ESPAÇO DE ENCONTRO E REFLEXÃO ENTRE CRISTÃOS HOMOSSEXUAIS em blog desde 03-06-2007
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publicado por Riacho, em 13.06.16 às 23:48link do post | favorito

Foi preciso percorrer muito caminho nos Estados Unidos ao longo de décadas para que uma variada comunidade de lésbicas, homossexuais, bissexuais e transexuais (LGBT) pudesse reunir-se num sábado à noite, sem esconder-se, em uma boate de uma cidade socialmente conservadora do sul do país, como é Orlando, para desfrutar de uma bebida e um pouco de música no fim de semana em que boa parte do país celebra o Orgulho Gay.

O comentário é de David Alandete, em artigo publicado por El País, 12-06-2016.

Em um desses locais, a casa noturna Pulse, morreram pelo menos 50 pessoas a tiros na madrugada deste domingo, alvo fácil de um radical armado até os dentes. Não é preciso esperar que a polícia conclua suas investigações. Com os fatos já basta: é uma matança, a primeira em décadas, em uma boate gay.

Orlando é um claro exemplo do muito que o país evoluiu desde que em 1969 um grupo de homossexuais e lésbicas começou a manifestar-se contra a repressão policial no pub Stonewall, de Nova York. Naquele momento os que demonstravam abertamente sua homossexualidade se tornavam proscritos, sujeitos a discriminação legal em todos os âmbitos imagináveis, desde a saúde até o emprego ou o Exército.

Meses depois dos distúrbios de Stonewall era inaugurado em Orlando o Walt Disney World, um dos maiores parques temáticos do mundo, consagrado à sublimação de algo tão conservador como o núcleo familiar, onde os príncipes buscavam formosas donzelas e estas sonhavam em ingressar na realeza pela via do casamento.

Hoje, até a DisneyWorld celebra dias gays neste mês de junho. Qualquer membro da comunidade LGBT pode entrar nesse vasto parque temático de Orlando para divertir-se abertamente, exibindo camisetas vermelhas para demonstrar que os conceitos de normal ou de família podem ser muito variados. É certo que a Disney não organiza oficialmente esse dia, mas o aceita com uma silenciosa solidariedade, abrindo os braços e suas caixas registradoras às dezenas de milhares de membros da comunidade LGBT que vão a Orlando nesses dias.

Pareceria, portanto, que os EUA haviam chegado à igualdade plena. Têm até pela primeira vez um presidente que apoia o casamento gay! A Suprema Corte até reconheceu o direito de os homossexuais se casarem, com todos os benefícios e obrigações que a lei estipula. Mas nada mais longe. E não por uma questão de direitos e liberdades, mas de aceitação social.

Voltemos à Disney como empresa que abriu caminho com um tratamento especial aos gays. Há três meses ameaçou deixar de fazer negócios com o Estado da Geórgia se o governador sancionasse uma lei que permitiria, por um lado, funcionários do registro civil a se negarem a oficiar uniões entre pessoas do mesmo sexo, por objeção de consciência e, por outro, organizações religiosas de despedir pessoas por sua condição sexual. Essa lei não é um episódio isolado. É uma cópia, de fato, de outra que tentaram aprovar no ano passado no Estado de Indiana.

O caso é que as leis podem ter avançado e que nas grandes cidades, como San Francisco, Nova York, Los Angeles eWashington, se possa viver a própria homossexualidade com liberdade, mas o que deveria ser normal é ainda considerado tratamento especial. Para que dois homens ou duas mulheres se deem a mão ou se beijem em público, aDisney não deveria precisar de um dia específico para os gays, como se essa comunidade devesse ficar contida em seu próprio perímetro.

Em algum momento no futuro será preciso ir mais além: se de verdade houvesse aceitação e normalidade social não seriam necessários os milhões de bares que há no mundo, como o Pulse, um lugar no qual foi tão fácil cometer um massacre. Os gays deveriam poder mostrar-se como tais onde quer que fosse, sem medos, sem riscos, sem agressões.

No momento, porém, isso é uma utopia, e não só nos EUA, mas também em países mais avançados em direitos LGBT,como a Espanha. Até que esse dia chegue será necessário que a comunidade gay tenha seus espaços de proteção e afirmação: dias especiais em parques temáticos, boates como a Pulse, manifestações do Orgulho Gay. E, no final, pouco mudaria que um radical, por motivos que logo as autoridades revelarão, abrisse fogo nessa casa noturna ou em qualquer outra, matando dezenas de pessoas, qualquer fosse seu sexo ou condição. Para esse tipo de loucura não há distinções que cheguem.

ORLANDO: PODERIA SER QUALQUER UM DE NÓS

Um HORROR! Poderia ser eu! Poderia ser Bruno! Poderia ser Markos! Poderia ser Evelyn! Poderia ser Fabiano! Poderia ser Lis! Poderia ser Léo! Poderia ser Rodrigo! Poderia ser Alessandra! Poderia ser Edy! Poderia ser Nicole! Poderia ser qualquer um de nós! Você conhece algum gay, alguma lésbica, alguma pessoa bissexual? Um amigo, um colega de trabalho, uma vizinha, uma prima? Pois el@ estaria morto se estivesse ontem em Orlando...
Não podemos deixar que esse horror continue!

Dia 15-06-2016 às 21:00 na Praça da Figueira, em Lisboa haverá uma vígilia: Unite for Orlando.

Para mais informações: https://www.facebook.com/events/981020615352711/

 

 

 

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publicado por Riacho, em 26.06.15 às 21:50link do post | favorito

A data é celebrada em todo o mundo e reconhecida oficialmente em diversos Estados, inclusive a União Europeia.

Com a aprovação deste projecto de resolução, o parlamento compromete-se também a "empenhar-se no cumprimento dos compromissos nacionais e internacionais de combate à discriminação homofóbica e transfóbica".

O texto do projecto do PS refere que o dia 17 de Maio "é celebrado em todo o mundo e reconhecido oficialmente em diversos Estados e na própria União Europeia como a data em que se assinala o longo percurso do combate à discriminação homofóbica e transfóbica e a luta pelo reconhecimento de direitos face à lei, recordando o momento em que, em 1990, a Organização Mundial de Saúde retirou a homossexualidade da sua classificação internacional de doenças, derrubando uma barreira simultaneamente real e simbólica de preconceito homofóbico".

Nas votações de hoje, a maioria PSD/CDS-PP rejeitou um projecto de resolução do BE sobre a mesma matéria, para instituir o dia 17 de Maio como "o dia nacional contra a discriminação das pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e intersexo".

Fonte: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/parlamento-aprova-17-de-maio-como-dia-nacional-contra-a-homofobia-e-a-transfobia-1700217


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publicado por Riacho, em 07.04.15 às 23:00link do post | favorito

Publicamos um excerto da entrevista ao Público do bispo de Beja que não é de 05/04/1915 mas de 05/04/2015. Esta entrevista é digna de ser comentada pelo papa. O que acham?

 

Disse que os homossexuais eram um dos “lobbies anti-Igreja”. Mantém-no, depois de o Papa Francisco ter dito não ser ninguém para julgar os gays?
Nunca ostracizei quem tem outra tendência em relação à afectividade, à sexualidade. Não a podem é impor, em relação ao que é a maneira normal de viver a sexualidade. Há que respeitar e integrar na sociedade essas pessoas, mas não há que pôr toda a sociedade a funcionar como eles querem. Isso mantenho. Sou radicalmente contra a ideologia de género. Sou a favor de algumas coisas que a ideologia de género trouxe. O homem não tem mais direitos do que a mulher, tem igual dignidade.

Os homossexuais não querem impor a sua sexualidade.
O que critiquei é que havia um lobby muito forte, que levou a quase se impor a ideologia de género a toda a humanidade.

De que forma o sentiu?
Na própria educação e na linguagem. Respeito a afectividade, mas não quero impor a minha afectividade aos outros. Eu sou macho, não sou mulher. Respeito a mulher como mulher e o homem como homem.

Falou de uma sexualidade normal. O que considera normal é a união entre um homem e uma mulher e as outras não?
Considero que a antropologia normal entre homem e mulher não é o mesmo que a antropologia entre dois homens - a sua afectividade e realização sexual não é igual.

Usa a palavra normal.
Normal no sentido que é o que a grande maioria vive, que corresponde ao seu género, ao seu ADN. Que tem futuro para a sociedade. De dois homens não nascem crianças. Uma sociedade não tem futuro se não houver propagação da vida.

É contra as uniões de facto, o casamento e a adopção por homossexuais?
Não sou contra. Respeito, mas não é a minha orientação. Não vou fazer a apologia. Uma humanidade que adoptasse esse caminho como normal estava a condenar-se a si mesma. O que disse foi nesse sentido, não no de ostracizar os homossexuais. Nada disso.

Fonte: http://www.publico.pt/politica/noticia/o-mundo-financeiro-tem-os-politicos-todos-na-mao-1691239?page=3#/follow


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publicado por Riacho, em 06.08.13 às 19:30link do post | favorito

Ela preferiria ter descoberto que tinha uma doença terrível. Quando Tim entrou na sala e lhe disse: "Mãe, sente-se", de todas as coisas que ela poderia aceitar descobrir, não havia o fato de que o seu filho era homossexual. E, sentada olhando para o homem que tinha crescido, estudando cada um dos seus detalhes, tinha pensamentos que, se os dissesse em voz alta, correria o risco de ir para o inferno.

A reportagem é de Martina Castigliani, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 05-08-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"Mãe, eu sou gay". O anúncio de Timothy Kurek veio em uma tarde quente aos seus 26 anos. Ar estranho e um anel na orelha. Palavras como fuziladas no Sul dos Estados Unidos, naquele famoso Bible Belt (o "Cinturão da Bíblia", ou seja, os Estados do interior, os mais religiosos e conservadores), que se esforça para aceitar aqueles que cometem pecado e, sobretudo, tem regras férreas a serem respeitadas.

Timothy Kurek era um deles, da comunidade cristã evangélica de Nashville, no Tennessee. Depois, decidiu fingir que era gay por 365 dias. "Por empatia, para entender o efeito que tem estar na sua pele, para ouvir a voz que, dentro de mim, dizia que isso não era pecado e que amar outro homem não podia realmente ser a causa dos males do mundo".

Assim nasceu o livro The cross in the closet, diário de um rapaz que optou por fingir ser outra pessoa. Uma viagem que ele chama de "experiência" e que começou com uma amiga que, um dia, foi ao encontro de Tim para contar que era lésbica.

"Tudo começou a partir daquele instante. Crescemos juntos, amigos de infância, companheiros de brincadeiras. Ela caiu nos meus braços chorando, admitiu aquilo que, para todos, era uma culpa: ser lésbica. Eu me perguntei: como é que três palavras podem te excluir para sempre da minha vida?".

Foi assim que ele tomou a decisão, enquanto apertava aquela que deveria ser pecado e, ao invés, era Nina, a menina que havia enxugado as suas lágrimas, puxado os seus cabelos e que o havia acompanhado para comprar sapatos no centro da cidade há 15 anos. "Eu escolhi uma vida sob cobertura. Uma tia era minha cúmplice. Eu comecei pelo coming out com amigos e parentes. Eu sei muito bem que não é a mesma coisa para uma pessoa gay, mas certamente foi um percurso que me fez entender muitas coisas".

Nas páginas do diário de Timothy, os primeiros dias são histórias de dor, de uma família que tenta aceitar a condição que sempre considerou como pecado, mas que sofre em silêncio, como se uma desgraça tivesse sido anunciada. E as três palavras pronunciadas de repente, "Eu sou gay", marcam o fim de um mundo.

"O mais absurdo foi ver os meus amigos desaparecerem ao meu redor. Há uma frase de Martin Luther King que eu trago impressa por toda parte: 'No fim, não são as palavras dos inimigos que vamos lembrar, mas sim o silêncio dos nossos amigos'. Para mim foi assim, questão de semanas, e muitos desapareceram".

Depois, a mudança de vida: Kurek começou a namorar com um amigo que estava a par da experiência e procurou trabalho em um bar gay. "Não foi fácil. Eu comecei a frequentar os locais e os mundos daqueles que amam as pessoas do mesmo sexo. Eu queria entender. Vi as partes divertidas e as mais dolorosas".

Durante um jogo de softball, um homem da torcida o insultou. Gritos de "bicha", passando pelos deboches, até chegar a ataques ainda mais pesados. "Eu sempre estive do outro lado e de repente me vi sofrendo aquelas palavras". Assim, a força que Timothy buscava no Senhor ele a encontrou na diversidade.

Gays e lésbicas que fazem um carnaval com cores e roupas e que fazem uma trincheira com uma cotidianidade entre obstáculos. "Como homem que os considerava como pecadores, agora eu os admiro muito. Admiro a força de ânimo e a vontade, a resistência. Pessoas únicas que são felizes por ter entre os amigos e que têm muito a me ensinar".

Dessa resistência, há a nostalgia de uma vida normal. Ser pessoas do dia a dia, ter direitos e deveres assim como os outros. Poder se casar. A comunidade gay vive de faltas, por causa de uma escolha que os faz corajosos, mas que, bem ou mal, continuam como feridas abertas lembrando-os que são diferentes. "Eles não se casarão, a menos que ultrapassem a fronteira, para o Norte. E não terão filhos. Isso é uma dor. Como se o seu amor fosse sempre defeituoso".

Relação com a fé

Nesse sofrimento, Timothy viu a ponta de um iceberg, observador privilegiado que sabia que poderia voltar atrás assim que quisesse. Mas o verdadeiro parto foi a relação com a fé. "Durante o tempo todo, eu continuei me professando cristão evangélico. Eu ia à igreja e praticava a fé como se nada tivesse acontecido. Mas, por dentro, carregava a dor de um parto, a necessidade de entender quem estava errado, se a minha fé ou os outros".

Educado no dogma e nos mandamentos, instruído para pensar os gays como pessoas diferentes a serem afastadas,Timothy colocou em discussão todo ponto de referência. "Eu entendi que quem estava errada era a minha fé. A igreja deve aceitar aqueles que são diferentes, as adoções, gays e os casamentos entre pessoas do mesmo sexo. É amor e não pode estar errado. O mundo é muito menor do que aquilo que pensamos, e não se pode passar o tempo todo criando guetos e escondendo existências. As nossas religiões, infelizmente, muitas vezes, só ensinam estereótipos".

Um ano depois, Timothy Kurek tem um livro que, na Itália, ainda está à procura de uma editora e que conta a história de um homem que se colocou no lugar daqueles que eram considerados o demônio para tentar entendê-los. Uma história não completa, onde falta a realidade e o verdadeiro peso das coisas. Mas que é um primeiro passo para a tolerância.

Timothy viaja o mundo para contar a mudança e, nas suas etapas, também foi visitar o liceu Tasso, de Roma, para falar com os jovens sobre homofobia. Daquelas ficções e jogos disfarçados permaneceu a página de diário de uma mãe que escrevia que preferia ter uma doença a ter um filho homossexual e que acabou acompanhando-o nas Paradas Gays. Porque a parte mais difícil de se acreditar que o mundo vai acabar é descobrir que, no dia seguinte, o Sol surge igualmente. E muitas vezes é o sinal de um novo início.


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publicado por Riacho, em 31.01.13 às 21:20link do post | favorito

PolôniaHungriaRepública Tcheca: uma geração após o fim do império do mal, aumentam as discriminações e hostilidades contra as comunidades gays, alimentadas por minorias populistas que incitam o ódio para obter consensos. No silêncio das instituições europeias e muitas vezes também da Igreja.

A reportagem é de Andrea Tarquini, publicada no jornal La Repubblica, 29-01-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Se você caminhar pela Nowy Swiat ou pela Krakowskie Przedmiesce, no belo centro histórico de Varsóvia, é normal ver jovens gays ou lésbicas se beijando ou de mãos dadas, mas, mais a leste, nos vilarejos e na zona rural daPolônia profunda, feudos de skinheads, católicos integralistas e nacional-populistas de Kaczynski, "eles" têm medo de caminhar sozinhos à noite.

Em Budapeste, a Corte Constitucional, em um dos últimos desafios a Orbán, rejeitou a sua lei sobre a família que reconhecia somente a união consagrada entre um homem e uma mulher para criar filhos. No entanto, os ultraviolentos da Guarda Magyar odeiam os homossexuais, assim como os ciganos e os judeus. Ameaçam e provocam, mesmo sendo teoricamente ilegais: "Se até mesmo as bichas imundas podem se manifestar, o direito de marchar também é nosso". 

Até mesmo na civilizadíssima Praga, as leis são mais avançadas, mas as celebridades que optaram por sair do armário são raras, e o presidente cessante, o eurocético Vaclav Klaus, foi por muito o homofóbico mais poderoso da República, e muitas vezes protestava contra o fato de "vê-los aparecer em público".

Europa centro-oriental, início de 2013: uma geração após o fim do Império do Mal, há um Muro que ainda não caiu. O muro da homofobia, das discriminações, preconceitos e hostilidades contra os diferentes. Minorias contra as quais convém a muitos populistas incitar o ódio, e, infelizmente, a Igreja Católica, órfão daquele gênio clarividente e aberto ao mundo que foi Karol Wojtyla, muitas vezes é cúmplice ou inspiradora dos venenos.

"Não estamos na Rússia da repressão homofóbica brutal, diferenciemos bem", adverte Krystian Legierski, um dos mais proeminentes ativistas gays da Polônia, da organização pelos direitos LGBT (www.lgbt.pl). Mas certas coincidências são ruins: no mesmo dia em que, em Moscou, era aprovada a lei infame sobre a "proibição de toda propaganda gay", o primeiro-ministro liberal polonês, Donald Tusk, embolsava uma dura derrota. O Parlamento rejeitava três projetos de lei pelo reconhecimento das uniões de fato, homossexuais ou não.

Poucos meses antes, o arcebispo de VarsóviaKazimierz Nycz, lançara um apelo comum com o patriarca ortodoxo russo, Kirill, contra "a recusa dos valores tradicionais, que coloca cada vez mais em discussão os princípios éticos". Inimigas por séculos, as duas Igrejas se reconciliaram contra os gays.

"Foi desconcertante", relata Krystian. "No Parlamento, todos os deputados conservadores ou reacionários disseram 'não' aos direitos dos gays, remetendo-se à religião, à doutrina católica, segundo a qual a lei poria a família em perigo. No fim, 46 deputados do partido do primeiro-ministro, embora ele quisesse a lei, também votaram contra".

Na zona rural, no distante leste da "Polônia profunda", o clima é muito pior. Varsóvia é um outro mundo. "Em cidades como Bialystok, os skinheads enfurecem, as autoridades não investigam, não mexem um dedo. Os ultras atacam a nós, gays, ou os estrangeiros, impunemente. Uma vez, um jovem tchetcheno, lutador de luta livre, conseguiu se defender de seis skinheads que queriam espancá-lo até a morte. O tribunal condenou ele e não eles pela violência. Em geral, volta à vida aqui a convicção de que, se você der direitos a judeus, gays ou outras minorias, você perderá alguma coisa". 

Tem um rosto feio, esquálido e inquietante o último Muro do Leste. "A outra ameaça", continua Legierski, "são os torcedores violentos: muitas vezes, eles vêm para Varsóvia para expedições antigays, especialmente para tentar ataques contra as paradas gay". Ao menos na capital, as forças especiais da polícia fazem o seu trabalho.

A discriminação, conta Yga Kostrzewa, ativista lésbica do site Lambdawarszawa.org, começa na escola. "A maioria dos livros escolares sobre moral são homofóbicos. Daí ao bullying, é um pequeno passo, e então, especialmente na zona rural, os homossexuais idosos são os mais discriminados, mas mesmo entre jovens, se você só tiver amigos gays, logo chamam você de 'bicha'. Uma das nossas associações, a Ilga, publicou no seu relatório anual o mapa do coeficiente de homofobia na Europa. A fronteira Leste-Oeste era traçada claramente: voto negativo para a Polônia, positivo para a República Tcheca, e os melhores votos no Ocidente. Mas, lentamente, a situação melhorou – explicaYga – e agora temos programas na TV pública e privada que contam sobre casais de fato gays com filhos como uma realidade normal". Uma pedra no sapato do episcopado, que condena as "aberradoras mensagens do Pecado contra a natureza".

Depois de uma hora de voo a sudoeste, a Praga, a fraqueza da Igreja e o laicismo majoritário moderam a homofobia. Mas políticos proeminentes a usaram com demagogia descarada: Klaus, que insultou a parada gay como um "desfile obsceno", ao ex-primeiro-ministro Mirek Topolanek, antigamente convidado das festas de Berlusconi na Villa Certosa. Ele atacou um rival como homossexual e judeu, mas pagou, perdendo o posto. E a lei sobre os casais de fato ao menos existe.

O quadro mais alarmante vem da Hungria de Orbán. "Ele está cultivando os novos Breivik. Chama a atenção culpar totalmente judeus e homossexuais, ciganos e estrangeiros", escreveu recentemente o New York Times. O mais triste, explica Tamás Dombos, líder da ONG Hàttér pela defesa dos gays, "é que antes de Orbán tínhamos leis de vanguarda no Leste, inclusive sobre os direitos de herança e fiscais dos casais de fato, homossexuais ou não. O novo governo ainda não os cancelou, mas a inversão de tendência é total. A nova Constituição só exalta as raízes culturais cristãs e a união entre homem e mulher para ter filhos. Não menciona mais os direitos das minorias. A lei sobre a família rejeitada pela Consulta protegia somente a família oficial heterossexual. Temo que, como fez o ditador stalinista Rákosi, queiram adotar a 'tática do salame': o corte de direitos uma fatia de cada vez. Na Fidesz, ainda não falam contra nós, mas a sua homofobia transparece: nas novas leis de direito civil, falam de proteção apenas da família heterossexual, e não mais dos casais de fato".

Sombras e ameaças sobre os direitos dos gays são insidiosas na Budapeste do autocrata. A organização juvenil do pequeno partido democrata-cristão (Kdnp, aliado da Fidesz de Orbán) marcha pelas ruas gritando "Contra os buzi" (um termo muito vulgar e injuriante).
Guarda Magyar pede todos os dias que "as bichas sejam banidas". Orbán não apoia, mas acaricia alguns humores, explica Dombos. "Quando um deputado dos ultras de Jobbik, abertamente homofóbico e antissemita, propôs uma lei à la Rússia, três anos de detenção por propaganda homossexual, a Fidesz recusou dizendo ambiguamente que 'aqueles que vocês querem punir já são punidos pela lei'".

Para os ultras, violentos, a parada gay é um alvo favorito, diz Gábor Kuszing. "E durante dois anos a polícia proibiu a marcha. Só o recurso ao poder judiciário nos permitiu desfilar".

Os relatos do horror não param por aí. Ouvir Dombos Kuszing provoca calafrios. "Longe de Budapeste, o medo cresce. E em todos os lugares, até mesmo na capital, a justiça e a polícia minimizam. Quando um comando neonazista atacou com bombas molotov um clube gay cheio de clientes, investigaram-nos por vandalismo, e não por tentativa de massacre que cometeram. Pior do que nunca, Jobbik é forte especialmente entre os jovens. A homofobia pode conquistar uma geração".

"Entre nós, ideias tradicionais sobre os papéis de homem e mulher, e sobre a ordem social são a base da homofobia, e não a religião", destaca Dombos. As estatísticas são assustadoras: 58% dos húngaros não gostariam de ter um vizinho gay, 49% rejeitam um colega gay.

"A discriminação contra as minorias, infelizmente, pode ter muitas faces: contra etnias, grupos sexuais, deficientes, e diz muito sobre o estado psíquico e moral de uma sociedade", constata tristemente Károly Voeroes, ex-diretor do jornal liberal Népszabadság, uma das melhores "grandes penas" independentes. 

"O problema também pesa na França. Imagine aqui entre nós, onde as tradições democráticas são muito escassas. O Lord Dahrendorf nos disse uma vez que uma ditadura política pode ser desmontada em seis meses, uma economia do Estado, em seis anos, mas para mudar a mentalidade, é preciso três gerações".

"O silêncio da União Europeia – contra as discriminações e contra autocratas à la Orbán – certamente não ajuda", observa Dombos. "Ele deveriam monitorar mais os direitos humanos, incluindo os nossos". Mas outros ativistas gays não têm ilusões: "No máximo – diz o polonês Legierski –, serve o apoio de ONGs europeias. Infelizmente, aComissão e o Parlamento Europeu no Leste muitas vezes são vistos como um arrogante opressor estrangeiro".


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publicado por Riacho, em 13.11.12 às 01:10link do post | favorito

Voltam as velhas ideias católicas da Idade Média!

 

Lideranças católicas ficam contrariadas com decisões dos Estados Unidos e da Europa

por Jarbas Aragão

 

Vaticano promete “guerra ao casamento gay”Vaticano promete “guerra ao casamento gay”

O jornal L’Osservatore Romano, principal publicação do Vaticano, publicou como matéria de capa os esforços que serão adotados pela Santa Sé para lutar, mesmo que sozinha, contra as iniciativas de conceder o reconhecimento legal de casais do mesmo sexo.

O ensinamento católico é que os homossexuais devem ser respeitados e tratados com dignidade, mas que seus atos são “intrinsecamente desordenados”. “Pode-se dizer que a igreja, pelo menos nesta frente de batalha, foi derrotada”, diz o L’Osservatore.

Em um comunicado paralelo, feito pelo porta-voz do Papa, à Rádio Vaticano, Federico Lombardi perguntou sarcasticamente por que os defensores do casamento entre homossexuais não pedem também o reconhecimento legal de casais poligâmicos. “Fica claro que, nos países ocidentais, existe uma tendência disseminada de modificar a visão histórica do casamento entre um homem e uma mulher. Ou mesmo de renunciar a ela, eliminando seu reconhecimento legal específico e privilegiado na comparação com outras formas de união”, disse o padre Lombardi.

O editorial de Lombardi na Rádio oficial da ICAR, transmitida para o mundo todo em cerca de 30 línguas, classificou as decisões como “míopes”, afirmando que “essa lógica não pode ter uma percepção de longo prazo visando o bem comum”.

As palavras de Lombardi tem muita força, considerando que além de porta-voz do Vaticano, é diretor da Rádio Vaticano e da Televisão do Vaticano. Ele afirmou ainda ser de “conhecimento público” que o “casamento monogâmico entre homem e mulher é uma conquista da civilização”.

A forte reação dos católicos é resultado das “conquistas” do movimento em diferentes partes do mundo. Três estados dos EUA aprovaram o casamento homossexual em referendos realizados junto com a eleição presidencial. Reeleito, Barack Obama já se disse favorável a esse reconhecimento que em breve deve ser legalizado em outros Estados americanos. Embora tenha parabenizado Obama pela reeleição, o Papa Bento XVI disse estar rezando para que os ideais de liberdade e justiça continuem a ser acolhidos no mundo.

Na mesma semana, a Espanha manteve a lei do casamento gay, e a França avançou com a legislação que promete legalizar o casamento gay no início do próximo ano. Contudo, no ambiente europeu cada vez mais liberal, não houve manifestações contrárias de vulto.

A reação da mídia do Vaticano deve ter repercussões imediatas dentro da Igreja Católica Romana. Ao que parece, a fortes reações indicam que seus líderes, prometeram “nunca parar de lutar contra as tentativas de “eliminar” o casamento heterossexual.

A Mídia do Vaticano insiste ainda que os católicos devem se esforçar nessa “luta corajosa para defender a doutrina da Igreja em face de ideologias politicamente corretas que tentam invadir todas as culturas do mundo”. “A Igreja é chamada a apresentar-se como o crítico solitário da modernidade”, disse Lombardi, ao enfatizar que os governos deveriam respeitar os valores essenciais defendidos pelo Vaticano, isso inclui a liberdade religiosa e a oposição ao aborto, eutanásia e outras questões classificadas como “pró-vida”. Traduzido do jornal The Australian.

 

http://noticias.gospelprime.com.br/vaticano-promete-guerra-ao-casamento-gay

 

 

 


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publicado por Riacho, em 14.09.12 às 23:18link do post | favorito

O que nais choca no bispo não é a homofobia mas a ignorância!

 

O casamento entre pessoas do mesmo sexo pode levar a "uma ruptura social" que abre portas para a poligamia e o incesto, afirmou nesta sexta-feira o arcebispo de Lyon na França, Philippe Barbarin, em um debate sobre a legalização das uniões entre pessoas do mesmo sexo.

Depois de se reunir com o ministro do Interior francês, Manuel Valls, o clérigo afirmou em entrevista à rádio RCF que, uma vez adotado o casamento homossexual, "as consequências podem ser incontáveis".

"Depois vão querer formar casais de três ou quatro pessoas. Depois, um dia, a proibição do incesto vai cair", afirmou Barbarin.

O arcebispo definiu o casamento como "uma fortaleza" para proteger "o elemento mais frágil da sociedade, ou seja, a mulher que dá à luz uma criança, e permite todas as condições para que isso ocorra da melhor maneira possível".

Barbarin, que no passado afirmou que o legislativo não pode substituir "Deus Pai", disse hoje que "para os cristãos, a Bíblia, que diz em sua primeira página que o casamento une um homem a uma mulher, tem mais força e verdade para atravessar as culturas e os séculos do que as decisões circunstanciais e passageiras de um Parlamento".

O governo francês deve apresentar o projeto de lei que autoriza as uniões homossexuais no dia 28 de outubro, embora ainda não tenha definido todos os detalhes.

Concretamente, ainda não se sabe se a lei vai autorizar o direito dos casais de lésbicas a terem o reconhecimento do direito de maternidade das crianças geradas por inseminação artificial.

 

Fonte: http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI6155586-EI294,00-Arcebispo+diz+que+casamento+gay+abre+portas+para+incesto+e+poligamia.html


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publicado por Riacho, em 11.07.12 às 23:38link do post | favorito

Há alguns anos, um relacionamento homessexual se transformou em filme premiado pela crítica de Hollywood: O Segredo de Brokeback Mountain. Agora, a trajetória de outro casal, que começou a fazer sucesso no YouTube, está próximo de chegar às telonas: a emocionante história de Shane Crone e Tom Bridegroom.

História do casal gay é sucesso incrível no YouTube (Foto: Reprodução)História do casal gay é sucesso incrível no YouTube (Foto: Reprodução)

O caso dos dois ficou conhecido graças a um vídeo de pouco mais de dez minutos que foi publicado no YouTube. Nele, Crone conta a história do relacionamento com Tom, que acabou falecendo após cair de um telhado em Paris. O “pequeno documentário” mostra momentos felizes do casal e também revela como os dois lutaram contra um enorme preconceito, especialmente da família conservadora de Bridgeroom.

As cenas são um compilado de fotos, algumas com legendas, que revelam detalhes da vida do casal: como um cachorrinho que eles adotaram juntos, a rejeição da família de Tom – que chegou a ser chamado de pecador, internado em um hospital e ameaçado com uma arma – e o apoio dos familiares e amigos de Shane.

 

O rapaz, emocionado, também aparece chorando e dando declarações durante o vídeo, que revela ainda que ele foi ainda maltratado pela família do ex-companheiro após o seu falecimento. Apesar de ter vivido junto de Tom durante alguns anos - já que a união dos gays não é legal na cidade onde moravam -, ele não pode nem denunciar os pais por impedirem o seu direito, já que para o governo os dois eram apenas “colegas de quarto”.

 

A gravação foi publicada no último dia 6 de maio. Hoje, pouco mais de dois meses depois, já foi assistida por mais de dois milhões de pessoas. Tanto sucesso chamou a atenção de Linda Bloodworth Thomason, diretora de cinema da Califórnia, onde o casal vivia. Ela se comunicou com Shane e então lançou no Kickstarter um projeto para arrecadar US$ 30 mil (cerca de R$ 60 mil) para a produção de um filme baseado na história dos dois, chamado de “Bridegroom: an american love story”.

Até o momento, faltando ainda mais de uma semana para o fim da arrecadação, o projeto já foi apoiado por cerca de seis mil pessoas e juntou quase dez vezes o valor proposto: US$ 290 mil (R$ 580 mil).

Assista ao vídeo que deu início a essa história abaixo:

 

As igrejas com as suas teorias sobre a homossexualidade são causadores de discriminação, homofobia e sem nenhum amor pelo próximo no total desrespeito pelo Evangelho. Para quando uma abertura das Igrejas ao amor? A todas as formas de amor?

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publicado por Riacho, em 20.06.12 às 23:31link do post | favorito

As declarações do Sr. Cardeal Patriarca são muito infelizes. De facto a Igreja tem que "andar ao ritmo" das mudanças culturais, políticas, jurídicas porque senão ainda hoje a Igreja considerava, por exemplo, o casamento entre negros e brancos — chamado, na época, “casamento inter-racial” — “antinatural e contrário à lei de Deus” e uma ameaça contra a civilização. Actualmente já não considerará. Mas é a mesma argumentação usada para os casamentos entre pessoas do mesmo sexo. "A Igreja não pode dizer que nós, só por amarmos, só por reclamarmos que o nosso amor seja respeitado e reconhecido, somos “uma ameaça”. Aliás, porque esse tipo de frases têm uma história. “Os judeus são a nossa desgraça!” (“Die Juden sind unser Unglück!”), disse o historiador Heinrich von Treitschke, e essa desgraçada expressão, publicada na revista alemã Der Sturmer e logo usada como lema pelos nazis, deu no que deu. Nós, homossexuais, também sabemos disso: o nosso destino na Alemanha nazi, onde Bento XVI passou sua juventude, era o mesmo dos judeus, só que em vez da estrela de David, o que nos identificava nos campos de concentração era o triângulo rosa.

A tragédia do nazismo deveria ter servido para aprender que o outro, o diferente, não é uma ameaça, nem uma desgraça, nem o inimigo. E nós, homossexuais, não ameaçamos ninguém. Ameaças à humanidade são as guerras (muitas delas étnicas ou religiosas), a fome, a miséria económica, a desigualdade e as injustiças sociais, a violência, o tráfico de drogas e de armas, a corrupção, o crime organizado, as ditaduras de todo tipo, a supressão das liberdades em diferentes países, os genocídios, a poluição ambiental, a destruição das florestas, as epidemias. O nosso amor é tão belo e saudável como o de qualquer um. E merecemos o mesmo respeito e os mesmos direitos que qualquer um" (Jean Wyllys) e sabemos que ele há-de ser sempre abençoado por Deus, mesmo que a Igreja na sua cegueira actual, não seja capaz de o reconhecer. 

 

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. José Policarpo, disse esta quarta-feira, em Fátima, que a Igreja tem "uma mensagem perene" e "não tem que andar ao ritmo das mudanças do Mundo" e atacou os "exageros antropológicos" como a adopção por casais gay.

O também cardeal patriarca de Lisboa falava numa conferência de imprensa de divulgação das jornadas pastorais dos bispos católicos que se iniciaram na segunda-feira em Fátima e que decorrem até quinta-feira, tendo como tema central de reflexão os 50 anos do Concílio Vaticano II (1962/1965).

"Há um pressuposto de que a Igreja tem que mudar ao ritmo das mudanças do mundo e não. A Igreja tem uma mensagem perene, acredita nela, e tem valores perenes, e acredita neles", disse José Policarpo quando questionado sobre a actualidade do Concílio Vaticano II perante questões fracturantes da sociedade.

Para o presidente da CEP, o Concílio e a doutrina da Igreja têm uma mensagem que "ajuda a corrigir e a denunciar os exageros antropológicos", como as "modernices" de pessoas do mesmo sexo puderem constituir família, sublinhando que a civilização ocidental "acabará por ser vítima dessas mudanças que fez".

Lamentando que a "grande comunicação" trate as posições da Igreja como se esta tivesse que "andar ao ritmo" das mudanças culturais, políticas, jurídicas, José Policarpo rematou com a expressão "era o que faltava".

Segundo disse, a "grande mudança" do Concílio Vaticano II foi a de, sobretudo, "anunciar uma perspectiva bela da vida humana, quer individual quer em comunidade", e, ao invés de condenar, querer anunciar.

As jornadas de "estudo" que estão a decorrer em Fátima visam "aprofundar" as temáticas do Concílio Vaticano II "no que pode significar para a Igreja" dos tempos actuais, afirmou.

Além de conferências, o encontro, que tem por tema geral "A recepção do Concílio Vaticano II na Igreja em Portugal", tem contado com a realização de mesas redondas com a participação de especialistas laicos, como foi o caso do presidente do Centro Nacional de Cultura, Guilherme d´Oliveira Martins, ou do anterior Procurador-geral da República José Souto Moura.

Para José Policarpo é evidente que as mudanças introduzidas pelo Concílio Vaticano II são hoje uma realidade adquirida, se bem que algumas dimensões devam ainda ser aperfeiçoadas.

Como exemplo apontou a forma como ainda é feita a celebração da palavra em muitas eucaristias, sublinhando que se algumas homilias são "belíssimas" outras continuam a "não ter em conta nem a mensagem nem os destinatários".

 

Fonte: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/d-policarpo-ataca-modernices-como-a-adopcao-por-gays


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