ESPAÇO DE ENCONTRO E REFLEXÃO ENTRE CRISTÃOS HOMOSSEXUAIS em blog desde 03-06-2007
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publicado por Riacho, em 21.08.13 às 14:02link do post | favorito

É bem conhecido o mantra: o casamento – cristão, é claro – é a união de um homem e uma mulher. Só que a igreja da Idade Média celebrou – ao que parece – bodas homossexuais. Sabe-se, graças ao historiador americano Richard John Boswell (As uniões de mesmo sexo na Europa antiga e medieval [1]). Foi ele quem descobriu que os cristãos gregos dos séculos X e XI  abençoaram oficialmente "uniões do mesmo sexo". Tal consideração enfurece a atual igreja ortodoxa, que jura que só se tratavam de castas "confraternizações". É possível.

A reportagem é de Arnaud Gonzague,  publicada no sítio Religión Digital, 17-08-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ícone surpreendente

No entanto, um surpreendente ícone do Monte Sinai representa a união de dois homens santos do século IV, São Sérgio e São Baco, com Jesus, que tem todo o jeito de ser um "pronubus" (testemunha da boda).

Boswell afirma que existiam análogas "disposições para abençoar a união de dois homens" entre os cristãos eslavos desde o ano mil, que teriam durado na Europa até os tempos modernos.

Na França da Idade Média também há sinais: de acordo com o medievalista Allan A. Tulchin, existiam uniões masculinas especiais, os chamados "contratos de irmanamento", pelos quais os "irmãos" ("affrèrés" – "frères") se comprometiam, diante de testemunhas, a viver juntos, compartilhando "um pão, um vinho e uma bolsa de dinheiro".

Obviamente, ninguém está em condições de comprovar as consequências concretas desse tipo de amável coabitação, mas uma coisa é clara: nenhum dos bons cristãos daquele tempo se escandalizava com isso.

Nota:

[1] Les unions du même sexe dans l'Europe antique et médiévale, Fayard, 1996.


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