ESPAÇO DE ENCONTRO E REFLEXÃO ENTRE CRISTÃOS HOMOSSEXUAIS em blog desde 03-06-2007
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publicado por Riacho, em 26.11.14 às 18:43link do post | favorito

Nós não fazemos que reproduzir-nos, nós produzimos a nós mesmos reciprocamente, nós produzimos o novo. Trata-se de colocar no mundo uma pessoa afim de que esta pessoa nasça a si mesma. E isto vai muito além da mera procriação biológica", escreve Claude Besson copresidente da associação Réflexion et partage em artigo publicado pela revista mensal francesa, jesuíta, Études, edição de outubro de 2014. A tradução é de Benno Dischinger.

Segundo ele, "entrar na fecundidade não é mais viver para si mesmos, mas é viver para qualquer outro. Segundo Cristo a fecundidade é o dom de si, é uma morte a si mesmo e uma ressurreição. Esta ultrapassa infinitamente os nossos limites humanos. Realiza-se não segundo uma vontade humana, mas numa livre consagração das nossas ações a Deus, é um dom de Deus".

Eis o artigo.

A acolhida das pessoas homossexuais é hoje realmente uma realidade nas comunidades cristãs? Embora nos últimos anos tenham sido dados passos em frente, a clandestinidade que as pessoas homossexuais se auto-impõem por temor de serem submetidos a juízos negativos é real e dolorosa para eles mesmos e para suas famílias.

A homossexualidade é uma realidade que existe na história de cada sociedade e de cada cultura. É inegável. Este fato, que permaneceu escondido por séculos, tornou-se hoje público na nossa sociedade. Há muitos anos a Igrejacatólica tomou em consideração esta realidade. 

“Um número não transcurável de homens e de mulheres apresenta radicadas tendências homossexuais. Elas não escolhem sua condição homossexual que, ao invés, constitui para a maior parte delas uma difícil prova. Devem, portanto, ser escutadas com respeito, compaixão e delicadeza”.

Todavia, será que é possível viver contemporaneamente a própria homossexualidade e a própria fé cristã sem precisar esconder-se? Recentemente um documento do Conselho Família e Sociedade (francês) exigia esta acolhida incondicionada: “Para as comunidades católicas a acolhida incondicionada de cada pessoa está em primeiro plano. Cada pessoa, independentemente de seu percurso de vida, é em primeiro lugar um irmão ou uma irmã em Cristo, um filho de Deus.

Esta descendência divina transcende todos os elos humanos de família. “Toda pessoa tem direito a uma acolhida amável por aquilo que é, sem que deva esconder um ou outro aspecto de sua personalidade”.

Sabemos que cristãos, católicos e homossexuais estão entre nós, nas nossas famílias, entre os nossos amigos, nas nossas comunidades paroquiais. A diversidade das situações é complexa. A indagação de Martine Gross revela que os gays e as lésbicas cristãs, tendo interiorizado as afirmações da Igreja institucional, frequentemente vivem com desonra e sentimento de culpa a descoberta de sua homossexualidade.

Frequentes testemunhos de sofrimento.

Participando por mais de dez anos da associação “Réflexion et Partage [Reflexão e Partilha], sou testemunha da dificuldade para um bom número de pessoas homossexuais encontrarem seu devido lugar na Igreja. Revelam-no muitos testemunhos e narrações de vida.

O testemunho de Thérèse é um entre tantos: Precisei de tempo para entender-me verdadeiramente! Aos quase 53 anos, noiva, começo finalmente a reconhecer-me como homossexual. (...) Fiquei aprofundada numa longa, longuíssima fase de indecisão, até que a realidade me recuperou de modo extremamente brusco. E há quatro anos iniciei realmente este caminho para mim mesma, e também para os outros, nas lágrimas e no sofrimento, mas também na paz e na alegria que às vezes nasce de encontros fortes e autênticos, seja com alguns dos meus amigos/que, que com outros/e que chegaram/e bem antes de mim neste difícil e íngreme caminho.

(...) Na pastoral dos divorciados e dos divorciados/redesposados tem havido progressos notáveis. Quando poderemos ver estes progressos também na pastoral da homossexualidade? Quando se cessará de acrescentar sofrimento a sofrimento?

(...) Ouso, como Martin Luther King, ter um sonho: que nas nossas Igrejas, finalmente de portas abertas a toda a humanidade dos homens e das mulheres de hoje, cada um/uma seja acolhido/a como Filho e Filha de Deus, com suas riquezas e suas faltas, na Alegria e na Fraternidade... e que ninguém se deva jamais sentir um passageiro clandestino!”

E ainda o testemunho de Aurélia: “Nós somos inexistentes”: expressão de uma responsável pelas manifestações de“La Manif pour tous” [A Manifestação para todos] contra “O Matrimônio para todos”. Sim, vós sois milhares. Sim, vós não tendes sido entendidos. Perdoai!

Mas nós (pessoas homossexuais) somos milhões, há séculos, a não ser entendidos, a ser insistentes, invisíveis, estigmatizados, psiquiatrizados, exorcizados, torturados, humilhados, escondidos, e em alguns países até sepultados vivos!”.

E da mesma forma, quando um casal de homens (Julien e Bruno) que vivem junto há mais de dez anos, procura inserir-se num grupo de reflexão paroquial para os casais (hétero, certamente) tendo dez anos de vida em comum, por que excluí-los? São constringidos a marginalizar-se e a criar eles mesmos, fora de suas paróquias, o seu próprio grupo de reflexão junto com outros casais homossexuais católicos?

Evidentemente, os testemunhos não pretendem, por certo, dar uma imagem exaustiva do que vivenciam os cristãos homossexuais, mas têm o mérito de rejeitar toda concepção simplista. Se o testemunho não pode substituir-se ao debate e não pertence somente a ele a verdade, não se pode jogá-lo fora com um gesto da mão, como talvez se ouve: “Sim, mas contigo não é a mesma coisa, nós te conhecemos”.

A Igreja não pode hoje deixar de ir ao encontro das pessoas homossexuais e prosseguir o diálogo com eles e com suas famílias: “(...) o testemunho não pode substituir-se ao debate e não compete somente a ele a “verdade”. É evidente. Mas este debate e esta busca da verdade não podem regatear com este tipo de palavra. Sobretudo em nossa sociedade chamada de comunicação, na época do reino da informação, da imagem e da interatividade...

... Aceitando esta nova realidade (social e também política) através de um retorno ao testemunho, a Igreja pode beneficiar-se de uma nova oportunidade para o anúncio do evangelho nesta sociedade moderna ou mesmo pós-moderna. Para ela é a ocasião de demonstrar:

Que considera o homem de hoje como um interlocutor inteligente, de bom senso, capaz de refletir, e que ela respeita sua liberdade...

Que confia neles a priori (existe uma margem de diferença entre a ingenuidade e a paranóia, que condena de modo preconcebido o interlocutor), que confia nele. Em todos os encontros que teve Jesus não reduz jamais o outro à sua complexidade. Jamais o encerra na sua contingência...

Que aceita que o homem de hoje queira confrontar as idéias com a realidade através do filtro de suas experiências, que necessita entender e ter o seu próprio parecer. (...)

“Para ela (isto é, para a Igreja, ndr) seria o modo de atingir o homem de boa vontade lá onde ele se encontra, de dirigir-se a ele e de reconhecê-lo como alguém que faz parte de um mundo a inventar juntos.”

Significativos progressos pastorais.

Também se ainda resta um caminho a percorrer até que as pessoas homossexuais e suas famílias encontrem o seu justo lugar nas nossas comunidades cristãs, em muitas dioceses ocorrem hoje progressos fundamentais.

O objetivo não é tanto o de realizar uma pastoral distinta para favorecer a acolhida das pessoas homossexuais, que constituiria uma forma de estigmatização positiva, mas antes o de reconhecer e dar consideração ao que é vivenciado por cada um, “afim de que estas pessoas possam viver uma vida cristã normal e empenhada e ter o seu lugar na Igreja como toda pessoa batizada”.

A primeira iniciativa a realizar é a de incentivar os lugares de acolhida e de escuta, os grupos de palavra, tornando-os visíveis através de um “dépliant” [folheto] que registre o telefone, o email, o nome da pessoa a contatar.

Há muitíssimos anos algumas associações, como David e Jonathan, Devenir un em Christ [Tornar-se um em Cristo] já fizeram esta experiência. Mas, este tipo de iniciativa deve ter origem da responsabilidade das igrejas diocesanas, evidentemente com a colaboração das associações que as mantêm. Com efeito, muitas pessoas homossexuais e seus pais se sentem privados de recursos.

Sendo católicos, frequentemente se dirigem aos padres de suas paróquias ou à diocese: “Quando tomamos conhecimento da homossexualidade de nossa filha de 18 anos, encontramo-nos desarmados: por que ela era assim? O seu grandíssimo mal-estar e seu não querer viver nos impeliram a procurar entender. Sendo católicos, procuramos um padre para saber se ele conheceria uma associação que pudesse ajudar-nos.

Ele estava despreparado exatamente como nós. Nossa fé nos levou a perguntar-nos como viver esta situação serenamente e no amor atento por nossa filha e nossa família (temos quatro filhos, e esta é a última). Fizemos um percurso numa associação, encontrando outros pais e outros homossexuais.

Encontramos pessoas que escutam sem julgar e que compartilham das nossas dúvidas e das nossas preocupações. Abrimo-nos de um modo que não conhecíamos. Dez anos depois, podemos constatar que enriquecemos o nosso coração e o nosso modo de ver.
Deus é amor. Somente Ele sabe o que é a homossexualidade. Neste caminho que percorremos, confiamo-nos ao Seu Espírito que nos acompanha (...)”.

Muitas dioceses (St. Etienne, Lyon, Grenoble, Angouleme, Aix em Provence...) há um par de anos organizaram grupos de reflexão e/ou grupos de acolhida, de escuta, de discussão aberta. Assim em Angouleme: “Há dois anos, com o apoio e o encorajamento de Mons. Dagens criamos dois grupos de compartilhamento: um para pessoas homossexuais, e o outro para pais de pessoas homossexuais. Temos dado andamento a estes grupos em colaboração com a associação Devenir Un En Christ. Mas, havia também uma convergente vontade do Padre Dagens e dos dois grupos para uma conexão direta com a diocese, através da pastoral da família. Neste momento estamos começando a difundir um pequeno volante: “Acolhida e palavra”, para tornar conhecidos os dois grupos nas paróquias e também no site da diocese. De outra parte, queríamos ir mais longe na reflexão sobre o lugar na Igreja e nas nossas comunidades cristãs para as pessoas homossexuais.”

Em muitas dioceses vizinhas está sendo posta em marcha a mesma reflexão. Seria preciso dar evidência também a outros grupos de palavra para progenitores que estão coligados com a associação Réflexion et Partage [Reflexão e Partilha]. Mas, estes grupos ainda não têm verdadeira legitimidade diocesana. Numa diocese da periferia de Paris há cinco anos existe um grupo de discussão formado por pais que têm um filho homossexual.

“Somos cinco famílias. Este pequeno grupo é muito importante para trocar, comunicar e sustentar-nos uns com os outros. Há aproximadamente um mês contatamos com o pároco de St. Germain em Laye. Foi muito acolhedor e conectou um inserto no boletim paroquial. Pessoalmente, sinto-me sempre mais assegurado, e hoje não tenho mais medo de responder a pessoas que têm uma visão negativa. Um fato recente: Uma mãe de família, chegando ao conhecimento que eu tinha um filho homossexual, me disse: “Rezarei por ele”. Eu lhe respondi: “Não, sou-lhe grato, mas antes serei eu a rezar por você, para que seu visual se torne mais aberto”. Não posso mais calar. Creio que os nossos filhos dêem um valor adjunto às nossas famílias”. (Marie-Pierre, mãe de família).

Guilherme e Elisabete acrescentam: “É uma fórmula excepcional, que responde bem às expectativas dos genitores. Uma fórmula a promover por toda parte possa ser realizada. Tivemos ocasião de falar a respeito com certo número de amigos e muitos deles nos disseram que também eles estavam envolvidos com esta realidade.

O compartilhamento da nossa experiência teve uma acolhida positiva e tem sido iluminadora para outras famílias, mas com frequência essas famílias nos dizem que ninguém sabe (da homossexualidade de um componente) e que não se deve falar disso.”

Assim em Ardèche: “Somos um grupo de pais ativo há nove anos e nos encontramos 2 vezes ao ano com a presença do vigário geral. Atualmente fazem parte 9 casais. Dado que o vigário geral nos acompanha, o bispo tem conhecimento das nossas reuniões”. Os temas enfrentados no ano passado foram o matrimônio e a homogenitorialidade. Escrevemos um artigo em jornais paroquiais, mas obteve eco escasso”.

Em Paris existe um grupo de pessoas homossexuais que vivem como casais e se reúnem regularmente. Julien atesta: “Criamos o nosso grupo de casais católicos (que se encontram também como casais formados por pessoas do mesmo sexo). Este grupo de 6 casais se reúne aproximadamente cada 6 semanas para refletir sobre a questão da fecundidade do casal, em sentido geral.

Existe um aspecto espiritual e ele é compartilhado também por meio de um texto de meditação. De vez em quando convidamos uma pessoa externa ao grupo. Este grupo tem sido para nós e para a nossa fé uma âncora de salvação indispensável durante este último ano, no qual a Igreja da França foi convulsionada pela questão do matrimônio para todos.

Temos compartilhado momentos de rara fraternidade. Mas gostaríamos que tudo isso pudesse ser vivenciado em nível das paróquias. E nos agradaria fazer esta reflexão junto a casais homossexuais, estar dentro da Igreja e não esconder uma parte essencial do nosso ser”.

Devem ser vistos positivamente também os seis seminários tidos junto ao colégio dos Bernardinos em Paris sobre “Fé cristã e homossexualidade”, com a presença de representantes de várias associações (David e Jonathan, Devenir Un En Christ [Tornar-se um em Cristo], Communion Béthanie, Réflexion et Partage [Reflexão e Partilha]).

O último seminário, sobre o tema de “fare coppia” [fazer casal] permitiu cruzar as experiências de casais homossexuais e heterossexuais na escuta, no diálogo, na construção de um viver juntos e de uma fraternidade, destinados a dar os seus frutos.

Outras dioceses assumiram iniciativas para favorecer o diálogo e o encontro, como “O caminho de Emaús” (Nanterre,Orléans), peregrinação de um dia, aberto a todos e em particular às pessoas direta ou indiretamente envoltas com a homossexualidade. Por ter participado, posso assegurar-vos que tudo isso fez caírem muitos preconceitos sobre ahomossexualidade.

Muitos dos preconceitos de fato ainda estão ligados a representações mentais, frequentemente por causa da falta de conhecimento e informação sobre a vivência das pessoas, e também por causa da rejeição da diversidade, que provoca perturbação. Creio que esta falta de conhecimento, esta ignorância, traga o medo e o medo gere a exclusão, o desprezo, as confusões, talvez os conflitos, o relegar a gueto e, enfim, o desejo de desembaraçar-se do outro.

A alteridade em questão

O encontro do outro em sua alteridade é uma questão fundamental. Quantos discursos ouvimos da boca de certos ambientes católicos para estigmatizar as pessoas homossexuais: “Os homossexuais recusam a diversidade”; esta afirmação, nas palavras de certos intelectuais se torna “A homossexualidade é a negação da alteridade”.

Se as diferenças, que sejam sexuais, geracionais ou culturais preexistam sem que nós estejamos em condições de geri-las, elas não garantem que se realize a acolhida do outro. O saber reconhecer a alteridade nasce de uma aprendizagem que jamais termina, e permite a cada um ser, na relação com o outro, o que é, conduzir a própria vida, jamais sentir-se absorvido pelo outro, quem quer que ele seja (conjugado, amigo, genitor, professor, colega...).

Este trabalho ético é o mesmo para todos: “Cada casal é convidado a perguntar-se em que medida sua relação de amor gera confusão ou cria unidade, seja no interior ou no exterior do casal.

Há casais heterossexuais que de fato não respeitam estas relações da alteridade, como aquelas construídas sobre excessivas semelhanças entre o cônjuge e o pai ou a mãe, ou também aquelas nas quais os genitores consideram os seus filhos como objetos...” 

A semelhança genital não tira nada do “ser estranho” do outro. Ou seja, não é possível reduzir o outro ao que conheço de mim mesmo, dos meus desejos, dos meus comportamentos.

As pessoas homossexuais insistem no fato que sua busca sexual não deriva somente, como muitos crêem, de uma busca de prazer erótico. Costumeiramente as pessoas esperam encontrar um/uma amigo/amiga com o/a qual possam vivenciar experiências de ternura, fidelidade, ajuda recíproca, compartilhamento de preocupações e interesses diversos... e prazer sexual.

Procuram, deste modo, ter unidos “o desejo e a ternura” fazendo a experiência que amar “não é uma coisa óbvia”.

“Os psicanalistas menos sérios interpretaram erroneamente a conexão amorosa e sexual de um indivíduo com uma pessoa do mesmo sexo como uma conexão narcisista. Como se duas pessoas do mesmo sexo fossem a mesma pessoa! Como se somente a diferença sexual designasse a alteridade entre os seres! Como se, da mesma forma, entre homens e mulheres houvesse mais diferenças do que semelhanças.

A alteridade existe entre dois gêmeos, e com maior razão existe entre dois homens ou duas mulheres saídas de famílias diferentes. A alteridade é um dos determinantes do desejo sexual. Para desejar-nos reciprocamente, temos necessidade de muito de semelhante (o que temos em comum como seres humanos) e de um pouco de não semelhante, como confirma a neurobiologia.

Este “não semelhante” pode ser a diferença dos sexos, mas nem sempre e não somente. Nos humanos a alteridade, fonte de desejo sexual, pode encontrar-se na diferença física, na diferença cultural e social ou na diferença de personalidade.” 

Enfim, afirmar que o casal homossexual negue a alteridade significa voltar a reconduzir o conceito de “mesmo” ao aspecto sexual e este último ao sexo. Portanto, não é que, porque dois seres são semelhantes de um ponto de vista biológico que eles são “o mesmo”: dois homens, duas mulheres têm personalidades diversas e únicas que fazem deles seres singulares.

As pesquisas no campo da neurobiologia confirmam que as diferenças entre os indivíduos de um mesmo sexo são tão importantes que superam as diferenças entre os dois sexos. Esta variabilidade se explica com a plasticidade do cérebro. No nascimento, dos nossos 100 bilhões de neurônios, somente 10% são conectados entre si.

90% das restantes conexões se realizarão progressivamente em consequência das influências da família, da educação, da cultura, da sociedade, afirma Catherine Vidal, neurobióloga.
É na capacidade de amar que são postos à prova, para os homossexuais como para os heterossexuais, a aceitação ou a recusa da alteridade, não no valor diferencial e impessoal de um objeto de pulsão.

A relação homossexual, além da semelhança dos sexos, pode abrir à diferença e à alteridade, dado que é o encontro de duas pessoas, cada uma das quais é única. 

Os casais homossexuais têm um desejo duradouro e favorável de viver juntos. Tudo o que favorece os empenhos mais duradouros deve ser aprovado plenamente.

Uma pessoa homossexual que vive com um parceiro poderá ser fonte de fecundidade social para o ambiente circunstante.

Fecundidade

Na linguagem corrente temos limitado o sentido do termo “fecundidade” ao conceito de “dar a vida” ou “procriar”. Isto significa reduzir o ser humano ao seu nível animal.
Antropologicamente, a fecundidade recobre um significado mais amplo: a capacidade de dar uma vida humana.

Nós não fazemos que reproduzir-nos, nós produzimos a nós mesmos reciprocamente, nós produzimos o novo. Trata-se de colocar no mundo uma pessoa afim de que esta pessoa nasça a si mesma. E isto vai muito além da mera procriação biológica.

Dar a vida humana é o que a teóloga Marie-Christine Bernard, especializada em epistemologia das ciências humanas, chama a “genitoralidade espiritual”. É a responsabilidade que diz respeito a todos nós de fazer nascer alguém a si mesmo, de alguém gerar a própria vocação, de fazer que ele possa entrar em sua própria vida: "Pôr no mundo naquele sentido mais amplo que recém descrevemos, portanto, não só em sentido físico, se apresenta como o caminho por excelência que a bênção de Deus, destinada a todos, pode realizar. A bênção de Deus é ao mesmo tempo a promessa que Ele faz, o seu mais caro auspício de uma vida boa, rica de significado e de frutos e sua realização através do nosso livre consenso. A pessoa humana nasce a si mesma quando entende que esta promessa é destinada pessoalmente a ela, e segue este caminho".

Então, por que rejeitar os casais homossexuais, apelando à sua não fecundidade? Também eles são fecundos ou criativos, mas de modo diverso. Jesus revolucionou a ordem biológica da fecundidade: o homem não é fecundo porque gera, é fecundo porque se reconhece como pertencente ao Cristo.

A passagem do Evangelho segundo João (151-4.12.16) indica que a fecundidade reside no cumprimento do mandamento do amor de Jesus, isto é, de entrar na comunhão de amor de Jesus e do Pai, de deixar-se aproximar deDeus, entrar na intimidade com Ele, tornar-se seu amigo. Este amor chega realmente a desapropriar-se de si próprio.Jesus impeliu este despossuir-se de si ao morrer sobre a Cruz, e é precisamente a Cruz que garante “ao extremo” sua fecundidade: “Se o pequeno grão que cai por terra não morre, permanece só; ao invés, se morre produz fruto in abundância”.

Portanto, entrar na fecundidade não é mais viver para si mesmos, mas é viver para qualquer outro. Segundo Cristo a fecundidade é o dom de si, é uma morte a si mesmo e uma ressurreição. Esta ultrapassa infinitamente os nossos limites humanos. Realiza-se não segundo uma vontade humana, mas numa livre consagração das nossas ações a Deus, é um dom de Deus.

Assim dá testemunho Yvon, homossexual e cristão empenhado a mais de quarenta anos em sua paróquia: “Após estes 40 anos de lutas, nos quais houve momentos de alegria e de desespero – e também falências – me admiro que eu ainda queira fazer parte desta Igreja que com tanta frequência me maltratou.

Todavia, se os cristãos (e não somente os seus pastores) soubessem o que a Igreja deve a estes homossexuais (homens e mulheres), que atuam dentro dela, no segredo de sua identidade, se os cristãos reconhecessem todos os tesouros de paciência, de devoção e de atenção aos mais “pobres”, dos quais os homossexuais a cada dia dão prova (ajuda aos doentes de AIDS e aos anciãos, trabalho no âmbito da saúde ou da educação, etc.), os cristãos não estariam tão inclinados a condenar milhares de seus irmãos e irmãs ou de aceitar-lhes somente as palavras”.

A verdadeira fecundidade cristã não está ligada em primeiro lugar ao fato de ter filhos, mas à realização do Reino nas nossas vidas.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/537852-qual-o-lugar-para-as-pessoas-homossexuais-nas-nossas-comunidades-cristas


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publicado por Riacho, em 12.11.14 às 22:53link do post | favorito
 

É o primeiro grupo do Mezzogiorno [região sul da Itália] – excluindo as ilhas – que reúne, em uma paróquia católica, fiéis homossexuais e transexuais. Nascido a partir de uma ideia que já percorria há mais de um ano os corredores da igreja de San Silvestro di Bisceglie, o Grupo Nicodemo de Espiritualidade para Cristãos LGBT-Puglia se reuniu oficialmente pela primeira vez no dia 19 de outubro passado – foi curiosa a conjuntura com o encerramento doSínodo extraordinário sobre a família – e continuará a fazê-lo mensalmente, em um percurso que absolutamente não pretende pôr-se à margem, mas visa a uma plena integração na vida comunitária. Com o consentimento do pároco e dos paroquianos.

A reportagem é de Giampaolo Petrucci, publicada na revista Adista, n. 39, 08-11-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Fora das catacumbas e à luz do sol, portanto, com a leveza e a "normalidade" de um grupo paroquial qualquer que tem a vontade de se encontrar e se defrontar em torno da Palavra de Deus.

E que as coisas estão mudando também na Igreja Católica, talvez, fica demonstrado por essas experiências de vida cotidiana, mais do que pelos pronunciamentos de papa e bispos, ainda ambíguos e, no entanto, freados sobre a possibilidade de uma verdadeira revisitação da doutrina.

Ao menos, foi isso que surgiu a partir da conversa por telefone com Giovanna Failli, ex-transexual, agora mulher, comprometida há vários anos com a paróquia de San Silvestro, fundadora e animadora do Grupo Nicodemo daPuglia.

Eis a entrevista.

No dia 19 de outubro passado, encerrou-se, com a beatificação do papa da Humanae vitae, o Sínodo extraordinário sobre a família. Quais são as suas impressões? Você acha que as coisas estão realmente mudando?

No dia 19 de outubro passado, além do encerramento do Sínodo extraordinário sobre a família e da beatificação de Paulo VI, também nasceu o nosso grupo em Bisceglie. Não foi uma coincidência desejada ou buscada. Na realidade, não tínhamos pensado em tudo o que estava acontecendo ao mesmo tempo em Roma. No entanto, gosto de pensar que as coisas não acontecem por acaso, sem um motivo. Graças a esse Sínodo, descobrimos, dentre outras coisas, que a Igreja Católica não finge mais que não vê a realidade, mas começa a se defrontar com ela.

Pois bem, gostaria de dizer que não só as coisas estão mudando a sério, mas também se está abrindo um novo caminho de evangelização e de reconhecimento que parte da conscientização das fraquezas internas à própria Igreja. Nós, como grupo de fiéis, colocamo-nos em jogo para testemunhar uma Igreja viva que se reestrutura a partir de dentro e que não vive apenas de palavras, mas faz experiência de partilha fraterna e de aceitação de si e dos outros.

Como nasceu o Grupo Nicodemo em Bisceglie?

O grupo Nicodemo nasceu de uma ideia que eu quis compartilhar com a paróquia, depois de cerca de um ano durante o qual eu comecei a trabalhar seriamente para tentar dar início a um caminho de espiritualidade para as pessoas LGBT. Durante esse ano, consegui conhecer inúmeras realidades do Norte e do Centro da Itália, que me ajudaram a entender muitas coisas. Pude conhecer as suas experiências individuais e de grupo. Com muitos deles, consegui criar uma rede que está nos apoiando neste período de "start up".

No primeiro encontro, participaram diversos jovens que se moveram um pouco por todo o território regional. Com eles, logo percebemos a necessidade de que a Igreja esteja preparada para acolher a diversidade como elemento de riqueza para as próprias comunidades. Também experimentamos na nossa pele que, com obrigações e preceitos,  não se vai a lugar algum: só um desenvolvimento da consciência e um conhecimento real da vida das pessoas torna a pastoral um elemento vivo e vital.

No ano passado, o grupo dos pais da sua paróquia exibiram o filme Latter days, uma história de amor entre dois homens...

À época, não havia um grupo específico ativo na paróquia sobre o tema da relação entre fé e homossexualidade. Mas a experiência da projeção foi decisiva. De fato, o nosso caminho nasceu porque, depois da projeção do filme – dentre outras coisas, proposto pelo Grupo Famiglia, no âmbito dos encontros formativos organizados na nossa paróquia, e não pelos "homossexuais da paróquia" –, levantou-se muita poeira, até na imprensa nacional, como se aquilo que tínhamos feito na paróquia fosse um crime abominável. Naquele momento, senti a necessidade de testemunhar a experiência de acolhida e de partilha que eu vivo há alguns anos na paróquia e, sobretudo, de oferecer a possibilidade para que outras pessoas vivam a mesma experiência com serenidade e em harmonia com o restante da comunidade.

O grupo não pretende se colocar na sombra, mas quer participar ativamente da vida da comunidade, como qualquer outro grupo...

Sim, o grupo não quer ser uma Igreja na Igreja, mas quer ser plenamente Igreja. Portanto, no respeito dos tempos de cada um, ele tem como objetivo a participação ativa de todos os seus membros na vida comunitária, com base nos seus próprios carismas e nas suas próprias atitudes, na convicção de que trabalhar juntos derrota todas as barreiras.

O que torna a experiência de vocês "diferente" do que acontece em outras partes da Itália, onde grupos semelhantes ao de voês são rejeitados pelas comunidades e onde os párocos mais abertos são repreendidos ou punidos pelos seus bispos?

Eu não sei em que medida a nossa experiência é realmente diferente da dos outros grupos. Por enquanto, somos uma pequena realidade e estamos vivendo este período em harmonia com a paróquia. Tentamos fazer o nosso melhor, sem levantar muros, mesmo que, em nível diocesano, houve algumas pequenas críticas, mas, quando dois ou mais estão unidos no nome de Jesus, ele é o primeiro a nos dar uma mão.


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publicado por Riacho, em 04.11.14 às 19:40link do post | favorito

"Os relatórios produzidos desde a convocação do Sínodo apontam claramente nesta direção: não mudar a doutrina e o ideal sobre a família, mas acolher sem condenar as pessoas que vivem em outros modelos familiares, incluindo as uniões homossexuais e seus filhos", afirma aritigo publicado pelo blog da Equipe Diversidade Católica, 02-11-2014. O artigo não é assinado.

Eis o artigo.

A Igreja Católica viveu um momento efervescente com a Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Família. A mensagem cristã neste campo tem uma grandeza e uma beleza inegáveis, mas também problemas e questionamentos inevitáveis. Só se considera matrimônio, base da família, a união exclusiva e indissolúvel entre um homem e uma mulher, que entre os fiéis deve ser celebrada com um rito religioso próprio. Só se aceitam as relações sexuais praticadas no matrimônio, excluindo os métodos artificiais de controle da natalidade. No mundo atual, estas posições destoam da vida da grande maioria dos fiéis e contrastam com as novas configurações familiares. Os nós da moral sexual católica também dizem respeito aos gays.

Ao convocar o Sínodo, o papa Francisco enviou a todas as dioceses do mundo um documento preparatório com 39 perguntas, a fim conhecer melhor esta realidade e começar a transpor este abismo entre doutrina e prática. Entre as perguntas, que atenção pastoral se pode dar às pessoas vivendo em uniões do mesmo sexo? E, no caso de adotarem crianças, o que fazer para lhes transmitir a fé? Portanto, não se trata simplesmente de reiterar a doutrina. Buscam-se caminhos de inclusão e cidadania eclesial.

No ensinamento do papa, sobretudo em sua carta a Alegria do Evangelho (Evangelii Gaudium), o anúncio do amor salvador de Deus precede a obrigação moral e religiosa. Este anúncio deve curar todo tipo de ferida e fazer arder o coração, como o dos discípulos de Emaús ao encontrarem o Cristo ressuscitado. A Igreja deve ser sempre a casa aberta do Pai, onde há lugar para todos os que enfrentam fadigas em suas vidas, e não uma alfândega pastoral. O confessionário não deve ser uma sala de tortura, mas um lugar de misericórdia, no qual o Senhor nos estimula a fazer o melhor que pudermos. A Eucaristia não é prêmio dos perfeitos, mas alimento aos que necessitam e remédio generoso. Matizando a moral, o papa dá grande importância ao bem possível, às etapas de crescimento das pessoas que vão se construindo dia a dia.

Os relatórios produzidos desde a convocação do Sínodo apontam claramente nesta direção: não mudar a doutrina e o ideal sobre a família, mas acolher sem condenar as pessoas que vivem em outros modelos familiares, incluindo as uniões homossexuais e seus filhos. Pela primeira vez, não se fala em atos ‘intrinsecamente desordenados’ e contrários à lei natural, algo tão comum até recentemente. O que permanece é a recusa veemente de se equiparar legalmente união homo e união hétero. Estes relatórios não são ensinamento oficial da Igreja, e nem as conclusões da futuraAssembleia Ordinária do Sínodo, convocada para outubro de 2015. Tudo tem valor apenas consultivo. Só será ensinamento oficial a exortação pós-sinodal, a ser escrita pelo papa em 2016.

É certo que esta Exortação vai estar na linha do papa Francisco, estimulando a flexibilidade e o acolhimento. O valor de todo este processo até agora, mais do que os textos, são os debates abertos na Igreja como nunca se viram nas últimas décadas. É muito bom o superior geral dos jesuítas dizer publicamente que pode haver mais amor cristão em uma união irregular do que em um casal casado na Igreja. Ou um arcebispo nigeriano opor-se à criminalização da homossexualidade em seu país, e apoiar famílias que acolhem seus filhos gays com os respectivos companheiros. Tudo isto ajuda a formar na Igreja uma opinião pública que aceita e estima a diversidade sexual.

O cristão adulto, que está atento aos sinais dos tempos e encontra razões em favor da plena cidadania dos LGBT, não precisa esperar o apoio total da hierarquia católica para agir nesta direção. Porém, é muito importante aproveitar as oportunidades que podem surgir na Igreja, sobretudo em nível local, para o acolhimento das pessoas e a superação do preconceito. A homofobia religiosa tem uma longa história e uma considerável abrangência. Mas ninguém deve ser proibido de mudar para melhor, nem as pessoas, nem as instituições.


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publicado por Riacho, em 04.11.14 às 19:37link do post | favorito

Publicamos aqui dois poemas escritos por Barry Gittins, consultor de pesquisa e comunicação do Exército da Salvação. O texto foi publicado no sítio Eureka Street, sítio gerido por jesuítas australianos, 20-10-2014. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

Eis os poemas.

E se...jesus-mo

E se Jesus Cristo fosse gay,
iriam os fanáticos se afastar;
teriam os fundamentalistas um faniquito
e vacilariam confusos?
Será que eles adorariam a Cristo crucificado,
ou se ajoelhariam para rezar?

E se Cristo tivesse nascido uma menina?
Será que clérigos dançariam,
professando a sua adoração,
desfraldando estandartes de amor,
ou será que na mais profunda indignação
puxariam suas espadas King James?

E se Jesus Cristo não fosse judeu,
renovar-se-ia o ódio aos não semitas?
Se ele fosse negro ou vermelho ou grego
(ou seja, "de raça"),
seria o Homem-Deus menos santo;
menos manso, de alguma forma, menos verdadeiro?

Se os milagres naturais não tivessem acontecido;
teria a graça divina sido ilimitada?
A esperança do fiel ficaria prejudicada,
o amor pela magia, intacto,
a aversão, conquistada,
o caminho, iluminado?
Ou a moeda da esperança não seria cunhada?

E se a concepção virginal
fosse um erro de tradução;
se as sanguinárias estações da cruz
marcassem uma partição finita e cruel?
Será que a dor e a morte de um homem corajoso
significariam que suas palavras sofreram estagnação?

Se as palavras em uma página
fossem inspiradas, mas não sábias,
se a obsessão literalista
não tivesse motivo para esbravejar
pelo direito de uma pessoa de amar ou de se reproduzir;
isso seria motivo de raiva?

Se o Homem estivesse ainda por aí,
ainda ao redor, poderíamos andar
ao lado dele para um passeio
e devidamente esperaríamos que ele fosse dar o assentimento
às nossas preocupações;
quod erat demonstrandum, por favor Deus.

 

Pulsos

Pulsos em nossos templos.
Cenouras em nossos túmulos.
Passarinhos em nossos corações,
Turistas em catacumbas.

Hinos e cânticos em buffets.
Escritórios florescendo,
com manifestos de papel machê
pedindo mais espaço.

Lamentos em sintonia,
gafes em longas filas.
Fim para a crueldade com os cadáveres,
paz para os velhos degenerados.

Esperança para vistas invisíveis
Paz para caminhos percorridos.
Alegria para a inocência abatida.
Amor pelas consequências.

Graça para julgamentos indesejados.
Fé para as visões derrubadas.
Busca por arautos silenciados.
Sonho para o sudário da paixão.

Risos em voz baixa.
Confiança nos olhos.
Nós superamos nossa argila quebrada:
Somos a surpresa de Deus.

 

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/537018-se-jesus-fosse-gay


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publicado por Riacho, em 02.11.14 às 19:23link do post | favorito
Em sua coluna no O Globo, Frei Betto elogia diálogo sobre sexualidade proposto pelo papa Francisco na Igreja Católica e questiona: “Deus é gay”

Frei Betto publicou em sua coluna no site do jornal O Globo um artigo intitulado “Deus é Gay?”. No texto, ele faz uma série de elogios ao papa Francisco “por colocar a sexualidade no centro do debate eclesial”, afirmando que a postura do atual líder da Igreja Católica em trazer tais temas à discussão é uma atitude “contra o cinismo” predominante na instituição.

Ele afirma em seu texto que é necessário “reler o Evangelho pela ótica gay, como pela feminista, já que a presença de Jesus entre nós foi lida pelas óticas aramaica (Marcos); judaica (Mateus); pagã (Lucas); gnóstica (João); platônica (Agostinho) e aristotélica (Tomás de Aquino)”.

– Quem, como eu, transita há décadas na esfera eclesiástica sabe que é significativo o número de gays entre seminaristas, padres e bispos. Por que não gozarem, no seio da Igreja, do mesmo direito dos heterossexuais de se assumir como tal? Devem permanecer “no armário”, vitimizados pela Igreja e, supostamente, por Deus, por culpa que não têm? – questionou Frei Betto.

Ele afirma ainda que “a unidade na diversidade é característica da Igreja”, e ressalta que os evangelhos apresentam quatro enfoques distintos sobre Jesus. Frei Betto comenta ainda sobre as mudanças graduais das visões teológicas dentro do cristianismo.

– Até a década de 1960, predominava no Ocidente uma única ótica teológica: a europeia, tida como “a teologia”. O surgimento da Teologia da Libertação, com a leitura da Palavra de Deus pela ótica dos pobres, causa ainda incômodo aos que consideram a ótica eurocentrada como universalmente ortodoxa – destaca.

– Diante dos escândalos de pedofilia, dos 100 mil padres que abandonaram o sacerdócio por amor a mulheres, e da violência física e simbólica aos gays, Francisco ousa se erguer contra o cinismo dos que se arvoram em “atirar a primeira pedra – completa.

Colocando Jesus como exemplo de conduta, o religioso afirma que “a Igreja não pode discriminar ninguém em razão de tendência sexual, cor da pele ou condição social”, e reforça que “O que está em jogo é a dignidade da pessoa humana, o direito de casais gays serem protegidos pela lei civil e educarem seus filhos na fé cristã, o combate e a criminalização da homofobia”, que ele classifica como “um grave pecado”.

– A Igreja não pode continuar cúmplice e, por isso, acaba de superar oficialmente a postura de considerar a homossexualidade um “desvio” e “intrinsecamente desordenada” – afirmou o religioso.

– Deus é gay? “Deus é amor”, diz a Primeira Carta do apóstolo João, e acrescenta “o amor é de Deus, e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus.” E, se somos capazes de nos amar uns aos outros, “Deus permanece em nós” – destaca.

 

Fonte: http://noticias.gospelmais.com.br/coluna-o-globo-frei-betto-questiona-deus-gay-72323.html


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