ESPAÇO DE ENCONTRO E REFLEXÃO ENTRE CRISTÃOS HOMOSSEXUAIS em blog desde 03-06-2007
comentar
publicado por Riacho, em 16.02.09 às 22:54link do post | favorito

16/2/2009
 
Um duplo desastre no Vaticano: de governo e de comunicação
 

Este é o balanço da suspensão da excomunhão dos quatro bispos lefebvristas. A solicitude do Papa Bento, a inaptidão da Cúria e as tentativas inúteis da Secretaria de Estado.

A reportagem é de Sandro Magister publicada no jornal Espresso, 4-02-2009. A tradução é do Cepat.

Alguns dias após os fatos, a suspensão da excomunhão dos quatro bispos lefebvristas se revela, no Vaticano, mais como um grave duplo erro: de governo e de comunicação. No meio do grave erro o Papa Bento XVI se viu como o mais exposto, praticamente só.

Dentro e fora da Cúria são numerosos os que jogam a culpa de tudo no Papa. Com efeito, foi sua, do Papa Bento XVI, a decisão de oferecer aos bispos lefebvristas um gesto de benevolência. A suspensão da excomunhão era a continuação de outros gestos anteriores de abertura, também estes desejados pessoalmente pelo Papa, o último dos quais foi o Motu Proprio Summorum Pontificum, de 17 de julho de 2007, que libera o rito antigo da missa.

Como antes, desta vez Bento XVI também não quis nada em troca, previamente. As suas foram até agora aberturas unilaterais. Os críticos do Papa incidiram sobre esse ponto para acusá-lo de ingenuidade, ou de ter cedido, ou inclusive de querer levar a Igreja de volta ao tempo anterior ao Concílio Vaticano II.

Na realidade, a intenção de Bento XVI foi explicada por ele mesmo com absoluta clareza num dos principais discursos de seu Pontificado, aquele lido na Cúria romana no dia 22 de dezembro de 2005. Naquele discurso o Papa Ratzinger sustenta que o Vaticano II não marcava nenhuma ruptura com a tradição da Igreja, pelo contrário, estava em continuidade com a tradição também ali onde parecia marcar um sobressalto em relação ao passado, como por exemplo, quando reconhecia a liberdade religiosa como direito inalienável de cada pessoa.

Com esse discurso, Bento XVI falava a todo o povo católico. Mas, ao mesmo tempo, também aos lefebvristas, aos quais indicava a via mestra para resolver o cisma e regressar à unidade com a Igreja nos pontos por eles contestados: não só a liberdade religiosa, mas também a liturgia, o ecumenismo, a relação com o judaísmo e as outras religiões.

Em todos estes pontos, depois do Concílio Vaticano II os lefebvristas se haviam separado da Igreja católica progressivamente. Em 1975, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X – a estrutura na qual se haviam organizado – não obedeceu à ordem de se dissolver e se constituiu em Igreja paralela, com seus próprios bispos, sacerdotes, seminários. Em 1976, o fundador, o arcebispo Marcel Lefebvre, foi suspenso “a divinis”. Em 1988, a excomunhão de Lefebvre e quatro novos bispos ordenados por ele sem a autorização do Papa – por sua vez suspensos “a divinis” – foi o ato culminante de um cisma já em curso há anos.

A suspensão desta excomunhão de fato não resolveu o cisma entre Roma e os lefebvristas, assim como a suspensão das excomunhões entre Roma e o patriarcado de Constantinopla – decidida em 7 de dezembro por Paulo VI e Atenágoras – de fato não marcou o retorno à unidade entre a Igreja católica e as Igrejas ortodoxas do Oriente. Num e noutro caso, a excomunhão suspensa pretendia somente servir como um primeiro passo para recompensar o cisma, que ainda persiste.

Como confirmação disto existe uma nota do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, emitida em 24 de agosto de 1996. Nela se lê que a excomunhão de 1988 dos bispos lefebvristas “constituiu a consumação de uma progressiva situação global de índole cismática” e que “enquanto não houver mudanças que levem ao restabelecimento da necessária ‘communio hierarchica’, todo o movimento lefebvrista deve ser considerado cismático”.

Este era o estado dos fatos sobre os quais interveio a decisão de Bento XVI de suspender a excomunhão dos quatro bispos lefebvristas.

Mas, de tudo isso pouco ou nada se lê ou se entende no decreto emanado pela Santa Sé no dia 24 de janeiro. Na “vulgata” difundida pela imprensa, com este decreto a Igreja de Roma simplesmente acolhia no próprio seio os lefebvristas.

* * *

A notória ressonância de uma entrevista de um dos quatro bispos agraciados, o inglês Richard Williamson, que sustentava teses negacionistas sobre o Holocausto, veio para agravar a questão.

A entrevista foi gravada por uma TV sueca em 1 de novembro de 2008, mas foi transmitida no dia 21 de janeiro, mesmo dia em que no Vaticano foi assinado o decreto de suspensão da excomunhão de Williamson e dos outros três bispos lefebvristas.

Na imprensa de todo o mundo a notícia se converteu na seguinte: o Papa absolve da excomunhão e acolhe na Igreja um bispo negacionista.

A tempestade que se desatou foi tremenda. Do mundo judaico, mas não só, houve incontáveis protestos. No Vaticano, se correu para remediar a situação de várias maneiras, com declarações e artigos publicados no L’Osservatore Romano. A polêmica se atenuou só depois que Bento XVI interveio pessoalmente, com dois esclarecimentos lidos no final da audiência geral da quarta-feira, 28 de janeiro: uma sobre os lefebvristas e sobre o seu dever de “reconhecimento do Magistério e da autoridade do Papa e do Concílio Vaticano II” e outra sobre o Holocausto.

A pergunta natural que surge é a seguinte: tudo isso não poderia ter sido evitado, uma vez tomada a decisão do Papa de suspender a excomunhão dos bispos lefebvristas? Ou o desastre foi fruto de erros e omissões dos homens que deveriam encaminhar as decisões do Papa? Os fatos se inclinam pela segunda hipótese.

O decreto de suspensão da excomunhão tem a assinatura do Cardeal Giovanni Battista Re, Prefeito da Congregação para os Bispos. Outro Cardeal, Darío Castrillón Hoyos, é o presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei que se ocupa, desde a sua constituição, em 1988, com os seguidores de Lefebvre. Tanto um como o outro declararam ter sido tomados de surpresa, com fatos consumados, pela entrevista do bispo Williamson e de não ter nunca sabido de que fora um contumaz negador do Holocausto.

Mas um exame aprofundado do perfil pessoal de Williamson e dos outros três bispos não era acaso o primeiro dever de ofício dos dois cardeais? Que não o tenham feito parece imperdoável. Tal exame não era nem sequer difícil. Williamson nunca escondeu sua aversão ao judaísmo. Defendeu publicamente a autenticidade dos “Protocolos dos Sábios de Sião”. Em 1989, no Canadá, esteve a ponto de ser processado por ter exaltado os livros de um autor negacionista, Ernst Zundel. Depois do 11 de setembro de 2001 aderiu às teses de complô para explicar a queda das Torres Gêmeas. Bastava um clic no Google para encontrar estes antecedentes.

Outra grave falha compete ao Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. A recomposição do cisma com os lefebvristas faz parte, logicamente, de suas competências, que compreendem também as relações entre a Igreja e o judaísmo. Mas o Cardeal que o preside, Walter Kasper, disse ter sido mantido fora das deliberações, coisa tanto mais surpreendente quando a emissão do decreto de suspensão da excomunhão ocorreu durante a semana anual de oração pela unidade dos cristãos e a poucos dias da jornada mundial de memória do Holocausto.

Há mais. Também se apresenta inteiramente deficiente o lançamento midiático da decisão. A Sala da Imprensa do Vaticano se limitou, no sábado, 24 de janeiro, a distribuir o texto do decreto, apesar de que há alguns dias já existiam claros indícios da mesma e de que sobre ela estava se armando a polêmica provocada pelas declarações negacionistas de Williamson.

Há uma comparação iluminadora. No dia anterior, 23 de janeiro, a mesma Sala de Imprensa havia organizado com grande pompa o lançamento do canal televisivo vaticano no YouTube. E poucos dias depois, 29 de janeiro, teria lançado, sempre com grande envolvimento de pessoas e meios de comunicação, um Congresso Internacional sobre Galileu Galilei programado para final de maio. Em ambos os casos, o objetivo era transmitir aos meios de comunicação o sentido autêntico de uma e outra iniciativa.

Nada parecido foi feito para o decreto referente aos bispos lefebvristas, que, no entanto, contava com todos os elementos para merecer um lançamento adequado. E também os tempos eram os justos. Estava em andamento a semana da oração pela unidade dos cristãos; era iminente a jornada pelo diálogo entre católicos e judeus. O Cardeal Kasper, o responsável máximo da Cúria em ambos os setores, teria sido a pessoa ideal para apresentar o decreto, enquadrá-lo na persistente situação de cisma, indicar a finalidade da suspensão da excomunhão, recapitular os pontos sobre os quais os lefebvristas estavam sendo chamados a reconsiderar suas posições, partindo da aceitação plena do Concílio Vaticano II até a superação do antijudaísmo que defendem. Quanto a Williamson, não teria sido difícil cincunscrever seu caso: mantendo-se firme em suas aberrantes teses negacionistas, ele mesmo se negaria ao gesto de “misericórdia” do Papa.

Bem, se nada disso ocorreu, não foi por culpa da Sala da Imprensa vaticana e de seu Diretor, o jesuíta Federico Lombardi, mas dos diferentes Dicastérios da Cúria das quais recebem as indicações. Dicastérios que se remetem à Secretaria de Estado.

* * *

De Paulo VI em diante, a Secretaria de Estado é o órgão máximo e o motor da máquina curial. Tem acesso direto ao Papa e governa a execução de cada uma de suas decisões. Confia-as aos Dicastérios competentes e coordena o trabalho dos mesmos.

Pois, em toda a situação da suspensão da excomunhão dos bispos lefebvristas o Secretário de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone, sempre muito ativo e loquaz, se distinguiu por sua ausência.

Seu primeiro comentário público sobre a questão se deu no dia 28 de janeiro, à margem de um Congresso romano no qual era conferencista. Mas, mais que as palavras, faltaram de sua parte as ações adequadas à importância da questão. Antes, durante e depois da emissão do decreto.

Bento XVI foi deixado praticamente sozinho e a Cúria foi abandonada à desordem.

Já está à vista de todos que o Papa Ratzinger renunciou à reforma da Cúria. Mas se colocava a hipótese de que ele tivesse suprido esta sua decisão confiando a guia dos Dicastérios a um secretário de Estado dinâmico e de pulso, Bertone.

Hoje, também esta hipótese se revela defeituosa. Com Bertone, a Cúria parece mais desordenada que antes, talvez também porque ele nunca tivesse se dedicado inteiramente a resolver os seus problemas. Bertone desenvolve grande parte de sua atividade não dentro dos muros vaticanos, mas fora, num incessante giro de conferências, celebrações e inaugurações. Suas viagens ao exterior são frequentes e cheias de encontros e de discursos como as de João Paulo II em plena saúde: de 15 a 19 de janeiro esteve no México e por estes dias está de viagem pela Espanha. Em consequência, o trabalho que as oficinas da secretaria de Estado dedicam a estas suas atividades externas é trabalho que se subtrai ao do Papa. Ou às vezes é uma inútil duplicação: por exemplo, quando Bertone tem um discurso sobre o mesmo tema e no mesmo auditório ao qual logo depois o Papa falará, com os jornalistas pontualmente à caça das diferenças entre ambos.

A devoção pessoal de Bertone a Bento XVI está fora de qualquer cogitação. O mesmo não acontece com outros responsáveis da Cúria, que continuam tendo campo livre. Pode ser que alguns sejam conscientemente contrários a este Pontificado. Certamente, a maioria simplesmente não o entende, não está à sua altura.

in: http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=20017

 

 

tags:

comentar
publicado por Riacho, em 15.02.09 às 22:02link do post | favorito

Olá

 

Esta entrevista com Hans Küng, uma referência em religião e, amigo do papa  nos tempos de faculdade ajuda a perceber como o papa está a conduzir a Igreja para um fechar-se sobre si mesma, esquecendo quem deve prioritariamente servir.

 

Abraço

 

Carlos

 

15/2/2009
 
'O papa comete um erro após o outro'. Entrevista com Hans Küng
 

O padre Hans Küng, 80 anos, é um dos maiores teólogos da atualidade e uma referência mundial em religião. Amigo do papa Bento XVI dos tempos da faculdade, o religioso suíço foi responsável pela indicação dele à cátedra da Universidade de Tübingen, na Alemanha, nos anos 60. Consultor do Concílio Vaticano II (1962-1965), que modernizou a Igreja, ele surpreendeu o mundo em 1970 com a obra Unfehlbar? Eine Anfrage (Infalibilidade? Um inquérito), em que questionou a infalibilidade papal, colocando em xeque o dogma de que o papa está sempre correto quando delibera sobre questões de fé ou moral. O livro gerou polêmica no Vaticano e o professor ficou proibido de ensinar a matéria em nome da Igreja. Küng e Bento XVI tomaram rumos opostos, ficaram afastados por quase quatro décadas e se reencontraram em 2005 para discutir o futuro do catolicismo. “Deixamos de lado os temas controversos da reforma na Igreja, porque temos opiniões opostas”, diz Küng.

A entrevista é de Carina Rabelo e publicada pela revista IstoÉ, 18-02-2009.

“Mas temos pensamentos semelhantes quanto à relação entre a fé cristã e a ciência, especialmente a biologia e o pensamento evolucionista.” Com mais de 25 livros traduzidos em dez idiomas, Küng atua no movimento ecumênico desde 1993 e é presidente do Weltethos, instituição voltada para o diálogo interreligioso.

Segundo Küng, “não podemos simplesmente julgar o Islã sem conhecer o Islã. Temos que entender que há diferentes Islãs, assim como há diferentes cristãos no cristianismo. E especialmente elaborar uma ética global com base em valores comuns das necessidades sociais e individuais. Estes valores e padrões éticos compartilhados devem estar fundamentados na crença das diferentes religiões e daqueles que não têm crenças. É o que nos ajudará a manter a nossa sociedade unida. Encontrar padrões éticos comuns a todos”.

Eis a entrevista.

O sr. acompanhou seis pontificados. Acha que a Igreja Católica mudou com o mundo?

Sem dúvida a Igreja Católica mudou muito nas últimas décadas. Claro que as mudanças mais importantes vieram após o Concílio Vaticano II (de 1962 a 1965). No entanto, há um retrocesso. Eu esperava que o papa Bento XVI proferisse um grande discurso e orações focados nas paróquias e arquidioceses que convocaram o Concílio Vaticano II há 50 anos e que ele valorizasse nas suas orações as grandes conquistas do movimento de renovação. Mas, infelizmente, ele fez exatamente o oposto.

Qual a sua opinião sobre a recente decisão do papa em reintegrar ao Vaticano bispos ultraconservadores excomungados, como Richard Williamson, que negou a existência do Holocausto e das câmaras de gás?

Até mesmo os bispos próximos ao papa concordam que foi uma péssima decisão. Penso que, mesmo como papa, ele não deveria ir contra as decisões do Concílio Vaticano II. Faria melhor se indicasse bispos mais inovadores e críticos, ao contrário daqueles que são ligados ao Opus Dei e a posturas conservadoras. Além da nomeação dos quatro da Fraternidade Pio X, ele nomeou no dia 31 de janeiro o ultraconservador Gerhard Maria Wagner, como arcebispo de Linz, na Áustria. Mais uma reafirmação da tendência tradicionalista.

Quem foi o grande papa do século XX?

João XXIII (1958 – 1963), dos primeiros anos do Concílio Vaticano II. Infelizmente, aqueles que o seguiram não foram igualmente construtivos. João Paulo II bloqueou reformas, o ecumenismo e o diálogo entre as Igrejas. Bento XVI é ainda mais conservador. Segue um curso reacionário, confere espaço para aqueles que pensam como ele. É uma espécie de restauração crescente daquilo que defende. Eu esperava que ele estivesse disposto a atos de coragem, mas ele se tornou cada vez mais radical e se cercou apenas de pessoas pouco críticas e que apenas o seguem. Não possui uma equipe de acadêmicos e bispos questionadores. Comete um erro após o outro e não há nenhum bispo para corrigi-lo. Não gosta de ser contestado.

O sr. foi contemporâneo de Bento XVI quando ele era cardeal na Alemanha. Que tipo de relação tiveram?

Ele é muito inteligente e era o especialista mais jovem em teologia durante o Concílio Vaticano II. Nessa época, tínhamos o mesmo desejo pela renovação da Igreja. Durante três anos, fomos professores de teologia dogmática na Universidade de Tübingen (na Alemanha) e tínhamos ótimas relações, que entraram em choque a partir de 1968. Ele se mudou para a Baviera, se tornou arcebispo de Munique e prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, a antiga Santa Inquisição em Roma. Tornou-se um homem de carreira eclesiástica, defendendo as tradições e distante da renovação. Como papa, confirmou a postura tradicionalista.

Acredita que as ideias conservadoras do papa encontram apoio de um público ávido pelo retorno às tradições?

Claro que há conservadores que pensam como ele, mas as mudanças estão chegando. Neste ano, tivemos provas da atmosfera de renovação que paira no mundo, como a transição de Bush para Obama. O papa era amigo de Bush e até celebrou o seu aniversário com ele, na Casa Branca. Uniu-se ao presidente nas campanhas contra o controle de natalidade, a contracepção, o aborto, as reformas e liberdades civis. Agora, os americanos têm um novo presidente, disposto a corrigir todos os erros terríveis que o seu antecessor cometeu. Assim como os americanos que elegeram Obama, o papa também deveria optar pela renovação, até porque está bem óbvio que a sua tentativa de restauração foi malsucedida.

O que pensa dos teólogos da América Latina?

Conheço a maioria dos teólogos ligados à Teologia da Libertação, principalmente o peruano Gustavo Gutierrez, fundador do movimento. Mas, particularmente, gosto muito de Leonardo Boff e de outros da mesma linha. Eles tiveram uma influência muito positiva sobre os brasileiros em situação de pobreza. Fiquei muito triste quando Bento XVI, então cardeal no Vaticano, fez tudo para eliminar a Teologia da Libertação e quando o papa João Paulo II nomeou bispos que são, hoje, inimigos do movimento. Naquele tempo, havia grandes cardeais no Brasil e na América Latina, como dom Aloísio Lorscheider. Hoje, infelizmente, o papa nomeia bispos que são favoráveis ao Opus Dei e a movimentos conservadores. Estes grupos, definitivamente, não estão interessados em resolver a situação de pobreza da América Latina.

Qual a sua opinião sobre as punições que Leonardo Boff sofreu durante o pontificado de João Paulo II?

Foi semelhante à Inquisição. Não houve um processo, foi contra os direitos humanos. Ele simplesmente foi condenado. Ninguém nunca entendeu direito o porquê. Com as críticas, naturalmente, ele se posicionou contra as doutrinas da Igreja e o poder dela. Depois disso, foi sumariamente excomungado. Felizmente, ele sobreviveu a tudo aquilo e ainda está em atividade. Acredito que se Bento XVI quer uma reconciliação com os bispos cismáticos seria melhor se, antes de tudo, ele se reconciliasse com os teólogos, especialmente aqueles da América Latina, que são os que seguem os fundamentos do Concílio Vaticano II.

No Brasil, há um forte crescimento das igrejas evangélicas. O que a Igreja Católica, como instituição, deve aprender com os evangélicos para manter ou aumentar o número de fiéis?

Ao contrário dos evangélicos, não acredito que falte dinheiro para os católicos. Mas acredito que eles poderiam aprender a usar melhor o dinheiro que têm. Acho que a Igreja Católica, assim como a evangélica, deveria admitir homens casados no sacerdócio, para reverter o esvaziamento dos seminários. Nas igrejas evangélicas há um contato mais próximo entre as pessoas da comunidade religiosa, inclusive com fortes laços de amizade e de ajuda mútua. É isto que está faltando na Igreja Católica. Além disso, a liturgia católica muitas vezes é chata e faz as pessoas desistirem das missas. Os sermões também não são de grande ajuda na vida prática. Por isso, muitas pessoas preferem se concentrar em pequenas aglomerações de fé cristã do que nas paróquias, que têm muita hierarquia e pouca vida em nível local.

O número de sacerdotes está em queda. Um padre no Brasil chega a ser responsável por 20 paróquias. Como combater a crise de vocações?

Sem dúvida, deve-se abolir a lei do celibato e permitir a ordenação das mulheres. O celibato é uma regra ultrapassada, da Idade Média, com base no primeiro milênio do cristianismo. No século XI, os papas estabeleceram a regra como lei universal a todos os cristãos. Este clericalismo foi, inclusive, uma das causas para a divisão entre as Igrejas do Ocidente e do Oriente. Acredito que já está em tempo de abolir a exigência, até porque vai contra a liturgia cristã e a teoria do Novo Testamento, que não diz em nenhum momento que padres e bispos não podem ter uma mulher ou esposa. Além de ir contra os direitos humanos, que asseguram a todos o direito ao casamento. Quanto à ordenação, a Igreja precisa considerar que as mulheres tiveram um grande papel na história de Jesus e estão muito presentes nos atos do Evangelho. Além da sua grande participação nas comunidades cristãs. No Evangelho, São Paulo fala sobre uma apóstola chamada Junia, muito atuante entre eles. Com o tempo, a Igreja foi se tornando cada vez mais masculina e patriarcal. Isso deve ser corrigido. A mudança é necessária.

A Igreja Católica é contra a pesquisa com células-tronco. O que o sr. pensa sobre isso?

Deve haver razoabilidade para analisar as pesquisas com células-tronco. Por um lado, o ovo fertilizado já é uma vida humana. Por outro lado, não é ainda uma pessoa humana. Sigo a doutrina que diz que devemos estabelecer uma distinção entre vida humana e a pessoa humana. Devemos ser muito prudentes nas pesquisas com células-tronco, mas não devemos proibi-las completamente.

Pesquisas recentes revelaram que quanto maior o nível de inteligência, menor a fé ou espiritualidade. Fé e inteligência são compatíveis?

Não acredito nestes critérios de QI, que tentam medir a inteligência das pessoas e fazer comparações deste tipo. Acredito que são critérios burros e limitados. Não há nenhuma contradição entre fé e inteligência. Posso ser um exemplo. Tenho muita fé e acredito que tenho alguma inteligência (risos).

in: http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=19998

tags:

comentar
publicado por Riacho, em 13.02.09 às 19:51link do post | favorito

 

 

tags:

comentar
publicado por Riacho, em 12.02.09 às 00:12link do post | favorito

 

 

tags:

comentar
publicado por Riacho, em 11.02.09 às 21:55link do post | favorito

Olá

 

Pela notícia depreende-se que eles ainda não perceberam que a homossexualidade não é uma preferência nem uma opção, mas uma orientação. Quando isto for estudado, comprendido e assimilado na sua plenitude, talvez a perspectiva se alargue e se compreenda melhor a Criação de Deus.

 

Abraço

 

Carlos

 

Casamento Homossexual
Igreja nega apelo a boicote ao PS
A Igreja Católica portuguesa negou hoje que tenha ameaçado apelar ao voto contra o PS se este partido insistir em legalizar o casamento civil entre homossexuais
 

Ver artigoVer comunidade

Uma nota emitida assegura que a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) «sempre» evitou «confrontações» com órgãos de soberania ou partidos, no dia em que é noticiado que a cúpula da Igreja admite apelar ao voto contra o PS se o casamento entre homossexuais avançar.

«A Igreja Católica quer ser sempre factor de coesão e unidade», esclarece uma nota assinada pelo porta-voz da CEP, padre Manuel Morujão, publicada depois de vários jornais noticiarem que aquele elemento da estrutura eclesiástica admitira terça-feira um apelo da Igreja ao voto contra o PS nas três eleições que se realizam este ano.

A postura da Igreja passa por «evitar tudo o que seja desrespeito ou confrontação com os órgãos de soberania, partidos e outras forças sociais da Nação», refere a nota intitulada «Clarificação sobre a projectada Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa em favor do genuíno casamento».

«A Igreja pede que os católicos votem em liberdade segundo a sua consciência, esclarecida pelos princípios e a moral cristãos», lê-se no texto enviado à agência Lusa.

Ressalva ainda que «move-se em favor de causas e valores, nunca contra ninguém nem contra qualquer grupo ou partido que se oriente por um ideário divergente ou mesmo oposto» ao da Igreja católica.

Manuel Morujão afirmara terça-feira em Fátima que o casamento entre pessoas do mesmo sexo «vai dividir os portugueses» e que há outras prioridades em que os políticos «se deveriam empenhar».

No final de uma reunião do Conselho Permanente da CEP, o secretário da instituição, padre Manuel Morujão, alertou que uma dessas prioridades é a «crise», assim como «dar os apoios que as famílias precisam para responder aos desafios actuais».

O porta-voz da CEP disse, também, que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma «ameaça» à sociedade portuguesa.

«Quem propõe isto não quer ameaçar ninguém, mas é uma falácia, é um engano. É acenar com uma bandeira facilitista», sublinhou, admitindo que esta é «uma questão de vanguarda».

«Não sei se de direita ou de esquerda, mas acho que de vanguarda desfocada e que leva para um caminho errado, antropologicamente errado», afirmou o responsável, que questionou: «O que estamos a dizer às gerações que estão atrás de nós? Que sejam o que quiserem? Que escolham num menu de identidades aquilo que querem ser?».

Para o padre Manuel Morujão, tem de «haver dignidade e decência» nesta questão.

«[O casamentos entre pessoas do mesmo sexo] é uma ofensa ao casamento que é, por natureza própria, heterossexual», afirmou, admitindo que «as organizações da Igreja se movimentarão» para passar a mensagem defendida pelo episcopado português, «não contra ninguém, mas em favor de uma causa».

Lusa / SOL

in: http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=125917


comentar
publicado por Riacho, em 08.02.09 às 17:08link do post | favorito

Olá

 

Olhando para a notícia do jornal Sol que se transcreve a seguir, dois aspectos, entre outros, merecem ser comentados.

 

Para o padre Manuel Morujão, os casamentos homossexuais acarretam outro problema: «Uma sociedade que se fecha em si mesmo, no próprio género, não tem futuro, porque não há filhos». Até parece que se o casamento civil entre homossexuais for aprovado se acabam os casamentos entre heterossexuais. Os dois podem coexistir sem que daí venha qualquer mal ao mundo. Basta olhar para o que se passa em Espanha. Lá porque o casamento entre homossexuais se legaliza pode a Igreja ficar descansada que quem não é homossexual não se vai converter. Está escrito no nosso código genético. Convém não esquecer que os homossexuais nascem em quase 100% dos casos de famílias heterossexuais e também não convém esquecer que muitos homossexuais trazem filhos de casamentos religiosos anteriores muitas vezes incentivados pela própria Igreja ou pelo menos por alguns dos seus representantes.

 

O responsável da CEP contrapôs também com a existência de «tantos problemas para resolver neste País». De facto há vários problemas para resolver e este é um entre muitos. A Igreja não deve esquecer que muitas vezes de forma directa ou indirecta tem incentivado a homofobia e já que não é parte da solução, ao menos que não seja parte do problema.

 

Para Deus só há uma família, a família humana com heterossexuais, homossexuais, lésbicas, bissexuais, e transgénero. Todos somos criaturas feitas à imagem e semelhança de Deus e não viver de acordo com a natureza que nos foi dada por Deus, é viver fora do amor de Deus. O seu Filho veio ter com todos sem exclusão, num acto de amor imenso, para nos mostrar que há apenas um mandamento: AMAR. Rezemos, pois, pelos nossos bispos, para que guiados pelo Espírito Santo, possam como a sogra de Pedro, servir a humanidade na sua diversidade, sem preconceitos nem homofobias.

 

Abraço

 

Carlos

 

Igreja Católica
Bispos portugueses debatem crise e casamento homossexual
 

 

 
 
O casamento entre pessoas do mesmo sexo e a crise económica vão ser dois dos temas a debater na reunião do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) que se realiza na próxima terça-feira, em Fátima.

 

Em declarações à agência Lusa, o porta-voz da CEP, padre Manuel Morujão, recusou a divulgação da agenda de trabalho dos cinco bispos que compõem o Conselho Permanente, mas admitiu que estes dois assuntos vão ser discutidos.

Sobre o anúncio do secretário-geral do PS, José Sócrates, de propor o direito ao casamento civil para pessoas do mesmo sexo, o responsável da CEP contrapôs com a existência de «tantos problemas para resolver neste País».

«Parece que há uma distracção real dos problemas do País, pondo esta bandeira no ar», afirmou o sacerdote, acrescentando que «quando se pensa num programa eleitoral deverão não distrair-se do essencial».

O porta-voz da CEP admitiu, contudo, que para a Igreja Católica «o ‘timming’ é uma questão secundária».

«O fundamental é a ideia revolucionária da concepção de casamento que é uma união de amor entre um homem e uma mulher», explicou, sublinhando que «seria um grave erro» esta alteração, assim como «uma agressão à identidade do matrimónio».

Para o padre Manuel Morujão, os casamentos homossexuais acarretam outro problema: «Uma sociedade que se fecha em si mesmo, no próprio género, não tem futuro, porque não há filhos».

O responsável rejeitou, por outro lado, a hipótese de a Igreja Católica vir a fazer alguma campanha contra a possibilidade de legalização das uniões entre pessoas do mesmo sexo.

«Não há nenhuma indicação para isso», disse, considerando, também, não ser «caso para se pensar num referendo».

«A Igreja não faz campanhas contra, faz campanhas a favor», salientou ainda o porta-voz da CEP, que acrescentou: «Qualquer pessoa tem lugar na Igreja».

Manuel Morujão destacou, ainda a propósito desta matéria, que «respeitar os outros, na sua forma de viver e agir, é um dever», mas não significa «permitir tudo».

Acreditando que os casamentos entre pessoas do mesmo sexo «vai dividir a sociedade portuguesa», o sacerdote apontou ainda «um empobrecimento social se a família perder o estatuto único que deve ter».

Além dos casamentos homossexuais, a crise financeira vai estar, também, na agenda dos bispos terça-feira, depois de, em Janeiro, a Conferência Episcopal Portuguesa ter anunciado a realização de um simpósio para avaliar a situação da sociedade portuguesa.

O responsável da CEP reconheceu que «é uma constatação inevitável» que a crise no País tomou proporções dramáticas.

«Há muitíssimas pessoas que vivem numa situação verdadeiramente penosa, dolorosíssima, a procurar o pão de cada dia, a sobreviver», apontou, alertando para a necessidade de «a sociedade civil e também a Igreja com as suas instituições estarem atentas na procura de respostas».

«A Igreja pode dar sempre mais respostas» à crise, reconheceu o porta-voz da CEP, recordando, no entanto, que grande parte da resposta social aos mais desfavorecidos está nas mãos de instituições ligadas à Igreja Católica.

Lusa / SOL

 


comentar
publicado por Riacho, em 08.02.09 às 12:37link do post | favorito

Olá

 

No youtube podemos encontrar imensos filmes de temática gay. Aqui fica mais uma sugestão para este domingo: No Night is Too Long.

 

Abraço

 

Carlos

 

 

tags:

comentar
publicado por Riacho, em 06.02.09 às 23:34link do post | favorito

Olá

 

O fim de semana está aí.

Então aqui vai uma sugestão de cinema.

 

Abraço

 

Carlos

 
 
Dúvida
Título original: Doubt
De: John Patrick Shanley
Com: Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams
Género: Drama
Classificacao: M/12
 
EUA, 2008, Cores, 104 min.

 


 

argumento
Bronx, 1964. Numa escola católica, o padre Flynn (Philip Seymour Hoffman) entra em confronto com a irmã Aloysius Beauvier (Meryl Streep), directora da instituição que dirige com mão-de-ferro. Quando a ingénua irmã James conta à irmã Aloysius que o padre Flynn presta demasiada atenção a um dos rapazes, a directora acredita ter encontrado o que precisava para desmascarar e afastar o sacerdote. A irmã Aloysius não tem nenhuma prova, mas a dúvida instala-se e vai dividir irremediavelmente a comunidade.

PÚBLICO 

 

 

tags:

comentar
publicado por Riacho, em 05.02.09 às 23:51link do post | favorito

Olá

 

Viram esta proposta de casamento na série Brothers and Sisters? Que cena tão ternurenta. Eles querem formar família. Sim, isso mesmo, família!

 

Abraços

 

Carlos

 

 

tags:

comentar
publicado por Riacho, em 04.02.09 às 21:12link do post | favorito

Olá

 

Dizer que as relações homossexuais são contra natura é não conhecer e não amar a Natureza.

 

Abraço

 

Carlos

 

"Dois pinguins macho casaram no zoo de Harbin, na China, depois de um longo romance. A boda, com direito a marcha nupcial e tudo, foi um prémio para «os melhores pais deste zoológico», escreve o El País.

 

«São um bonito casal e mereciam esta recompensa», justificou um dos tratadores, recordando que estes dois pinguins ficaram famosos por «roubar» ovos a outros casais ¿ heterossexuais ¿ para tratarem deles.

«Cuidar dos ovos faz parte do seu instinto. Foram os melhores pais do zoo», acrescentou.

Os pinguins são uma das centenas de espécies animais com relações homossexuais. Em 2004, outro «casal» de Nova Iorque ficou famoso com um romance que durava há mais de seis anos. Queriam tanto ser pais que até roubaram uma pedra em vez de um ovo."
 

 

in: http://diario.iol.pt/internacional/pinguins-gay-casamento-zoologico-homossexualidade-animais/1039875-4073.html

 


mais sobre nós
Fevereiro 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
14

21

26
28


pesquisar
 
blogs SAPO
subscrever feeds