ESPAÇO DE ENCONTRO E REFLEXÃO ENTRE CRISTÃOS HOMOSSEXUAIS em blog desde 03-06-2007
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publicado por Riacho, em 31.05.09 às 11:16link do post | favorito

 DOMINGO DE PENTECOSTES Ano B

 

“Recebei o Espírito Santo.”

 

Jo 20, 22

 

Vamos dançar?

 

No pairar sobre as águas e nas chamas de fogo,

no sopro primeiro e no forte vento,

no balbuciar da primeira palavra e na abundância das línguas,

Tu vens, ó Espírito, dançar a festa da vida

e entretecer esta história de homens e mulheres,

eternamente aprendizes da Tua surpresa.

 

Andamos esquecidos de dançar,

e de ouvir a melodia que sopras cada manhã.

Ainda que corramos de um ao outro lado dos dias,

os pés andam pesados e as asas prenderam-se

nas amarras de tantas coisas tornadas essenciais.

Frágeis e receosos diante da grandeza que nos confias,

presos aos barro que emperra os passos

e desejosos de uma mão que molde os sonhos,

custa-nos a Tua discrição que parece ausência,

como um jogo de escondidas

onde ganha quem se perde,

e perde quem não se deixa encontrar por Ti.

 

Convidas para a dança da vida

com a alegria e o encanto do apaixonado no salão de baile.

Passo a passo nos ensinas

a encontrar asas na estátua de pedra

em que os corpos se tornaram,

e abres as pétalas da flor que não ousava abrir-se.

Rodopias connosco e em nós

e dás aos nossos sonhos a consistência dos milagres

às nossas palavras o dom do entendimento,

aos nossos gestos o fermento da paz e do perdão.

Contigo gravamos nos corações

o constante palpitar de amor que Deus tem por nós

e como fica rubra a sua face quando nos convida:

“Queres dançar Comigo?”

 

Pe. Vítor Gonçalves 


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publicado por Riacho, em 29.05.09 às 22:03link do post | favorito

 

29/5/2009
 
Viver às margens. Homossexualidade: por uma antropologia inclusiva
 

"Com o tema da identidade, dois destaques do pensamento moderno, a saber, a subjetividade e a historicidade ingressaram na questão antropológica. As homossexualidades, no modo como são experimentadas e pensadas hoje, se colocam no coração desta virada, enquanto percursos existenciais pessoais de descoberta da própria identidade, da qual constituem parte integrante e imprescindível", escreve Christian Albini, é graduado em Ciências Políticas pela Università degli studi di Milano. Participa ativamente da paróquia de San Giacomo em Crema e faz parte do Conselho Pastoral da Diocese de Crema. É casado, pai de dois filhos. È professor de Ciências Religiosas na escola superior. Fez parte da redação da revista jesuíta Aggiornamenti Sociali de Milão. Entre outros livros  de Christian Albini, citamos, Quale cristianesimo in una società globalizzata? Milão: Edizione Paoline.

O artigo foi publicado na revista Mosaico di Pace, de maio de 2009. A tradução é deBenno Dischinger.

Eis o artigo.

A posição do magistério católico sobre a homossexualidade deriva de uma antropologia teológica apresentada pela Carta Homossexualitatis problema da Congregação para a Doutrina da Fé (1º de outubro de 1986). Já que Deus cria o homem à sua imagem e semelhança, como homem e mulher, as criaturas são chamadas a respeitar, na complementaridade dos sexos, a unidade interior do Criador. Marido e mulher cooperam com ele na transmissão da vida mediante a doação conjugal recíproca (n. 6).

Com base na Palavra de Deus, a teologia cristã atribui ao matrimônio entre homem e mulher e à geração dos filhos um significado altíssimo: mediante o dom do Espírito, o  ágape divino penetra na história do Eros humano suscitando o mesmo dinamismo amoroso pelo qual vive a Trindade. O Espírito plasma a relação conjugal tornando possível o dom do eu, o acolhimento do tu e a comunhão do nós. A aproximação magisterial à teologia bíblica ressente-se, todavia, de uma corrente do pensamento grego baseada na finalidade das funções biológicas que as “fixa” num sistema sociocultural, deduzindo uma norma comum e perene. É uma espécie de “bioteologia” que investe, direta e pesadamente, de significado religioso a realidade biológica do sexo aberto à procriação. Nesta perspectiva, existe uma ordem universal e imutável da criação racionalmente reconhecível, inscrita por Deus na natureza, a qual determina a concepção da pessoa humana. Trata-se de uma concepção estática por natureza.

Que acolhimento?

O horizonte interpretativo bioteológico produz uma antropologia exclusiva ante a homossexualidade. O valor do matrimônio é afirmado criando uma espécie de dicotomia heterossexual/homossexual que pode ser reconduzida aos pares positivo/negativo, bem/mal. Não há uma boa relação afetivo-sexual abençoada por Deus fora do casal heterossexual desposado. As homossexualidades são, por isso, patológicas, são desvios com pesadas conseqüências em termos de desvalorização da pessoa e de violência psicológica. A pessoa homossexual deveria aceitar-se a si mesma como carente de algo.

Pode-se pensar numa antropologia cristã inclusiva que, sem tirar nada ao bem do matrimônio, a qual também reconheça um bem nas relações homossexuais?

A resposta depende do confronto com a antropologia moderna, baseada na busca e definição da própria identidade, ou seja, no processo subjetivo de reconhecimento e realização de si. Com o tema da identidade, dois destaques do pensamento moderno, a saber, a subjetividade e a historicidade ingressaram na questão antropológica.

As homossexualidades, no modo como são experimentadas e pensadas hoje, se colocam no coração desta virada, enquanto percursos existenciais pessoais de descoberta da própria identidade, da qual constituem parte integrante e imprescindível.

Pode-se chegar a uma antropologia inclusiva através de um conceito de natureza humana menos estático, não redutível a uma essência bioteológica, mas da qual também faça parte a descoberta da própria identidade. Uma reflexão do gênero pode permitir, com as palavras de Bonhoeffer na Ética, “recuperar o conceito de natural à luz do Evangelho”.

No debate teológico uma revisão do conceito de natureza é requerida por mais vozes nos termos de uma mediação cultural: o modelo “naturalista”, que deduz a ética de uma ordem intrínseca ao organismo humano, é reconhecido como insuficiente ante a hodierna condição humana. É necessário superar o esquema ingênuo que opõe natureza e cultura. A cultura é a via obrigatória de acesso à natureza. A pura razão não basta para se chegar a um sistema de todo objetivo, absoluto, universal e imutável.

É necessária uma reflexão antropológica que integre a dimensão subjetiva como constitutiva e não como acessória e, de outro lado, tome em justa consideração o papel da experiência e do tecido relacional no qual a mesma se realiza. A subjetividade é um horizonte do saber além do qual não se pode ir. Não se pode dizer “o que são” o homem e a realidade, a não ser passando através da mediação originária da prática. Somente partindo de uma exploração fenomenológica, isto é, de uma acurada descrição dos múltiplos modos pelos quais se apresentam a vida, as inclinações sensíveis e sua relação com a vontade, se pode colocar a questão fundamental de “o que é”, aquela que os filósofos chamam de ontologia.

Nesta ótica, Jesus não é aquele que prescreveu um uso do corpo segundo critérios de funcionalismo biológico, mas aquele que no dom do Espírito vivifica as nossas relações inserindo-as na comunhão trinitária: o homem e a mulher conformados a Cristo (nexo entre antropologia e cristologia). “O homem “à imagem” de Deus – escreve Franco Giulio Brambilla – não indica tanto uma “natureza” criada (alma, espiritualidade), ou alguma “característica” presente no homem (as faculdades da alma), como o disse com frequência a tradição, mas, acima de tudo a identidade sintética do homem enquanto ela  se recebe dentro das relações que a constituem e se autodetermina através de seu livre agir. O homem como liberdade criada é relação, no duplo sentido que ele é constituído na relação ao outro e se autodetermina querendo aquele sentido que lhe vem ao encontro como digno de ser escolhido e pelo qual esforçar-se” O Espírito habita no coração da liberdade como relação, para que se torne história da comunhão.

Para Brambilla, a reflexão teológica sobre a identidade é parte de uma antropologia fundamental referida a uma fenomenologia da experiência humana, entendida como um saber da consciência através das formas práticas do agir (em sua validade ética e religiosa). A liberdade se dá num drama, ou seja, numa ação na qual também vai sempre algo da própria identidade. Esta distensão “dramática” da liberdade pertence à sua constituição originária, porque ela só pode chegar à própria realização na distensão do tempo. Brambilla se fundamenta na pesquisa de Paul Ricoeur, para quem a identidade do eu é instituída na circularidade entre a ação e a consciência (volitiva e cognoscitiva) do sujeito. O nexo entre estes dois pólos reside na noção de identidade narrativa: a narração constitui o momento de síntese das experiências vividas e das atribuições de sentido com as quais as interpretamos. Descubro minha identidade na narração de mim mesmo e de minha história.

O ponto emergente é mostrar que as homossexualidades entram nesta história da liberdade habitada pelo Espírito como possíveis variantes e não como desvios, porém como modos de exprimir a comunhão trinitária. Trata-se de narrar o vivido  homossexual não enquanto uso “de-gênere” do corpo, como um ato separável da pessoa, como elemento estranho e acidental, mas enquanto entrelaçamento de corporeidade, de significados simbólicos, de dinamismos afetivos e espirituais. “Em toda reflexão teológica sobre a identidade humana é necessário manter conectados o biológico, o simbólico e o social como interpretativos do historicamente colocado. Mas, esta primeira tese não pode ser desligada da segunda tese, inevitável para uma reflexão que queira ser teológica: a relação com Deus confirma nossa identidade e vice-versa” (Stella Morra). As homossexualidades podem ser vistas, assim, como manifestações da interioridade autêntica que, numa experiência cristã, se dispõe a ser habitada pelo Espírito. 

Para ler mais:

in: http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=22678


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publicado por Riacho, em 28.05.09 às 23:24link do post | favorito

 

28/5/2009
 
''O amor, um direito 'divino'. Também para os gays'', afirma arcebispo norte-americano
 

 


Dom Rembert Weakland
"Se dizemos que Deus é amor", como se explica que "as religiões do mundo, como o catolicismo, podem dizer a milhões de gays que devem viver por toda a vida sem nenhuma expressão do amor físico, genital, desse amor?". A interrogação provém de uma das figuras mais significativas do catolicismo norte-americano, Dom Rembert Weakland, 82 anos, abade primaz da confederação beneditina de 1967 a 1977 e arcebispo de Milwaukee de 1977 al 2002, líder da ala mais progressista da Igreja católica dosEUA.

A reportagem é de Ludovica Eugenio, publicada pela agência Adista, nº 58, 30-05-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Provavelmente, foi o primeiro bispo a se pronunciar sobre a própria homossexualidade. Na primavera de 2002, foi obrigado a apresentar sua própria renúncia quando, durante o programa Good Morning America do canal ABC, um homem, com o qual tivera uma ligação 23 anos antes, havia afirmado que a arquidiocese de Milwaukee havia comprado o seu silêncio com relação àquela relação, que agora definia como "abuso sexual", por 450 mil dólares. 

Daquele momento em diante, o arcebispo emérito – que foi sucedido, na liderança da arquidiocese, por
 Dom Timothy M. Dolan, promovido há poucos meses a arcebispo deNova Iorque – interveio muito pouco em nível público, mas agora sai a público realmente com um livro de memórias: "A Pilgrim in a Pilgrim Church: Memoirs of a Catholic Archbishop" [Um peregrino em uma Igreja peregrina: Memórias de um arcebispo católico, em tradução livre], cuja publicação está prevista para junho, como afirmou em uma entrevista ao jornal New York Times (15-05). Uma entrevista muito cristalina, publicada não para se desculpar das suas ações, mas para oferecer um relato honesto sobre os motivos pelos quais tudo aconteceu e para levantar interrogações com relação à doutrina da Igreja sobre a homossexualidade, segundo a qual esta é "objetivamente desordenada". "Palavras feias – afirma – porque são pejorativas".

Uma entrevista em que também explica como o Vaticano se interessou mais vivamente pelos direitos do clero responsável de abusos com relação aos das vítimas.

O "estilo romano"

Weakland era consciente da sua orientação sexual desde a adolescência, afirmou, e a reprimiu até se tornar arcebispo, quando teve relações com alguns homens "por causa da solidão que se tornou muito forte". Esteve entre aqueles que colocaram em séria discussão o sacerdócio masculino celibatário e estava na liderança dos bispos no processo, de dois anos, de elaboração de uma carta pastoral sobre a justiça econômica. Foi por causa de suas relações tensas com João Paulo II, explicou, que não comunicou às autoridades vaticanas, em 1997, que havia sofrido ameaças de Paul J. Marcoux, o homem com o qual havia tido relações muitos anos antes.

Deveria ter explicado como estavam as coisas em Roma, mas um amigo do alto escalão da Cúria lhe disse que as autoridades vaticanas preferiam silenciar esse tipo de coisas, segundo o "estilo romano". "Vou ser sincero, naquele momento não queria ser etiquetado, em Roma, como gay", explica agora Weakland. "Roma é uma cidade pequena".

Na manhã em que foi ao ar o programa com Paul MarcouxWeakland telefonou para o núncio apostólico em Washington, o arcebispo Gabriel Montalvo, que lhe disse laconicamente: "Obviamente, tu negarás tudo". Clara foi a réplica de Weakland: podia negar, certamente – respondeu –, que se tratava de um abuso, mas "não que algo havia ocorrido entre nós".

Um dos aspectos que mais atormentam o arcebispo é que o seu "escândalo" que envolvia um homem adulto – Marcoux tinha cerca de 30 anos na época dos fatos – tenha explodido no momento culminante do escândalo mais amplo dos padres pedófilos. Ele sempre negou ter abusado alguém, mas pediu desculpas por ter escondido o pagamento efetuado a Marcoux.

Com relação a isso, o arcebispo emérito agora aponta o dedo contra os psicólogos, que tranquilizaram os bispos sobre o fato de que os membros do clero responsáveis por abusos podem ser tratados e restituídos ao seu trabalho, e contra os tribunais vaticanos, que passam anos debatendo sobre a eventual remoção do réu do ministério sacerdotal. Às vezes, afirma na entrevista, o padre morre antes que uma decisão seja tomada: "Preocupavam-se mais com os padres do que com as vítimas".

Um cobertor sempre curto

A história da qual Weakland foi protagonista, porém, não o introduz, infelizmente, no império dos bispos cuja conduta com relação ao escândalo dos padres pedófilos foi impecável. O Snap, a associação das vítimas dos padres pedófilos, o acusou de ter permitido que alguns padres da sua diocese responsáveis pelos abusos continuassem o seu ministério sem informar os paroquianos sobre o seu passado. "Todos nós considerávamos o abuso sexual de menores um mal moral, mas não tínhamos consciência da sua natureza criminal", afirma Weakland no seu livro.

"É incrível. Ou ele mente ou engana a si mesmo de tal modo que inventa histórias falsas" é o duríssimo comentário de Peter Isely, diretor da região do meio oeste do Snap. "Sempre se tratou de crimes". O Snap publicou depois uma carta aberta em que pede que Weakland se encontre com as vítimas. O arcebispo respondeu positivamente ao pedido. "São 15 anos que buscamos obter isso dele", comentou Isely.

O dedo na ferida

Weakland afirmou ter levado em séria consideração a potencial dor que o livro, com a sua renovada atenção ao escândalo, pode levar consigo para a arquidiocese deMilwaukee, e meditou sobre a oportunidade de esperar "até a morte" para publicá-lo. Mas depois decidiu o contrário: "Sentia que as pessoas que ali me amaram como bispo deveriam continuar me amando depois de ler o livro. Aqueles que achavam isso difícil, espero que sejam um pouco ajudados pelo livro".

E fica evidente que as emoções ainda se escondem sob as cinzas a partir de um comunicado emitido pela própria arquidiocese, que, depois de ter informado que o arcebispo emérito "preferiu" escreveu as suas memórias, adverte que "o livro certamente suscitará uma grande variedade de emoções nos católicos de todo o Wisconsin do sul. Alguns ficarão irritados, outros o defenderão". E conclui assegurando a "oração pelas necessidades e pelas intenções de todos aqueles que viveram esse momento difícil".

 

Para ler mais:

in: http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=22652


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publicado por Riacho, em 26.05.09 às 20:14link do post | favorito

 

26/5/2009
 
Outro Deus é possível: documentário questiona a homofobia na Igreja
 

"A Bíblia não deve ser lida de forma literal, mas sim levando-se em consideração o contexto histórico em que foi escrita. Passagens bíblicas isoladas e fora de contexto foram usadas para justificar o racismo e a submissão das mulheres, assim como hoje são usadas para atacar os homossexuais. Mas todos somos iguais perante Deus, e é possível ser gay e ser religioso."

 

 


Gene Robinson, primeiro bispo gay da Igreja Anglicana

As palavras citadas foram pronunciadas no salão da Pastoral Anchieta, localizado no subsolo da igreja Sagrado Coração, no campus da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Ali, a teóloga Maria
Cristina Furtado foi a primeira oradora do debate sobre"Homofobia e religião", organizado pelo Departamento de Serviço Social da casa de estudos administrada pela Companhia de Jesus.

 

A reportagem é de Bruno Bimbi, publicado no jornal Crítica de la Argentina, 10-05-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Depois de sua intervenção, o padre Luís Corrêa Lima, teólogo e professor da PUC-Rioe doutor em História pela UNB, justificou a abertura dessa instituição católica ao debate sobre a discriminação contra gays e lésbicas. "A universidade é formadora de opinião na sociedade, e por isso é importante que ela abra as suas portas a esses debates, mesmo que as mudanças na Igreja sejam lentas".

O evento começou com a projeção do documentário "For the Bible tells me so"(Porque a Bíblia me diz assim, em tradução livre), que apresenta as histórias de vida de cinco famílias norte-americanas católicas e protestantes, profundamente religiosas, que tiveram que enfrentar seus próprios preconceitos diante da revelação da homossexualidade de alguns de seus membros e que questiona abertamente a leitura homofóbica dos textos bíblicos. O documentário inclui as opiniões de um rabino ortodoxo, de padres, pastores e de um professor de Harvard que defendem que "o verdadeiro pecado não é a homossexualidade, mas a homofobia".

O bispo gay

Um dos protagonistas do documentário é o bispo da diocese de New Hampshire, daIgreja Episcopal, Gene Robinson. A Igreja Episcopal faz parte da comunidade anglicana, com 75 milhões de fiéis em todo o mundo. A consagração de Robinson em 2004, depois de onze horas de debate entre os bispos, produziu uma crise que quase terminou com a divisão da Igreja, dado que os setores mais conservadores não aceitavam ter nas fileiras de sua Igreja um bispo abertamente gay, que, no momento de sua consagração, vivia há 15 anos com outro homem.

Indignados, 19 bispos conservadores ameaçaram publicamente com um cisma, e a cerimônia de elevação de Robinson esteve marcada por ruidosos protestos, de um lado, e por manifestações de apoio que reuniram cerca de quatro mil pessoas, de outro, algo incomum em uma cerimônia religiosa. Robinson agradeceu as demonstrações de solidariedade e afirmou: "Suspeito que outras consagrações virão, e os gays e lésbicas serão recebidos abertamente em posições de liderança dentro da Igreja".

O arcebispo de CanterburyRowan Williams, guia espiritual dos anglicanos no mundo, apoiou a consagração do primeiro bispo gay e disse à BBC que "Deus nos ensinará em nossas divisões, e um dia o agradecimento e o arrependimento nos levarão a compartilhar o que aprendemos".

O documentário conta a história de vida do agora bispo, nascido no seio de uma família religiosa e conservadora, com muitos preconceitos sobre a homossexualidade. Robinson esteve casado com uma mulher, da qual finalmente se separou ao chegar à conclusão de que não podia mudar a si mesmo. Uma noite, finalmente, viajou à cidade de seus pais para lhes dizer a verdade. "A viagem de regresso ao Kentucky foi, talvez, a mais longa que eu já fiz. Tinha vergonha por ter me divorciado, e não havia uma maneira fácil para lhes dizer que eu era gay. Não me lembro se foi algo que meu pai me disse ou o que eu vi em seu rosto, mas não acreditei que fossem me deixar passar a noite em sua casa". Seus pais, que nessa noite pediram-lhe que não contasse a ninguém que era gay, o acompanharam, orgulhosos, anos depois, em sua cerimônia de consagração, que reuniu a imprensa de todo o mundo.

"Uma abominação"

Sem dúvida, umas das histórias mais fortes do documentário é a de uma mãe que rejeitou sua filha depois de ela lhe ter dito que era lésbica, afastando-se dela até que, nove meses depois de seu último contato por carta, a jovem decidiu tirar sua própria vida.Anna se pendurou dentro de seu armário com a corrente de seu cachorro. A mulher começou então a se questionar sobre tudo em que havia acreditado até então. "Minha filha está morta por causa das mentiras que a Igreja me ensinou. Ela teve que morrer para que eu pesquisasse sobre a homossexualidade. Haviam me ensinado que era uma abominação", afirmou a mãe de Anna, anos depois, em um ato público.

"Não te deitarás com um homem, como se fosse mulher: isso é uma abominação" (Levítico 18, 22) e "Se um homem dormir com outro homem, como se fosse mulher, ambos cometerão uma coisa abominável. Serão punidos de morte e levarão a sua culpa" (Levítico 20, 13) são as passagens bíblicas mais citadas para justificar a homofobia, mesmo que sejam poucos os cristãos que ainda peçam a pena de morte para gays e lésbicas.

No entanto, ninguém parece lembrar que o Levítico também diz que é "abominação" comer animais de mar ou de rio que não tenham barbatanas ou escamas, assim como certas aves e insetos que são enumerados em uma lista, ou qualquer tipo de réptil. Comer coelho não é abominação, mas é "imundo", assim como comer porco. Também a mulher é imunda quando dá a luz e, por 33 dias se teve um filho varão, ou por duas semanas se teve uma menina, não poderá entrar no templo. Depois, para se purificar, deverá sacrificar um cordeiro. Será imundo todo homem quando tiver fluxo de sêmen, e a cama em que se deitar também será imunda. Entre outras condutas proibidas está a de "vestir roupas com mistura de fios" e "danificar a ponta das barbas". Assim como o sexo anal entre homens, o adultério também tem a morte como pena.

Essas leituras seletivas da Bíblia, feitas para condenar os homossexuais, são indicadas no documentário. Com muito mais detalhe, estão incluídas no livro no livro "Cristianismo, tolerância social e homossexualidade", de John Boswell, ex-professor de história medieval na Universidade de Yale. É provável que as descobertas de Boswell tenham inspirado os autores do filme. Além de questionar as interpretações homofóbicas das escrituras, esse historiador demonstrou que as traduções atuais da Bíblia estão cheias de mudanças intencionais, destinadas a justificar o ódio antigay (suas análises da expressão "contra natura" e do mito de Sodoma e Gomorra são reveladoras) e apresentou provas de que a condenação cristã à homossexualidade nem sempre existiu e que houve, séculos atrás, religiosos abertamente homossexuais e bodas entre homens celebradas pelo rito cristão.

"Falamos sobre essas coisas, e o teto não caiu"

O padre Luís Corrêa Lima, promotor da projeção do documentário, coordena uma linha de pesquisa intitulada “Diversidade sexual, cidadania e catolicismo", na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, onde atua como professor. O projeto se propõe a "analisar a complexa relação entre o catolicismo e a homossexualidade, e suas repercussões no espaço público e no exercício da cidadania". E já há estudantes realizando pesquisas de mestrado e doutorado sobre esses temas.

Consultado pelo jornal Crítica de la Argentina, o padre Luís explicou que, "durante meu trabalho como padre, encontrei pessoas que atravessaram conflitos com a sua família e com a sua fé por causa de sua homossexualidade, e eu pensei que devia fazer algo. Há alguns anos, houve um debate sobre homossexualidade e fé cristã na Pastoral, e o teto não caiu. Sei que existem pessoas que não gostam disso, mas isto é uma universidade – católica, mas não deixa de ser uma universidade. A abertura para a realidade é fundamental, e eu só peço permissão quando é estritamente necessário".

Para ler mais:

in: http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=22592


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publicado por Riacho, em 24.05.09 às 10:50link do post | favorito

 Os conflitos de um pai homossexual...

 

 


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publicado por Riacho, em 21.05.09 às 15:28link do post | favorito

 Olá

 

Já foi editado o novo album da Sara Tavares - XINTI


“XINTIMENTO DI MEU, QUE É TEU TAMBÉM,
ESSA LUZ DE MÚSICA QUE ME ATRAVESSA,
ILUMINA UMA SILHUETA FEITA DE FUSÕES, TROCAS E CONTÁGIOS
MUITO BUNITA.
É O SENTIR FRIU, E DEPOIS O SENTIR ACONCHEGADO QUANDO UM RAIO DE SOL POISA EM NÓS FUGAZMENTE…E MAIS IMPORTANTE: TOTALMENTE…
MINHA MÃE DO CÉU! EU SINTO-ME VIVA. ACESA. VIVIFICADA. INFLAMADA. ENLAÇADA, NESSA DANÇA QUE É MEU CAMINHO DE SPIRIT WHISPERER…
JÁ “NÃO PRESSINTO SÓ” .
SINTO.
UMA MAGNIFICA BRISA DOCE NA CARA.
MAGNIFICAI
BOA COMPANHIA. SORRISO NO CORAÇÃO. FÉ. SEM PÉ!
LARGA’ ALMA NO BALANÇO.
X-I-N-T-I.”
Sara Tavares


É um convite. 

Um convite a sentarmo-nos, a descontrairmo-nos, a deixarmo-nos embalar. 

Um convite a sentirmos — a sentirmos um talento que cresce e se desenvolve em novas e surpreendentes direcções com cada novo trabalho. A sentirmos uma música que vem da alma e nos revela novas e deslumbrantes facetas da sua autora. 

É, acima de tudo, um desafio: “XINTI!” “SENTE!” 

Porque é isso que o quarto álbum de Sara Tavares nos pede: que sintamos. 

Para isso, a cantora e compositora convida-nos como se fosse para sua casa, num fim de tarde quente refrescado pela brisa acústica destas toadas suaves que vêm de um coração suficientemente grande para abranger todo o mundo, acompanhada por músicos de eleição como Mário Delgado, N\'du, Gogui Embaló, João Paulo Esteves da Silva, Boy Ge Mendes, Rão Kyao, Miroca Paris ou José Salgueiro. (www.saratavares.com). in: http://www.agenciareuniao.pt/artistas.php?artistaID=16

 

Aqui fica um ponto de luz para lhe tomar o gostinho.

 

Abraço

 

Carlos

 

 


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publicado por Riacho, em 21.05.09 às 14:59link do post | favorito

 

21/5/2009
 
 
O sexo dos clérigos
 

Qual é o sentido de reprimir as expressões da sexualidade, não apenas entre os clérigos, mas também na vida diária? O que ganha a fé católica com isso?, pergunta Tomás Eloy Martinez, escritor e jornalista, em artigo publicado no jornal El País,  20-05-2009. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

Quase se perdem na memória os tempos em que a Igreja Católica enfrentou desafios tão duros quanto os dos últimos anos. O que acontece não tem a gravidade do cisma litúrgico do bispo Marcel Lefebvre, tampouco o fervor revisionista na interpretação dos Evangelhos que desembocaram na Teologia da Libertação, e sim as violações de uma obrigação que não é matéria de dogma, mas de continua perturbação: o sexo dos clérigos.

Primeiro foram os delitos de pedofilia que, em dezembro de 2002, provocaram a renúncia do cardeal de Boston, Bernard Law, de quem se suspeitou de ocultação; 450 demandas milionárias por décadas de abusos contra menores deixaram a arquidiocese à beira da falência. 

Agora, mais uma vez, como costuma acontecer, o escândalo surge quando vem à tona algo que se tentava ocultar: a descendência do ex-bispo paraguaio Fernando Lugo,agora presidente do Paraguai. O bispo de Ciudad del Este, no Alto Paraná, Paraguai,Rogelio Livieres, disse que os seus colegas sabiam sobre Lugo faz tempo. “Não sei por que se mascaram os temas da Igreja e não se ventilam. Em nossa época (...) tudo se descobre no final”, afirmou Livieres

E encontrou uma instantânea refutação oficial: "O Conselho Episcopal Permanente lamenta e rejeita as expressões do monsenhor Livieres, que dá a entender que houve encobrimento e cumplicidade dos bispos do Paraguai sobre a conduta moral do então membro do colegiado episcopal, monsenhor Fernando Lugo".

As palavras de Livieres lembram às que o argentino monsenhor Jerónimo Podestá, impulsor do Movimento Latino-americano de Sacerdotes Casados, escreveu, em 1990, ao então presidente do Episcopado Argentino, cardeal Raúl Primatesta: "Vejo com pena que, em geral, vocês tenham uma visão bastante alienada e tímida: não sabem o que pensam e sentem as pessoas no mundo de hoje. A Igreja é o Povo de Deus e vocês sabem disso, mas no fundo continuam pensando que vocês são a Igreja".

Quando era bispo de Avellaneda na província de Buenos Aires, Argentina, no final dos anos de 1960, Podestá converteu-se em um pesadelo para a ditadura do general Juan Carlos Onganía. Reunia multidões de até 1 milhão de pessoas para cerimônias religiosas que se transformavam em espontâneas manifestações políticas. Para o regime foi um alívio quando o bispo anunciou, em 1967, a decisão de se casar. 

Podestá bateu várias vezes na porta do Vaticano sem conseguir que Paulo VI lhe retirasse a suspensão a divinis. Insistia em recordar que, se Jesus optou pelo celibato, não o impôs aos seus apóstolos, entre eles havia casados e solteiros. O ex-bispo de Avellaneda dizia que o celibato é um dom, não um mandato divino, e que nada impede de sentir a vocação sacerdotal ao estar privado dessa graça. 

A maioria dos católicos ignora que os sacerdotes e os bispos não tinham proibido o casamento durante os primeiros 10 séculos de vida cristã. Além de São Pedro, outros seis papas eram casados e – o mais chamativo ainda – 11 papas foram filhos de outros papas ou de membros da Igreja. 

Em 1073, Gregório VII impôs o celibato. Um dos seus teólogos, Pedro Damián,afirmou que o casamento dos sacerdotes era herético, porque os distraia do serviço ao Senhor e contrariava o exemplo de Cristo. Se a intenção do papa era restaurar a derrocada moral do clero e purificar a igreja com exemplos de castidade, dezenas de historiadores supõem que a decisão de impor o celibato também foi um meio para evitar que os bens dos bispos e dos sacerdotes casados fossem herdados pelos seus filhos e viúvas em vez de beneficiar à Igreja. 

Qual é o sentido de reprimir as expressões da sexualidade, não apenas entre os clérigos, mas também na vida diária? O que ganha a fé católica com isso? Teme-se que o prazer distraia da oração, da relação com Deus, mas o desprezo pela mulher nos seminários e a contradição dos impulsos naturais do homem na realidade não fortalecem os vínculos entre a Igreja e o povo de Deus. Ao contrário, o celibato obrigatório costuma desanimar algumas vocações sacerdotais e provoca deserções no clero. 

Pensava-se que "a vigente lei do sagrado celibato" devia seguir "unida firmemente o ministério eclesiástico", Paulo VI, atento aos clamores da modernização do Concílio Vaticano II, analisou as objeções em uma encíclica memorável, Sacerdotalis caelibatus, de 1967. Ali se perguntou: "Não terá chegado o momento de abolir o vínculo que, na Igreja, une o sacerdócio ao celibato? Não poderia ser facultativa esta difícil observância? Não sairia favorecido o ministério sacerdotal se fosse facilitada a aproximação ecumênica?" 

Por acaso Deus não se preocupou com os deslizes do ex-bispo Lugo, porque a sua glória está além do que estabelecem os seres humanos. Mas a inflexibilidade da doutrina deixa entre os católicos a pergunta sobre o sentido e as normas criadas pela Igreja há 10 séculos, que não existiam antes e não teriam por que existir para sempre. 

Jesus pregou a humildade, o amor a Deus e aos seus semelhantes. Suas lições de vida continuam sendo claras. Às vezes, no afã por interpretá-las, os seres humanos as escurecem.

Para ler mais:

in: http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=22441


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publicado por Riacho, em 20.05.09 às 10:40link do post | favorito

 Olá

 

Esta notícia faz-nos ter confiança no futuro. As novas gerações hão-de riscar a homofobia e a indiferença do seu vocabulário e fazer dos direitos humanos uma vivência diária para um mundo mais justo e mais fraterno.

 

"Um garoto de apenas nove anos de idade resolveu tomar partido a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ethan McNamee, da cidade de Denver, nos Estados Unidos, não entendeu o motivo pelo qual suas vizinhas lésbicas não puderam se casar e organizou no último sábado (16/05) um protesto contra a proibição da união homossexual em seu estado.

Durante o ato, que reuniu cerca de 200 pessoas, foram recolhidas assinaturas a favor do casamento gay. Para organizá-lo, o menino contou com ajuda dos pais e da professora, que aplaudiram a iniciativa. Segundo Ethan, era comum ouvir insultos homofóbicos na escola, fato esse que o motivou a iniciar o protesto.

"Acredito que estou fazendo a coisa certa. Espero que este protesto tenha impacto e faça com que todas as vozes sejam ouvidas", disse o garoto. Apesar das críticas de que Ethan é muito novo para ter uma opinião formada acerca do casamento gay, a professora do garoto, Kyle Kimmal, afirmou à imprensa local que ela foi cuidadosa em não impor sua própria visão sobre o assunto.

No vídeo, você assiste ao protesto que o pequeno Ethan organizou no último sábado."

 

in: http://www.acapa.com.br/site/noticia.asp?codigo=8176&titulo=Garoto+de+9+anos+faz+campanha+a+favor+do+casamento+gay+nos+EUA


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publicado por Riacho, em 19.05.09 às 22:33link do post | favorito

 


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