ESPAÇO DE ENCONTRO E REFLEXÃO ENTRE CRISTÃOS HOMOSSEXUAIS em blog desde 03-06-2007
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publicado por Riacho, em 20.03.11 às 01:48link do post | favorito

Diante do reboliço da vida, das crises e de todas as dificuldades a primavera convida-nos a contemplar a beleza da criação. E então conheceremos quem somos verdadeiramente e aquilo a que somos chamados: a continuar a obra da criação para perpetuar a vida! Celebra a vida porque tu és vida!

 


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publicado por Riacho, em 19.03.11 às 15:48link do post | favorito

Feliz dia do pai!

 


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publicado por Riacho, em 14.03.11 às 21:37link do post | favorito

Uma sugestão para ir até Coimbra no próximo dia 09 de Abril...

 

No centro ou nas margens?

 

XXVI Encontro Fé e Cultura – 9 Abril 2011

Auditório da Reitoria da Univ. Coimbra

 

Programa:

9h30    Acolhimento

 

10h      Sessão de boas-vindas

10h15  Painel Que Deus para hoje?”  - O bispo, a feminista e o cientista

Maria Irene Ramalho, especialista em Literatura e Estudos Feministas

D. Albino Cleto, bispo de Coimbra

Carlos Fiolhais, cientista e divulgador cientifico

 

11h30  Pausa

12h      Sessões paralelas

 Viver na sociedade da imagem”
- A actriz, o cirurgião plástico e a portadora de deficiência

Susana Arrais, actriz de teatro e televisão

Ana Vanessa Isidro, psicóloga e tetraplégica

Jorge Lima, cirurgião plástico

 

Manter a integridade possível”
- O político, o publicitário e o advogado

João Serpa Oliva, ortopedista e deputado

José Maria Toscano, responsável de “mobile marketing”

Tiago Duarte, constitucionalista e advogado

 

Pensar a Igreja plural”
- A freira, o homossexual e os recasados

 Ir. Irene Guia, aci

Pedro Sottomayor, teólogo e director de uma IPSS

Mafalda e Tomás Colaço, engenheira e gestor

 

13h15  Pausa para almoço

15h      Painel Que mundo a construir?”  - O gestor, o sindicalista e a imigrante

Elizabeta Necker, premio Empreendorismo Imigrante 2007

Fernando Nogueira, ex-politico e gestor

José Torres Couto, ex-secretário-geral da UGT

 

16h15  Pausa

16h45  Conferência No centro e nas margens”

P. Carlos Carneiro sj

 

17h30  Encerramento e momento artístico final Por dentro, até ao fim”

 ***

Síntese do Fé e Cultura 2011

A edição deste ano do Fé e Cultura, organizada à volta da questão “No centro ou nas margens?”, pretende olhar para algumas questões e tensões presentes na sociedade actual, a partir de vários e diferenciados pontos de vista. Num tempo de mudanças rápidas e de fluidez de hábitos e tendências, é cada vez menos claro o que é “centro” e o que é “margem”, o que constrói e é avanço ou, pelo contrário, o que é capitulação e empobrecimento. E pensar e dialogar sobre isso, como se quer fazer no Fé e Cultura 2011, acaba por ser sempre desafiante e enriquecedor.

O primeiro painel, logo após a sessão de abertura, apresentará em diálogo um bispo, uma pensadora feminista não-crente e um cientista, a partir da questão “Que Deus para hoje?”.  Segue-se um conjunto de três sessões paralelas, em formato de conversa. A primeira sessão tratará o tema “Viver na sociedade da imagem”, tendo como intervenientes uma actriz, um cirurgião plástico e uma portadora de deficiência. A segunda sessão será dedicada à questão “Manter a integridade possível”, com um político, um publicitário e um advogado. A terceira sessão, finalmente, abordará o tema “Pensar a Igreja plural”, com a presença de uma consagrada, um homossexual e um casal de “recasados”.

À tarde regressa novo painel, com a questão “Que mundo a construir?”, colocando frente-a-frente um gestor, um sindicalista e uma imigrante. Seguir-se-á a conferência “No centro e nas margens”, por um dos jesuítas da casa (como pede a tradição). E para concluir o dia, teremos um pequeno momento artístico final.

Quanto ao Cartaz e ao Boletim de inscrição para o Fé e Cultura 2011, podem ser encontrados no site www.cumn.pt/feecultura.


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publicado por Riacho, em 11.03.11 às 22:08link do post | favorito

Em seu estilo sensível e do "ponto de vista dos bancos da igreja", George Ripon escreve um comentário instigante que explora a difícil questão das relações homossexuais e do apelo à legalização da união gay sob a Lei do Casamento [Marriage Act] da Austrália. Essas questões vêm causando muita discussão na mídia e nos parlamentos do país. Ripon busca explorar essas temáticas polêmicas dentro de um contexto espiritual católico contemporâneo.

George Ripon é um leigo australiano da arquidiocese de Melbourne, que há mais de 40 anos atua em movimentos de diálogo inter-religioso. O artigo foi publicado no sítio Catholica, 05-03-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

O movimento rumo ao casamento gay

O movimento para legalizar a relação de casais do mesmo sexo e para descrevê-la como "casamento" está bem encaminhado.

Desde já, digo que não tenho problema com o fato de que casais gays formalizem seu compromisso entre si em um processo definido e apoiado pela lei terrena, estabelecendo direitos e obrigações entre si, comparáveis àqueles desfrutados por mulheres e homens casados.

Meu problema com o movimento do casamento gay é o uso e o significado da palavra "matrimônio". Alguns anos atrás, a Lei do Casamento foi alterada pelo governo de Howard, apoiada pela oposição especificamente relacionada com a união entre um homem e uma mulher. Isso se seguiu ao entendimento de vários milhares de anos de que o termo "matrimônio" se aplica às relações heterossexuais. Isso também se aplica, a meu ver, ao termo "casamento", em que o compromisso é feito diante de testemunhas e amigos e muitas vezes é celebrado em um serviço religioso em uma igreja.

Antes de continuar, é preciso falar sobre os relacionamentos hoje, neste momento, entre homens e mulheres. Alguns realmente não se casam, simplesmente moram juntos, sendo que muitos constroem uma família e permanecem juntos por toda a vida. Outros se casam em um cartório, onde, tendo declarado as suas intenções e feito o seu compromisso, seu matrimônio é registrado na lei. Condições similares são aplicáveis quando os casais usam um celebrante civil, designado pela lei, para se casar em um local de sua escolha, muitas vezes em um parque ou um jardim. Muitos ainda se casam em uma igreja onde, sujeito à conclusão dos papéis, o matrimônio também é válido perante a lei: todos os casamentos da igreja e, na ausência de formulações diferentes, os serviços públicos preveem um compromisso vitalício "até que a morte os separe" ou "enquanto ambos viverem".

Infelizmente, neste momento, muitos compromissos fracassam com uma taxa de separação de mais de 40%. Em vista disso, com tantos casamentos fracassando por falta de estabilidade ou de permanência, alguns podem perguntar: por que fazer um alarido com relação a manter o significado tradicional? Por que não apenas alterar a Lei do Casamento para incluir casais do mesmo sexo?

Deve-se permitir que os gays se casem?

Ao propor o casamento gay, os apoiadores apontam as pesquisas e as enquetes que indicam que a maioria dos australianos são a seu favor. Eu acho que se eu pegasse uma prancheta, um crachá e um lápis e perguntasse aos transeuntes em um centro comercial local: "Deve-se permitir que os gays se casem?", eu receberia uma resposta "sim" majoritária. Isto confirma a ideia de que, se você faz a pergunta certa, você obtém a resposta que quer. Aqui, a inferência em questão é que os gays não estão autorizados a entrar em um relacionamento comparável ao casamento heterossexual.

Como indiquei acima, muitos casais heterossexuais simplesmente vivem juntos, criam seus filhos e permanecem juntos por toda a vida. Da mesma forma, eu suspeito que muitos casais homossexuais vivem juntos ao longo dos anos, desfrutando sua sexualidade sem o desejo da paternidade. Então, agora, chego às minhas duas preocupações sobre a pergunta acima: "Deve-se permitir que os gays se casem?". Minha primeira pergunta é: o que os simpatizantes gays querem dizer com o termo "matrimônio" e como ele deveria ser celebrado? Minha próxima pergunta: quem disse que os gays não podem se casar?

Ao longo dos últimos milhares de anos, o matrimônio claramente se referia à relação entre homens e mulheres. Dessa união, nascem os filhos, que são criados para formar a próxima geração. Sem ser muito fisiológico, o fato de ter filhos segue a alegria do encontro sexual, que, por sua vez, leva à grande responsabilidade, ao longo de muitos anos, da criação das crianças. No entanto, isso não pode ocorrer em uma união gay, em que a desvantagem dessa união é que, por si só, ela não pode gerar filhos. Embora existam "formas e meios" para que casais do mesmo sexo tenham filhos – que eu comentarei em breve –, estou certo de que muitos casais homossexuais estão felizes com suas vidas sem filhos. Seria interessante ver, estatisticamente, a porcentagem de casais homossexuais que desejam ter filhos, contra uma estimativa do número total de uniões gays permanentes. Talvez esse seja um item para o Censo Nacional em algum momento no futuro.

Quanto ao fato de casais gays terem filhos, eu vejo alguns problemas em todas as opções disponíveis. O mais simples para um casal de homens, com o consentimento de ambas as partes, envolve que um dos homens faça sexo com uma amiga ou com uma parceira voluntária. Aqui, como os casais irão confirmar, nem todo encontro, mesmo entre casais férteis, irá resultar em gravidez, por isso a perseverança pode ser necessária. No entanto, a criança que nascesse seria dada aos parceiros homens para adoção.

Poderiam surgir problemas se a criança nascesse com defeitos graves ou se a mãe natural que criou a criança em seu útero tenha dificuldades para dá-la para o casal gay. Como estamos lidando aqui com um casal masculino, devo comentar sobre a relação entre adultos e crianças. A maternidade é a relação natural entre uma mulher e seu bebê. Tendo feito nascer a criança, o instinto maternal é alimentá-la no peito (ou na mamadeira) e atender suas outras necessidades íntimas. Aqui, devo dizer que os homens podem ser pais muito bons, mas não mães, no sentido comumente aceito.

Para casais do sexo feminino, a opção acima seria mais fácil. Sujeita à concepção como no caso acima, uma das parceiras seria a mãe, e, com "duas" mães, o bebê não ficaria sem amor materno. O pai biológico pode querer manter o interesse ou querer entrar em contato com a criança. Essa é uma questão a ser resolvida entre as partes. Uma segunda opção para os casais femininos seria a fertilização in vitro, usando esperma de um doador conhecido ou não identificado. O processo pode ser complexo, sem garantia de sucesso na primeira ocasião. Assim, para os casais aceitos para a fertilização in vitro, o processo pode ser longo e caro. Outra opção é a adoção. Isso pode depender da disponibilidade de crianças no programa. Hoje, com os modernos meios de contracepção e, infelizmente, com o aborto, os números disponíveis para adoção são insuficientes para atender a demanda.

Para a adoção, assim como para a fertilização in vitro, os casais gays terão que competir com os casais heterossexuais que, apesar de todos os esforços, fracassaram em conceber. Esse fracasso pode ser uma causa de grande angústia, especialmente para uma mulher desesperada por um bebê. Assim, é compreensível que a preferência seja dos casais casados heterossexuais. Há também a relutância de alguns órgãos da Igreja para permitir a adoção por casais do mesmo sexo.

O que se entende por "casamento gay"?

Diante do exposto, reforço o ponto de que as uniões do mesmo sexo são tão diferentes das uniões heterossexuais que o uso do termo "casamento" é inadequado. Além disso, levanto a questão sobre o significado de "casamento gay". Os casais gays esperam se aproximar de um ministro da Igreja e obter o consentimento para um casamento na Igreja? Um completo "não, não" em nossa Igreja Católica. Alguns anglicanos (episcopalianos) norte-americanos e bispos canadenses têm permitido o casamento gay, mas eles são a exceção em uma Igreja dividida nessa e em outras questões sexuais.

Assim, a inferência de que os casais gays não podem se casar deve estar ligada ao direito civil. Aqui, como indicado acima, eu não teria nenhuma objeção que uma Lei de União Civil [Civil Partnership Act] fosse aprovada pelo Parlamento Federal. Enquanto isso, os casais gays são livres para construir um lar juntos, fazer testamentos favorecendo um ao outro e acordos juridicamente vinculantes em torno da propriedade, do controle e da alienação de bens e outros ativos.

Em tempos recentes, esforços por parte de casais homossexuais para adotar crianças atraíram a atenção da mídia. Comentários do tipo "negação de direitos humanos" e "discriminação contra gays" caracterizaram as discussões. Antes de abordar mais profundamente esse aspecto, gostaria de lidar com um assunto que, na minha opinião, muitas vezes recebe pouca atenção. Ele se relaciona com os possíveis efeitos sobre as crianças criadas por casais gays. Isso só pode ser determinado conforme a criança amadurece e cresce até a idade adulta e faz sua própria avaliação pessoal da sua criação.

O mundo em que vivemos não é perfeito, mas devo começar com o ideal, isto é, que as crianças deveriam ser criadas por pais amorosos, um pai e uma mãe. Um menino precisa de um Pai para jogar bola no quintal ou para fazer coisas no "galpão". Uma menina precisa de uma Mãe para as coisas de meninas, como se vestir, enfeitar-se e amadurecer como mulher. Além disso, é claro, uma menina precisa de um pai, e um menino precisa de uma mãe. Esse é o ideal, mas ele nem sempre é possível devido a morte, a graves problemas de saúde de um dos pais ou a outras circunstâncias inevitáveis, sendo a mais triste de todas a separação, agora um grande problema, que deixa a muitos genitores solitários a tarefa de criar os filhos.

Voltando aos efeitos sobre os filhos de pais do mesmo sexo, a pré-escola pode ser um lugar desafiador e às vezes cruel. Como alguém de sete anos de idade responde a uma pergunta de um colega sobre "como é ter dois pais ou duas mães?". Ou, na sala de aula, quando os assuntos familiares são discutidos? Ao longo da vida, indivíduos criados por pais gays podem enfrentar dificuldades quando surgem questões de origem. Tal como acontece com todos os pais, uma afirmação como "eu não pedi para nascer" pode vir dos próprios filhos, muitas vezes de forma dolorosa.

Hoje, com muitos indivíduos, não com aqueles que nascem de relações heterossexuais, há uma demanda crescente para identificar os pais biológicos. Na fecundação in vitro, isso foi apresentado em dois artigos recentes do jornal The Age, um de Leslie Cannold, no dia 31 de janeiro: Por que a confiança supera o conhecimento [disponível aqui, em inglês]; o outro de Selma Milovanovic, do dia 3 de fevereiro: Papai, eu nunca lhe conheci [disponível aqui, em inglês].

Ambos abordaram a demanda crescente de adultos concebidos por doação para identificar o doador. As alterações da lei em Victoria, em 1997, deram aos receptores, aos 18 anos, o direito de identificar os doadores, e estes devem concordar com isso antes da doação. Eu não pesquisei a posição daqueles que foram adotados ou concebidos sob outras modalidades, mas suspeito que não haja leis que impeçam amplas investigações.

Ao preparar o presente artigo, tive o benefício do post de CathyT, no Fórum do Catholica, de 18 de janeiro [Eu acho que posso explicar, disponível aqui, em inglês]. Ela destaca a preocupação que muitos de nós sentimos com relação à utilização do termo "casamento gay". Apesar de apoiar o direito dos casais homossexuais de desfrutar sua sexualidade, não é simplesmente a mesma coisa. A responsabilidade de manter os filhos até os 15-25 anos não se aplica aos parceiros homossexuais, a menos que tomem uma decisão independente de ter filhos, envolvendo alguns dos complexos procedimentos acima mencionados. Assim, não serve usar um conceito "tamanho único" para alterar a Lei do Casamento para incluir casais do mesmo sexo. Diferentes considerações se aplicam e, em vista delas, gostaria de ver uma Lei de União Civil sendo aprovada pelo Parlamento. Ela identificaria as intenções das partes e estabeleceria o processo para legalizar a união. O compromisso seria por toda a vida, e a lei definiria claramente os direitos e as obrigações entre as partes. Disposições especiais protegeriam os direitos de qualquer criança envolvida no relacionamento. Tendo em conta as fragilidades das relações humanas, a lei precisaria prever que, eventualmente, algumas uniões civis acabariam nos tribunais de divórcio.

Se os defensores do "casamento gay" abandonassem a sua referência ao matrimônio e apoiassem o termo uniões civis, eu suspeito que isso seria um grande apoio para a comunidade e até mesmo para um voto de consciência no Parlamento. Neste momento, tanto o primeiro-ministro quanto o líder da oposição apoiam o status quo. É preciso aguardar a introdução de uma nova lei ou, mais provavelmente, uma emenda à Lei do Casamento. Insisto que, pelo fato de duas questões semelhantes – o casamento heterossexual e a união gay – serem diferentes, não significa que uma delas esteja errada. No entanto, em minha opinião, a distinção deveria ser claramente definida por lei.

Pode-se obter alguma coisa de uma forma não discriminatória?

Em qualquer discussão que envolva dois pontos de vista opostos, deve haver escuta e respeito em ambos os lados. Termos como "negação dos direitos humanos" e "discriminação" apontados contra os apoiadores do casamento tradicional são, em minha opinião, falsos, injustos e incorretos. No direito, nunca existiu um direito dos gays a se casarem, por isso um direito inexistente não pode ser negado. Isso poderia muito bem mudar no futuro. Da mesma forma, acredito que muitos defensores do conceito tradicional do casamento não se oporiam à legislação que legaliza o direito a uniões civis. Então, onde está a discriminação?

Eis aqui, talvez, uma nota mais positiva. Concordo com a esperança de CathyT para uma forma de "cerimônia de aliança". Eu vejo isso como uma "bênção". Casais gays unidos por uma união civil e legal vitalícia deveriam ter o direito de buscar a bênção da Igreja para a sua união se um dos parceiros é católico com algum envolvimento nos assuntos da Igreja. Isso poderia ocorrer na casa ou privadamente na igreja. Seria insensato que ocorresse em uma cerimônia pública autônoma na igreja, o que pode acabar sendo um casamento de facto. Por outro lado, o casal poderia receber sua bênção depois da missa dominical. No domingo anterior, a bênção proposta seria anunciada, deixando os paroquianos livres nesse dia para permanecer ou ir embora, como quiserem. Exigir-se-ia sensibilidade para todos os envolvidos.

Neste momento, estou como que soltando uma pipa ao vento, mas espero que, uma vez que as uniões gays sejam legalizadas, nossa Igreja possa conceder-lhes o respeito e a dignidade que agora são dados aos casais heterossexuais.

Tendo iniciado este artigo antes do Natal, é hora de concluir. O assunto não é tão fácil como pode parecer, mas ele precisa ser examinado da forma como será levantado no Parlamento, em um futuro não muito distante.

Para ler mais:

 

 

 

 

Fonte:http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=41272


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publicado por Riacho, em 10.03.11 às 19:18link do post | favorito
10/3/2011
 
''Abandonar não faz parte do estilo de Jesus'': a pastoral diocesana e os homossexuais
 

Na Itália, depois de Cremona, talvez Crema também se abra à possibilidade de um percurso de acompanhamento pastoral para as pessoas homossexuais.

A reportagem é da agência italiana Adista, 07-03-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto, revisada pela IHU On-Line.

No site da diocese, na seção dedicada à pastoral familiar, foi publicado um documento do Pe. Franco Mandonico, encarregado diocesano para a Pastoral do Casal e da Família, dirigido às "pessoas de orientação relação-sexual com o mesmo sexo".

"Quero mandar um sinal de atenção – escreve Mandonico – àqueles e àquelas que sentem e vivem a sua orientação sexual com o mesmo gênero-sexo, porque não acredito que esteja de acordo com o estilo de Jesus fazer com que alguém se sinta esquecida/o, abandonada/o" devido a essa orientação. "Parece-me entender – prossegue – que não é fácil admitir, aceitar e reconhecer a condição de homossexuais. Ou, melhor, justamente por isso, parece-me evangélico fazer perceber que, se nós, humanos, também nos esforçamos para respeitar quem é diferente de nós, mesmo que o matrimônio seja entre um homem e uma mulher", "Jesus sabe encontrar um caminho de esperança e de ajuda para todas e todos. Provavelmente – conclui – junto é mais fácil ajudar e nos acompanhar 'à vida boa do Evangelho'".

O modelo ao qual o Pe. Mandonico faz referência explítica é o do grupo de fiéis homossexuais "Alle Querce di Mamre", que começou como experiência na diocese de Cremona em dezembro de 2007 e que teve início oficialmente poucos anos depois.

O grupo é acompanhado por um encarregado do bispo, que atua como assistente espiritual, e se propõe a ser um instrumento para aproximar – no máximo respeito, abertura e discrição – todos aqueles que têm dificuldades para conciliar sua própria fé com a sua própria tendência sexual.

Para ler mais:

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=41204


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publicado por Riacho, em 07.03.11 às 19:41link do post | favorito
 

"O Padre Matthew Kelty (foto) deixou este mundo em paz, ao meio-dia do dia 18 de fevereiro. Ele havia sido o último confessor que Thomas Merton teve. E, como se isso não bastasse para garantir uma discussão mais aprofundada, ele também era um padre gay que 'saiu do armário' aos 90 anos. Não veremos novamente tão cedo tipos de monges como esse."

A análise é de Louis A. Ruprecht Jr., professor da cátedra William M. Suttles de Estudos Religiosos da Georgia State University, em Atlanta, nos EUA, e pesquisador visitante da cátedra Stanley J. Seeger do Programa de Estudos Helênicos da Universidade de Princeton. Seu livro mais recente é o This Tragic Gospel: How John Corrupted the Heart of Christianity [Esse Evangelho trágico: Como João corrompeu o coração do cristianismo] (Ed. Jossey-Bass, 2008).

O artigo foi publicado no sítio Religion Dispatches, 24-02-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

"Louis disse a Delia: 'Essa é a parte triste da vida.

As pessoas sempre vão embora enquanto outras chegam'. Os anjos a reservaram."
Josh Ritter, em Bloodbath Folk

"As pessoas sempre vão embora enquanto outras chegam". Essa é a frase que, de repente, me veio à mente quando eu soube que o Padre Matthew Kelty deixou este mundo em paz, ao meio-dia do dia 18 de fevereiro. Essa é uma grande perda para aqueles dentre nós que chegaram recentemente, e nem tão recentemente, e eu queria tentar explicar porque eu penso isso. Esse notável monge passou 50 anos dentro e fora da Abadia de Gethsemani, no Kentucky, onde ele havia sido o último confessor que Thomas Merton teve. E, como se isso não bastasse para garantir uma discussão mais aprofundada, ele também era um padre gay que "saiu do armário" em um de seus ensaios mais eloquentes na maturidade dos 90 anos. Não veremos novamente tipos de monges como esse tão cedo.

A história do Pe. Matthew não é tão conhecida como merece ser, em grande parte porque sua história foi tão profundamente entrelaçada com a história de Thomas Merton (1915-1968) (foto), sem dúvida o monge mais famoso que a Abadia de Gethsemani e o catolicismo norte-americano já produziram.

O Pe. Matthew não era nem famoso nem se autopromovia, e é isso que torna tão eloquentes e tão dignos da nossa audiência os traços líricos das notas que ele produziu.

Ambos me parecem ser agora o produto de uma era e de um tempo diferentes e, mais especificamente, ambos eram o resultado de uma forma diferente de habitar o tempo – uma forma monástica, poética e, finalmente, bastante silenciosa. Ambos cresceram nos Estados Unidos do pós-guerra, e ambos estavam intimamente envolvidos na vasta experiência do pensamento cultural que associamos com os anos 60: as tentativas de reimaginar raça, sexo, nação e religião. Precisamos de suas vozes e precisamos nos lembrar da existência de tais vozes contra a cacofonia cultural de fundo dos nossos dias.

Kelty via Merton

Acho que vou estar em consonância com a quieta humildade do Pe. Matthew Kelty se usar Thomas Merton para ajudar a contar a sua história – Merton, o talentoso escritor e adepto espiritual que foi responsável, dentre outras coisas, pela introdução de um público norte-americano para as formas novas e mais místicas de imaginar o evangelho cristão, para o significado do monaquismo e do silêncio, para a profunda relação entre criatividade artística e vida espiritual, para a necessidade do pacifismo em um mundo em guerra, e até mesmo para as virtudes e as sutilezas do Zen budismo.

O início da vida de Merton não foi fácil. Seus pais, ambos artistas, estavam vivendo na França quando Thomas Merton nasceu. Forçado a fugir da violência iminente da Primeira Guerra Mundial, eles navegaram para Nova York e se estabeleceram em Long Island, onde sobreviveram durante a Grande Guerra com sua família ampliada. A mãe de Merton morreu em 1921, quando ele tinha apenas seis anos de idade. Seu pai o abandonou no ano seguinte, em busca de um romance improvável.

O jovem homem precoce se instalou em uma escola francesa por alguns anos, voltando a viver com seu pai até que o artista faleceu, três anos depois, devido a um tumor cerebral. Merton tinha apenas 16 anos quando ficou órfão. Ele viajou extensivamente pela Europa, vagou durante algum tempo, e então passou dois anos no Clare College, em Cambridge, antes de se transferir para a Universidade de Columbia, onde se graduou em 1938 com uma licenciatura em língua inglesa.

Embora as sementes para isso foram claramente plantadas em 1933, quando ele fez uma visita decisiva a Roma, Thomas Merton, um pouco surpreendentemente, se converteu ao catolicismo romano em novembro de 1938. Menos de dois anos depois, durante a época da Páscoa de 1941, ele fez um retiro na Abadia de Nossa Senhora do Gethsemani (foto), no Kentucky, um refúgio beneditino de vários andares, fundado em 1846 e situado em um vale deslumbrante a menos de 20 milhas da casa natal e da fazenda da infância de Abraham Lincoln. Merton foi aceito como peticionário na Abadia de Gethsemani em dezembro do mesmo ano.

Assumindo o nome de Padre Louis e os necessários votos trapistas de obediência silenciosa, Merton colocou sua voz surpreendente e seus vastos poderes artísticos na imprensa, tornando-se assim o mais público dos eremitas e o mais prolífico escritor que o catolicismo norte-americano já produziu. Mas Merton estava sempre inquieto, agitado. Nunca estava – não se pode deixar de sentir – muito contente. Ele pensava na ideia de deixar Gethsemani e, eventualmente, deixar também a vida monástica, não muito tempo depois de ser arrebatado por um caso amoroso com uma enfermeira local de 25 anos, Margie Smith. O caráter dessa jovem fica claro a partir de um único detalhe que o Pe. Matthew me transmitiu: nas longas décadas posteriores à morte de Merton, ela nunca disse uma palavra pública sobre o seu relacionamento. Havia um brilho em seus olhos quando ele disse isso.

Tendo sido proibido de manter um contato maior com a sua amante, Merton recebeu a permissão de deixar a abadia para uma viagem ao Extremo Oriente na primavera de 1968. Seu principal objetivo era dar uma palestra em Bangkok sobre monaquismo e misticismo comparativo, mas havia muito mais nessa viagem do que isso, como revelam os seus diários publicados hoje. Ele explorou uma grande variedade de possíveis novos eremitérios ao longo do caminho, teve várias audiências com Sua Santidade o Dalai Lama e visitou as monumentais estátuas budistas no Sri Lanka – elas seriam a inspiração para o que viria a ser a sua visão artística e mística final.

Então, quase tão misteriosamente quanto aquele sorriso de Buda, Merton foi embora.

Claramente exausto, ele teve um desempenho bastante pobre em Bangkok e, então, antes de se retirar ao seu quarto para tirar uma soneca, ele expressou o que viriam a ser as suas últimas palavras públicas: "Agora eu vou desaparecer". Ele voltou ao seu quarto e morreu eletrocutado durante seu banho. Seu corpo foi enviado aos Estados Unidos em um avião de carga que transportava as baixas norte-americanas da guerra nessa mesma região – da qual ele tinha sido um crítico especialmente direto e eloquente. O Pe. Louis foi enterrado em uma sepultura simples ao lado do mosteiro, com vista para as colinas que ele versejava tão comoventemente em muitos de seus melhores livros.

Um amigo e colega

O monge que atuou como confessor de Merton nesses anos finais e tumultuosos em Gethsemani era um colega monge da sua mesma idade: o Pe. Matthew Kelty.

O Pe. Matthew sabia que algo estava acontecendo com o seu conturbado amigo e manifestou o sentimento profundo de que, no dia da sua partida, quando o Pe. Louis optou por se afastar do mosteiro nas primeiras horas da manhã sem dizer adeus a ninguém, ele provavelmente não veria o seu amigo de novo. E ele não veria, é claro. "Essa é a parte triste da vida".

Esse detalhe capta muito bem a graça silenciosa e tolerante do Pe. Matthew Kelty e o serviço que ele ofereceu durante todas as longas quatro décadas sem Merton. Ele entendeu muitas coisas sobre esse homem, especialmente as atitudes e os comportamentos que ele não necessariamente compartilhava. Ele nunca precisou fazer amizades nem cultivar colegas de trabalho, preferindo permitir que os outros se tornassem imagens mais puras de si mesmos, sem pressioná-los à idolatria de sua própria imagem.

Ao lidar com um amigo e companheiro, cujo espírito era muito mais conturbado e muito mais discordante do que o seu, o Pe. Matthew apenas ouvia, meditava, rezava e nunca deixava de oferecer uma palavra oportuna de conforto. Ele era dono de si e conhecia a sua própria mente, mas, a partir dessa silenciosa calma e firmeza de propósito, ele era capaz de analisar um mundo mais amplo e mais instável de formas humanas.

Nascido e batizado como Charles Richard Kelty Jr., em South Boston (em 1915, assim como Merton), seus pais não eram artistas. Seu pai era um engenheiro e maquinista de Nova Jersey. Ele foi sem dúvida o mais precoce dos seus três irmãos. Foi educado em escolas públicas de Milton, Massachusetts, onde, por sua própria confissão, adquiriu o seu vitalício gosto pela poesia.

Em outras palavras, ao contrário de Merton, a arte não se insinuou a ele. Ele se aproximou dela e tomou gosto dela naturalmente. Ao ver o currículo monástico do Pe. Matthew, não podemos deixar de ficar impressionados com o estranho contraste entre esses dois homens – a energia impaciente e a profunda infelicidade do Pe. Louis, e o fácil contentamento e a graça silenciosa do Pe. Matthew.

Mas o Pe. Matthew conhecia um verdadeiro poeta quando via um, e deu a Merton uma amizade e uma compreensão favorável, das quais que não se pode deixar de sentir uma necessidade desesperada em seus últimos anos.

Santos e discípulos

O Pe. Matthew era assim: seu próprio espírito parecia brilhar mais intensamente em seu próprio ambiente. Não existem santos sem seus discípulos mais verdadeiros, nem poetas sem seus leitores honestos.

Charles Kelty estudou no Seminário da Sociedade do Verbo Divino - SVD em Techny, Illinois, e foi ordenado sacerdote, assumindo o nome de Matthew, em agosto de 1946. Mas ele serviu à Igreja de muitas outras formas ao longo dos próximos 15 anos, antes de ir para Gethsemani.

Primeiro, ele serviu nas missões dos padres verbitas em Papua Nova Guiné (1947-1951), depois voltou para a sede da SVD em Techny, Illinois (1951-1960). Ele foi aceito para a comunidade da Abadia de Gethsemani em fevereiro de 1960 e fez os votos de Obediência Estrita em 1962.

Em uma reviravolta curiosa e até mesmo poética, o Pe. Louis foi designado para ser o diretor espiritual dos novos iniciados em 1960, e por isso teve uma influência direta sobre a consequente adoção do Pe. Matthew das restrições da abadia. Esse aspecto de entrelaçamento de suas vidas monásticas é curioso: Louis chega cedo, Matthew chega tarde; Louis sai mais cedo, Matthew fica por mais tempo.

"As pessoas sempre vão embora enquanto outras chegam"

O que o Pe. Matthew recordava de sua primeira formação monástica era a maneira que Merton incentivava os novos monges a encontrar suas próprias formas de expressão artística, sob qualquer forma, assim como ele próprio havia encontrado na palavra escrita. A criatividade – espiritual e outras – deveria ser a palavra de ordem em Gethsemani. E até mesmo uma passada rápida hoje na loja da abadia demonstra como muitos dos monges assumiram o chamado de Merton à criatividade nas artes visual e escrita.

O Pe. Matthew Kelty não foi uma exceção, embora tenha alcançado a sua criatividade mais lentamente do que a maioria. Como Merton, ele deixou Gethsemani por um tempo. Ao contrário de Merton, ele sempre teve a intenção de voltar. Ele passou três anos (1970-1973) junto a uma pequena comunidade cistercense em Oxford, na Carolina do Norte, e depois mais nove anos (1973-1982) novamente em Papua Nova Guiné como um solitário.

Depois, voltou para casa, em Gethsemani.

Foi aí que a sua vida se tornou a sua obra-prima. O Pe. Matthew voltou-se para o ofício da homilia dominical, muitas das quais ele filmou e postou online no final de sua vida (disponíveis aqui, em inglês). Sua maneira de celebrar a Eucaristia era justamente isto: uma celebração ritual, um evento teatral cuja gravidade artística nunca estava longe do seu desejo. Elas estão entre as suas criações artísticas semanais mais emocionantes.

Mas o Pe. Matthew Kelty também se voltou para a palavra escrita. Sua correspondência pessoal tem a qualidade de um poema, em que as palavras descobrem uma delicadeza que às vezes não tinham nas mãos menos calejadas de Merton. O Pe. Matthew também escreveu um livro. Mas as suas razões para fazê-lo foram muito menos pessoais do que as de Merton. Elas foram, na falta de um termo melhor, políticas. O Pe. Matthew Kelty publicou uma coleção de homilias e de ensaios espiritual intitulada My Song is of Mercy (editada por Michael Downey) em 1994.

"Sexo não é problema. O amor é que é"

O trecho mais surpreendente e um dos mais comoventes nesse livro o epílogo, intitulado O celibato e o dom dos gays. O Pe. Matthew Kelty decidiu, em antecipação ao seu 90º aniversário, "tirar do armário" a sua própria personalidade monástica e, assim, tentar descrever que dons os cristãos gays e lésbicas têm para contribuir com a complexa tapeçaria da comunhão cristã.

Ele fez isso porque sentiu uma responsabilidade para com os "menores dentre nós", que não estavam percorrendo um caminho de aceitação como muitos esperavam no final dos anos 60 e no início dos anos 70. Mas também é possível ouvir mais do que um sutil eco a partir do que Matthew aprendeu com o tormento heterossexual de Merton.

Continua sendo verdade que, dado o nosso clima nacional, vai demorar um pouco para deixar o amor livre. E, depois, para deixar o amor crescer, mais profundamente, mais grandemente, mais amplamente. (...) 

É por isso que tantos heterossexuais abandonam o celibato depois de uma década ou duas: eles não conseguem lidar com ele: eles precisam de uma mulher externa para despertar o 'eu' interior, especialmente em nossa cultura. Talvez, com um 'eu' menos dividido, eles sejam melhores...

E como aqueles que tendem a se inquietar vão se inquietar aqui com relação ao sexo, a resposta é simples: o sexo não é problema. O amor é que é. Onde não há amor, você pode esperar que o sexo surja. Todos os homens querem amor, também os celibatários. O sexo pode ser uma forma de amar, mas é absurdo dizer: não sexo é não amor, tão absurdo quanto dizer que sexo é amor.

Um sacerdócio e comunidade celibatários são uma graça para a Igreja, uma música do Reino (onde não haverá casamento, mas todos serão como um todo) e uma alegria para todos os que nele estão. Não há ninguém mais chamado a isso, mais capaz disso, mais criado para isso do que as pessoas que chamamos de gays. Eles iniciam, desde o primeiro dia, um processo de integração que os outros não têm sequer ideia antes dos 40 anos. Abençoados sejam! (My Song is of Mercy, p.258-259).

Em suma, ele escreveu para outros, nunca para si mesmo. Mesmo nesta, a mais pessoal das confissões espirituais, o assunto não foi o Pe. Matthew. Foi a humanidade, o mundo, a Igreja, o seu abraço compassivo, surpreendente e envolvente da Criação, da qual ele via a si mesmo como uma parte indelével.

Merton fez um forte lobby para obter a permissão de viver levemente distante de sua comunidade, em um pequeno eremitério na subida da colina a partir de Gethsemani – alguns monges se ressentiriam pelo fato de que a súplica especial e o tratamento especial de Merton eram inevitáveis. Mas o Pe. Matthew nunca fez isso. Ao invés disso, ele creditou a Merton o fato de que o seu pensamento e o de seus colegas monges se voltaram para os valores centrais do misticismo e da solidão. Só dessa forma é que o monge pode encontrar o amor divino em que o celibato faz sentido.

Lembremo-nos da visão central que tornou possível a sua própria vida monástica: "O sexo não é problema. O amor é que é". Essa foi, sem dúvida, a sua percepção mais distintiva, que ele não deve a Merton (salvo como um contraexemplo), mas que era totalmente do próprio Matthew.

A questão do celibato é discutida frequentemente em um nível muito superficial, e certamente isso acontece quando o nível místico é posto de lado. Fazer isso é reduzir o celibato a um ato de coragem que [...] pode terminar apenas arruinando a pessoa. O celibato sem um caso de amor profundo é um desastre. Não é nem mesmo celibato. É só não estar casado. E o mundo já tem o suficiente dessas pessoas, casadas ou não.

O sexo não é problema. O amor é que é. Por isso, o celibato é perversamente mal interpretado se for imaginado como uma vida não casada sem sexo. Isso apenas reinscreve as obsessões sexuais dos nossos dias.

O celibato é um caso de amor – um caso de amor com Deus. É isto o que se apreende do Pe. Matthew: o seu amor tranquilo, embora às vezes avassalador, por Deus. Ele foi infundido com ele, e brotava dele em cada homilia, em cada carta, em cada olhar sorridente.

Sua oração mais comum era uma oração pela paz. Sua orientação espiritual fundamental era para a eterna misericórdia, misericórdia que ele cantou como uma canção e viveu como um caso de amor. E, assim como o catolicismo norte-americano continua repensando a sua relação com Roma e o seu futuro cultural em tempos de ataque, é ainda mais importante lembrarmos que vozes como a do Pe. Matthew existiram na Igreja.

Para ler mais:

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=41148


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publicado por Riacho, em 01.03.11 às 22:27link do post | favorito
 
1/3/2011

Durante décadas, na batalha travada entre forças conservadoras e ativistas pelos direitos dos homossexuais, houve um polêmico assunto que centrou uma quantidade ingente de debates e discussões. Afinal, uma criança é afetada pelo fato de seus pais serem homossexuais? Devido ao fato de que até o final dos anos 1980 não se afiançou um movimento de visibilidade gay, não havia forma empírica de averiguá-lo. Agora, os filhos de pais e mães homossexuais começaram a falar. Nos Estados Unidos, criaram um movimento de defesa de seus pais. Garantem que nada os distingue de seus companheiros de sala de aula e amigos. E pedem plenos direitos para seus progenitores.

A reportagem é de David Alandete e está publicada no jornal El País, 28-02-2011. A tradução é do Cepat.

Zach Wahls, de 19 anos, é um deles. O Tribunal Supremo de seu Estado, Iowa, aprovou o matrimônio gay em 2009. Suas duas mães se casaram. Em fevereiro, os republicanos levaram ao parlamento estatal uma norma que legalizaria apenas as uniões heterossexuais. Zach apelou ao debate público. “Nos meus 19 anos de vida jamais me encontrei com uma pessoa que tenha sido capaz de imaginar por si mesma que eu fui criado por um casal homossexual. Por quê? Porque a orientação sexual dos pais não tem nenhum efeito sobre o caráter de uma pessoa”, disse. “Se eu fosse seu filho, creio que lhe daria motivos de sobra para estar orgulhoso de mim. É certo que não sou tão diferente dos seus filhos”. O vídeo de seu discurso já teve 1,6 milhão de acessos no YouTube.

“É irônico que queiram tirar direitos de outros cidadãos sem saber de que estão falando, sem conhecer as pessoas que atacam”, explica agora Wahls. “Este tipo de visibilidade é muito importante, porque lhes mostramos que somos pessoas como elas, como seus amigos e vizinhos, que não prejudicamos ninguém”. Zach é um jovem brilhante. Estuda engenharia. Já tem seu próprio negócio. Cuida de uma de suas mães, que em 2000 foi diagnosticada de esclerose múltipla. “Os detratores das uniões gays usam sempre todos estes argumentos do quanto a homossexualidade pode afetar os filhos, dos males que vão sofrer. Nós somos a prova de que não é assim”, afirma.

O certo é que as organizações conservadoras usam a falta de estudos sobre os efeitos do matrimônio gay nos filhos para traçar um panorama aterrador. O poderoso lobby de Washington Family Research Council publicou recentemente um relatório no qual dizia que “as crianças criadas em famílias com um pai e uma mãe são mais felizes, saudáveis e mais bem sucedidas que as crianças que foram criadas em ambientes não tradicionais”. Acusava também os casais homossexuais de serem cronicamente promíscuos. O estudo citava uma pesquisa de 1984 no qual, de 156 casais gays, apenas sete eram totalmente fiéis.

O panorama que retratam é desolador: as relações homossexuais são violentas, as lésbicas abusam do álcool, a esperança de vida entre gays é menor que a dos heterossexuais. Tudo isto, asseguram pode prejudicar os filhos que criarem, provocando sérios problemas de ajuste na sociedade. “Há um maior número de provas de que as crianças criadas em lares com pais homossexuais têm mais probabilidade de experimentar sexualmente e cometer atos homossexuais”, acrescenta o documento.

É provável que, caso se recitasse esta lista de males a Chelsea Montgomery-Duban, esta risse. Chelsea é uma alegre jovem de 17 anos que adora os seus dois pais, que estiveram juntos 29 anos. “Me falam de compromisso?”, pergunta. “Meus pais estiveram juntos muito mais anos que os da maioria de meus amigos! Com o atual alto índice de divórcio entre casais heterossexuais! Eu me considero igual a eles, não há nada que nos diferencia, com a exceção de que eu me considero mais tolerante que algumas pessoas da minha idade, aceito mais a diferença”, conta. Tal é a naturalidade com que Chelsea fala destas coisas, que em outubro o maior lobby gay dos Estados Unidos, o Human Rights Compaign, a escolheu para compartilhar o cenário com estrelas como Ricky Martin, Bette Midler ou Pink para pedir mais direitos para os gays.

Na semana passada, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou que deixaria de defender nos tribunais a constitucionalidade de uma lei federal de 1996 que define o matrimônio como a união de um homem e de uma mulher. Foi uma decisão pessoal do presidente Barack Obama que não suscitou respostas iradas por parte dos conservadores. Muitos deles, como o ex-vice-presidente Dick Cheney ou a ex-primeira dama Laura Bush, se manifestaram, de fato, a favor do matrimônio gay. Sem dúvida, o trabalho de visibilidade de jovens como Chelsea teve muito a ver com isso. Ela e sua família são um poderoso argumento. “Muitas vezes conhecemos pessoas que não sabem que tenho dois pais. Pensam que somos amigos. Veem como nos damos bem, o quanto somos felizes. E quando se dão conta de que somos uma família, entendem. Não somos tão diferentes. Então eu lhes digo: ‘Já é tarde, já estás convencido’”.

Para ler mais:

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=41013


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