ESPAÇO DE ENCONTRO E REFLEXÃO ENTRE CRISTÃOS HOMOSSEXUAIS em blog desde 03-06-2007
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publicado por Riacho, em 31.01.13 às 21:26link do post | favorito

Recusar a tomar conhecimento de certas obras ou de trocar argumentos com certos parceiros sem mostrar um a priori benevolente e propenso ao debate não é a melhor maneira de progredir rumo à verdade.

A opinião é de Anne-Marie de la Haye, secretária do Comité de la Jupe, grupo de católicos e católicas leigos franceses, em artigo publicado no sítio da entidade, 27-01-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Somos cristãs e cristãos, vinculados à mensagem do evangelho, e vivemos fielmente esse vínculo no seio da Igreja Católica. A nossa experiência profissional, os nossos engajamentos associativos e as nossas vidas de homens e de mulheres nos dão a competência para analisar as evoluções das relações entre os homens e as mulheres nas sociedades contemporâneas, e para discernir os sinais dos tempos.

Tomamos conhecimento das recomendações do nosso Santo Padre, o Papa Bento XVI, dirigidas ao Pontifício Conselho Cor Unum, nas quais ele expressa a sua oposição contra o que ele chama de "teoria do gênero", colocando-a no mesmo plano das "ideologias que exaltam o culto da nação, da raça, da classe social". Consideramos essa condenação infundada e difamatória. A recusa que a acompanha de colaborar com toda instituição suscetível a aderir a esse tipo de pensamento é, a nosso ver, um erro grave, tanto do ponto de vista do caminho intelectual, quanto da escolha das ações tomadas a serviço do evangelho. Afirmamos aqui, com a máxima solenidade, que não podemos subscrevê-la.

Em primeiro lugar, ela é esterilizante. Com efeito, no domínio do pensamento, recusar a tomar conhecimento de certas obras ou de trocar argumentos com certos parceiros sem mostrar um a priori benevolente e propenso ao debate não é a melhor maneira de progredir rumo à verdade. O que teria acontecido se Tomás de Aquino tivesse se abstido de ler Aristóteles, com o pretexto de que ele não conhecia o verdadeiro Deus e que as suas obras lhe haviam sido transmitidas por tradutores muçulmanos?

Além disso, in loco, saber se se deve ou não colaborar com atores animados por ideias diferentes das nossas é uma decisão que só pode ser tomada naquele lugar e naquele determinado momento, em função das forças políticas e da urgência da situação. O que teria acontecido, a propósito da luta contra o nazismo e o fascismo, se os resistentes cristãos tivessem se recusado a lutar ao lado dos comunistas, ateus e solidários de um regime criminoso?

Vamos agora ao fundo da questão: deixemos de permitir que se diga que a noção de gênero é uma máquina de guerra contra a nossa concepção de humanidade. É falso. Ela é o resultado de uma luta social, isto é, a luta pela igualdade entre homens e mulheres, que se desenvolveu há cerca de um século, inicialmente nos países desenvolvidos (Estados Unidos Europa), e da qual os países em desenvolvimento estão agora começando a sentir os frutos. 

Essa luta social estimulou a reflexão de pesquisadores em inúmeras disciplinas das ciências humanas; essas pesquisas ainda não terminaram e não constituem, de fato, uma "teoria" única, mas sim um campo diversificado e sempre em movimento, que não deveria ser reduzido algumas de suas expressões mais radicais.

O verdadeiro problema, portanto, não é o que se pensa da noção de gênero, mas sim o que se pensa da igualdade homem/mulher. E, de fato, a luta pelos direitos das mulheres coloca novamente em discussão a concepção tradicional, patriarcal, não igualitária, dos papéis atribuídos aos homens e às mulheres na humanidade. Nas sociedades em desenvolvimento, em particular, a situação das mulheres ainda é tragicamente não igualitária. O acesso das mulheres à educação, à saúde, à autonomia, ao controle da sua fertilidade se depara com fortes resistências das sociedades tradicionais. 

Pior ainda: em alguns lugares, é constantemente ameaçado até mesmo o simples direito das mulheres à vida, à segurança e à integridade física. Não se pode, como faz o papa nos seus discursos sobre esse assunto, fingir que se saúda como autêntico progresso o acesso das mulheres à igualdade dos direitos e, ao mesmo tempo, continuar defendendo uma concepção de humanidade em que a diferença dos sexos implica uma diferença de natureza e de vocação entre os homens e as mulheres. Há nisso uma distorção intelectual insustentável.

Como negar, de fato, que as relações homem/mulher são objeto de aprendizagens influenciadas pelo contexto histórico e social? Fingir conhecer absolutamente, e com o desprezo de toda pesquisa realizada com as aquisições das ciências sociais, qual parte das relações homem/mulher deve fugir da análise sociológica e histórica manifesta um bloqueio do pensamento nada justificável. 

Por trás desse bloqueio do pensamento, suspeitamos que há uma incapacidade de tomar partido na luta pelos direitos das mulheres. Porém, essa luta não é, talvez, a dos oprimidos contra a sua opressão, e o papel natural dos cristãos talvez não é o de derrubar os poderosos de seus tronos?

Levantar-se a priori contra até mesmo o uso da noção de gênero é confundir a defesa do evangelho com a de um sistema social particular. A Igreja, de fato, cometeu esse erro há dois séculos e meio, confundindo defesa da fé e defesa das instituições monárquicas, e mais tarde dos privilégios da burguesia. Refazendo um erro semelhante, nós nos condenaríamos a uma marginalização ainda maior do que a que já nos encontramos. 

Como não temer que essa condenação apressada seja uma das correntes de uma cruzada antimodernista que visa a demonizar uma evolução contrária às posições adquiridas pela instituição?

É por isso que, com profunda preocupação, nós apelamos aos fiéis católicos, aos padres, aos religiosos e religiosas, aos diáconos, aos bispos, para que evitem à nossa Igreja esse impasse intelectual e para que saibam reconhecer, por trás de uma disputa sobre termos, o que verdadeiramente está em jogo na luta pelos direitos das mulheres e o lugar certo da sua Igreja nessa luta evangélica.


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publicado por Riacho, em 31.01.13 às 21:23link do post | favorito

Uma pastoral forte com relação aos homossexuais deve ser elaborada para permitir que essas pessoas sejam ouvidas e apoiadas.

A opinião é de Guy Gilbert, padre e educador francês, jornalista e autor prolífico. Nascido em Rochefort, em 1935, estudou no seminário da Argélia, onde permaneceu até 1970. De volta à França, especializou-se em Paris no trabalho contra a delinquência juvenil. É o fundador do centro Bergerie du Faucon para crianças de rua.

O artigo foi publicado no jornal francês, católico, La Croix, 29-01-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

"O meu filho é homossexual. Eu não posso aceitar isso. O que você acha?", escreveram-me muitos pais. 

"Sou homossexual, os meus pais me botaram para fora de casa assim que completei 18 anos. Estou chocado", disse um jovem.

"Minha filha, homossexual, foi festejar o aniversário em casa. Devo aceitar a sua companheira? Se não, ela não virá a esta festa familiar", perguntava-me uma mãe.

Muitas vezes, os pais são cristãos, mas se recusam a aceitar o que para eles é uma aberração e interrompem deliberadamente a relação com os filhos.

Eu sempre respondi dizendo logo aos pais que não julguem a sexualidade dos filhos e que deixem aberta a porta de casa.

A pior coisa que eu vi foi o comportamento de uma mãe católica cujo filho homossexual morreu velado até o fim pelo seu companheiro, botado para fora do apartamento em que viviam no dia antes do funeral. Eu disse para aquela mulher como a sua prática cristã estava em absoluta contradição com o Evangelho.

O termo "homofobia" é particularmente adequado para essas situações. E a história da Igreja não é um bom exemplo a esse respeito. Eu acrescentaria, no entanto, que o povo cristão está evoluindo lentamente e cada vez mais positivamente com relação a isso.

Eu penso que uma pastoral forte com relação aos homossexuais deve ser elaborada para permitir que essas pessoas sejam ouvidas e apoiadas.

Às vezes, a seu pedido, acontece-me de abençoar um casal de homossexuais. Quando eu vejo um casal solidamente unido, que vive um amor forte e verdadeiro, eu não posso abençoá-lo.

A tarefa e a beleza da missão do padre não é, talvez, de abençoar o amor? Com discrição, é claro, mas sem julgar e, principalmente, sem rejeitar.

Sou contrário ao casamento para todos, mas sou a favor de um pacto civil que permita que os casais do mesmo sexo reforcem os seus direitos, particularmente nas sucessões, um pacto civil com uma cerimônia simples no cartório.

Como é possível que um casal homossexual, que viveu muitos anos, não possa ser protegido quando a morte de um dos dois ocorre de repente? A humanidade é tão frágil como um cristal.

Vivemos neste período, nos acalorados debates sobre o "casamento para todos", oposições pueris e estéreis entre modernidade e tradição, entre laicidade e clericalismo. Um cristão que quiser viver a sua fé com toda a verdade não aceitará tudo do mundo contemporâneo. Mas saberá não rejeitar ninguém, nem julgar ninguém. Porque é a lei do Evangelho. Só essa lei vai nos permitir viver livres em um mundo complexo.

* * *

Da nota do Conselho para a Família e a Sociedade da Conferência Episcopal Francesa (Elargir le mariage aux personnes de même sexe? Ouvrons le débat!):

"Embora o respeito pela pessoa seja claramente afirmado, é preciso admitir que a homofobia, porém, não desapareceu da nossa sociedade. Para as pessoas homossexuais, a descoberta e a aceitação da sua sexualidade comportam, frequentemente, um caminho complexo. Nem sempre é fácil assumir a própria homossexualidade no ambiente profissional ou familiar. Os preconceitos custam a morrer, e as mentalidades mudam muito lentamente, mesmo nas nossas comunidades e famílias católicas; que, porém, são chamadas a expressar a máxima acolhida a todas as pessoas, independentemente do seu caminho, como filhas de Deus. Pois o que para nós, cristãos, fundamenta a nossa identidade e igualdade entre pessoas é o fato de que somos todos filhos e filhas de Deus. A acolhida incondicional da pessoa não implica uma aprovação de todos os seus atos. Reconhece, ao contrário, que o ser humano é maior do que os seus atos (...). A Igreja Católica convida os fiéis a viver tal relação na castidade, mas reconhece que, para além do aspecto sexual somente, o valor da solidariedade, da atenção e do cuidado pelo outro podem se manifestar em uma relação afetiva duradoura. A Igreja quer ser acolhedora com relação às pessoas homossexuais e continuará fazendo a sua contribuição para a luta contra toda forma de homofobia e discriminação (...)".

Veja também:

“Uma conversão de todos nós se faz necessária”, diz arcebispo de Maringá


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publicado por Riacho, em 31.01.13 às 21:20link do post | favorito

PolôniaHungriaRepública Tcheca: uma geração após o fim do império do mal, aumentam as discriminações e hostilidades contra as comunidades gays, alimentadas por minorias populistas que incitam o ódio para obter consensos. No silêncio das instituições europeias e muitas vezes também da Igreja.

A reportagem é de Andrea Tarquini, publicada no jornal La Repubblica, 29-01-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Se você caminhar pela Nowy Swiat ou pela Krakowskie Przedmiesce, no belo centro histórico de Varsóvia, é normal ver jovens gays ou lésbicas se beijando ou de mãos dadas, mas, mais a leste, nos vilarejos e na zona rural daPolônia profunda, feudos de skinheads, católicos integralistas e nacional-populistas de Kaczynski, "eles" têm medo de caminhar sozinhos à noite.

Em Budapeste, a Corte Constitucional, em um dos últimos desafios a Orbán, rejeitou a sua lei sobre a família que reconhecia somente a união consagrada entre um homem e uma mulher para criar filhos. No entanto, os ultraviolentos da Guarda Magyar odeiam os homossexuais, assim como os ciganos e os judeus. Ameaçam e provocam, mesmo sendo teoricamente ilegais: "Se até mesmo as bichas imundas podem se manifestar, o direito de marchar também é nosso". 

Até mesmo na civilizadíssima Praga, as leis são mais avançadas, mas as celebridades que optaram por sair do armário são raras, e o presidente cessante, o eurocético Vaclav Klaus, foi por muito o homofóbico mais poderoso da República, e muitas vezes protestava contra o fato de "vê-los aparecer em público".

Europa centro-oriental, início de 2013: uma geração após o fim do Império do Mal, há um Muro que ainda não caiu. O muro da homofobia, das discriminações, preconceitos e hostilidades contra os diferentes. Minorias contra as quais convém a muitos populistas incitar o ódio, e, infelizmente, a Igreja Católica, órfão daquele gênio clarividente e aberto ao mundo que foi Karol Wojtyla, muitas vezes é cúmplice ou inspiradora dos venenos.

"Não estamos na Rússia da repressão homofóbica brutal, diferenciemos bem", adverte Krystian Legierski, um dos mais proeminentes ativistas gays da Polônia, da organização pelos direitos LGBT (www.lgbt.pl). Mas certas coincidências são ruins: no mesmo dia em que, em Moscou, era aprovada a lei infame sobre a "proibição de toda propaganda gay", o primeiro-ministro liberal polonês, Donald Tusk, embolsava uma dura derrota. O Parlamento rejeitava três projetos de lei pelo reconhecimento das uniões de fato, homossexuais ou não.

Poucos meses antes, o arcebispo de VarsóviaKazimierz Nycz, lançara um apelo comum com o patriarca ortodoxo russo, Kirill, contra "a recusa dos valores tradicionais, que coloca cada vez mais em discussão os princípios éticos". Inimigas por séculos, as duas Igrejas se reconciliaram contra os gays.

"Foi desconcertante", relata Krystian. "No Parlamento, todos os deputados conservadores ou reacionários disseram 'não' aos direitos dos gays, remetendo-se à religião, à doutrina católica, segundo a qual a lei poria a família em perigo. No fim, 46 deputados do partido do primeiro-ministro, embora ele quisesse a lei, também votaram contra".

Na zona rural, no distante leste da "Polônia profunda", o clima é muito pior. Varsóvia é um outro mundo. "Em cidades como Bialystok, os skinheads enfurecem, as autoridades não investigam, não mexem um dedo. Os ultras atacam a nós, gays, ou os estrangeiros, impunemente. Uma vez, um jovem tchetcheno, lutador de luta livre, conseguiu se defender de seis skinheads que queriam espancá-lo até a morte. O tribunal condenou ele e não eles pela violência. Em geral, volta à vida aqui a convicção de que, se você der direitos a judeus, gays ou outras minorias, você perderá alguma coisa". 

Tem um rosto feio, esquálido e inquietante o último Muro do Leste. "A outra ameaça", continua Legierski, "são os torcedores violentos: muitas vezes, eles vêm para Varsóvia para expedições antigays, especialmente para tentar ataques contra as paradas gay". Ao menos na capital, as forças especiais da polícia fazem o seu trabalho.

A discriminação, conta Yga Kostrzewa, ativista lésbica do site Lambdawarszawa.org, começa na escola. "A maioria dos livros escolares sobre moral são homofóbicos. Daí ao bullying, é um pequeno passo, e então, especialmente na zona rural, os homossexuais idosos são os mais discriminados, mas mesmo entre jovens, se você só tiver amigos gays, logo chamam você de 'bicha'. Uma das nossas associações, a Ilga, publicou no seu relatório anual o mapa do coeficiente de homofobia na Europa. A fronteira Leste-Oeste era traçada claramente: voto negativo para a Polônia, positivo para a República Tcheca, e os melhores votos no Ocidente. Mas, lentamente, a situação melhorou – explicaYga – e agora temos programas na TV pública e privada que contam sobre casais de fato gays com filhos como uma realidade normal". Uma pedra no sapato do episcopado, que condena as "aberradoras mensagens do Pecado contra a natureza".

Depois de uma hora de voo a sudoeste, a Praga, a fraqueza da Igreja e o laicismo majoritário moderam a homofobia. Mas políticos proeminentes a usaram com demagogia descarada: Klaus, que insultou a parada gay como um "desfile obsceno", ao ex-primeiro-ministro Mirek Topolanek, antigamente convidado das festas de Berlusconi na Villa Certosa. Ele atacou um rival como homossexual e judeu, mas pagou, perdendo o posto. E a lei sobre os casais de fato ao menos existe.

O quadro mais alarmante vem da Hungria de Orbán. "Ele está cultivando os novos Breivik. Chama a atenção culpar totalmente judeus e homossexuais, ciganos e estrangeiros", escreveu recentemente o New York Times. O mais triste, explica Tamás Dombos, líder da ONG Hàttér pela defesa dos gays, "é que antes de Orbán tínhamos leis de vanguarda no Leste, inclusive sobre os direitos de herança e fiscais dos casais de fato, homossexuais ou não. O novo governo ainda não os cancelou, mas a inversão de tendência é total. A nova Constituição só exalta as raízes culturais cristãs e a união entre homem e mulher para ter filhos. Não menciona mais os direitos das minorias. A lei sobre a família rejeitada pela Consulta protegia somente a família oficial heterossexual. Temo que, como fez o ditador stalinista Rákosi, queiram adotar a 'tática do salame': o corte de direitos uma fatia de cada vez. Na Fidesz, ainda não falam contra nós, mas a sua homofobia transparece: nas novas leis de direito civil, falam de proteção apenas da família heterossexual, e não mais dos casais de fato".

Sombras e ameaças sobre os direitos dos gays são insidiosas na Budapeste do autocrata. A organização juvenil do pequeno partido democrata-cristão (Kdnp, aliado da Fidesz de Orbán) marcha pelas ruas gritando "Contra os buzi" (um termo muito vulgar e injuriante).
Guarda Magyar pede todos os dias que "as bichas sejam banidas". Orbán não apoia, mas acaricia alguns humores, explica Dombos. "Quando um deputado dos ultras de Jobbik, abertamente homofóbico e antissemita, propôs uma lei à la Rússia, três anos de detenção por propaganda homossexual, a Fidesz recusou dizendo ambiguamente que 'aqueles que vocês querem punir já são punidos pela lei'".

Para os ultras, violentos, a parada gay é um alvo favorito, diz Gábor Kuszing. "E durante dois anos a polícia proibiu a marcha. Só o recurso ao poder judiciário nos permitiu desfilar".

Os relatos do horror não param por aí. Ouvir Dombos Kuszing provoca calafrios. "Longe de Budapeste, o medo cresce. E em todos os lugares, até mesmo na capital, a justiça e a polícia minimizam. Quando um comando neonazista atacou com bombas molotov um clube gay cheio de clientes, investigaram-nos por vandalismo, e não por tentativa de massacre que cometeram. Pior do que nunca, Jobbik é forte especialmente entre os jovens. A homofobia pode conquistar uma geração".

"Entre nós, ideias tradicionais sobre os papéis de homem e mulher, e sobre a ordem social são a base da homofobia, e não a religião", destaca Dombos. As estatísticas são assustadoras: 58% dos húngaros não gostariam de ter um vizinho gay, 49% rejeitam um colega gay.

"A discriminação contra as minorias, infelizmente, pode ter muitas faces: contra etnias, grupos sexuais, deficientes, e diz muito sobre o estado psíquico e moral de uma sociedade", constata tristemente Károly Voeroes, ex-diretor do jornal liberal Népszabadság, uma das melhores "grandes penas" independentes. 

"O problema também pesa na França. Imagine aqui entre nós, onde as tradições democráticas são muito escassas. O Lord Dahrendorf nos disse uma vez que uma ditadura política pode ser desmontada em seis meses, uma economia do Estado, em seis anos, mas para mudar a mentalidade, é preciso três gerações".

"O silêncio da União Europeia – contra as discriminações e contra autocratas à la Orbán – certamente não ajuda", observa Dombos. "Ele deveriam monitorar mais os direitos humanos, incluindo os nossos". Mas outros ativistas gays não têm ilusões: "No máximo – diz o polonês Legierski –, serve o apoio de ONGs europeias. Infelizmente, aComissão e o Parlamento Europeu no Leste muitas vezes são vistos como um arrogante opressor estrangeiro".


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publicado por Riacho, em 29.01.13 às 00:11link do post | favorito

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publicado por Riacho, em 23.01.13 às 19:56link do post | favorito

 

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, escolheu em Washington o discurso de posse de seu segundo mandato para fazer sua mais explícita declaração de apoio ao casamento gay. Em uma declaração considerada combativa e liberal, ele defendeu a igualdade de direitos e mencionou uma série de protestos ocorridos na Nova York de 1969 que marcou o movimento pró-gay moderno.


“É dever agora da nossa geração continuar o que aqueles pioneiros começaram. Nossa jornada não está completa até que os nossos irmãos e irmãs gays sejam tratadas como qualquer um de nós, perante a lei. Se somos realmente criados iguais, então, certamente, o amor com que nos comprometemos uns com os outros deve ser igual também”, disse.


Obama também defendeu o direito das mulheres à igualdade de salários e dos imigrantes, que “ainda veem a América como uma terra de oportunidades”. A reforma migratória é uma promessa da primeira campanha do democrata que ele não cumpriu no primeiro mandato e, agora, deve tornar prioridade.


Outro sinal do apoio aberto de Obama à comunidade gay foi a escolha do poeta Richard Blanco para fazer uma apresentação, na cerimônia. Blanco, 44, é o mais jovem, o primeiro hispânico e o primeiro gay a ler seu trabalho em uma posse presidencial norte-americana. Propostas relacionadas ao casamento gay deverão ser analisadas pela Suprema Corte americana em março.


No discurso Obama, repetiu um chamado por união nacional, em especial com referência ao Congresso, que, se espera, imporá, neste segundo mandato, ainda mais barreiras às reformas que ele pretende realizar. “Meus caros americanos, o juramento que fiz diante de vocês já foi recitado por outro. Foi um juramento a Deus e ao País. Não a um partido ou a uma facção”, disse Obama. (das agências)

 

Por quê


ENTENDA A NOTÍCIA


Esta provavelmente foi a primeira vez em que os direitos dos homossexuais foram mencionados no discurso de posse de um presidente dos Estados Unidos.

 

Saiba mais


Mudanças climáticas


O presidente Barack Obama prometeu fazer das mudanças climáticas prioridade do segundo mandato.


Os Estados Unidos são o segundo maior emissor de gases causadores do efeito estufa no mundo, depois da China, e Obama tem feito da indústria sustentável um de seus principais objetivos.


Imigrantes

O presidente também tratou dos direitos dos imigrantes e da necessidade de acolhe-los melhor. “Nossa jornada não estará completa até que achemos um modo melhor de dar as boas-vindas aos imigrantes esforçados e esperançosos que ainda veem a América como a terra da oportunidade”.

Armas de fogo

Obama também mencionou a reforma legislativa que pretende restringir o acesso a armas de fogo no País, em reação ao massacre em escola primária de Newtown, no estado americano do Connecticut, que deixou 26 mortos, sendo 20 crianças.
Fonte: http://www.opovo.com.br/app/opovo/mundo/2013/01/22/noticiasjornalmundo,2992475/obama-surpreende-e-declara-apoio-aberto-ao-casamento-gay.shtml

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publicado por Riacho, em 22.01.13 às 21:47link do post | favorito

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publicado por Riacho, em 18.01.13 às 22:37link do post | favorito

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publicado por Riacho, em 17.01.13 às 23:03link do post | favorito

Os psicoterapeutas podem ser utilizados como magos com a esfera de cristal? E, aos ativistas gays, escapa o alcance antropológico das modificações postas em ação? Na França os tons da discussão sobre os casamentos gay são acaloradas e registram um pronunciamento dos psicanalistas que também comparece como petição já firmada por quase dois mil profissionais. “Sustentamos que não compete à psicanálise mostrar-se moralizadora ou portadora de predições. Pelo contrário, nada do nosso corpus teórico nos autoriza a prever o futuro das crianças, qualquer que seja o tipo de casal que os cria. A prática psicanalítica nos ensina há muito tempo que é impossível obter relações de causa e efeito entre um tipo de organização social ou familiar e um destino psíquico individual“.

A reportagem é de Delia Vaccarello e publicada pelo jornal L'Unità, 16-01-2013. A tradução é de Benno Dischinger.

E, na Itália? O verdadeiro debate parece encerrado nos subentendidos. De uma parte, se tem visto as intervenções de alguns profissionais que invocam velhos modelos e, de outra, as teses de ativistas gays que se cansam em analisar a complexidade das situações. “É preciso apelar a um método científico enquanto tal, perfectível e revocável, na base de pesquisas e contra-argumentações fundadas numa verificação aguda de dados de realidade e de cada passo metodológico, de cada objeto, de cada assunção do fazer ciência”, propõe Paolo Rigliano, psiquiatra e psicoterapeuta, dirigente de um centro psicossocial em Milão, autor de numerosos textos sobre a questão gay, entre os quais o último, Curare i gay? (ed. Cortina, escrito junto com Jimmy Ciliberto e Federico Ferrari).

Além de basear-nos na premissa metodológica, - essencial se pensamos nos assuntos das terapias reparadoras não demonstráveis e semelhantes aos artigos de fé, - e na afirmação precisa “melhor falar de profissionais de psicologia e psiquiatria”, Rigliano se detém sobre as recaídas de amplo alcance postas em ação pela homossexualidade, de modo particular daquela “moderna”, isto é, vivenciada como dimensão central da vida, a partir da qual se cumpram escolhas e se ponham em campo projetos. “O ponto importante é o seguinte: a homossexualidade põe em discussão um posicionamento antropológico. Por trás do levantamento de escudos contra as famílias gays está o pavor de que o posicionamento antropológico, no qual fomos educados há milênios, se exponha a uma incerteza repleta de perigos e de possíveis danos”.

Há uma análise em Curare i gay?, onde se lê: “toda a estrutura social é interrogada, toda ordem “natural” é chamada em causa pela homossexualidade”, quais sejam forma, legitimidade, escopo do desejo, o que significam a forma feminina e masculina, quais os valores, o poder, a identidade, o reconhecimento social, os direitos e deveres, que relações tenha tudo isto com a filiação.

No tom das intervenções de quem é contrário às famílias gay os temores permanecem, no entanto, embutidos, enquanto afloram os anátemas. “Eu o repito: ou cada coisa é demonstrada nas atas, fazendo afirmações precisas e aduzindo dados de realidade, ou então fazemos sermões que parecem “ipse dixit””, continua Rigliano.

Os ativistas gays, de seu lado, parecem concentrados principalmente nas conquistas a obter. “É uma tarefa dos diversos modos de incumbir-se da vulnerabilidade que está por trás dos assim chamados normais. A questão gay recoloca em discussão o masculino e o feminino, o que é o paterno e o que é o materno. Para enfrentar os debates é preciso elaborar um pensamento altíssimo, capaz de desmontar as diretrizes milenares e reconstruir outras. Não se pode evitar a dimensão antropológica aninhada no coração do problema. Aos militantes gays digo que se empenhem num estrênuo trabalho cultural. Pretender saltar as passagens da análise e da construção social, simbólica, psíquica e relacional para chegar às leis pode ser um risco que não permite um real crescimento coletivo”.

O que sugerir aos profissionais da psicoterapia? “Não se fechar nas próprias presumidas certezas, assumindo, ao invés, uma conduta atentíssima com a realidade, criativa e original, confrontando-se com os dados que a ciência produz. Uma conduta aberta, informada e extremamente crítica, tendente a entender, com reflexões, toda forma e tipo de velhos modelos que se mostraram obsoletos”. 

Veja também:

A batalha perdida da Igreja. Artigo de Danièle Hervieu-Léger

 

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/517007-quem-tem-medo-dos-gays-ate-a-psicanalise-permaneceu-com-o-pe-atras


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publicado por Riacho, em 13.01.13 às 23:32link do post | favorito

Alguém com um coração humano me explica onde está a ameaça à humanidade?

 


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