ESPAÇO DE ENCONTRO E REFLEXÃO ENTRE CRISTÃOS HOMOSSEXUAIS em blog desde 03-06-2007
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publicado por Riacho, em 12.11.14 às 22:53link do post | favorito
 

É o primeiro grupo do Mezzogiorno [região sul da Itália] – excluindo as ilhas – que reúne, em uma paróquia católica, fiéis homossexuais e transexuais. Nascido a partir de uma ideia que já percorria há mais de um ano os corredores da igreja de San Silvestro di Bisceglie, o Grupo Nicodemo de Espiritualidade para Cristãos LGBT-Puglia se reuniu oficialmente pela primeira vez no dia 19 de outubro passado – foi curiosa a conjuntura com o encerramento doSínodo extraordinário sobre a família – e continuará a fazê-lo mensalmente, em um percurso que absolutamente não pretende pôr-se à margem, mas visa a uma plena integração na vida comunitária. Com o consentimento do pároco e dos paroquianos.

A reportagem é de Giampaolo Petrucci, publicada na revista Adista, n. 39, 08-11-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Fora das catacumbas e à luz do sol, portanto, com a leveza e a "normalidade" de um grupo paroquial qualquer que tem a vontade de se encontrar e se defrontar em torno da Palavra de Deus.

E que as coisas estão mudando também na Igreja Católica, talvez, fica demonstrado por essas experiências de vida cotidiana, mais do que pelos pronunciamentos de papa e bispos, ainda ambíguos e, no entanto, freados sobre a possibilidade de uma verdadeira revisitação da doutrina.

Ao menos, foi isso que surgiu a partir da conversa por telefone com Giovanna Failli, ex-transexual, agora mulher, comprometida há vários anos com a paróquia de San Silvestro, fundadora e animadora do Grupo Nicodemo daPuglia.

Eis a entrevista.

No dia 19 de outubro passado, encerrou-se, com a beatificação do papa da Humanae vitae, o Sínodo extraordinário sobre a família. Quais são as suas impressões? Você acha que as coisas estão realmente mudando?

No dia 19 de outubro passado, além do encerramento do Sínodo extraordinário sobre a família e da beatificação de Paulo VI, também nasceu o nosso grupo em Bisceglie. Não foi uma coincidência desejada ou buscada. Na realidade, não tínhamos pensado em tudo o que estava acontecendo ao mesmo tempo em Roma. No entanto, gosto de pensar que as coisas não acontecem por acaso, sem um motivo. Graças a esse Sínodo, descobrimos, dentre outras coisas, que a Igreja Católica não finge mais que não vê a realidade, mas começa a se defrontar com ela.

Pois bem, gostaria de dizer que não só as coisas estão mudando a sério, mas também se está abrindo um novo caminho de evangelização e de reconhecimento que parte da conscientização das fraquezas internas à própria Igreja. Nós, como grupo de fiéis, colocamo-nos em jogo para testemunhar uma Igreja viva que se reestrutura a partir de dentro e que não vive apenas de palavras, mas faz experiência de partilha fraterna e de aceitação de si e dos outros.

Como nasceu o Grupo Nicodemo em Bisceglie?

O grupo Nicodemo nasceu de uma ideia que eu quis compartilhar com a paróquia, depois de cerca de um ano durante o qual eu comecei a trabalhar seriamente para tentar dar início a um caminho de espiritualidade para as pessoas LGBT. Durante esse ano, consegui conhecer inúmeras realidades do Norte e do Centro da Itália, que me ajudaram a entender muitas coisas. Pude conhecer as suas experiências individuais e de grupo. Com muitos deles, consegui criar uma rede que está nos apoiando neste período de "start up".

No primeiro encontro, participaram diversos jovens que se moveram um pouco por todo o território regional. Com eles, logo percebemos a necessidade de que a Igreja esteja preparada para acolher a diversidade como elemento de riqueza para as próprias comunidades. Também experimentamos na nossa pele que, com obrigações e preceitos,  não se vai a lugar algum: só um desenvolvimento da consciência e um conhecimento real da vida das pessoas torna a pastoral um elemento vivo e vital.

No ano passado, o grupo dos pais da sua paróquia exibiram o filme Latter days, uma história de amor entre dois homens...

À época, não havia um grupo específico ativo na paróquia sobre o tema da relação entre fé e homossexualidade. Mas a experiência da projeção foi decisiva. De fato, o nosso caminho nasceu porque, depois da projeção do filme – dentre outras coisas, proposto pelo Grupo Famiglia, no âmbito dos encontros formativos organizados na nossa paróquia, e não pelos "homossexuais da paróquia" –, levantou-se muita poeira, até na imprensa nacional, como se aquilo que tínhamos feito na paróquia fosse um crime abominável. Naquele momento, senti a necessidade de testemunhar a experiência de acolhida e de partilha que eu vivo há alguns anos na paróquia e, sobretudo, de oferecer a possibilidade para que outras pessoas vivam a mesma experiência com serenidade e em harmonia com o restante da comunidade.

O grupo não pretende se colocar na sombra, mas quer participar ativamente da vida da comunidade, como qualquer outro grupo...

Sim, o grupo não quer ser uma Igreja na Igreja, mas quer ser plenamente Igreja. Portanto, no respeito dos tempos de cada um, ele tem como objetivo a participação ativa de todos os seus membros na vida comunitária, com base nos seus próprios carismas e nas suas próprias atitudes, na convicção de que trabalhar juntos derrota todas as barreiras.

O que torna a experiência de vocês "diferente" do que acontece em outras partes da Itália, onde grupos semelhantes ao de voês são rejeitados pelas comunidades e onde os párocos mais abertos são repreendidos ou punidos pelos seus bispos?

Eu não sei em que medida a nossa experiência é realmente diferente da dos outros grupos. Por enquanto, somos uma pequena realidade e estamos vivendo este período em harmonia com a paróquia. Tentamos fazer o nosso melhor, sem levantar muros, mesmo que, em nível diocesano, houve algumas pequenas críticas, mas, quando dois ou mais estão unidos no nome de Jesus, ele é o primeiro a nos dar uma mão.


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publicado por Riacho, em 29.06.11 às 19:47link do post | favorito

Para viver bem e verdadeiramente em andamento, Jean-Michel Dunand escolheu escrever e contar o seu itinerário, que resultou no livro De la honte à la lumière. (Presses de la Renaissance). Atualmente, animador de pastoral em um grande liceu católico de Montpellier, passou “da vergonha à luz”...

A entrevista é de Elisabeth Marshall e está publicada no sítio da revista francesa La Vie, 31-05-2011. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Desde muito cedo você sentiu que não era “semelhante aos outros”. Quando e como você descobriu sua homossexualidade?

Desde quando possa me lembrar eu era sensível ao corpo dos homens. Quando eu tinha seis anos, indo com meus pais para a festa popular, eu descobri que a beleza dos corpos masculinos me fascinava. Eu realmente não entendia e pensava que era o único no mundo a fazer esta experiência. Na minha pequena cidade de Albertville, na Sabóia, eu não tinha nenhum modelo homossexual com quem me identificar. Em almoços de família, às vezes se fazia menção a um primo, com mais de dez anos, exilado em outra cidade e que, segundo eles, tinha “costumes estranhos”, mas eu não sabia que ele e eu compartilhávamos talvez a mesma experiência.

Não se escolhe, você escreve, ser homossexual, assim como não se escolhe ser heterossexual. Isso não está no domínio da liberdade?

Levei um tempo para perceber que eu não tinha feito uma escolha, que eu não podia mudar. Minha homossexualidade se impôs a mim da mesma maneira que a minha estatura ou o meu porte físico. Eu nunca fui afeminado, refinado, mas quando eu jogava, era natural que eu exibisse os trejeitos de uma garota. Atraído pela vida religiosa, eu me imaginava como carmelita seguindo os passos de Teresa. Eu pensava: "Se fosse uma mulher, entraria na ordem." Não estou dizendo que a homossexualidade é inata, mas que ela se inscreve na singularidade de uma história. No entanto, nas mentes e nas igrejas, ainda perdura a ideia de que se pode mudar, de que é uma questão de vontade... Mas quem se exporia voluntariamente à diferença?

É com a escola, como adolescente, que o olhar dos outros começou a pesar.

Eu não disse nada, mas os outros meninos perceberam porque eu não gostava de esportes, futebol, jogos violentos. Eu sempre escondi, com medo de ser descoberto. Mais tarde, muitas vezes pensei que, se nos reconhecemos entre homossexuais é porque podemos ler no olhar do outro esta fadiga de perpetuamente ter que esconder quem se é. E depois houve aquele dia, na quinta, quando cheguei atrasado, eu tive que passar diante de toda a fila e enfrentar os insultos, “bicha”, “marica”... Eu fiz a experiência da vergonha, aquela que joga você vivo em um túmulo.

E depois, outro apelo, o da vida religiosa...

Sim, aos 8-9 anos, eu fui como que tomado por Cristo, eu chorei na Paixão de Jesus, lendo uma vida de santo oferecida por uma catequista. Mais tarde, aos 14 anos, sozinho na Abadia de Tamié, eu experimentei uma presença de amor, uma profunda paz. Eu guardei secretamente este encontro no meu coração e, ao mesmo tempo, eu me construí um personagem, aquele do perfeito cristão, futuro sacerdote que servia a missa, tinha a confiança do padre e ostentava uma grande cruz de madeira bem visível. Era mais fácil ser o aprendiz de santo do que o pequeno homem. Eu preferia que rissem da minha fé do que da minha homossexualidade. Eu levantei, com a religião, uma muralha ao redor de mim para me proteger do olhar dos outros e, principalmente, de mim mesmo, das minhas próprias divagações...

Estas são as páginas mais terríveis de seu livro. Você conta como, aos 14 anos, em Lourdes, você aceita as carícias de um estranho. A sexualidade sem o amor, você diz...

Naquele dia, o chão se abriu sob os meus pés. Senti-me indecente, mas também descobri que fui atraído. Entre 18 e 25 anos, eu vivi um verdadeiro aquartelamento, uma vida dupla, eu era o Dr. Jekyll e o Sr. Hyde. De um lado, no convento das carmelitas, nos grupos de oração e de evangelização, depois no seminário durante alguns anos, eu me apresentei como um modelo de fé, vestido de branco com um manto preto, sandálias nos pés... Do outro, eu me encontrei com homens às escondidas. Recusei-me a me instalar em qualquer relacionamento. Eu pensei que era menos grave, que era a minha única fragilidade e que à base de oração, de confissão, de vida sacramental, eu sairia dessa situação. As poucas vezes que eu me confessei, me falaram de “desvio”. Que me curaria pela oração de libertação. Nesse período, só Cristo não me abandonou.

O que você queria ouvir neste momento?

Olhando para trás, aos 46 anos, eu gostaria de ter sido compreendido em profundidade. Que me levasse de volta à realidade para não mais fugir, mas descobrir a minha humanidade mais profunda, minha afetividade, minha sexualidade, em vez de enterrar tudo sob uma pseudo-espiritualidade. Após ter ouvido muito, constato que não é incomum que as pessoas homossexuais comecem suas relações em ambientes sórdidos. Talvez porque seja proibido viver o amor e a ternura à luz do dia.

O que ajudou você?

Tentaram me curar, me exorcizar de qualquer maneira, queriam me internar para fazer uma sessão de regressão. Eu estava ficando cada vez pior, pensei em suicídio. E eu disse para mim mesmo "basta!". Foi a amizade que me ajudou. A de Patrick, um amigo que me abriu um outro caminho. Comecei a trabalhar como agente de um hospital que me permitiu retomar uma vida normal, uma apreciação adequada de mim mesmo e viver mais verdadeiramente a minha homossexualidade. Eu também encontrei o amor e agora vivo uma relação estável que já dura 20 anos. Finalmente, as pessoas confiam em mim. Sou animador de pastoral em uma escola católica há quase 16 anos graças à confiança que tive, com todo o conhecimento de causa, de um diretor de escola.

O que você está pedindo à Igreja hoje?

Eu não reivindico nada, exceto o direito de viver sem ser amputado de uma parte perdida de mim mesmo. Como católico, eu quero poder viver a minha fé e o desenvolvimento da minha sexualidade e da minha ternura partilhadas com alguém do mesmo sexo. Eu não sou um ativista que lança a bandeira da causa gay. Mas eu não posso aderir a estas certezas segundo as quais "a homossexualidade é contra a natureza e fora do plano de Deus". Isto leva a um impasse. Se eu reivindico algo é uma mudança e uma humildade do olhar. Com as pessoas “homossensíveis” – prefiro falar assim, pois não nos reduz à sexualidade – estamos muitas vezes diante de percursos fraturados, de vidas acidentadas. Mas também de verdadeiras sensibilidades em relação à beleza, à arte, à espiritualidade. Veja o número de homossexuais entre os grandes artistas, designers de moda... Estes são, em todos os casos, vidas singulares que não se pode julgar sem conhecer, nem vasculhar sua intimidade. Diante da mulher adúltera do Evangelho, o que Jesus faz? Ele não a questiona, mas afasta os olhos, inclinando-se ao chão para escrever; ele afasta também os acusadores, pois todos vão se retirando na medida em que ele os faz perceber seu próprio pecado. Não encerremos as pessoas em nossas normas e em nossos olhares inflexíveis.

Você criou, em 2000, em conjunto com mosteiros, a Comunhão Betânia, a serviço de pessoas homossensíveis e transgêneros.

Sim, é uma comunhão contemplativa. Nós nos encontramos duas vezes por ano para um retiro num mosteiro, às vezes na Abadia de Tamié. Mas nós estamos, diariamente, em união de oração através de um pequeno ofício composto de salmos, das bem-aventuranças e de uma oração de intercessão, como uma ponte entre nós. Além do círculo de amigos engajados, há amigos que rezam todas as quintas-feiras em nossa intenção, pais de filhos homossexuais, contemplativos como o carmelo de Mazille, inclusive bispos que se juntam a nós nesta fraternidade espiritual. Nosso objetivo é mudar os olhares, propor também gestos simbólicos como, por exemplo, durante eventos do orgulho gay, propondo uma oração nas igrejas para erguer espiritualmente o caminho das pessoas homossensíveis. Eu acredito que a evolução dos cristãos em relação aos homossexuais se fará pela oração. A militância assusta, os monges não! Ao convidar para a oração, nós convidamos pacificamente a acolher este olhar de Cristo que desloca. A Igreja precisa, em relação a essa questão, de uma cura de silêncio. Eu não peço que reconheça a homossexualidade no mesmo nível da heterossexualidade, mas que olhe as pessoas e proporcione instâncias de encontro e de escuta.

Que mensagem gostaria de deixar aos cristãos?

Antes de arriscar uma palavra, ter tempo para ouvir as pessoas homossexuais. Antes de discutir sobre ideias, conhecer vidas. Foi poder falar e ser ouvido que, pessoalmente, me salvou. No meu trabalho eu sou discreto sobre a minha vida pessoal, mas eu sei que eu tenho a confiança do meu bispo, do meu diretor diocesano, do meu diretor da escola, eu sou franco com eles. Foi Freud quem disse: “Quando alguém fala, é dia!” É talvez justamente por que faça dia que eu escrevi e publiquei este livro.

Para ler mais:

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=44785


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publicado por Riacho, em 14.03.11 às 21:37link do post | favorito

Uma sugestão para ir até Coimbra no próximo dia 09 de Abril...

 

No centro ou nas margens?

 

XXVI Encontro Fé e Cultura – 9 Abril 2011

Auditório da Reitoria da Univ. Coimbra

 

Programa:

9h30    Acolhimento

 

10h      Sessão de boas-vindas

10h15  Painel Que Deus para hoje?”  - O bispo, a feminista e o cientista

Maria Irene Ramalho, especialista em Literatura e Estudos Feministas

D. Albino Cleto, bispo de Coimbra

Carlos Fiolhais, cientista e divulgador cientifico

 

11h30  Pausa

12h      Sessões paralelas

 Viver na sociedade da imagem”
- A actriz, o cirurgião plástico e a portadora de deficiência

Susana Arrais, actriz de teatro e televisão

Ana Vanessa Isidro, psicóloga e tetraplégica

Jorge Lima, cirurgião plástico

 

Manter a integridade possível”
- O político, o publicitário e o advogado

João Serpa Oliva, ortopedista e deputado

José Maria Toscano, responsável de “mobile marketing”

Tiago Duarte, constitucionalista e advogado

 

Pensar a Igreja plural”
- A freira, o homossexual e os recasados

 Ir. Irene Guia, aci

Pedro Sottomayor, teólogo e director de uma IPSS

Mafalda e Tomás Colaço, engenheira e gestor

 

13h15  Pausa para almoço

15h      Painel Que mundo a construir?”  - O gestor, o sindicalista e a imigrante

Elizabeta Necker, premio Empreendorismo Imigrante 2007

Fernando Nogueira, ex-politico e gestor

José Torres Couto, ex-secretário-geral da UGT

 

16h15  Pausa

16h45  Conferência No centro e nas margens”

P. Carlos Carneiro sj

 

17h30  Encerramento e momento artístico final Por dentro, até ao fim”

 ***

Síntese do Fé e Cultura 2011

A edição deste ano do Fé e Cultura, organizada à volta da questão “No centro ou nas margens?”, pretende olhar para algumas questões e tensões presentes na sociedade actual, a partir de vários e diferenciados pontos de vista. Num tempo de mudanças rápidas e de fluidez de hábitos e tendências, é cada vez menos claro o que é “centro” e o que é “margem”, o que constrói e é avanço ou, pelo contrário, o que é capitulação e empobrecimento. E pensar e dialogar sobre isso, como se quer fazer no Fé e Cultura 2011, acaba por ser sempre desafiante e enriquecedor.

O primeiro painel, logo após a sessão de abertura, apresentará em diálogo um bispo, uma pensadora feminista não-crente e um cientista, a partir da questão “Que Deus para hoje?”.  Segue-se um conjunto de três sessões paralelas, em formato de conversa. A primeira sessão tratará o tema “Viver na sociedade da imagem”, tendo como intervenientes uma actriz, um cirurgião plástico e uma portadora de deficiência. A segunda sessão será dedicada à questão “Manter a integridade possível”, com um político, um publicitário e um advogado. A terceira sessão, finalmente, abordará o tema “Pensar a Igreja plural”, com a presença de uma consagrada, um homossexual e um casal de “recasados”.

À tarde regressa novo painel, com a questão “Que mundo a construir?”, colocando frente-a-frente um gestor, um sindicalista e uma imigrante. Seguir-se-á a conferência “No centro e nas margens”, por um dos jesuítas da casa (como pede a tradição). E para concluir o dia, teremos um pequeno momento artístico final.

Quanto ao Cartaz e ao Boletim de inscrição para o Fé e Cultura 2011, podem ser encontrados no site www.cumn.pt/feecultura.


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publicado por Riacho, em 02.08.10 às 22:53link do post | favorito

Há bastante tempo que não falava com o (nosso) Carlos. Os motivos são sempre os mesmos: é a vida …. (a de costas largas, que serve para todas as culpas e desculpas).

Mas há umas 2 semanas e até por um desencontro no Arraial Gay, voltamos à fala, o Carlos e eu.

Duma troca de mail’s acertamos revermo-nos no CNC para a Conferencia do Padre Luís Correia Lima SJ, brasileiro, que ia falar sobre o seu apoio a minorias “excluídas” da Igreja.

Duas horas, entre conferencia, perguntas e respostas.

Um dos grupos que o Pd. Luís segue, é de casais “recasados”.

Esta situação dos casais divorciados é uma das situações que a Igreja gere “ad-hoc”, isto é, consoante o elemento do clero com quem dialoguemos: desde a recusa liminar da comunhão, à sua aceitação sempre e quando não voltem a casar (e portanto não oficializando o casamento no registo civil, não oficializam perante a Igreja a sua situação de pecadores confessos), até aqueles que não julgando nem condenando os aceitam, não recusando nem apoio espiritual nem os sacramentos.

Sobre esta situação recordo uma amiga que me referiu uma conversa que teve com um monge beneditino e este, relativamente à comunhão, lhe ter dito: “ …. e imagina que Cristo, convidando-a para jantar em Sua casa, lhe recusaria alimento?”. Destes há-os, são é poucos!

Mas o Pd. Luís referiu também o seu apoio pastoral a grupos de católicos gays, concretamente em S. Paulo. Da sua palestra o que mais retive de substancial foi a forma de abordar todas estas problemáticas, no seio da sua cadeia hierárquica:

Ele considera que nos últimos anos, em discursos dos mais altos responsáveis da Igreja, inclusive dos últimos Papas, muitas portas que estavam fechadas foram abertas. E sobre muitos temas controversos, para além dos referidos.

Desta forma todas as intervenções do Pd. Luís se iniciam ou fundamentam explicitamente em palavras ditas, ou doutrinas proclamadas. Ele limita-se a tirar conclusões ou consequências dessas declarações.

A imagem que me ficou impressa foi a do aproveitamento inteligente das tais novas portas abertas e que nos permitem, pedra a pedra, ir fazendo persistentemente o nosso caminho.

Num momento fez uma referência especial a Bento XVI, insistindo na força modernizadora da sua palavra. Criticou-nos, àqueles que como muitos de nós, não o lêem e nos deixamos ficar pelos títulos “imparciais” dos jornais.

Como acusei o toque, lembrei-me que de Bento XVI só tinha lido a sua 1º encíclica “Deus é Caridade” e de como fiquei surpreendido perante os conceitos que defendeu.

 

Em resumidas palavras, diz o Papa, há duas formas de amor:

  • Ágape, amor oblativo de dedicação ao próximo (amor caridade)
  • Eros, o amor de alguma forma egoísta, (eventualmente, penso eu, sublimável numa exegese religiosa profunda)

e, concluía Bento XVI, não pode haver uma forma de amor sem a outra, isto é, não se pode dar sem se receber, como recebendo é-se “obrigado” a devolve-lo.

Assim resolvi ler outra encíclica: “Caridade na Verdade”, esta de 2009, recente portanto.

Nunca imaginei ver tratada toda a problemática moderna que nos assola: desde a globalização, à deslocalização das fábricas para os “low cost countries”, ao turismo sexual, à problemática da manipulação genética, às uniões de facto, à sobrevivência do planeta, ao comércio justo, ao diálogo urgente com as outras confissões e com os não crentes, às distorções da pirâmide etária nas sociedades mais desenvolvidas e suas consequências para os estados sociais, à fome, à miséria, à bipolarização do mundo, à ………………

Mas Bento XVI não se limita a identificar os problemas. Enumera os factos, analisa-os à luz da razão e da fé e aponta caminhos claros! Abre as tais portas e indica os caminhos de forma inequívoca. Desafia-nos a fazer o caminho para avançar.

Não há duvida que o Pd. Luís tem toda a razão na sua estratégia de acção.

 

Mas o título desta nota é: “Há coincidências!”

É que foi na mesma sala do CNC e há mesma hora, que há muitos anos fui assistir a uma conferência do Bispo Jacques Gaillot. Mas o meu motivo principal era conhecer o Riacho, no qual depois comecei a participar de forma regular.

Faz-me falta aquela água, agora seca!


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publicado por Riacho, em 28.11.09 às 00:18link do post | favorito

 

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Não esperes um sorriso, para ser gentil.

Não esperes ser amado, para amar.

Não esperes ficar sozinho, para reconhecer o valor de um amigo.

Não esperes o melhor emprego, para começar a trabalhar.

Não esperes ter muito, para partilhares um pouco.

Não esperes a queda, para te lembrares do conselho.

Não esperes a dor para acreditar na oração.

Não esperes ter tempo, para servir.

Não esperes a mágoa do outro, para pedires perdão...

nem esperes a separação para te reconciliar.

Não esperes... porque não sabes quanto tempo tens!

 


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publicado por Riacho, em 29.03.09 às 17:20link do post | favorito

29/3/2009
 
A fé de um bispo gay
 


Reverendo V. Gene Robinson, bispo da Igreja Episcola de New Hampshire, nos EUA
O bispo da Igreja Episcopal de New Hampshire, nos Estados Unidos, V. Gene Robinson, famoso (ou infame, dependendo da perspectiva) por ser o primeiro bispo abertamente gay, visitou a cidade de Boston, no dia 22, para pregar e dar uma conferência na Igreja da Trindade, em Copley Square.

A conferência da parte da tarde foi provocaticamente intitulada de "A fé de um bispo gay", e Robinson disse que uma revisão do título na última hora fez com que ele jogasse fora o texto que havia preparado e falasse relativamente de improviso sobre a sua fé cristã.

A reportagem é de Michael Paulson, publicada em seu blog Articles of Faith, 24-03-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Aqui seguem algumas passagens que chamam a atenção.

Refletindo sobre as orações secretas com cristãos gays em Hong Kong, que disseram que encontraram esperança na decisão da Igreja Episcopal ao aprovar um bispo gay:

"Ouvimos muito frequentemente a respeito da dor que a Igreja Episcopal causou ao resto do mundo. Por que não ouvimos a respeito da esperança que demos a uma grande parte do resto do mundo?

Descrevendo a sua única conversa com o arcebispo de Canterbury:

"No único encontro que eu tive com o arcebispo de Canterbury - a única comunicação que ele me concedeu em todo esse tempo - ele me questionou como pudemos ter feito tudo isso para igreja norte-americana, e como, antes de me eleger, deveríamos ter estudado, e escrito, e teologizado e feito cânones, e regras, e assim por diante, antes de que tivéssemos tomado essa medida, que foi tão prejudicial para a Comunhão. E eu disse para ele: 'Sua Graça, com todo o respeito, o senhor realmente acha que essa é a forma pela qual vamos para frente? Parece-me que, de alguma forma, pela graça de Deus, nos vemos fazendo a coisa certa, e então, apenas então, pensamos no nosso caminho até chegar a isso'. E disse: 'O senhor sabe, em 1974, as 11 mulheres que foram ordenadas irregularmente na  Philadelphia não estavam seguindo as regras. Elas estavam quebrando as regras. Mas acabou sendo a coisa certa, e dois anos depois começamos a ordenar mulheres regularmente na nossa igreja'. E disse: 'Se elas não tivessem feito isso, quanto tempo o senhor acha que esta igreja levaria para chegar perto disso? Teríamos ainda um clero apenas masculino?'. Parece-me que, pela graça de Deus, às vezes fazemos a coisa certa e é então que pensamos sobre como chegamos até ela".

Sobre a importância de seguir Jesus:

"Eu acho que o maior perigo que vocês e eu enfrentamos como igreja, como indivíduos e conjuntamente, é que somos apenas admiradores de Jesus, e não seguidores. Adoramos admirar Jesus, não é verdade? Adoramos nos reunir e dar tapinhas nas costas uns dos outros e dizer 'Como é bom vê-lo novamente neste Domingo'. E gostamos muito de ouvir aquelas grandes histórias sobre Jesus. Ele não era um grande homem? Ele não fez algumas coisas impressionantes? Mas segui-lo não é apenas muito mais difícil, mas é também o ponto chave. Se a Igreja corre perigo, é o perigo de acabar sendo um clube de admiradores de Jesus, em vez de seus seguidores".

Sobre as histórias gays da Bíblia:

"A única coisa que faz qualquer diferença no mundo é se vocês podem ou não dizer que o Deus vivo está agindo nas suas vidas e o que vocês se sentem inspirados a fazer por causa disso. Por isso, precisamos nos descobrir na Escritura. Devemos tornar nossas as histórias como essas, para que essas Escrituras se tornem vivas. Agora, eu não sei onde vocês se acham na Escritura nem que histórias dela lhes ajudam a contar as suas histórias. Mas eu vou lhes contar como este homem gay lê a Escritura. Há algumas grandes histórias sobre pessoas gays na Bíblia. Talvez vocês não sabiam disso. Uma delas é a história do Êxodo, que é a maior história de revelação [gay] da história do mundo. É mesmo, não riam. Porque nós sabemos o que é ser escravo. Nós sabemos o que é estar em um cativeiro. Nós sabemos o que é não ser livre. Porque tivemos a experiência de alguém que veio e nos falou sobre uma terra prometida, não apenas de leite e mel, mas de liberdade, do amor e da aceitação de Deus. E alguns de nós realmente acreditamos nisso e fomos embora. Deixamos o Egito para nos assumir".

Sobre a perseverança:

"Como manter isso atual? Como eu mantenho isso atual, dia após dia? Porque nós sabemos como termina, não sabemos? Nosso esforço é chegar ao fim com a total inclusão dos gays e das lésbicas, dos bissexuais e dos transgêneros, na vida e no ministério e na liderança da igreja. Eu já não tenho mais dúvidas. A luta que está acontecendo agora não é sobre se isso vai acontecer. É apenas uma questão de quando. Eu acho que mesmo os conservadores lhes diriam a mesma coisa. Eles estão apenas tentando se prevenir para o dia em que isso se cumpra. Não 'se', mas 'quando'. Nós sabemos como vai terminar. E se nós vamos estar vivos para ver isso ou não é irrelevante. A questão é: nós vamos fazer a nossa parte?".

Para ler mais:

in: http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=20949


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