ESPAÇO DE ENCONTRO E REFLEXÃO ENTRE CRISTÃOS HOMOSSEXUAIS em blog desde 03-06-2007
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publicado por Riacho, em 16.02.13 às 11:40link do post | favorito

Que tipo de Papa? As tensões internas da Igreja atual

 

12/02/2013, texto de Leonardo Boff

 

Não me proponho apresentar um balanço do pontificado de Bento XVI que acaba de renunciar, coisa que foi feito com competência por outros. Para os leitores talvez seja mais interessante conhecer melhor uma tensão sempre viva dentro da Igreja e que marca o perfil de cada Papa. A questão central é esta: qual a posição e a missão da Igreja no mundo?

Antecipando dizemos que uma concepção equilibrada deve assentar-se sobre duas pilastras fundamentais: o Reino e o mundo. O Reino é a mensagem central de Jesus, sua utopia de uma revolução absoluta que reconcilia a criação consigo mesma e com Deus. O mundo é o lugar onde a Igreja realiza seu serviço ao Reino e onde ela mesma se constrói. Se pensarmos  a Igreja demasiadamente ligada ao Reino, corre-se o risco da espiritualização e do idealismo. Se demasiadamente próxima do mudo, incorre-se na tentação da mundanização e  da politização. Importa saber articular Reino-Mundo-Igreja. Ela pertence ao Reino e também ao mundo. Possui uma dimensão histórica com suas contradições e outra transcendente.

Como viver esta tensão dentro do mundo e da história? Apresentam-se dois modelos diferentes e, por vezes, conflitantes: o do testemunho e o do diálogo.

O modelo do testemunho afirma com convicção: temos o depósito da fé, dentro do qual estão todas as verdades necessárias para a salvação; temos o sacramentos que comunicam graça; temos uma moral bem definida; temos a certeza de que a Igreja Católica é a Igreja de Cristo, a única verdadeira; temos o Papa que goza de infalibilidade em questões de fé e moral; temos uma hierarquia que governa o povo fiel; e temos a promessa de assistência permanente do Espírito Santo. Isto tem que ser testemunhado face a um mundo que não sabe para onde vai e que por si mesmo jamais alcançará a salvação. Ele terá que passar pela mediação da Igreja, sem a qual não há salvação.

Os cristãos deste modelo, desde Papas até simples fiéis, se sentem imbuídos de uma missão salvadora única. Nisso são fundamentalistas e pouco dados ao diálogo. Para que dialogar? Já temos tudo. O diálogo é para facilitar a conversão.

O modelo do diálogo parte de outros pressupostos: O Reino é maior que a Igreja e conhece também uma realização secular, sempre onde há verdade, amor e justiça; o Cristo ressuscitado possui dimensões cósmicas e empurra a evolução para um fim bom; o Espírito está sempre presente na história e nas pessoas de bem; Ele chega  antes do missionário, pois estava nos povos na forma de solidariedade, amor e compaixão. Deus nunca abandonou os seus e a todos oferece chance de salvação, pois os tirou de seu coração para um dia viverem felizes no Reino dos libertos. A missão da Igreja é ser sinal desta história de Deus dentro da história humana e também um instrumento de sua implementação junto com outros caminhos espirituais. Se a realidade tanto religiosa quanto secular está empapada de Deus devemos todos dialogar: trocar, aprender uns dos outros e tornar a caminhada humana rumo à promessa feliz, mais fácil e mais segura.

O primeiro modelo do testemunho é da Igreja da tradição, que promoveu as missões na África, Ásia e América latina, sendo até cúmplice em nome do testemunho da dizimação e dominação de milhares de povos originários, africanos e asiáticos. Era o modelo do Papa João Paulo II que corria o mundo, empunhando a cruz como testemunho de que ai vinha a salvação. Era o modelo, mais radicalizado ainda, de Bento XVI que negou o título de “Igreja” às igrejas evangélicas, ofendendo-as duramente; atacou diretamente a modernidade pois a via negativamente como relativista e secularista. Logicamente não lhe negou todos os valores mas via neles como fonte a fé cristã. Reduziu a Igreja a uma ilha isolada ou a uma fortaleza, cercada de inimigos por todos os lados  dos quais temos que nos defender.

O modelo do diálogo é do Concílio Vaticano II e  de Medellin e de Puebla na América Latina. Viam o cristianismo não um depósito, sistema fechado com o risco de ficar fossilizado, mas como uma fonte de águas vivas e cristalinas que podem ser canalizadas por muitos condutos culturais, um lugar de  aprendizado mútuo porque todos são portadores do Espírito Criador e  da essência do  sonho de Jesus.

O primeiro modelo, do testemunho, assustou a muitos cristãos que se sentiam infantilizados e desvalorizados em seus saberes profissionais; não sentiam mais a Igreja como um lar espiritual e, desconsolados, se afastavam da instituição mas não do Cristianismo como valor e utopia generosa de Jesus.

O segundo modelo, do diálogo, aproximou a muitos pois se sentiam em casa, ajudando a construir uma Igreja-aprendiz e aberta ao diálogo com todos. O efeito era o sentimento de liberdade e de criatividade. Assim vale a pena ser cristão.

Esse modelo do diálogo se faz urgente caso a instituição-Igreja quiser sair da crise em que se meteu e que atingiu seu ponto de honra: a moralidade (os pedófilos) e a espiritualidade (roubo de documentos secretos e problemas graves de transparência no Banco do Vaticano).

Devemos discernir com inteligência o que atualmente melhor serve a mensagem cristã  no contexto de uma crise social e ecológica de gravíssimas consequências. O problema central não é a Igreja mas o  futuro da Mãe Terra, da vida e da nossa civilização. Como a Igreja ajuda nessa travessia? Só  dialogando e somando forças com todos.

 

Leonardo Boff é autor de Igreja: carisma e poder, livro ajuizado pelo então Cardeal Joseph Ratzinger.

 

Fonte: http://leonardoboff.wordpress.com/2013/02/12/que-tipo-de-papa-as-tensoes-internas-da-igreja-atual/

 


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publicado por Riacho, em 11.02.13 às 20:01link do post | favorito

A propósito da resignação de Bento XVI transcrevemos as palavras do movimento Dignity USA que naturalmente subscrevemos.

 

DignityUSA, a maior organização americana de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT) Católicos, comentou a notícia de que o Papa Bento XVI vai resignar no final de Fevereiro, com a seguinte declaração:

 

"Como católicos, apreciamos o facto de o Papa Bento ter posto as necessidades da Igreja em primeiro lugar ao afirmar que ele já não está em condições de lhes dar resposta na sua posição. Desejamos-lhe uma reforma tranquila.

 

Neste momento de transição importante, esperamos que os Cardeais que vão eleger o novo Papa tenham tempo para ouvir as pessoas da Igreja, e que ouçam a voz do Espírito Santo que apela para um Papa que seja o pastor de todo o povo de Deus. Aguardamos por um líder que trabalhe para curar as divisões das últimas décadas, e que valorize o diálogo em conformidade com o acima exposto.

 

Como membros da Igreja, que são lésbicas, gay, bissexuais e transgéneros, bem como amigos e familiares, solicitamos aos Cardeais e ao novo Papa para empreender um verdadeiro diálogo com a nossa comunidade. Apelamos para o fim a declarações que infligem danos a pessoas já marginalizadas, que nos retratam como seres humanos de categoria inferior e que emprestam credibilidade às pessoas que procuram justificar a discriminação.

 

Apelamos à nossa Igreja, não apenas para abraçar mas defender a dignidade e igualdade de todos os seres humanos, independentemente da sua orientação sexual ou identidade de gênero.

 

Apelamos a todos os membros e amigos da DignityUSA para entrar num período de oração e reflexão, enquanto nos preparamos para o conclave!"

 

Tradução de "Riacho"


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publicado por Riacho, em 10.02.13 às 23:44link do post | favorito

Blaine (Nicholas Downs) é um típico jovem gay à procura do amor verdadeiro, porém sem muito sucesso até encontrar numa sala de chat Xander (David Loren), o homem dos seus sonhos. Eles rapidamente começam um relacionamento virtual. Em pouco tempo, eles decidem encontrar-se cara-a-cara para um encontro. Mas no mundo de Blaine, nada é fácil. Ele descobre que está a conversar com o seu novo namorado online com o perfil do seu companheiro de quarto: Cameron. O problema é que Cameron (Adam Huss) é um dançarino go-go boy sexy, e esse é o tipo que Xander está à espera para ver. Blaine convence o seu colega de quarto a passar-se por ele até que ele possa conquistar Xander com a sua inteligência e charme.




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publicado por Riacho, em 07.02.13 às 22:43link do post | favorito

O presidente do Pontifício Conselho para a Família, o arcebispo Vincenzo Paglia, reconhece direitos para os casais de fato, homossexuais ou não.

A reportagem é de Juan G. Bedoya e está publicada no jornal espanhol El País, 05-02-2013. A tradução é do Cepat.

O ‘ministro’ do Vaticano que se ocupa de zelar pelo matrimônio católico e indissolúvel, o arcebispo Vincenzo Paglia, presidente do Pontifício Conselho para a Família, defende a família tradicional, mas reconhece direitos para os casais de fato, homossexuais ou não. Ele expressou essa opinião na segunda-feira diante de numerosos jornalistas, causando grande alvoroço, pois se trata de um giro radical nas rígidas posições da Igreja católica. “Infelizmente, não sou um especialista em direito, mas pelo que sei, me parece que é o caminho que se deve trilhar”, acrescentou. Pouco depois, o prelado recebeu o apoio de um de seus colegas da cúria da Santa Sé, o também arcebispo Rino Fisichella, responsável pelo ‘ministério’ papal recentemente criado com o nome de Nova Evangelização. “O legislador deve responder às exigências que antes não existiam”, disse este.

Apenas há um mês o papa Bento XVI admitiu que os ataques que, segundo ele, a família católica sofre em numerosos países europeus são um perigo para a humanidade e geram violência e pobreza. Da mesma opinião são seus hierarcas na França, que aplaudiram as massivas manifestações contra a iminente legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexoPaglia, ao contrário, reconhece agora que se trata de situações que o Estado deve resolver para impedir injustiças e discriminações, não sem antes abrir debates mais prolongados.

“É preciso encontrar soluções no âmbito do código civil para garantir questões patrimoniais e facilitar condições de vida para impedir injustiças com os mais fracos. É um assunto que deve ser debatido mais amplamente e não imposto pelos governos”, disse, em clara referência à França e à Espanha.

Paglia é um dos fundadores da Comunidade de Santo Egídio, uma organização nada conservadora em comparação com outras de grande poder no Vaticano, como se demonstra por sua mediação em conflitos internacionais, entre eles em El Salvador, ou por sua postura a favor da causa da beatificação do bispo salvadorenho Arnulfo Romero, assassinado por forças ultracatólicas desse país por sua defesa dos mais pobres.

O destacado religioso italiano foi escolhido por Bento XVI há um ano para presidir um dos ‘ministérios’ chaves do Vaticano, até então nas mãos do cardeal provavelmente mais conservador da cúria, o colombiano Alfonso López Trujillo, no cargo durante muitos anos.

Acostumado com o debate e avisado por seus irmãos da Comunidade, muito comprometidos com os trabalhos de ação social, Paglia dá uma guinada nas posições mais intransigentes de sua Igreja por causa do escândalo que representa o fato de que, ainda hoje, haja países que condenam à morte os homossexuais ou os castigam como réus de um dos mais graves crimes que podem ser cometidos. “Em vários países a homossexualidade é considerada um crime. É preciso combater isso. É claro que é preciso garantir os direitos individuais”, disse na entrevista coletiva, antes de expressar sua “total oposição” a essas formas de discriminação em países do Oriente Médio e da África.


PARA LER MAIS:



Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/517466-presidente-de-dicasterio-vaticano-reconhece-direitos-para-casais-de-fato


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publicado por Riacho, em 05.02.13 às 22:29link do post | favorito

O ministro do Vaticano para a família, Vicenzo Paglia, presidente do Pontifício Conselho da Família, defendeu que os Estados devem impedir injustiças e discriminações nos casais "de facto", incluindo os constituídos por homossexuais .Esta é a primeira vez que um alto responsável do Vaticano defende soluções jurídicas para uniões fora do casamento.

 Fonte: http://www.dezanove.pt/467123.html


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publicado por Riacho, em 05.02.13 às 22:12link do post | favorito

Rev. Fernando Frontán de Uruguai e membro das Famílias pela Diversidade Sexual fala da ligação entre igreja e homossexualidade.

 


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publicado por Riacho, em 05.02.13 às 22:07link do post | favorito

Ainda decorrer na Biblioteca Municipal de Cuba, organizada pela Opus Gay, no âmbito do seu projeto Alentejo de Diversidades.

Exposição Kiss Me! na Biblioteca Municipal de Cuba

Patente desde hoje a exposição Kiss Me! na Biblioteca Municipal de Cuba, com o intuito de promover a visibilidade positiva LGBT, prevenir a discriminação e combater a homofobia. Com o apoio da Biblioteca Municipal de Cuba e da Câmara Municipal de Cuba e ainda do Dr. José António de Almeida, escritor, natural de Cuba.


Coordenador do Projeto: Dr. António Guarita | Presidente da OPUS GAY: Dr. António Serzedelo.

Kiss Me - Cuba


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publicado por Riacho, em 04.02.13 às 23:21link do post | favorito

Um casal gay sueco tenta adotar um filho. Depois de muitas dificuldades eles recebem a notícia de que foram aprovados. Só que ao invés de uma criança de um ano e meio, quem chega à casa deles é Patrik, um adolescente de 15 anos homofóbico e delinqüente.




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publicado por Riacho, em 02.02.13 às 23:33link do post | favorito

Um ator de novelas recém saído do armário cruza caminhos com um ativista pró-casamento gay recém divorciado, forçando-os a confrontar o preço da fama e a natureza instável da celebridade dentro da comunidade gay.




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publicado por Riacho, em 01.02.13 às 21:01link do post | favorito

Talvez o sentido teológico da missa de Soho “se resuma na fórmula: Lex orandi, lex credendi, a comunidade que reza provoca reflexão teológica”, diz o jornalista inglês.

Confira a entrevista. 


As missas de Soho são “antes tudo uma ação pastoral para pôr em prática o ensino da Igreja de que as pessoas LGBT são valorizadas pela Igreja, não devem ser discriminadas, nem excluídas da comunhão”, argumenta Francis McDonagh, em entrevista concedida à IHU On-Line, por e-mail. Segundo ele, as missas que são celebradas no bairro Soho, em Londres, “não são uma campanha, não se argumenta sobre o ensino da Igreja sobre a sexualidade, mas se dá testemunho a uma realidade: a dos católicos LGBT, que querem praticar sua fé”. Para ele, as missas de Soho são um “reconhecimento” da “diocese de Westminster, após diálogo com o Vaticano, da necessidade de uma pastoral para a comunidadeLGBT, e do direito das pessoas LGBT e seus familiares e amigos, de serem acolhidos oficial e publicamente pela Igreja católica”.  

Na entrevista que segue, o jornalista inglês enfatiza outro ponto polêmico entre a Igreja e a comunidade LGBT: o casamento. Apesar de muitos homossexuais reivindicarem esse direito, McDonaghaponta que “alguns ativistas LGBT rejeitam o casamento como esquema essencialmente patriarcal, que não corresponde à união em base à igualdade que procuram.  E o Vaticano vem insistindo que as conferências episcopais façam campanha contra esses modelos de casamento por serem um ataque à família como fundamento da sociedade, e uma restrição à liberdade das igrejas a manterem sua visão do casamento”.

E opina: “Pessoalmente, acho que a suposta ameaça à liberdade religiosa vinda das propostas de ‘casamento igual’ é exagerada.  Assinei uma carta aberta em que se defendia o direito dos católicos de apoiar ou não a proposta do governo, em base a considerações do bem comum”.

Francis McDonagh é correspondente dos jornais católicos Tablet, de Londres, National Catholic Repórter e membro do Gay Christian Movement, UK.

Confira a entrevista 

IHU On-Line - Qual a importância para a Igreja da realização das missas de Soho, bairro de Londres, destinadas à comunidade LGBT? 

Francis McDonagh -
 Foi um reconhecimento por parte da Igreja local, a diocese de Westminster, após diálogo com o Vaticano, da necessidade de uma pastoral para a comunidade LGBT, e do direito das pessoas LGBT e seus familiares e amigos, de serem acolhidos oficial e publicamente pela Igreja católica.  Por isso, em 2007, a diocese convidou a comunidade a se deslocar da Igreja anglicana de St Anne para a Igreja católica vizinha deNossa Senhora da Assunção, em Warwick Street.  A decisão de oficializar uma pastoral gay tem sua origem em toda uma série de reflexões da conferência episcopal de Inglaterra e Gales sobre as orientações da Congregação da Doutrina da Fé em 1986 sobre o “atendimento pastoral das pessoas homossexuais”.  Entre estas, destaca-se um documento da conferência de 1979, onde se lê: “Os homossexuais têm direito a um acompanhamento pastoralesclarecido prestado por ministros devidamente capacitados  para atender suas necessidades pastorais”. É importante destacar que entre os sacerdotes que presidiram a missa em Warwick Street, vários são de renome nacional, como o ex-mestre geral dos dominicanos, Timothy Radcliffe, um bispo, e vários jesuítas.

IHU On-Line - Em que sentido a missa impacta em nível pastoral e teológico? 

Francis McDonagh -
 As missas são antes tudo uma ação pastoral para pôr em prática o ensino da Igreja de que as pessoas LGBT são valorizadas pela Igreja, não devem ser discriminadas, nem excluídas da comunhão. Construíram uma comunidade eucarística entre pessoas que sentiam excluídas, e até perseguidas, como no caso dos ugandeses.  As missas não são uma campanha, não se argumenta sobre o ensino da Igreja sobre a sexualidade, mas  se dá testemunho a uma realidade: a dos católicos LGBT, que querem praticar sua fé. Talvez o sentido teológico se resuma na fórmula: Lex orandi, lex credendi, a comunidade que reza provoca reflexão teológica.

IHU On-Line - Como a Igreja deve lidar com a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo e também com toda a questão da homossexualidade? Quais os desafios que se colocam?  

Francis McDonagh -
 Essa é uma questão complexa.  Por um lado, a Igreja defende que as pessoas LGBT têm direito a respeito, à igualdade de direitos com outros cidadãos.  Na Inglaterra e em Gales, a união civil entre pessoas do mesmo sexo é geralmente aceita como uma medida de justiça social, garantindo os direitos dos casais LGBT. Inclusive os bispos da Inglaterra e de Gales chegaram a reconhecer que a união civil oferece uma estabilidade a estes casais, de acordo com a justiça.

A questão do casamento é mais controvertido. Se pode perguntar: o que acrescenta a união civil em termos de direitos?  Os que argumentam a favor do ‘casamento igual’, como é chamada a proposta do governo britânico, ou o ‘casamento para todos’ na fórmula do governo francês, dizem que representa a igualdade plena entre os LGBT e os heterossexuais. Alguns ativistas LGBT rejeitam o casamento como esquema essencialmente patriarcal, que não corresponde à união em base à igualdade que procuram.  E o Vaticano vem insistindo que as conferências episcopais façam campanha contra esses modelos de casamento por serem um ataque à família como fundamento da sociedade, e uma restrição à liberdade das igrejas a manterem sua visão do casamento.

Pessoalmente, acho que a suposta ameaça à liberdade religiosa vinda das propostas de ‘casamento igual’ é exagerada.  Assinei uma carta aberta em que se defendia o direito dos católicos de apoiar ou não a proposta do governo, em base a considerações do bem comum.

A questão da homossexualidade em si abre uma caixa de Pandora para a Igreja. Tem-se questionado a interpretação dos textos bíblicos que denunciam a homossexualidade, alegando que os autores não tinham o conceito de orientação sexual, e condenavam um desvio consciente da ética aceita por todos.  E o conceito do “natural”, no sentido de dizer que a homossexualidade é “contra a natureza”, é questionado por muitos teólogos.  

IHU On-Line - As missas de Soho vão realmente acabar durante a Quaresma?

Francis McDonagh - 
Não.  O que vai terminar são as celebrações da missa na Igreja de Warwick Street no bairro deSoho, que é o tradicional bairro gay de Londres. A proposta do arcebispo Vincent Nichols é de transferir as missas para a igreja jesuíta de Farm Street, num bairro de embaixadas, inclusive as do Brasil e dos EUA.  Ele mesmo vai se encontrar com a comunidade que assiste às missas, na ocasião da primeira missa, em 3 de março, como sinal de apoio à pastoral da comunidade das missas de Soho. O que por enquanto está em dúvida é a possibilidade do comitê organizador das missas continuar convidando a sacerdotes externos a presidir as missas, como foi a prática acordada com a diocese em Warwick Street.

IHU On-Line - Considerando uma possível aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, o que faria parte de um redesenho da imagem da família? 

Francis McDonagh - 
Acho que já se convive com várias imagens da família, famílias monoparentais, famílias dos divorciados, onde os filhos conhecem, respeitam e amam os novos companheiros/companheiras do pai ou da mãe, e os filhos que resultam dessas uniões.  Agora surgem famílias de pessoas do mesmo sexo com filhos.  Ao longo da história a família tem tomado várias formas, e não é tão evidente que Jesus viveu numa família convencional, nem que escolheu seus amigos dentre as boas famílias. Trata-se de compreender e proteger os valores defendidos por Jesus que se evidenciam entre essas famílias diversas.


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