ESPAÇO DE ENCONTRO E REFLEXÃO ENTRE CRISTÃOS HOMOSSEXUAIS em blog desde 03-06-2007
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publicado por Riacho, em 13.06.16 às 23:48link do post | favorito

Foi preciso percorrer muito caminho nos Estados Unidos ao longo de décadas para que uma variada comunidade de lésbicas, homossexuais, bissexuais e transexuais (LGBT) pudesse reunir-se num sábado à noite, sem esconder-se, em uma boate de uma cidade socialmente conservadora do sul do país, como é Orlando, para desfrutar de uma bebida e um pouco de música no fim de semana em que boa parte do país celebra o Orgulho Gay.

O comentário é de David Alandete, em artigo publicado por El País, 12-06-2016.

Em um desses locais, a casa noturna Pulse, morreram pelo menos 50 pessoas a tiros na madrugada deste domingo, alvo fácil de um radical armado até os dentes. Não é preciso esperar que a polícia conclua suas investigações. Com os fatos já basta: é uma matança, a primeira em décadas, em uma boate gay.

Orlando é um claro exemplo do muito que o país evoluiu desde que em 1969 um grupo de homossexuais e lésbicas começou a manifestar-se contra a repressão policial no pub Stonewall, de Nova York. Naquele momento os que demonstravam abertamente sua homossexualidade se tornavam proscritos, sujeitos a discriminação legal em todos os âmbitos imagináveis, desde a saúde até o emprego ou o Exército.

Meses depois dos distúrbios de Stonewall era inaugurado em Orlando o Walt Disney World, um dos maiores parques temáticos do mundo, consagrado à sublimação de algo tão conservador como o núcleo familiar, onde os príncipes buscavam formosas donzelas e estas sonhavam em ingressar na realeza pela via do casamento.

Hoje, até a DisneyWorld celebra dias gays neste mês de junho. Qualquer membro da comunidade LGBT pode entrar nesse vasto parque temático de Orlando para divertir-se abertamente, exibindo camisetas vermelhas para demonstrar que os conceitos de normal ou de família podem ser muito variados. É certo que a Disney não organiza oficialmente esse dia, mas o aceita com uma silenciosa solidariedade, abrindo os braços e suas caixas registradoras às dezenas de milhares de membros da comunidade LGBT que vão a Orlando nesses dias.

Pareceria, portanto, que os EUA haviam chegado à igualdade plena. Têm até pela primeira vez um presidente que apoia o casamento gay! A Suprema Corte até reconheceu o direito de os homossexuais se casarem, com todos os benefícios e obrigações que a lei estipula. Mas nada mais longe. E não por uma questão de direitos e liberdades, mas de aceitação social.

Voltemos à Disney como empresa que abriu caminho com um tratamento especial aos gays. Há três meses ameaçou deixar de fazer negócios com o Estado da Geórgia se o governador sancionasse uma lei que permitiria, por um lado, funcionários do registro civil a se negarem a oficiar uniões entre pessoas do mesmo sexo, por objeção de consciência e, por outro, organizações religiosas de despedir pessoas por sua condição sexual. Essa lei não é um episódio isolado. É uma cópia, de fato, de outra que tentaram aprovar no ano passado no Estado de Indiana.

O caso é que as leis podem ter avançado e que nas grandes cidades, como San Francisco, Nova York, Los Angeles eWashington, se possa viver a própria homossexualidade com liberdade, mas o que deveria ser normal é ainda considerado tratamento especial. Para que dois homens ou duas mulheres se deem a mão ou se beijem em público, aDisney não deveria precisar de um dia específico para os gays, como se essa comunidade devesse ficar contida em seu próprio perímetro.

Em algum momento no futuro será preciso ir mais além: se de verdade houvesse aceitação e normalidade social não seriam necessários os milhões de bares que há no mundo, como o Pulse, um lugar no qual foi tão fácil cometer um massacre. Os gays deveriam poder mostrar-se como tais onde quer que fosse, sem medos, sem riscos, sem agressões.

No momento, porém, isso é uma utopia, e não só nos EUA, mas também em países mais avançados em direitos LGBT,como a Espanha. Até que esse dia chegue será necessário que a comunidade gay tenha seus espaços de proteção e afirmação: dias especiais em parques temáticos, boates como a Pulse, manifestações do Orgulho Gay. E, no final, pouco mudaria que um radical, por motivos que logo as autoridades revelarão, abrisse fogo nessa casa noturna ou em qualquer outra, matando dezenas de pessoas, qualquer fosse seu sexo ou condição. Para esse tipo de loucura não há distinções que cheguem.

ORLANDO: PODERIA SER QUALQUER UM DE NÓS

Um HORROR! Poderia ser eu! Poderia ser Bruno! Poderia ser Markos! Poderia ser Evelyn! Poderia ser Fabiano! Poderia ser Lis! Poderia ser Léo! Poderia ser Rodrigo! Poderia ser Alessandra! Poderia ser Edy! Poderia ser Nicole! Poderia ser qualquer um de nós! Você conhece algum gay, alguma lésbica, alguma pessoa bissexual? Um amigo, um colega de trabalho, uma vizinha, uma prima? Pois el@ estaria morto se estivesse ontem em Orlando...
Não podemos deixar que esse horror continue!

Dia 15-06-2016 às 21:00 na Praça da Figueira, em Lisboa haverá uma vígilia: Unite for Orlando.

Para mais informações: https://www.facebook.com/events/981020615352711/

 

 

 

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publicado por Riacho, em 07.06.15 às 18:48link do post | favorito

Um dos teólogos mais polêmicos da Igreja, e um forte aliado do Papa Francisco, recebeu uma boa notícia sábado pela Santa Sé.

Num movimento que certamente irá preocupar alguns da guarda tradicional da Igreja, o Papa Francisco nomeouTimothy Radcliffe para ser um dos consultores do Pontifício Conselho “Justiça e Paz”, segundo anúncio do Vaticano publicado neste sábado (16).

Superior da ordem dominicana por quase uma década nos anos 1990 e professor de teologia em Oxford, o inglêsRadcliffe tem repetidamente desafiado as atitudes da Igreja Católica para com as mulheres, os gays, lésbicas e divorciados.

A reportagem é de Michael O’Loughlin, publicada por Crux, 16-05-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

No ano passado, Radcliffe esteve no centro de uma polêmica quando foi convidado para falar no Congresso Internacional da Divina Misericórdia, o maior encontro católico daIrlanda. A rede de televisão americana EWTNdesfez os planos de cobrir o evento por causa da participação de Radcliffe. Um âncora da emissora chamou as opiniões do teólogo de uma “variação acentuada do ensinamento católico”.

A contenda se iniciou após os comentários que Radcliffe fez, em 2013, a respeito da homossexualidade:
“Com certeza, pode-se ser generoso, sensível, não violento. Então, penso que este comportamento pode ser a expressão da autodoação de Cristo”, disse.

Radcliffe ficou surpreso que as suas opiniões causaram tanto rebuliço, afirmando que elas estão “em profunda harmonia com os ensinamentos do Papa Francisco”.

Contudo, Radcliffe vem publicamente apoiando a oposição da Igreja ao casamento homoafetivo, ainda que por razões não geralmente apregoadas pelas autoridades da Igreja.

Por exemplo, em um artigo publicado no jornal The Guardian em dezembro de 2012, Radcliffe escreveu: “É animador ver a onda de apoio ao casamento gay. Ela mostra uma sociedade que aspira uma tolerância aberta a todos os tipos de pessoas, um desejo de vivermos juntos em aceitação mútua”.

Porém, disse ele, uma noção heterossexual do casamento não deveria se impor contra os parceiros gays, embora devam-se abraçar as diferenças.

Tolerância, escreveu o teólogo, “implica uma atenção à particularidade da outra pessoa, um saborear de como ele, ou ela, é diferente de mim, na fé, na etnia, na orientação sexual. Uma sociedade de foge da diferença e finge que todos somos simplesmente o mesmo pode ter proibido a intolerância de alguma forma, e no entanto instituído-a sob outras formas”.

Como consultor do Pontifício Conselho “Justiça e Paz”, Radcliffe é uma das aproximadamente 40 pessoas do mundo inteiro que ajudam a “elaborar as linhas gerais de ação do Conselho, segundo suas percepções e compromissos pastorais e profissionais”.

Radcliffe é autor de mais de meia dúzia de livros e palestrante internacional. O seu livro intitulado “What is the Point of Being a Christian?” recebeu o prêmio Michael Ramsey, edição 2007, concedido pelo arcebispo anglicano deCanterbury pelo “escrito teológico contemporâneo mais promissor da Igreja global”.

Radcliffe, ordenado em 1971, é também um proponente da abertura da Comunhão a católicos divorciados e recasados, atualmente um assunto difícil em debate pelos bispos que participam no Sínodo sobre a família.

Num artigo publicado na revista America em 2013, Radcliffe escreveu que ele “tem duas grandes esperanças. Que se encontre uma maneira de acolher as pessoas divorciadas e recasadas de volta à Comunhão. E, o que é mais importante, que as mulheres recebam autoridade e voz reais na Igreja. O papa expressa o seu desejo de que estas coisas aconteçam, mas quais são as formas concretas que elas podem tomar?”

Quanto ao papel das mulheres na Igreja, Radcliffe está em acordo com o Papa Francisco, que disse não à ordenação feminina, mas que não obstante quer que elas assumam postos de autoridade. Radcliffe lamentou o que considera uma fusão forte entre a ordenação e os departamentos de tomada de decisão na Igreja.

“Acho que a questão da ordenação das mulheres se tornou mais aguda agora porque a Igreja se tornou mais clerical do que em minha infância”, disse Radcliffe em uma entrevista de 2010 à revista US Catholic.

Radcliffe tem trabalhado por uma Igreja mais aberta, na esteira do desejo do Papa Francisco de que a Igreja esteja disposta a “fazer bagunça”.

“Jesus ofertou uma ampla hospitalidade, e comeu e bebeu com todos os tipos de pessoa. Precisamos encarnar esta sua atitude em vez de nos retirarmos para dentro de um gueto católico”, disse Radcliffe em entrevista em 2013.

Bispos católicos do mundo inteiro estarão reunidos em Roma no próximo mês de outubro para a segunda parte de um debate difícil sobre questão de família na Igreja.

Nota: A fonte da foto é http://bit.ly/1kf2jHR

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/542682-teologo-polemico-timothy-radcliffe-e-nomeado-para-comissao-justica-e-paz-do-vaticano

 


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publicado por Riacho, em 17.10.14 às 22:23link do post | favorito

O arcebispo de Munique, o cardeal alemão Reinahrd Marx, defendeu hoje a necessidade da Igreja “acolher” as novas situações familiares e considerou “inconcebível” que um homossexual não possa viver o Evangelho.

O também presidente da Conferência Episcopal alemã e um dos membros do chamado “G9” vaticano, nomeado pelo Papa Francisco para reformar o governo da Igreja, explicou hoje numa conferência de imprensa, no Vaticano, a sua posição durante o Sínodo dos Bispos.

Marx, considerado um dos arcebispos mais favorável à abertura da Igreja a modelos familiares não tradicionais, afirmou que também o Papa espera por partes dos bispos “novos impulsos que abram portas para poder continuar a seguir o modelo da família”.

O arcebispo explicou que não se trata de mudar a doutrina, mas recordou que a Igreja tem 2.000 anos e que não se pode continuar a repetir sempre o mesmo.

Sobre os homossexuais explicou que “o catecismo não os condena pela sua condição” embora a Igreja não possa aceitar a prática da homossexualidade, mas que não se pode descartar os “valores” que há em alguns casais homossexuais que têm sido fiéis durante anos.

“És homossexual e não podes viver o Evangelho. Dizer isto é algo que é inconcebível”, acrescentou o cardeal.

Para Marx, a palavra “exlusão” não pode fazer parte da Igreja católica e não se podem criar “católicos de segunda ou terceira classe”.

Em relação ao tema dos divorciados que se voltaram casar poderem aceder aos sacramentos, e que a assembleia não está de acordo, Marx defendeu que “o magistério da Igreja pode obviamente mudar”.

O cardeal confirmou que nestes dias, na reunião do Sínodo tem havido momentos de “tensões” e “grande efervescência”, mas considerou positivo que tenha surgido vontade de encontrar uma linha comum sobre as várias matérias.

Os bispos reuniram-se de manhã, pela última vez para aprovar o documento final depois do sínodo extraordinário que começou no passado dia seis de outubro. O pensamento generalizado é que se tratará não de um texto de conclusões mas um “passo à frente” face ao próximo Sínodo, sobre o mesmo tema, em outubro de 2015.

*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela agência Lusa
 

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publicado por Riacho, em 14.10.14 às 21:42link do post | favorito

Na manhã desta terça-feira, o padre Frederico Lombardi, porta-voz da Santa Sé, mostrou-se espantado com a quantidade de jornalistas que acorreram à conferência de imprensa, depois de divulgado o documento de trabalho do Sínodo dos Bispos sobre a Família. Neste, são referidos temas considerados polémicos como o divórcio, os casais recasados, os que vivem em união de facto e os casais homossexuais.

Na segunda-feira, o Sínodo de Bispos, que decorre no Vaticano, emitiu num comunicado que prevê algum tipo de integração dos homossexuais na Igreja Católica. Mas também propõe que se façam "escolhas pastorais corajosas" junto das "famílias feridas" pela separação ou pelo divórcio.

Na conferência de imprensa desta manhã, onde estiveram presentes os cardeais Wilfrid Fox Napier (sul-africano) e Fernando Filoni (italiano), o porta-voz do Vaticano começou por lembrar aos jornalistas que o documento é de trabalho e não é definitivo. "Repito, o documento é de trabalho e está a ser discutido em pequenos grupos de trabalho", disse, lendo um comunicado da secretaria do sínodo. Trata-se de um texto que "resume as intenções depois da primeira semana de trabalho".

Agora, os participantes estão reunidos em pequenos grupos a discutir precisamente esse documento de trabalho. "Estamos a trabalhar para apresentarmos ao Santo Padre o resultado final", explicou Filoni, que enalteceu a "riqueza do debate" e salvaguardou que o texto "não é uma ordem, como se tudo já estivesse definido". "Temos em mãos a riqueza de uma semana de intervenções", disse.

Por seu lado, Napier contou que no seu grupo de trabalho não se está a falar de contracepção, divórcio ou aborto, mas se está a reflectir sobre a família e se olha para esta como se olha para o dia: a manhã, onde tudo é esperança; a tarde, quando surgem as primeiras dificuldades; a noite, quando é preciso lidar com os problemas; e a manhã da ressurreição, quando se resolvem os problemas. "É assim que estamos a olhar no nosso grupo."

Polémica: a imprensa teve acesso primeiro ao documento?
Questionado pelos jornalistas, Napier reconheceu que não se revê em muitos dos pontos do documento e lamentou que aquele tivesse sido divulgado. "A mensagem que saiu foi: 'Isto é o que o sínodo disse, isto é o que a Igreja Católica disse' e não é verdade", declarou o sul-africano, confessando que faz parte de um grupo de participantes no sínodo que se mostraram insatisfeitos com o texto divulgado, embora o prelado admita que o documento reflecte o que se disse durante os encontros.

"Vocês tiveram o documento antes de nós", disse, dirigindo-se aos jornalistas e referindo que agora cabe aos grupos de trabalho gerir os "danos colaterais" da divulgação do documento. Napier ainda disse que este é um texto do cardeal Peter Erno, o relator-geral do sínodo. Contudo, questionado se aquele documento não deveria ser levado em conta, o cardeal sul-africano respondeu que "seria exagerado" e reconheceu que muito do que está escrito foi dito durante a semana que passou. "Mas há coisas que foram ditas por um indíviduo e que estão aqui como se fossem de todo o sínodo", salvaguardou.

Sem entrarem em diálogo mas respondendo apenas às perguntas dos jornalistas, Filoni reforçou que o documento é "fruto de uma longa análise" e uma recolha de todo o trabalho que foi feito.

Lombardi explicou aos jornalistas que a decisão de divulgar o documento foi da organização do sínodo e que, por exemplo, as conferências de imprensa com os diferentes relatores dos grupos de trabalho – a primeira decorreu esta terça-feira e na quarta haverá outra – é também uma novidade, de maneira a que se saiba como estão a decorrer os trabalhos. O porta-voz do Vaticano lembrou ainda que a organização informou todos os participantes que poderiam falar com a comunicação social e dar entrevistas ao longo dos trabalhos. No entanto, Frederico Lombardi sublinhou que nenhuma das declarações é reflexo do documento final, mas dos trabalhos em curso.

O relatório vai agora ser discutido, e só depois do fim do sínodo será divulgada uma versão definitva, que será discutida em todo o mundo, durante o ano que vem. Em Outubro de 2015 haverá um novo sínodo em Roma, onde haverá uma nova discussão, e no final de todo este processo será a vez de o Papa Francisco indicar o caminho a seguir, em termos de doutrina.

Fonte: http://www.publico.pt/mundo/noticia/bispos-reunidos-em-sinodo-alertam-este-e-so-um-documento-de-trabalho-1672836

 

 


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publicado por Riacho, em 11.03.14 às 00:37link do post | favorito
O Papa Francisco declarou um cessar de hostilidades nas guerras culturais sobre o casamento homossexual, contracepção e aborto, temas que haviam definido a Igreja Católica durante grande parte da era moderna.

A reportagem é de Joshua Norman, editor da CBS News, 05-03-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Na quarta-feira, ele assinalou uma nova direção a esse respeito quando discutiu a união civil em uma entrevista curta, mas de grande alcance, na qual também falou sobre o seu desconforto com a adoração da figura de herói que tem surgido em torno dele. Embora ainda insistindo que o casamento é "entre um homem e uma mulher", ele explicou por que acha que as uniões civis foram criadas.

"Os Estados laicos querem justificar as uniões civis para regular diversas situações de convivência, impulsionados pela exigência de regular aspectos econômicos entre as pessoas, como por exemplo assegurar a assistência de saúde", disse o papa.

Quando perguntado até que ponto a Igreja poderia entender essa tendência, o papa respondeu: "É preciso ver os diversos casos e avaliá-los na sua variedade".

Uma matéria escrita por John Thavis, ex-chefe da sucursal de Roma do Catholic News Services, disse que isso indica que a Igreja "pode tolerar algumas uniões civis".

Vaticano, em janeiro passado, disse que o papa e a Igreja Católica não estão abertos às uniões civis de pessoas do mesmo sexo, e Thavis disse à redação da CBS News que as palavras do papa foram deliberadamente vagas nessa recente entrevista.

"Ele parece sugerir que a Igreja não é simplesmente contrária a qualquer discussão sobre isso", disse Thavis. "Mas não está claro se isso incluiria a união civil gay. Talvez ele esteja pensando que ela poderia ser tolerada em termos de benefícios sociais ou conjugais para casais não casados, mas que vivem uniões civis".

Essas declarações recentes, contudo, estão alinhadas com uma filosofia clerical mais tolerante e pacífica pela qual oPapa Francisco ficou famoso por defender.

"O papa está dizendo que não é assunto da Igreja interferir nessas soluções jurídicas para problemas complexos", disse Massimo Faggioli, professor de teologia na Universidade de St. Thomas, em Minnesota, em uma entrevista àCBS News. "Ele está reconhecendo que certas coisas não fazem parte da competência da Igreja".

Como instituição, "eu não acho que a Igreja vai apoiar" as uniões civis de pessoas do mesmo sexo, disse Faggioli.

O professor de origem italiana também acrescentou que as declarações do papa estão bem alinhadas com a "trégua" que ele pediu nas guerras culturais sobre gays e aborto quando disse a famosa frase "Quem sou eu para julgar?", em referência ao clero gay.

A parte mais importante da entrevista do papa na quarta-feira é a parte em que ele tenta se distanciar dos pontos de vista passados da Igreja Católica sobre "valores inegociáveis", segundo Faggioli.

"É uma mudança de paradigma na forma como o papa vai abordar algumas questões", disse Faggioli.

Um sínodo de bispos que será realizado em outubro irá analisar muitas posições sobre questões sociais oficialmente defendidas pela Igreja, e assuntos como a contracepção e o casamento serão provavelmente discutidos. Embora o papa tenha ficado famoso por uma espécie de populismo pastoral, pelo tom tolerante em várias questões morais, ele tem consistentemente ficado aquém ao indicar qualquer grande mudança na direção da doutrina católica.

Em sua entrevista de quarta-feira, o Papa Francisco explicou: "A questão não é a de mudar a doutrina, mas sim de ir fundo e fazer com que a pastoral leve em conta as situações e o que é possível fazer pelas pessoas".

 


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publicado por Riacho, em 18.10.13 às 19:18link do post | favorito

Oslo — A maioria dos bispos noruegueses se mostrou a favor do casamento religioso entre homossexuais, anunciou a Igreja da Noruega nesta quinta-feira, a seis meses da celebração de um sínodo que se pronunciará sobre este tema.

Durante uma reunião da Igreja Luterana norueguesa, oito bispos se disseram partidários de autorizar as uniões religiosas entre as pessoas de mesmo sexo, frente a quatro que se opuseram.

Conscientes de que esta questão provoca divisões dentro da Igreja, a maioria propôs que, em um primeiro momento, se introduza uma liturgia simples que acompanhe o casamento civil, algo que a minoria dos bispos conservadores também é contrária.

O tema será discutido no próximo sínodo da Igreja da Noruega, em abril de 2014.

A Noruega é um dos países mais liberais da Europa em termos de direitos dos homossexuais. Tanto o casamento civil quanto a adoção por parte de casais gays são permitidos desde 2009, e a Igreja também autoriza a ordenação de homossexuais.

Sua vizinha Suécia vai mais longe, pois já permite o casamento religioso entre pessoas do mesmo sexo desde 2009.

Direitos de autor © 2013 AFP. Todos os direitos reservados. Mais »


Fonte: http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5gyak4CWmU8GQfghWkoYRUMRHooSQ?docId=0e014a31-da67-447b-8da9-8dca04f20cfc


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publicado por Riacho, em 23.09.13 às 21:21link do post | favorito

17.ª edição do festival de cinema queer começa hoje no São Jorge, com um público que tem alargado ao longo dos anos

 

Há poucos festivais que possam gabar-se de ter uma consistência de público tão grande como o Queer Lisboa. Há cinco anos que o Festival Internacional de Cinema Queer, cuja 17.ª edição arranca hoje no Cinema São Jorge, em Lisboa, onde assentará arraiais até 28 de Setembro, mantém praticamente intactos os resultados em termos de espectadores, em contra-corrente com o cenário de crise que se desenha no panorama português. "Tivemos até algum acréscimo de público na edição de 2012", admite ao PÚBLICO o director do festival, João Ferreira, que confessa ser algo no qual nunca pensou muito. "Temos dificuldade ainda em chegar aos números de um IndieLisboa ou de um DocLisboa, até porque temos uma programação muito mais especializada. Mas é verdade que, nos últimos anos, temos conseguido valores muito estáveis de público, o que nos dá uma grande segurança."

Um público que está cada vez mais jovem e universitário, na definição de João Ferreira, e que é também movido por uma grande curiosidade pela "diferença" abertamente assumida do evento, para o que tem contribuído o trabalho da actual equipa na "abertura" da programação para lá de temáticas exclusivamente LGBT (lésbica, gay, bissexual e transgénero). "Tem sido um processo um bocado longo", admite o director, "mas tem resultado". Cita as enchentes obtidas na edição 2012 com a exibição dos documentários Jihad for Love, sobre a situação dos homossexuais no Médio Oriente, e Marina Abramovic: The Artist Is Present, que atraíram um outro público ao Queer Lisboa, público esse que, depois, começa a explorar outras vertentes do festival. Este ano, João Ferreira vê Boy Eating the Bird"s Food, de Ektoras Lygizos, a escolha da Grécia para o Óscar 2014 de Melhor Filme Estrangeiro, como a aposta mais forte para atrair esse outro público - mesmo admitindo que se trata de uma obra mais fechada e mais densa, integrada na actual corrente "radical" de cinema grego alternativo que nos deu obras comoCanino, de Yorgos Lanthimos, ou Attenberg, de Athina Rachel Tsangari.

Boy Eating the Bird"s Food (que passa quarta, 25, às 19h30) é também um dos três filmes que o director do Queer Lisboa destaca na programação deste ano, a par dos documentários sobre o escritor e comentador americano Gore Vidal, United States of Amnesia, de Nicholas Wrathall (sábado, 28, 15h00), e sobre o activista gay que atravessou nu o palco da entrega dos Óscares em 1974, Uncle Bob, de Robert Appel (quinta, 26, 21h30). O Queer inaugura hoje às 21h00 com a projecção do documentário de Malcolm Ingram Continental, e apresentará domingo, às 22h00, a estreia nacional do aclamado documentário de Joaquim Pinto E Agora? Lembra-me, premiado em Locarno 2013. O programa integral pode ser consultado no site oficial em http://queerlisboa.pt e os bilhetes custam €4,00.

 

Fonte: http://www.publico.pt/cultura/jornal/queer-lisboa-comeca-hoje-a-contracorrente-da-crise-27118832


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publicado por Riacho, em 26.08.13 às 13:47link do post | favorito

Antes dos princípios, o kerygma, isto é, o anúncio do Evangelho. É o coração da teologia de Timothy Radcliffe, mestre geral da ordem dominicana entre 1992 e 2001. Inglês, vive em Oxford na Blackfriars Hall, instituição dos dominicanos, onde é professor visitante o filósofo Roger Scruton. E, não obstante leve em frente teses audaciosas – por exemplo, a possibilidade de matrimônio para os sacerdotes – quando no giro do mundo não é acolhido como o clássico “teólogo do dissenso”. Antes, como um estudioso que, do coração do cristianismo ocidental, sabe cutucar a Igreja para que se abra à contemporaneidade de modo inteligente.

A entrevista é de Paolo Rodari e publicada pelo jornal La Repubblica, 23-08-2013. A tradução é de Benno Dischinger.

Prendi il largo’ [Sai andando] é, não por nada, o título de seu último trabalho, publicado na Itália pela Queriniana. Mas, recém publicou também, por exemplo, ‘Olhares sobre o cristianismo’ com Armando Matteo, e nos próximos meses sairá, pela Editora Missionária Italiana, um ensaio sobre a atualidade da palavra de Deus “que é também para os manager da City”.

Eis a entrevista.

O senhor convida a Igreja a “sair andando”. Até onde?

Antes de decidir até onde, é preciso perguntar-se de onde partir. Com frequência, quem renovou a Igreja, não era sacerdote: São Bento, São Francisco, Santa Catarina de Sena. A Igreja só pode encontrar novas energias quando se reconhece como comunidade de batizados. “Sair andando” significa reconhecer que basta o batismo para participar da morte e ressurreição de Cristo. Quando foi perguntado a Wojtyla qual foi o dia mais belo de sua vida, respondeu: “O dia em que fui batizado”.

Com frequência a gente sente a Igreja distante, demasiadas regras, demasiados preceitos. E então?

Todos deveriam sentir-se em casa na Igreja. Jesus acolhe todos, cobradores dos impostos – os nossos banqueiros de hoje – as prostitutas. Mas, como pode a Igreja acolher todos e simultaneamente oferecer uma visão moral para todos? O Papa Francisco diz que o pastor “deve sentir o cheiro das ovelhas”. Significa que a Igreja deve conhecer as perguntas do povo a partir de dentro, como se fossem suas. Por exemplo, estamos em condições de oferecer uma autêntica palavra sobre a homossexualidade somente se estamos próximos às pessoas gays. O ensinamento moral deve ser oferecido no interior de uma amizade. Caso contrário é moralismo.

O senhor defende a possibilidade que os padres se casem. É uma estrada que pode ser percorrida em Roma?

Já há muitos sacerdotes católicos casados, por exemplo, muitos padres anglicanos convertidos ao catolicismo. Se o celibato é vivido com generosidade, é o sinal de uma bela vocação, é um sinal profundo de uma vida dedicada a Deus e ao seu povo. Se, portanto, o celibato deixasse de ser a norma para os sacerdotes, perderia, sim algo de maravilhoso. Mas, ao mesmo tempo, também um clero casado saberia dar algo de belo de um modo novo: sacerdotes que vivem o matrimônio e uma experiência de paternidade. Os padres existem para servir o povo de Deus e portanto seria oportuno perguntar-lhes que tipo de sacerdote pretendem ser.

Diversos bispos, em audiência do Papa, lhe falam do problema dos divorciados recasados. É possível repensar a proibição de receber a eucaristia?

O matrimônio é um sinal da fidelidade de Deus ao seu povo em Cristo. Devemos fazer de tudo para mantê-lo como um empenho para a vida. Mas, vivemos numa sociedade fluida e de relações de breve termo. As pessoas se deslocam, mudam de casa, de trabalho. Vivem em contínuas mudanças. Com frequência fica difícil manter o matrimônio. Não se pode julgar ninguém. Necessitam da graça do sacramento, como todos. Na Igreja tantas pessoas foram excluídas da comunhão porque não permaneceram fiéis em tempo de perseguição. Mas, assim foram tantos os marginalizados que a disciplina precisou mudar. Creio que também hoje deveria mudar.

Em outubro chegarão a Roma oito cardeais, presididos por Oscar Maradiaga, seu grande amigo, que apoiarão o Papa no exercício do governo. É uma virada epocal no signo da colegialidade?

Por séculos a Igreja precisou combater contra os monarcas e os Estados poderosos para preservar a própria liberdade, de Constantino até Napoleão e, mais recentemente, com as grandes ideologias. Por isso, o papado se tornou também ele um pouco uma monarquia. Mas, não podemos permanecer prisioneiros das batalhas passadas.Francisco se apresentou como um condiscípulo e como o bispo de Roma. Quer que o Papa trabalhe no interior do colégio dos bispos. Os oito cardeais podem ajudá-lo a fazer isto. Bento XVI escreveu páginas esplêndidas sobre como a Igreja pode tornar-se mais trinitária. Francisco está procurando encaminhar a Igreja naquela direção, libertando-a de uma estrutura monárquica que não é mais adequada.

A cúria romana transcorreu meses não fáceis. O “caso Vatileaks” mostrou uma crise evidente de governabilidade. Serve uma reforma?

Temos necessidade de uma Igreja menos centralizada, com mais liberdade de iniciativa para as Igrejas locais. O cardeal Basile Hume, ex-arcebispo de Westminster, dizia que temos necessidade de uma mudança fundamental nas estruturas da Igreja. E um Vaticano servidor do Papa e dos bispos, e não o contrário.

 

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/523051-padres-casados-e-gays-a-igreja-e-de-todos-entrevista-com-timothy-radcliffe


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publicado por Riacho, em 06.08.13 às 19:30link do post | favorito

Ela preferiria ter descoberto que tinha uma doença terrível. Quando Tim entrou na sala e lhe disse: "Mãe, sente-se", de todas as coisas que ela poderia aceitar descobrir, não havia o fato de que o seu filho era homossexual. E, sentada olhando para o homem que tinha crescido, estudando cada um dos seus detalhes, tinha pensamentos que, se os dissesse em voz alta, correria o risco de ir para o inferno.

A reportagem é de Martina Castigliani, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 05-08-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"Mãe, eu sou gay". O anúncio de Timothy Kurek veio em uma tarde quente aos seus 26 anos. Ar estranho e um anel na orelha. Palavras como fuziladas no Sul dos Estados Unidos, naquele famoso Bible Belt (o "Cinturão da Bíblia", ou seja, os Estados do interior, os mais religiosos e conservadores), que se esforça para aceitar aqueles que cometem pecado e, sobretudo, tem regras férreas a serem respeitadas.

Timothy Kurek era um deles, da comunidade cristã evangélica de Nashville, no Tennessee. Depois, decidiu fingir que era gay por 365 dias. "Por empatia, para entender o efeito que tem estar na sua pele, para ouvir a voz que, dentro de mim, dizia que isso não era pecado e que amar outro homem não podia realmente ser a causa dos males do mundo".

Assim nasceu o livro The cross in the closet, diário de um rapaz que optou por fingir ser outra pessoa. Uma viagem que ele chama de "experiência" e que começou com uma amiga que, um dia, foi ao encontro de Tim para contar que era lésbica.

"Tudo começou a partir daquele instante. Crescemos juntos, amigos de infância, companheiros de brincadeiras. Ela caiu nos meus braços chorando, admitiu aquilo que, para todos, era uma culpa: ser lésbica. Eu me perguntei: como é que três palavras podem te excluir para sempre da minha vida?".

Foi assim que ele tomou a decisão, enquanto apertava aquela que deveria ser pecado e, ao invés, era Nina, a menina que havia enxugado as suas lágrimas, puxado os seus cabelos e que o havia acompanhado para comprar sapatos no centro da cidade há 15 anos. "Eu escolhi uma vida sob cobertura. Uma tia era minha cúmplice. Eu comecei pelo coming out com amigos e parentes. Eu sei muito bem que não é a mesma coisa para uma pessoa gay, mas certamente foi um percurso que me fez entender muitas coisas".

Nas páginas do diário de Timothy, os primeiros dias são histórias de dor, de uma família que tenta aceitar a condição que sempre considerou como pecado, mas que sofre em silêncio, como se uma desgraça tivesse sido anunciada. E as três palavras pronunciadas de repente, "Eu sou gay", marcam o fim de um mundo.

"O mais absurdo foi ver os meus amigos desaparecerem ao meu redor. Há uma frase de Martin Luther King que eu trago impressa por toda parte: 'No fim, não são as palavras dos inimigos que vamos lembrar, mas sim o silêncio dos nossos amigos'. Para mim foi assim, questão de semanas, e muitos desapareceram".

Depois, a mudança de vida: Kurek começou a namorar com um amigo que estava a par da experiência e procurou trabalho em um bar gay. "Não foi fácil. Eu comecei a frequentar os locais e os mundos daqueles que amam as pessoas do mesmo sexo. Eu queria entender. Vi as partes divertidas e as mais dolorosas".

Durante um jogo de softball, um homem da torcida o insultou. Gritos de "bicha", passando pelos deboches, até chegar a ataques ainda mais pesados. "Eu sempre estive do outro lado e de repente me vi sofrendo aquelas palavras". Assim, a força que Timothy buscava no Senhor ele a encontrou na diversidade.

Gays e lésbicas que fazem um carnaval com cores e roupas e que fazem uma trincheira com uma cotidianidade entre obstáculos. "Como homem que os considerava como pecadores, agora eu os admiro muito. Admiro a força de ânimo e a vontade, a resistência. Pessoas únicas que são felizes por ter entre os amigos e que têm muito a me ensinar".

Dessa resistência, há a nostalgia de uma vida normal. Ser pessoas do dia a dia, ter direitos e deveres assim como os outros. Poder se casar. A comunidade gay vive de faltas, por causa de uma escolha que os faz corajosos, mas que, bem ou mal, continuam como feridas abertas lembrando-os que são diferentes. "Eles não se casarão, a menos que ultrapassem a fronteira, para o Norte. E não terão filhos. Isso é uma dor. Como se o seu amor fosse sempre defeituoso".

Relação com a fé

Nesse sofrimento, Timothy viu a ponta de um iceberg, observador privilegiado que sabia que poderia voltar atrás assim que quisesse. Mas o verdadeiro parto foi a relação com a fé. "Durante o tempo todo, eu continuei me professando cristão evangélico. Eu ia à igreja e praticava a fé como se nada tivesse acontecido. Mas, por dentro, carregava a dor de um parto, a necessidade de entender quem estava errado, se a minha fé ou os outros".

Educado no dogma e nos mandamentos, instruído para pensar os gays como pessoas diferentes a serem afastadas,Timothy colocou em discussão todo ponto de referência. "Eu entendi que quem estava errada era a minha fé. A igreja deve aceitar aqueles que são diferentes, as adoções, gays e os casamentos entre pessoas do mesmo sexo. É amor e não pode estar errado. O mundo é muito menor do que aquilo que pensamos, e não se pode passar o tempo todo criando guetos e escondendo existências. As nossas religiões, infelizmente, muitas vezes, só ensinam estereótipos".

Um ano depois, Timothy Kurek tem um livro que, na Itália, ainda está à procura de uma editora e que conta a história de um homem que se colocou no lugar daqueles que eram considerados o demônio para tentar entendê-los. Uma história não completa, onde falta a realidade e o verdadeiro peso das coisas. Mas que é um primeiro passo para a tolerância.

Timothy viaja o mundo para contar a mudança e, nas suas etapas, também foi visitar o liceu Tasso, de Roma, para falar com os jovens sobre homofobia. Daquelas ficções e jogos disfarçados permaneceu a página de diário de uma mãe que escrevia que preferia ter uma doença a ter um filho homossexual e que acabou acompanhando-o nas Paradas Gays. Porque a parte mais difícil de se acreditar que o mundo vai acabar é descobrir que, no dia seguinte, o Sol surge igualmente. E muitas vezes é o sinal de um novo início.


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publicado por Riacho, em 05.08.13 às 20:51link do post | favorito

Francisco abre aos gays um horizonte pastoral totalmente novo. Um ato corajoso, inesperado, considerando-se o púlpito de onde vem. Lucetta Scaraffia, no L'Osservatore Romano, observa que Bergoglio, embora não tenha mudado nada das regras morais em vigor, com essas simples palavras pronunciadas no avião voltando do Brasil, "apaga um moralismo rígido e fofoqueiro, e com poucas palavras afasta da Igreja Católica aquela acusação caluniosa de homofobia que a perseguiu nos últimos tempos".

A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada no jornal Il Messaggero, 31-07-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Sim, porque o caminho espiritual dos fiéis homossexuais, um arquipélago variado que age subterraneamente como nos tempos das catacumbas, continua sendo um percurso acidentado, fatigante, tingido por incompreensões recíprocas. Dos catecismos de Pedro Canísio, santo e jesuíta que participou do Concílio de Trento, que estigmatizava com dureza inusitada "que os gays gritam vingança contra Deus", rolou muita água.

Com o último Catecismo, a Igreja colocou preto no branco que Deus certamente não gosta das discriminações e, melhor, deu disposições para que os párocos e os fiéis incluam os gays e façam-lhes chegar toda a grandeza da misericórdia do Senhor.

No entanto, algo ainda não deu certo se os poucos sacerdotes que se ocupam ativamente nessa pastoral de fronteira se movem com extrema cautela para não dar origem a escândalos, para não irritar ou, pior ainda, para não criar problemas para os bispos.

Fronteiras

Graças às redes sociais digitais e à internet, os grupos de católicos gays se movem em contato entre si, dando origem a iniciativas espirituais, retiros para meditar a Palavra, acender debates. Sobretudo para fazer entender a quem está em busca de uma luz que o amor de Cristo não tem limites. Em nível italiano, é famoso o Projeto Gionata, enquanto em Roma são ativas duas realidades nascidas há 20 anos, Nuova Proposta e La Sorgente.

O padre José é um dos padres que há muito tempo concretiza o método Bergoglio, que consiste em ir pescar as ovelhas perdidas, neste caso fiéis homossexuais que se afastaram da Igreja justamente porque se sentem fortemente discriminados. Duas vezes por mês, eles se encontram em uma igreja do centro histórico de modo informal.

"Eu prefiro não ser mais específico para não pôr em risco a continuidade da acolhida. Sim, é verdade, até agora, por parte da Igreja, com relação a essa pastoral, houve uma certa desconfiança, uma tendência a não incluir, a ignorar mais do que a discriminar em sentido estrito". Esse sacerdote (que trabalha em uma Congregação do Vaticano) prefere falar por trás do anonimato.

Os tempos das catacumbas retornam. Voltas e reviravoltas da história. "A novidade das palavras do pontífice consiste no fato de que ele abordou livremente esse assunto. Ele o fez com autenticidade, para fazer com que se entenda que a Igreja é uma mãe inclusiva, e não exclusiva. No BrasilBergoglio, durante um encontro, acrescentou que é preciso dar cidadania àqueles que, em meio aos sofrimentos, se sentiram excluídos até agora. Isso também vale para as pessoas homossexuais".

Quem frequenta essas comunidades estabelece um contato, se fala, se sente a necessidade de se reconciliar com Deus "Você não imaginar quantas pessoas participam". A pastoral das fronteiras complicadas, fé e homossexualidade, binômio muitas vezes combatido pela esferas vaticanas. Mas os caminhos do Senhor continuam sendo infinitos.


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