ESPAÇO DE ENCONTRO E REFLEXÃO ENTRE CRISTÃOS HOMOSSEXUAIS em blog desde 03-06-2007
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publicado por Riacho, em 30.11.09 às 21:46link do post | favorito

Olá

 

Para quem não tem paciência para os atrasos sistemáticos na criação da legislação para os casamentos entre pessoas do mesmo sexo, em Portugal, aqui fica uma sugestão:

 


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publicado por Riacho, em 29.11.09 às 12:12link do post | favorito

 

 


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publicado por Riacho, em 28.11.09 às 00:18link do post | favorito

 

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Não esperes um sorriso, para ser gentil.

Não esperes ser amado, para amar.

Não esperes ficar sozinho, para reconhecer o valor de um amigo.

Não esperes o melhor emprego, para começar a trabalhar.

Não esperes ter muito, para partilhares um pouco.

Não esperes a queda, para te lembrares do conselho.

Não esperes a dor para acreditar na oração.

Não esperes ter tempo, para servir.

Não esperes a mágoa do outro, para pedires perdão...

nem esperes a separação para te reconciliar.

Não esperes... porque não sabes quanto tempo tens!

 


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publicado por Riacho, em 27.11.09 às 19:54link do post | favorito

27/11/2009
 
Rowan Williams dá uma severa lição de catolicismo a Bento XVI
 

Nas fotos, a tensão é quase palpável. Com o busto estendido para a frente, Rowan Williams, arcebispo de Canterbury, tem os cotovelos decididamente apoiados na escrivaninha do Papa. Ao contrário, Bento XVI parece encolhido em sua cadeira, como em posição de curvatura defensiva.

A reportagem é de Jean Mercier, publicada no sítio La Vie, 24-11-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Exatamente um mês após o anúncio das disposições especiais da Igreja Católica em favor dos decepcionados com o anglicanismo, Rowan Williams encontrou-se com Bento XVI, em Roma, no dia 21 de novembro. A conversa, dizem, foi "cordial". Isto é, seguramente glacial. Jamais, com efeito, as relações entre Roma e Canterbury foram tão tensas. A Constituição Apostólica Anglicanorum Coetibus, que visa agregar ao Sólio de Pedro grandes porções do rebanho anglicano, foi só o catalizador de uma crise mais profunda.

No dia anterior, o arcebispo de Canterbury buscou retomar nas mãos a situação durante uma conferência em que abriu seu coração. Com honestidade, Rowan Williams reconheceu que a operação de sedução de Bento XVI não foi um golpe baixo ecumênico, mas se tratava de uma "resposta pastoral imaginativa" e que não criava "nada de novo de um ponto de vista eclesiológico". Uma forma de responder àqueles que acusam Bento XVI de destruir o ecumenismo, como Hans Küng.

Mas o teólogo anglicano conseguiu dar uma lição de catolicismo ao Papa. Criticou-lhe principalmente o fato de não distinguir, em matéria de ecumenismo, entre os temas de primeira ordem – sobre os quais os cristãos estão de acordo (dogmas como a encarnação de Deus, sacramentos como o batismo) – e os de segunda ordem (ordenação das mulheres), sobre os quais as Igrejas se dividem, sem razão. Em uma análise minuciosa, lê-se aqui uma crítica lançada ao Papa, que teria esquecido um dos pontos chaves do Vaticano II, isto é, a introdução da "hierarquia das verdades".

Para o primaz anglicano, não ordenar mulheres como sacerdotisas e bispas implica em "criar uma diferença entre batizados homens e mulheres, o que coloca novamente em discussão a coerência da eclesiologia". Modificar o uso sobre pontos de segunda ordem não afeta as realidades de primeira ordem. Por exemplo, segundo ele, a introdução dos ministérios femininos não mudou o modo em que os anglicanos consideram as realidade de "primeira ordem" (a salvação).

Rowan Williams lança também, em palavras veladas, uma crítica pungente sobre o modo em que a Igreja Católica considera e gere a autoridade. Posiciona-se contra aqueles que querem "reafirmar a linguagem da regra e da hierarquia estabelecida por decreto, com oposições formais entre docentes e discentes, diretores e dirigidos". Opõe a essa realidade a ação do Espírito Santo. Lembra que o Vaticano II havia superado a ideia de uma Igreja piramidal e jurídica. Enfim, parece acusar Bento XVI de ser infiel ao Concílio. Convida a uma nova visão eclesiológica em que a autoridade conferida pela ordenação e pela colaboração colegial sejam equilibradas.

Sobre o primado do bispo de Roma, Rowan Williams se pergunta se isso é tão importante para a unidade dos cristãos e coloca em discussão a sua dimensão jurisdicional. Para ele, os cristãos devem ser capazes de comungar na mesma mesa sem que esse problema seja resolvido anteriormente.

Para encerrar, Rowan Williams cita como exemplo o modo em que os anglicanos buscam a verdade por meio dos conflitos, buscando a unidade sobre temas essenciais e concordando sobre temas "secundários". Porém, o problema é que hoje a sua Comunhão está em situação de cisma, porque os anglicanos não conseguem colocar-se de acordo sobre quais são os problemas de primeira ordem e quais são os de segunda ordem.

Para os conservadores anglicanos, que se inclinam ao protestantismo evangélico ou ao catolicismo, temas como o acesso das mulheres ou dos homossexuais ao presbiterado e ao episcopado não pertencem à categoria das coisas secundárias, mas vão contra a coerência da Igreja e são do domínio do não negociável.

Para ler mais:

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=27883


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publicado por Riacho, em 27.11.09 às 01:11link do post | favorito

Um grande coro, um tema espectacular.

 

THE ROAD IS LONG, WITH MANY WINDING TURNS 
A estrada é longa com muitas curvas difíceis
 

THAT LEADS US TO 
Que nos leva a
 

WHO KNOWS WHERE, WHO KNOWS WHERE 
Quem sabe onde, quem sabe onde
 

BUT I'M STRONG, STRONG ENOUGH TO CARRY HIM 
Mas eu sou forte, forte o bastante para carregá-lo

HE AIN'T HEAVY, HE'S MY BROTHER 
Ele não é um peso para mim, ele é meu irmão

SO ON WE GO, HIS WELFARE IS MY CONCERN 
E assim continuamos, o bem-estar dele é problema meu

NO BURDEN IS HE TO BEAR 
Ele não é nenhuma carga para mim

WE'LL GET THERE 
Nós chegaremos lá

FOR I KNOW 
Pois eu sei

HE WOULD NOT ENCUMBER ME OH NO 
Ele não seria um estorvo para mim, oh não

HE AIN'T HEAVY, HE'S MY BROTHER 
Ele não é um peso para mim, ele é meu irmão

IF I'M LADEN AT ALL 
Agora, se estou realmente sobrecarregado

THEN I'M LADEN WITH SADNESS 
Então estou sobrecarregado de tristeza

THAT EVERYONE'S HEART 
De saber que o coração de todo mundo

ISN'T FILLED WITH GLADNESS 
Não está cheio de gratidão

OR LOVE FOR ONE ANOTHER 
Ou de amor, um pelo outro

IT'S A LONG, LONG ROAD 
É uma estrada muito comprida

FROM WHICH THERE IS NO RETURN 
Da qual não há retorno

WHILE WE'RE ON THE WAY TO THERE 
E enquanto estamos indo para lá

WHY NOT SHARE ? 
Por que não partilhar ?

AND THE LOAD 
E a carga dele

DOESN'T WEIGH ME DOWN AT ALL 
Não vai me pesar de jeito algum

HE AIN'T HEAVY, HE'S MY BROTHER 
Ele não é um peso para mim, ele é meu irmão


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publicado por Riacho, em 23.11.09 às 21:51link do post | favorito

Olá

 

Navegando nas ondas da net fui encontrar uma entrevista feita em 2005 pelo JN a um padre português que falou também da sua homossexualidade. Vale a pena passar-lhe a vista.

 

'Alberto', nome fictício, 30 e tal anos, é padre e tem a seu cargo uma paróquia no centro do país. E é homossexual. Descobriu-o "ainda adolescente" e, consciente da contradição com "o pensamento da Igreja", deu conta disso ao director espiritual. "Conhecia-me. Julgou que não seria óbice à ordenação". Alberto prefere ocultar o nome verdadeiro. Porque quer continuar a ser padre e considera que não poderia fazê-lo se aceitasse tornar pública a sua orientação sexual.

Como vê a "Instrução" rejeitando a ordenação de homossexuais?

Não me espanta. É conhecido o pensamento da Igreja sobre a homossexualidade e a sua prática. A exigência de padres celibatários compreende um conjunto de critérios que incluem esta atenção à orientação homossexual. Mas espanta-me a oportunidade de publicação desta exigência. Só se entende num quadro de denúncia da pedofilia. E isso sim é grave, uma vez que confunde realidades completamente distintas e não resolve o problema específico na sua raiz.

Vê então nesta publicação uma confusão com a pedofilia...

A Igreja, conscientemente ou não, está a fazer a colagem que só se entenderia como lavagem de imagem. É muito grave, não só porque cola pedofilia à homossexualidade, como esquece que a pedofilia existe no contexto da heterossexualidade. Enfim... tenho de lamentar uma possível confusão deliberada.

Pela sua experiência, acredita que os reitores dos seminários têm preparação para "discernir" os candidatos a "rejeitar?

Devemos atender sempre a uma máxima fundamental a pessoa humana. No caso, havemos de atender a cada pessoa, à sua realidade global e capacidade, a todos os níveis, para o exercício do ministério. Se na aceitação ou exclusão de um candidato pesar apenas um factor, estaremos a ser redutores. Mais ainda, afirmaremos a supremacia da lei face à pessoa. E jamais veria um director espiritual a desempenhar o papel de polícia.

A homossexualidade pesou na sua escolha pelo sacerdócio?

Não, pelo contrário, pesou como sentimento de oposição interior. A minha vocação foi sendo descoberta. Não sei mesmo qual o momento que a definiu. Foi um processo pessoal, familiar, comunitário, que me conduziu ao desejo de ser padre. Nem sempre fácil. Assumi o justo equilíbrio entre o meu desejo pessoal e o chamamento que senti sempre por parte das comunidades com quem convivi. A vocação não é só um desejo pessoal, é também confirmada pela comunidade, sejamos nós homossexuais ou heterossexuais.

Os seus paroquianos sabem de tudo isso?

Não sabem nem têm de saber. Que importa se sou homossexual ou heterossexual? Sou celibatário, ao serviço da comunidade e julgo que isso não assume papel de relevo. Não há, tão pouco, uma atitude hipócrita de esconder o que quer que seja. Sou eu, tal qual sou, responsável por mim e coerente, ao serviço desta Igreja numa Comunidade. Também me parece que Jesus Cristo não me irá perguntar pela minha sexualidade, enquanto elemento ao serviço da Igreja. Perguntar-me-à como me dediquei a "este rebanho" num verdadeiro amor pastoral.

Sem afectar a forma como encara homens e mulheres enquanto fiéis?

Não sei em que é que possa afectar! Olho as pessoas como os demais. Se algum sentimento existisse face a pessoas do mesmo sexo, caso fosse heterossexual não deixaria de sentir o mesmo face a pessoas de outro sexo. Julgo que a Igreja deve é preocupar-se cada vez mais em formar sacerdotes maduros na fé, na vocação. Ainda que a Igreja entenda a homossexualidade como imaturidade, na verdade as vivências de imaturidade encontram-se de um lado e de outro.

E como vive perante essa contradição?

A minha vivência no seio da Igreja tem sido um pouco mais problemática, em conflitualidade comigo próprio. A atitude da Igreja não pode deixar de desgastar-me um pouco interiormente, ainda que olhe com serenidade para estas tomadas de posição. Mas não sei se direi o mesmo da vivência prática. Eu próprio ponderei, em vários momentos, o abandono do exercício do ministério. Não o fiz! Por uma atitude de serviço à Igreja renuncio a um conjunto de vivências que são legítimas ( a expressão do afecto, a comunhão com outra pessoa).

Uma coisa é o Vaticano, outra a Igreja portuguesa. Como é que nesta se encara a homossexualidade?

Não me cabe a mim ser juiz de ninguém. A máxima de Jesus Cristo "não julgueis e não sereis julgados" caberá certamente aqui. Contudo, sejamos honestos, há tanta homossexualidade na Igreja como fora dela, nas mais diversas instituições e áreas de trabalho ou de vivência social. E isto é que eu acho perigoso a Igreja assume uma atitude de definição de doutrina - mais que legitima! - mas não atende à realidade concreta das pessoas que no seu seio estão ao serviço. Receio que esta forma de agir a partir de cima, de pretensos "dogmatismos", façam esquecer a pessoa e a sua situação concreta. E é esta que tem de estar na base da preocupação da Igreja, como esteve sempre na base da preocupação de Jesus Cristo.

Ivete Carneiro

Jesus cristo não me irá perguntar pela minha sexualidade. Perguntar-me-á como me dediquei a 'este rebanho' num amor pastoral."

 

Fonte: http://jn.sapo.pt/paginainicial/interior.aspx?content_id=524848


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publicado por Riacho, em 22.11.09 às 19:46link do post | favorito

A verdade é esta, mesmo que alguns o neguem: as famílias homossexuais existem.

 


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publicado por Riacho, em 19.11.09 às 23:23link do post | favorito

O artigo com a entrevista ao padre jesuíta Luís Correia Lima é da Unisinos. Vale a pena ler...

 

"A condição homossexual em si nunca é pecado", afirma Luís Corrêa Lima, padre jesuíta, teólogo e doutor em História pela Universidade de Brasília, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-Rio, onde coordena um projeto de pesquisa sobre homossexualidade e religião.

Corrêa Lima concedeu uma entrevista ao jornal Crítica de la Argentina, 15-11-2009. 

Tradução de Vanessa Alves.

 

Eis a entrevista.

Numa entrevista publicada por este jornal, um representante da Igreja chilena disse que “a homossexualidade não está no plano de Deus” e que “é consequência do pecado original”. Qual sua opinião?

Para conhecer o plano de Deus, precisamos ouvir a linguagem da criação. Conforme o Papa, a fé no criador leva ao dever de escutar essa linguagem. Na natureza, a homossexualidade já foi documentada em mais de 450 espécies animais, e, no ser humano, existe em todas as culturas conhecidas. Buscar no pecado original a origem da homossexualidade é um erro.

 

A homossexualidade é pecado?

A condição homossexual em si nunca é pecado, porque não se trata de uma escolha livre da pessoa. Com relação ao comportamento ou as escolhas, aí sim entra a liberdade.

 

E qual comportamento deve ter um cristão homossexual?

Todo ser humano é, antes de tudo, designado para amar e ser amado. O Concílio Vaticano II ensina que a consciência é o sacrário onde Deus se manifesta, e ninguém deve agir contra sua própria consciência nem ser impedido de agir de acordo com ela. As pessoas adultas, muitas vezes, devem tomar decisões em situações complexas, onde as normas da sociedade e as instituições não prevêem de maneira adequada todas as circunstâncias. O cristão adulto deve ser adulto também na sua fé, colocando-se diante de Deus e sua consciência.

 

Por que a hierarquia da Igreja condena a homossexualidade?

Igreja tem seus alicerces na milenária tradição judeu-cristã, mas está espalhada pelo mundo, vivendo na cultura moderna. No judaísmo antigo, acreditava-se que o homem e a mulher haviam sido criados um para o outro, para se unirem e procriarem, e o homoerotismo era considerado uma abominação. Israel devia se diferenciar de outras nações de várias maneiras, entre elas, proibindo. O cristianismo herdou essa visão antropológica com sua interdição. A Doutrina da Igreja corresponde a uma longa sedimentação, de muitos séculos. O consenso sobre a compreensão da Bíblia e da chamada lei natural não é imutável, mas não muda rapidamente.

 

Costuma-se dizer que a Bíblia condena a homossexualidade. É verdade?

A Bíblia expressa a fé do antigo povo de Israel e das primeiras gerações cristãs. Nessa expressão, a palavra de Deus está presente. A revelação divina se reproduz na linguagem e nas categorias humanas e tem um enraizamento sociocultural, mas não deve ser confundida com ele. Na Bíblia, há uma cosmologia que diz que o mundo foi criado em seis dias e a Terra surgiu antes do Sol e das estrelas. Há uma antropologia que diz que o homem vem do barro e a mulher da costela do homem. E nessa antropologia também se proibia a união entre dois homens e duas mulheres. Não se deve seguir tudo ao pé da letra, como se hoje fosse necessário entender assim. Na Bíblia, não há respostas para todas as nossas perguntas.

 

O Levítico diz: “Com homem não te deitarás como se fosse mulher, é abominação”, mas também diz que é “abominação” comer animais do mar ou do rio sem barbatanas ou escamas. Por que a Igreja condena a homossexualidade, mas não a ingestão de mariscos?

Essa parte do Levítico trata do código de santidade, que regulamenta o culto de Israel e estabelece as diferenças que deve haver entre esse povo e os demais. Quando o cristianismo se expandiu entre os povos não judeus, esse código deixou de ser normativo. No entanto, como a proibição do homoerotismo permaneceu, esses versículos continuam sendo citados. Sem dúvida, é uma leitura retrospectiva e seletiva.

 

Como você interpreta a expressão “contra natura” presente na Epístola de São Paulo e assinalada como referência à homossexualidade?

A carta de São Paulo aos Romanos contém uma refutação do politeísmo. Os pagãos não adoravam a um deus único e, como permitiam o homoerotismo, que era abominável para os judeus, isso era visto como castigo divino pela prática religiosa equivocada. No contexto judeu-cristão da antiguidade, este argumento era compreensível, mas não deve ser usado hoje para indivíduos constitutivamente gays, para quem a orientação sexual não tem nada que ver com a crença em um ou vários deuses.

 

Alguns defendem que a relação entre David e Jônatas, assim como a de Rute e Noemi, era homossexual. Diz a Bíblia que David e Jônatas “beijaram-se um ao outro” e em uma passagem David diz a Jônatas: “Teu amor foi para mim mais maravilhoso que o amor das mulheres”. Qual sua opinião?

Nós lemos isso hoje e podemos pensar em homossexualidade. Mas para os primeiros leitores judeus da antiguidade, observadores da lei de Moisés, isso era inadmissível. De qualquer maneira, um texto pode transpassar sua época e contexto e ser lido em outro horizonte de interpretação, gerando novos sentidos em novos leitores.

 

É possível ser homossexual e católico ao mesmo tempo?

Sim. A Igreja nasceu rompendo as fronteiras do judaísmo no primeiro século, incorporando multidões de povos que não eram circuncidados. Hoje, pode também se conceber uma identidade simultaneamente gay e cristã, estimulando as comunidades locais a acolher as diversidades.

 

Na página da agência católica ACI, as notas mais destacadas são declarações contra o matrimônio gay. Por que tanta obsessão contra os homossexuais?

Certa vez, o papa Benedito XVI disse que o cristianismo “não é um conjunto de proibições, e sim uma opção positiva”. Essa consciência hoje desapareceu quase completamente. Há no cristianismo uma tradição de séculos de proibição, medo e culpa. Convém retornar as nossas origens. A palavra evangelho quer dizer “boa notícia” e, para os cristãos, é o amor de Deus e sua salvação, revelados em Jesus Cristo. Hoje é necessário focar a dimensão positiva e alegre da mensagem cristã.

 

Conforme Boswell, a Igreja nem sempre condenou a homossexualidade e chegou a celebrar matrimônios homossexuais no passado. É verdade?

A história da Igreja é vasta; abrange um terço da humanidade por vinte séculos. Boswell é bastante documentado e é provável que o que diz tenha acontecido, mas essas práticas não viraram hegemônicas. No entanto, podem ajudar a pensar essa questão no presente e no futuro.

 

Acredita que chegará o dia em que a Igreja católica aceitará casar homossexuais, como fazem algumas igrejas protestantes?

O futuro é imprevisível, mas a Igreja católica sempre está inserida num contexto mais amplo, que é a sociedade. Quando a sociedade muda, a Igreja acaba mudando. A modernidade vem desencadeando grandes mudanças na Igreja nos últimos séculos, e esse processo continua.

 

Suponhamos, num exercício de ficção, que essa mudança se produzisse. Como padre, gostaria de casar um casal gay?

Se a Igreja algum dia aceitar, não negarei.

 

Você coordena um grupo de pesquisa sobre homossexualidade e religião na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Como surgiu e que trabalho realiza?

Meu interesse pelo tema nasceu do meu trabalho como sacerdote, encontrando pessoas nascidas e criadas na Igreja que se descobriam gays e viviam conflitos. O foco do projeto é a complexa relação entre religião e homossexualidade e suas repercussões no espaço público e no exercício da cidadania. Temos grupos de estudos, trabalhos e teses concluídas ou em curso, publicações e atividades dentro da agenda universitária.

 

Alguma vez se sentiu pressionado pela hierarquia da Igreja para não se expressar sobre esses assuntos?

A Companhia de Jesus realiza um trabalho apostólico de fronteira, nas encruzilhadas ideológicas onde há conflito entre as aspirações humanas legítimas e a mensagem evangélica. Isso inclui fazer pontes com os que estão fora da igreja e têm dificuldades com suas posições. Como jesuíta, sinto-me muito comprometido com este trabalho. Mas, como membro da Igreja, eu não posso ignorar minha pertença e certas tradições. É um equilíbrio delicado e trato de ser cuidadoso para evitar problemas maiores.

Para ler mais:
 

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=27645


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publicado por Riacho, em 18.11.09 às 23:23link do post | favorito

Great musical!

 


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publicado por Riacho, em 16.11.09 às 21:30link do post | favorito

Olá

 

Hoje assinala-se o Dia Internacional para a Tolerância. Este dia foi instituído pelas Nações Unidas em 1995 em reconhecimento à Declaração de Paris, na qual os Estados reafirmaram o seu compromisso no respeito pelos Direitos Humanos fundamentais e pela dignidade e valor da pessoa humana.

Infelizmente a convivência pacífica com a diferença ainda está longe de ser uma realidade. Em muitas partes do mundo existem centenas de conflitos raciais, religiosos e políticos, que alimentam a intolerância. Mas nem precisamos de uma análise tão global... quantas vezes, mesmo ao nosso lado, não presenciamos ou somos protagonistas de atitudes intolerantes?

O video que hoje apresentamos é ilustrativo deste tipo de atitudes. Vê e divulga! Tens trinta segundos para tentar perceber se já alguma vez presenciaste este filme. E depois, cabe-te a ti ajudar a inverter situações como esta. 

 

Fonte: Amnistia Internacional
 

 


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