ESPAÇO DE ENCONTRO E REFLEXÃO ENTRE CRISTÃOS HOMOSSEXUAIS em blog desde 03-06-2007
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publicado por Riacho, em 16.03.09 às 21:40link do post | favorito

Olá

 

A excomunhão justifica-se ou não? O Vaticano apoiou prontamente o bispo brasileiro mas agora o Vaticano vem dizer que o médico não merecia a excomunhão. O que se passa afinal com a hierarquia católica? Porquê a pressa em condenar? A que designios obedecem afinal os nossos pastores?

 

Segue a notícia da unisinos.

 

Abraço

 

Carlos

16/3/2009
 
Médico não merecia a excomunhão, diz Vaticano
 

Em artigo publicado anteontem no "Osservatore Romano", jornal oficial do Vaticano, o bispo Rino Fisichella afirmou que o médico brasileiro responsável pelo aborto realizado na garota de nove anos abusada sexualmente por seu padrasto, em Pernambuco, não merecia a excomunhão, pois salvou sua vida.

A notícia é dos principais jornais do mundo como El País, La Repubblica, Il Corriere della Sera, 15-03-2009.

A nota do arcebispo, que preside a Pontifícia Academia para a Vida, causou surpresa, já que as regras da Igreja Católica ordenam a excomunhão automática em casos de aborto.

Como se dirigisse à garota, Fisichella escreveu: "Há outros que merecem a excomunhão e o perdão, não aqueles que salvaram sua vida e a ajudarão a recuperar a esperança e a fé".

O monsenhor avaliou que a vida da criança estaria em perigo se a gestação fosse levada adiante. E foi enfático em sua defesa, pedindo respeito ao médico e à mãe da garota, que são católicos e foram condenados publicamente. "Antes de pensar em excomunhão, era necessário e urgente salvar aquela vida inocente e trazer de volta sua dignidade, algo que, nós, da igreja, deveríamos ser experts e mestres em proclamar", disse.

Fisichella criticou o anúncio público de excomunhão feito pelo arcebispo de Olinda e Recife, d. José Cardoso Sobrinho no início do mês. Para ele, a garota "deveria ter sido, acima de tudo, compreendida e tratada com delicadeza para fazê-la sentir que todos nós, sem distinção, estamos ao seu lado".

O arcebispo diz que o aborto não-espontâneo é "sempre condenável pela lei da moral como um ato intrínseco do mal", mas não havia necessidade de tanta urgência e publicidade.

A menina passou pela cirurgia no dia 4. Estava grávida de gêmeos. Ela, a mãe e a irmã, de 14 anos, estão abrigadas em local não divulgado, sob tutela da Secretaria Executiva da Mulher. O padrasto, que confessou à polícia ter abusado da menina e da irmã por três anos, está preso. Não foi excomungado.

in: http://www.unisinos.br/ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=20630


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publicado por Riacho, em 09.03.09 às 20:39link do post | favorito

 Olá

 

Aquele caso da menina de 9 anos violada que engravidou e abortou continua a dar muito que falar no Brasil e não só. A revista Unisinos publica hoje uma entrevista ao sociólogo Luiz Alberto Souza em que este compara a posição actual do bispo que excomungou todos os envolvidos no caso excepto o violador com o seu predecessor D. Helder da Camara.

 

Segue o artigo.

 

Abraço

 

Carlos

9/3/2009
 
Igreja Católica: anúncio de uma Boa Nova ou manifestação de rigidez doutrinária?
 

"Jamais D. Hélder, transbordante de caridade e de amor, faria uma coisa dessas, ele que, em vez de condenar, ouvia e questionava com carinho todos os que se aproximavam dele, desde os pequenos e os indefesos, no seguimento de seu mestre Jesus. D. Cardoso Sobrinho, já passando da idade da aposentadoria, se coloca do lado oposto daquele que sempre deve ter sido uma sombra ameaçadora para ele. Será que isso vai provocar sua saída sempre adiada do Recife, ou contará pontos a seu favor em certos círculos?", escreve Luiz Alberto Gómez de Souza em artigo que nos enviou e que publicamos na íntegra.

Luiz Alberto Gómez de Souza, sociólogo, ex-funcionário das Nações Unidas (CEPAL e FAO), diretor do Programa de Estudos Avançados em Ciência e Religião da Universidade Candido Mendes, Rio de Janeiro, é autor do livro Uma Fé exigente, Uma Política Realista, Rio de Janeiro: Educam, 2008.

Eis o artigo.

Pio XII, em 1950, disse ser necessária uma opinião pública na Igreja. Nem sempre é fácil realizá-la, quando se mantêm algumas estruturas autoritárias. Mas, além disso, há uma opinião pública na sociedade, que olha a Igreja Católica e a questiona. Nestes dias, amplos setores dessa opinião pública estão escandalizados com as declarações do arcebispo D. José Cardoso Sobrinho em relação ao aborto de uma menina de nove anos, estuprada pelo padrasto e grávida de gêmeos. Com particular dureza e frialdade no semblante, lançou fulminante a excomunhão sobre os que participaram do aborto, ao mesmo tempo considerando o estupro apenas um pecado, ainda que grave. Ora, já de mais atrás e pelo mundo afora, a opinião pública vem questionando a Igreja por ter tantas vezes acobertado casos de pedofilia de sacerdotes e até do fundador de um forte movimento eclesial, os Legionários de Cristo.  Neste caso, o estupro do padrasto também é pedofilia sobre a menina e sua irmã. Já há, pois, uma atitude de desconfiança ou de suspeição diante de certos atos eclesiásticos. As cartas que chegam em grande número às redações dos jornais, que circulam em blogs e em e-mails, indicam na grande maioria perplexidade, espanto ou indignação. E depois a Igreja se queixa de perder fiéis ou de não conseguir realizar com êxito uma “nova Evangelização” (pregação da Boa Nova) fora de seus muros.

Hoje, a prescrição da defesa da vida “desde a concepção”, na doutrina moral da Igreja Católica, é relativamente recente, vem do século XVII para cá, confirmada por Pio IX em 1869 e repetida desde então. Mas no passado, para Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino, a “animação”, chegada da alma ao embrião, se daria lá pelos quarenta dias da gestação. Volta hoje um grande debate entre teólogos e pastoralistas para repensar o tema candente do aborto, inclusive levando em conta os avanços das biociências. Não se trata de um dogma, mas de uma doutrina moral. E como ensinou o Cardeal Newman no século XIX, uma doutrina está sempre em desenvolvimento.  Quando ele escreveu sobre isso, Gregório XVI e Pio IX – o mesmo citado acima – condenavam com violência e empregando fortes adjetivos, a democracia e a liberdade de imprensa. Hoje a Igreja pôs de lado essas restrições historicamente superadas.
 

As normas do Código de Direito Canônico expressam uma doutrina vigente. Porém o próprio Código, tal como o temos hoje, foi elaborado apenas no começo do século passado, revisto depois do Vaticano II e no futuro, deverá ir se atualizando com possíveis mudanças doutrinárias. Temas como a interrupção de uma gravidez involuntária, a ordenação de mulheres ou o celibato sacerdotal obrigatório estão nas reflexões de especialistas e, principalmente, nos anseios de amplas bases eclesiais. Eles poderão ser revistos em futuros concílios ou com novos papas. Mas enquanto as atuais normas ainda estão vigentes, há que tratá-las com muito cuidado, discernimento, sentido de oportunidade, misericórdia e compaixão.

Se para o bispo Cardoso Sobrinho, neste caso do aborto, a excomunhão se dá automaticamente, porque proclamar de maneira tão incisiva e sem considerações que deveriam ser mais pastorais e menos legais? Ele poderia facilmente ter previsto o escândalo ou a perplexidade que não deixaria de levantar. Pela legislação civil brasileira esse ato foi duplamente legítimo e estamos num estado republicano de separação entre Igreja e Estado. Certamente, o ato do bispo se dirige apenas aos católicos, mas além de causar reprovação na sociedade, criou mal-estar dentro da própria Igreja. A nota da CNBB a respeito, lida nas entrelinhas, mostra esse mesmo mal-estar dentro da instituição eclesiástica, quando se alonga no estupro como “ato insano”, lamenta o número de casos de abuso sexual e de violência e só na última frase vai falar a respeito da eliminação da vida de seres indefesos, citando um documento do regional do nordeste da CNBB ao qual o bispo pertence. Sem falar das indagações nas bases eclesiais, comunidades e pastorais.

A impressão que fica é de que se trata de um pronunciamento muito mais na linha do legalismo rígido dos fariseus do que da misericórdia de Jesus. Diante das palavras deste último, ninguém se atreveu a atirar a primeira pedra na mulher adúltera, o que era previsto pela doutrina vigente na legislação judaica daquele momento. E isso foi feito pelo sucessor de D. Hélder Câmara, quando comemoramos o centenário de seu nascimento! Aliás, o bispo Cardoso Sobrinho, pelos anos afora, tentou apagar sem sucesso os sinais irradiantes e proféticos de seu grande predecessor. Jamais D. Hélder, transbordante de caridade e de amor, faria uma coisa dessas, ele que, em vez de condenar, ouvia e questionava com carinho todos os que se aproximavam dele, desde os pequenos e os indefesos, no seguimento de seu mestre Jesus. D. Cardoso Sobrinho, já passando da idade da aposentadoria, se coloca do lado oposto daquele que sempre deve ter sido uma sombra ameaçadora para ele. Será que isso vai provocar sua saída sempre adiada do Recife, ou contará pontos a seu favor em certos círculos?

É hora da opinião pública na Igreja e na sociedade seguir manifestando seu estupor e sua desconformidade. Acaba de ocorrer um fato significativo. Um sacerdote conservador, indicado para bispo na Áustria, tinha feito, previamente, uma declaração considerando o furacão Katrina como um castigo de Deus diante das muitas clínicas de aborto de Nova Orleans. Sabendo disso, surgiram rapidamente, no meio eclesial austríaco, abaixo-assinados e declarações contra a nomeação. Roma teve de voltar atrás e anulou o ato. Ali pesou a opinião pública. Atitudes como esta do bispo de Recife, ou do bispo tradicionalista que negou o holocausto, ou outras diante da pedofilia em várias dioceses, especialmente dos Estados Unidos, pelo sinal ao contrário que expressam nelas, poderiam apressar, quem sabe, mudanças nos comportamentos pastorais e levar a revisões futuras na doutrina moral e nas atuais prescrições. Do contrário a Igreja, na contramão, vai perdendo o pé no diálogo com o mundo e se isola tragicamente de uma consciência histórica contemporânea.

Para ler mais:

in: http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=20501


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publicado por Riacho, em 06.03.09 às 15:13link do post | favorito

Olá

 

O caso que ultimamente esteve na ordem do dia, no Brasil com a criança de nove anos violada que engravidou e entretanto abortou está a virar toda a gente contra a Igreja que a acusa de se preocupar mais em punir, na esfera judicial e na esfera religiosa, quem agiu com base na lei, no bom senso e nas recomendações médicas, utilizando a fé para penalizar quem tenta permitir que uma criança de nove anos junte cacos de uma infância despedaçada. O que mais conta para a Igreja local é salvaguardar vidas humanas (os gémeos) do que a vida da mãe com apenas 9 anos. São os resquícios da Inquisição ou o restaurar da Inquisição? É desta forma que se dá testemunho do amor cristão?

 

A reportagem que se transcreve é da Unisinos.

 

Abraço

 

Carlos

6/3/2009
 
A fé e a intolerância
 

Às vezes vejo na calçada meninas empurrando seus carrinhos de bebê de brinquedo. Uma delas tem um carrinho cor-de-rosa, com dois lugares para carregar as bonecas gêmeas.

O artigo é da jornalista Fernanda da Escóssia e publicado no jornal O Globo, 06-03-2009.

Lembrei-me desse carrinho quando li a história da menina pernambucana de 9 anos de idade que engravidou de gêmeos, depois de ter sido estuprada pelo padrasto. Como a maioria das crianças vítimas de abuso sexual, a garota de Pernambuco conhecia seu agressor. Era alguém que poderia - deveria - protegê-la de ameaças.

Mas, ao contrário, ele abusava sistematicamente da menina e de sua irmã de 14 anos, até que a mais novinha engravidou.

Levada ao posto de saúde, constatou-se a gravidez. O suspeito foi preso. A menina foi encaminhada para atendimento médico e psicológico, aí incluído o direito ao aborto legal.

Duplamente legal, aliás, visto que resultou de estupro e acarretaria risco à vida da mãe. Seu corpo de menina, segundo os médicos, poderia não suportar a gravidez. O aborto foi feito.

O que poderia ser o fim triste de uma história de silêncios tenebrosos - a menina teria sofrido abuso pelos últimos três anos - arrasta-se mais do que deveria. A Arquidiocese de Olinda e Recife ameaçou usar recursos judiciais para tentar impedir o aborto. Malsucedida, excomungou quem patrocinou a interrupção da gravidez.

E talvez ainda vá à Justiça para acusar de “homicídio” os envolvidos na realização do aborto, como se fossem eles os criminosos.

Em 1997 houve caso semelhante em Sapucaia, no Estado do Rio. Uma menina de 10 anos, que o Brasil passou a conhecer como M. de Sapucaia, engravidou depois de ser violentada por um lavrador da região. A família conseguiu autorização judicial para o aborto, mas, pressionada por grupos católicos, acabou desistindo.

A Comissão em Defesa da Vida, ligada à diocese de São José dos Campos, levou M. para São Paulo, onde seu filho nasceu.

Depois, ela voltou a Sapucaia.

Em 1999, então com 12 anos, engravidou novamente. O aborto não foi autorizado, pois a Justiça não se convenceu de que a relação sexual fora forçada. M. de Sapucaia sumiu dos jornais e entrou para a estatística brasileira de gravidez precoce.

Fui criada como católica apostólica romana. Sou batizada e crismada. Meus dois filhos são batizados. Acreditar ou não na vida desde a concepção é questão de foro íntimo, e a crença de cada um não é debate do interesse da esfera pública.

No caso pernambucano, o que diz respeito ao interesse público é a atitude da Igreja Católica de punir, na esfera judicial e na esfera religiosa, quem agiu com base na lei, no bom senso e nas recomendações médicas.

O absurdo, o covarde, o inaceitável, é a ideia de usar a fé para penalizar quem tenta permitir que uma criança de nove anos junte cacos de uma infância despedaçada.

Em nome da fé, a Arquidiocese de Olinda e Recife volta aos tempos medievais e patrocina uma pequena Inquisição. Mas a fé não pode ser empecilho para o amor de uma mãe por uma filha, de um médico por seu paciente. Em nome da fé, a Arquidiocese atira a primeira pedra.

in: http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=20431


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publicado por Riacho, em 05.03.09 às 22:41link do post | favorito

A menina de 9 anos, do estado nordestino de Pernambuco, engravidou de gémeos após ter sido violada pelo padrasto. A criança era vítima de abuso sexual desde os seis anos, acreditam as autoridades brasileiras, que capturaram o suspeito.

O caso, que foi amplamente noticiado no Brasil, chamou a atenção da Igreja Católica, que tomou posição contra a interrupção da gravidez.

No entanto, os médicos que acompanharam o caso garantiram que a menina não estaria suficientemente desenvolvida para aguentar uma gravidez de gémeos, estando em risco a vida da criança.

O aborto foi realizado na quarta-feira, e a reacção da igreja brasileira surpreendeu pela violência.

O Arcebispo de Olinda e do Recife, José Cardoso Sobrinho, autoridade máxima dos católicos em Pernambuco, defende agora a excomunhão da família da menina, bem como dos profissionais clínicos que acompanharam o caso.

A posição da Igreja Católica, apesar de não ser inédita, está a ser muito mal recebida por grupos de apoio às vítimas de violência sexual, partidos políticos e sociedade civil.

SOL com agências

in: http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=128021


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publicado por Riacho, em 04.03.09 às 21:00link do post | favorito

Olá

 

Qual a vossa opinião sobre este caso?

 

Abraço

 

Carlos

 

2009-03-04 17:22:24

 
Igreja contra aborto de criança de 9 anos
Violação pelo padrasto resultou na gestação de gémeos
 

Uma criança brasileira de 9 anos foi violada pelo padrasto e está grávida de gémeos. A igreja brasileira quer impedir o aborto.

«A menina engravidou de maneira totalmente injusta, mas devemos salvar vidas», alegou o arcebispo de Olinda e do Recife, citado pela Globo.

A tenra idade da criança e o facto de estar grávida de gémeos motivaram a que os médicos classificassem a gravidez como de risco. Esta denominação possibilita a interrupção legal da gravidez, pretendida pela família.

Em resposta, a igreja brasileira garante que vai conduzir o caso para o Ministério Público para que a interrupção da gravidez não seja efectuada.

A gravidez foi descoberta quando a criança, alegadamente abusada desde os 6 anos, se queixou de dores na barriga e foi levada pela mãe ao hospital. Suspeita-se que o padrasto tenha praticado os mesmos actos sobre a irmã mais velha da menina, de 14 anos.

O homem foi preso na semana passada, quando se preparava para fugir.

 

in: http://www.fabricadeconteudos.com/?lop=artigo&op=e4da3b7fbbce2345d7772b0674a318d5&id=d5fe0b74f3fca950bbfa703313d0938b

 


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