O aumento de casos de homossexualidade e de visibilidade dos mesmos leva a uma maior homofobia: é assim que o presidente da Opus Gay, António Serzedelo, caracteriza a sociedade portuguesa, à margem do I Encontro Contra a Homofobia.
«Quanto maior é a visibilidade homossexual, maior é a visibilidade da homofobia», disse António Serzedelo, alertando que «simultaneamente com essa visibilidade, surge a incongruência do totalitarismo dessa homofobia». O presidente da Opus Gay considera que este factor acaba por se revelar na intolerância da sociedade portuguesa contra homossexuais, mas também contra as mulheres, contra os imigrantes e contra os deficientes. António Serzedelo defende que se deveriam promover mais iniciativas como estas, referindo-se ao I Encontro Contra a Homofobia, como forma de diminuir o preconceito, ainda muito enraizado especialmente nas regiões onde a falta de informação ainda é grande. «Deviam ir mais às zonas e regiões onde maior é a desinformação e o preconceito», pois «isto obriga as pessoas a habituarem-se a viver com a diversidade», observou, acrescentando que é nestes locais que «estão as bases do preconceito». O fundador da Opus Gay considera que «há um Portugal a dois tempos (...) o rural, atávico, virado para o passado; e o urbano e moderno, que está com os dois pés na globalização e na modernidade», disse. Referindo-se à posição da Igreja nestas questões, defende que «a Igreja não pode intervir na sexualidade, nem pode dizer que uns são filhos de Deus e outros mais ou menos». O presidente da ILGA, associação dos direitos da comunidade gay, lésbica, bissexual e transgender (LGBT), Paulo Côrte-Real, destacou que estes casos são ainda um tema relacionado normalmente com diversos factores negativos, «a homofobia tem sido estimulada por uma espécie de triunvirato - pecado, crime e doença». Paulo Côrte-Real defende a respeito do preconceito existente que «a responsabilidade de lutar contra ele depende de toda a sociedade», afirmando que o combate precisa de «todos os apoios», inclusive da Lei.
António Serzedelo admitiu que caso o PS não tenha maioria e tenha de se coligar à direita, a proposta de casamento entre pessoas do mesmo sexo não vai avançar, «se fizer à esquerda, vamos ter casamento entre pessoas do mesmo sexo», garantiu o presidente da Opus Gay.