paso a pasa cada espacio
Pude esquivar la contrariedad
Tu alma sabe

Mientras viajas por tu adversidad
Me trasvelo sin poder asegurar
Que apesar de cada limite
Estoy siempre seguro
Que mas haya de toda lógica
Salgo a toda reconciliación

Y detras de cada limite estoy...
Hoy desperte, te busque
Me hizo falta estar contigo hoy

(Benny Ibarra - Estoy)

 

Obrigado por estes 5 anos de caminhada!

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publicado por Riacho, em 04.05.11 às 23:15link do post | favorito

Kasha Jacqueline Nabagesera, fundadora de um movimento de direitos LGBT em Uganda recebeu o prémio anual Martin Ennals Foundation pelo seu trabalho.

Kasha Nabagesera Jacqueline, uma mulher de Uganda, é a fundadora e Diretora Executiva da Freedom and Roam Uganda, uma das principais organizações LGBT. Kasha teve a coragem de aparecer na televisão nacional do Uganda, emitiu declarações à imprensa em nome da comunidade de gays, lésbicas, bissexuais, transgéneros e transexuais, e falou em várias estações de rádio.

Em 2007, foi assediada no Fórum Social Mundial em Nairobi, e em muitas outras ocasiões foi ameaçada e até mesmo atacada fisicamente por aparecer nos mídia. Desde então, ela tem estado sem residência fixa, com medo de ficar demasiado tempo no mesmo lugar.

Em 26 de janeiro de 2011 um de seus colegas, o ativista gay David Kato, foi assassinado na sequência da publicação de uma "lista gay" pelo tablóide Rolling Stone pedindo o enforcamento de gays e lésbicas. Kasha Jacqueline também aparece na lista publicada.

O Presidente do Júri do Prémio Martin Ennals para Defensores dos Direitos Humanos, Hans Thoolen, descreve a laureada como "uma mulher excepcional, de uma rara coragem, lutando sob ameaça de morte pela dignidade humana e os direitos dos homossexuais e pessoas marginalizadas em África". Com este prémio o Júri quer sublinhar a sua posição contra a discriminação de pessoas com base no género ou orientação sexual.

O Prémio Martin Ennals para Defensores dos Direitos Humanos (MEA) é uma colaboração exclusiva entre os dez líderes mundiais em organizações de direitos humanos para dar proteção a defensores dos direitos humanos em todo o mundo. O júri é composto pelas seguintes ONG: Amnistia Internacional, Human Rights Watch, Human Rights First, International Federation for Human Rights, World Organisation Against Torture, Front Line, Comissão Internacional de Juristas, German Diakonie, International Service for Human Rights e HURIDOCS.

Patronos do Prémio Martin Ennals: Asma Jahangir, Barbara Hendricks, José Ramos-Horta, Adama Dieng, Leandro Despouy, Louise Arbour, Robert Fulghum, Irene Khan, Theo van Boven e Lottje Werner.

Fonte: http://portugalgay.pt/news/040511A/uganda:_activista_lgbt_recebe_prmio_de_direitos_humanos


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