ESPAÇO DE ENCONTRO E REFLEXÃO ENTRE CRISTÃOS HOMOSSEXUAIS em blog desde 03-06-2007
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publicado por Riacho, em 28.04.08 às 21:14link do post | favorito

Boa noite

Sugiro aqui mais um tema para debate. Seria interessante sentir as opiniões de todos aqueles que visitam o nosso blog. Renovo também o convite aos nossos amigos que estiveram pela primeira vez no encontro do Riacho que usem este humilde espaço para partilha de opiniões e de ideias. E todos vocês que estão longe de Lisboa e nem sempre podem participar das nossas reuniões não tenham medo nem vergonha de partilhar connosco o que vos vai a alma.

Um abraço

Carlos

"O católico gay que mantenha um relacionamento está em pecado?

Alguns documentos da Igreja classificam os atos homossexuais como “intrinsecamente desordenados”. Importante frisar que, de acordo com a doutrina, “desordem” é uma classificação insuficiente para determinar o pecado.

Pode parecer estranho à primeira vista, mas há nuances que distinguem os conceitos de “desordenado, errado, mau” e “pecado”.

A Teologia Moral católica chama de pecado a circunstância que reúna três elementos: matéria grave, liberdade na ação e consciência de que aquilo é pecado. Só a junção dos três elementos caracteriza pecado grave, segundo a Igreja.

O Concílio Vaticano II ensina: “Pela fidelidade à voz da consciência, os cristãos estão unidos aos demais homens, no dever de buscar a verdade e de nela resolver tantos problemas morais que surgem na vida individual e social” (Constituição Pastoral Gaudium et Spes 16). Quem orienta sua conduta na direção da verdade sincera e tem uma consciência bem formada deve, então, seguir a voz de sua consciência. É o que a Igreja espera de todos os católicos.

Muitos católicos gays simplesmente não reconhecem suas vidas e seus relacionamentos na forma “desordenada” de que falam alguns documentos. Por isso, como diz o texto conciliar mencionado no parágrafo anterior, não podem ir contra a sua consciência se esta não os acusa de estar em pecado.

A situação pode gerar muita insegurança em algumas pessoas de fé. Mas é de se questionar se tal insegurança não seria fruto de certo infantilismo espiritual que tem o Magistério como instância substituta da própria consciência: uma espécie de “Super-ego”. O Magistério não pode, nem se pretende, substituto da consciência dos católicos.

Confrontar-se com uma consciência bem formada e agir em conformidade a ela. Estas são as características de um cristão “maior de idade” segundo Karl Rahner, um dos maiores teólogos católicos do século XX, perito do Concílio Vaticano II. Disse Rahner: “Mas, em última instância (o cristão) terá que perguntar-se perante Deus e sua consciência, sem que seu espírito lúcido se deixe subornar, a partir de uma consciência limpa e, naturalmente, através de todos os meios que dispõe nestes casos um homem e um cristão, qual é a sua convicção pessoal e sua decisão nesse caso concreto” (RAHNER, K. Artigo “ El Cristiano Mayor de Edad” ).

Com relação específica às uniões gays, padre Jan Visser, um dos grandes moralistas católicos da atualidade, afirmou: “Quando alguém está lidando com pessoas que são profundamente homossexuais que estarão em sérios problemas pessoais e talvez sociais, a não ser que eles se mantenham em uma parceria ao longo da sua vida homossexual, essa pessoa que as assiste pode recomendar-lhes que procurem tal parceria, e aceitar este relacionamento como o melhor que pode ser realizado na situação atual.”

Importante mencionar que Visser trabalhou na equipe que compôs o documento Declaração sobre algumas questões de Ética Sexual , de 1975, que faz uma avaliação negativa da homossexualidade. Posteriormente, como vimos na citação acima, ele admitiu poder haver uma diferente avaliação de acordo com casos concretos."

 

in: http://www.diversidadecatolica.com.br/pergunta3_0707.asp

 


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publicado por Riacho, em 23.04.08 às 01:07link do post | favorito

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

in: http://www.e-jovem.com/confraria.html

 

Estará esta passagem biblica a referir-se a uma relação estável entre dois homens? Deixo esta pergunta para reflexão. Querem partilhar os vosso comentários connosco?


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publicado por Riacho, em 20.04.08 às 01:12link do post | favorito

Caríssimos

 

Porque me pareceu haver algumas dúvidas sobre a nossa posição no seio da Igreja parece-me oportuno relembrar aqui a carta de princípios do Riacho:

 

"QUEM SOMOS:

O «RIACHO» é um espaço de encontro e reflexão entre cristãos homossexuais, que se constituiu a partir de Setembro de 2003, aquando da passagem por Lisboa de Don Domenico Pezzini, padre italiano que acompanha grupos de cristãos homossexuais na região de Milão e tem publicado diversos livros sobre a experiência de fé e a vivência da condição homossexual. Motivado e inspirado pelo grupo milanês «LA FONTE», algumas pessoas tomaram a iniciativa de criar em Portugal uma experiência similar constituindo um espaço de acolhimento e, ao mesmo tempo, fornecer momentos de aprofundamento e crescimento através de um caminho de espiritualidade capaz de permitir a integração da condição homossexual com a fé cristã. O «RIACHO» toma a sua designação da pequena e frágil corrente de água que brota da nascente, mas que juntando-se a outras fortalece a vida presente no caudal maior que os nossos pequenos esforços.

 

COMUNIDADE ABERTA:

O «RIACHO» assume-se como comunidade cristã, como experiência de Igreja, reconhecendo a pluralidade e a diversidade como parte integrante do seu percurso. Pretende proporcionar o aprofundamento da fé em Jesus e, simultaneamente, partilhar e reflectir sobre tudo aquilo que marca e interroga o modo de realização afectiva homossexual. Entende-se como um grupo aberto, como espaço onde se pode fazer em comum um percurso atento e valorativo da dimensão relacional da pessoa, onde a sexualidade se compreende como uma expressão da realização pessoal. A partir desta problemática, o «RIACHO» visa proporcionar a construção de relações positivas e construtivas que se traduzam em solidariedade e amizade em torno de Jesus, como referência comum e de unidade.

 

CONSCIÊNCIA HOMOSSEXUAL E CRISTÃ:

O «RIACHO» coloca no centro da sua identidade a relação interpessoal. As pessoas que o integram acreditam que a fonte que alimenta a vida é o Amor e procuram em Jesus a referência central de uma relação fundada no Amor. Neste contexto, não se encara que as interpretações da condição homossexual, a nível teórico ou prático se concentrem exclusivamente na problemática da sexualidade ou da genitalidade, na sua forma mais redutora. Não se adere às perspectivas que procuram culpabilizar a vivência da homossexualidade como intrinsecamente desordenada, tão pouco se aceita a sua exaltação para além do seu real significado.

 

PERTENÇA ECLESIAL: O «RIACHO», constituído por crentes, reconhece-se no seio da Igreja, em particular na tradição católica romana; porém, este espaço encontra-se também aberto a todos e todas que numa situação de interrogação ou de procura no âmbito da experiência da fé, aceitem as dinâmicas e iniciativas propostas. Neste contexto, é conveniente sublinhar que a Fé não é encarada como uma ideologia ou um código moral onde, à partida, tudo esteja pré-definido. Considera-se que a experiência de Fé corresponde a um caminho marcado pela adesão total a Jesus. Apesar das dificuldades e obstáculos, confia-se que Jesus nos ajuda confortando os nossos passos com o seu perdão gratuito. Nesta comunidade que é a Igreja procura-se cultivar e alimentar os laços de unidade e de comunhão, abertos a dar e a receber para além do imediato ou de qualquer tipo de cálculo.

 

Obrigado pela participação de todos.

 

Abraço fraterno

 

Carlos


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publicado por Riacho, em 09.04.08 às 23:44link do post | favorito
   

 

Boa noite.

 

É este texto que servirá de base ao encontro do Riacho, do mês de Abril. Ele dá-nos umas pistas de como continuar a conciliar a nossa orientação com a nossa Igreja. Por mais que ela nem sempre nos compreenda não nos deixaremos desanimar. É dentro dela que queremos ser fermento na massa.

 

Boa reflexão e até amanhã à noite.

 

 

Abraço fraterno

 

Carlos

 

 

 

 Por: Graziela Wolfart, 07/04/2008

 

IHU On-Line - Como entender a relação homossexual a partir da compreensão não violenta do desejo, com base no pensamento de René Girard?
James Alison
– O pensamento de Girard  com relação à questão do desejo se explica pelo fato de que o desejo de todos nós é mimético, ou seja, aprendemos a desejar segundo o desejo do outro/da outra. A partir do nosso nascimento, nos encontramos no desejo de outra pessoa, ou seja, dos nossos pais, guardiões, professores, e todos aqueles que nos ensinam a ficarmos “viáveis” como seres humanos. Isso significa que o desejo, em si, é algo bom. Se não fosse por ele, não chegaríamos à categoria de seres humanos. Porém, como ocorre com todos, começamos a receber esse desejo de forma distorcida. Recebemos tanto a capacidade de desejar sem obstáculos quanto o desejo cheio de rivalidades. Por exemplo, se dermos várias bolas vermelhas para duas crianças brincarem, dentro de pouco tempo, apenas uma dessas bolas será desejada, embora as outras sejam idênticas. Elas terão menos prestígio, menos valor, do que aquela bola que ficou sendo cobiçada pelo grupo de crianças. Em outras palavras, aprendemos a desejar segundo o desejo do outro, e isso nos leva a uma rivalidade. Neste momento, vamos trazer isso para a questão gay. Todos aprendemos a desejar o outro sexual a partir da nossa imitação, daquilo que nos é parecido. Ou seja, a partir da imitação das pessoas do mesmo sexo, aprendemos a desejar as pessoas do outro sexo. Segundo a maneira tradicional de pensar, algumas pessoas considerariam o desejo homossexual como uma distorção disso, em que pessoas do mesmo sexo não apenas aprendem a desejar segundo o desejo do próprio sexo, o qual é totalmente normal, mas de, alguma forma, aquele desejo é fixado no rival. Ou seja, ao invés de desejar o objeto apontado como rival, eu começo a desejar o próprio rival. Essa é uma explicação que as pessoas têm usado para afirmar que o desejo homossexual é intrinsecamente desordenado. A contribuição de Girard em toda essa área é para mostrar que, na verdade, o desejo é mimético, independentemente do objeto. Tanto que uma pessoa heterossexual pode desejar uma pessoa do outro sexo de maneira rivalística como também pode aprender a desejar de maneira não rivalística, aprendendo a “segurar” essa pessoa não como objeto a ser “preso”, mas para fazer crescer, frutificar. O mesmo é possível para pessoas gays. É possível para uma pessoa gay amar outra do mesmo sexo, não só como “presa” para olhos cobiçosos, mas de maneira pacífica, de forma a querer o bem dela, a fim de que ela frutifique. Essa é a importância do pensamento de Girard: distinguir entre o desejo possessivo/rivalístico, por um lado, e o desejo pacífico/criador, por outro.

IHU On-Line - A partir das suas experiências no campo acadêmico e pastoral, como podemos pensar na elaboração de uma nova relação entre criação e salvação? O que fazer dentro da teologia moral para que o ser humano homossexual se sinta tão amado por Deus quanto aquele de orientação heterossexual?
James Alison
– No atual estado da teologia católica, esta é a pergunta-chave. O ensino tradicional da Igreja católica, com respeito à relação entre natureza e graça, indica que a natureza humana é boa e que Deus, ao salvar-nos, não estava abolindo a natureza humana, mas abrindo a possibilidade de que ela chegasse à sua perfeição. Lembramos, aqui, a frase de São Tomás de Aquino  “A graça aperfeiçoa a natureza”. Isso significa que é impossível considerar que uma pessoa humana tenha, em uma parte de si, um desejo que seja intrinsecamente perverso. O desejo de todos nós é, em si, a princípio, uma coisa boa, mesmo que todos vivamos numa distorção e desordem muito grande. Há uma grande diferença entre dizer a uma pessoa “Olha, eu te amo, você vai crescer a partir de quem você é, para chegar a ser ainda maior do que você possa imaginar”, ou dizer a essa mesma pessoa “Você é radicalmente depravado. Do jeito que você é não vai a lugar nenhum. Eu vou precisar fingir que você é outra coisa, para te aperfeiçoar a partir de algo que você não é. Dessa forma, vou te salvar. Mas o custo é que você precisa abolir tudo o que é originalmente seu”. Há muita diferença entre essas duas posições. Curiosamente, a posição da Igreja Católica é a primeira. O olhar de Deus diz isso: “Eu te quero e, a partir de quem você é, você é capaz de chegar a ser algo que ainda não é, em harmonia orgânica com aquilo que faz parte de você de forma ainda bagunçada, por enquanto”. Porém, o atual ensino da Igreja, nessa matéria, tende a sugerir que o desejo homossexual é uma desordem objetiva. Na medida em que esse ensino insiste na depravação radical do desejo pelo mesmo sexo, ele está caindo numa heresia, a partir do ensino tradicional do ponto de vista da graça e da natureza. É importante que recuperemos o ensino mais tradicional nessa matéria. Por exemplo, será que o desejo homossexual pode ser considerado como um desvio parecido com o fato de ter canhotos e não sermos todos os humanos destros? Aprendemos que há uma considerável proporção da humanidade que é canhota, e isso não é nenhum empecilho ao desenvolvimento dessas pessoas. Será que a homossexualidade é um tipo de “anomalia” como o fato de ser canhoto, ou uma patologia, como o alcoolismo ou a cleptomania, que consideramos como desordens objetivas e que fazem as pessoas se autodestruírem? Assim como é verdade que a graça aperfeiçoa a natureza, é verdade que ser gay e lésbica é uma anomalia, e não uma patologia. Então, o crescimento moral e humano das pessoas passa pelo reconhecimento disso de forma íntegra, honesta e sem medo. 

IHU On-Line - Como o senhor vê a postura do Vaticano em não admitir homens gays no exercício do sacerdócio? O que orientação sexual tem a ver com a vocação? Um padre gay pode não ser um “bom exemplo” para a moral a ser pregada pela Igreja?
James Alison
– Sobre esse tema, vocês podem ler no meu site um artigo chamado “Uma carta a um jovem católico gay”. A melhor e mais suave leitura possível do documento da Igreja sobre o assunto é a de que o próprio Vaticano sabe que, por enquanto, não está preparado para falar a verdade em relação à questão gay. Ele não ousa reconhecer a verdade e vai demorar um certo tempo até que este assunto da vivência não patológica do ser gay seja tão evidente que até o Vaticano possa aceitá-lo. Sendo assim, podemos ler o documento como se fosse uma maneira de dizer: “Olha só, por favor, enquanto nós não conseguirmos falar a verdade sobre esse assunto, é imoral tentar convencer pessoas gays honestas a entrar no sacerdócio, pois sendo pessoas honestas não vão encontrar uma moradia sadia para a sua vivência, pois serão obrigadas a viver num mundo onde há muita caça de bruxas, muita hipocrisia, muitas pessoas que são doentes patologicamente, ou seja, gays que só conseguem perseguir outros gays”. Por outro lado, pode-se fazer uma interpretação fantasiosa do documento. Porque, se eles pensam que esse decreto terá alguma função verdadeira, estão enganados. Eu não acredito que, de repente, todos os seminaristas são heterossexuais. Seria muito extraordinário se assim fosse. Conheço vários seminaristas, em diversas partes do mundo, que são gays, e simplesmente foram obrigados a viver com mais duplicidade do que antes diante das situações. Muitos bispos que, em tese, dizem ao público que defendem o ensino da Igreja, na verdade, no âmbito privado, dizem sim ao ingresso de um seminarista gay. Contanto que o cara seja uma pessoa mais ou menos estável, não se quer saber se ele é heterossexual ou não. Muitos bispos e cardeais no mundo driblaram o referido decreto.   

IHU On-Line - Podemos pensar na possibilidade de pessoas do mesmo sexo se unirem com a benção de Deus e da Igreja? Elas poderiam receber o sacramento do matrimônio?
James Alison
– É evidente que podemos pensar na possibilidade de pessoas do mesmo sexo se unirem com a benção de Deus e da Igreja. Isso já acontece em alguns lugares. No entanto, é importante fazer uma distinção aqui. Todos os movimentos civis que têm acontecido, seja na Espanha, na Holanda, na Bélgica, nos Estados Unidos, no Estado de Massachusetts, são para exigir uniões civis. Não confundamos as coisas. A união civil e o sacramento do matrimônio não são a mesma coisa. Existem muitas pessoas, nesses países, que, além de terem feito o matrimônio civil, também têm procurado fazer algum tipo de celebração religiosa para festejar a ocasião. Eu tenho participado dessas festas. Não há nada, absolutamente, que impeça duas pessoas em se unirem civilmente, numa parceria, reconhecida pelo estado, realizando, depois disso, uma liturgia de celebração com a presença de amigos, pessoas da família, padres etc. E isso acontece muito, porém de forma mais discreta. No entanto, isso é diferente da questão do matrimônio como sacramento. Este, no pensamento da Igreja Católica, é visto como a celebração feita pelos próprios noivos, que são duas pessoas batizadas, de sexo oposto, com três elementos básicos: fé, a possibilidade de ter filhos e a unidade de autodoação até que a morte as separe. Veremos ainda de que forma a Igreja vai celebrar publicamente a união entre pessoas do mesmo sexo. Evidentemente, seriam duas pessoas batizadas, que estão fazendo sua autodoação até que a morte os separe, mas sem a abertura à possibilidade de poder procriar, evidentemente. É muito interessante ver que os casais do mesmo sexo que organizam liturgias para receber a benção de Deus para suas uniões estão inventando diferentes formas de liturgia, porque ainda estamos em fase de descobrimento de que tipo de testemunha de vida divina essas uniões vão dar para a Igreja.      

IHU On-Line - Quais dilemas e dificuldades um homossexual católico (homem ou mulher) costuma enfrentar? Que tipo de conflito interno e de fé aparece aí? Como um jovem católico gay se sente em sua Igreja? Como ele é recebido?
James Alison
– Isso é curioso e varia muito de país para país, de cultura para cultura. Pessoas que vivem em países católicos de tradição abrangente e liberal têm pouca dificuldade em relação a isso. Há pessoas assim, e o importante é que floresçam como são. Há outras que crescem em ambientes ideológicos muito fechados, nos quais a maior tragédia que poderia acontecer para os pais é ter um filho gay. Então, ouvimos aquelas frases famosas, como “prefiro ter um filho drogado do que gay”. Vai depender totalmente em qual desses mundos a pessoa cresce. Não há nem uma tragédia universal, nem uma benção universal. O que eu tenho notado é que nos países de tradição católica, no universo mais jovem, a mudança com relação à aceitação e a auto-aceitação da homossexualidade é muito grande. É enorme a aceitação pacífica desta realidade entre as pessoas de 40 anos para baixo. Mas quando a Igreja não aceita é triste, porque há pessoas que seriam ótimas atuando nela e se sentem rejeitadas. Também há aquela que são muito sensíveis ao ensino da Igreja e o assunto é recebido de maneira muito trágica, porque sentem no fundo do coração o ódio transmitido pelas palavras oficiais, como se fossem palavras de Deus. E isso é terrível. É escandalizar os pequenos. 

IHU On-Line - Como a mensagem de amor pregada por Jesus Cristo pode ser associada na defesa pela luta da união entre pessoas do mesmo sexo?
James Alison
– Jesus não diz nada nem a favor nem contra essa matéria. Não sou muito a favor de instrumentalizar Jesus. Acho importante usá-lo nem como arma de defesa de valores conservadores, nem como arma de defesa de valores liberais. Sendo Jesus o próprio Deus, tendo aparecido no meio de nós para nos perdoar e abrindo a possibilidade de nos descobrirmos como filhos de Deus, precisamos ter muito respeito em relação a Ele. Porém, não tenho dúvida de que pessoas vão tratar de utilizar a fé, a religião, a Igreja, como arma para combater a possibilidade de pessoas gays se casarem. A fé católica é uma religião da presença de Jesus. Onde está Jesus: nas pessoas que atiram pedras ou nas pessoas que lutam para construir um mundo melhor?

in: http://www.jamesalison.co.uk/

 


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publicado por Riacho, em 04.04.08 às 01:26link do post | favorito
James Alison, teólogo católico
"Ser 'gay' é como ser canhoto"

Padre e autor de diversas obras, como a recentemente publicada "Carta a um Jovem Católico 'Gay'", o britânico James Alison participou no retiro, há uma semana, promovido por católicos homossexuais.

José Frota e Paulo Paixão
0:00 | Sábado, 29 de Mar de 2008
    
 

James Alison nasceu em 1959. Tem publicadas várias obras sobre cristianismo, entre as quais estudos sobre a questão "gay" (parte delas estão disponíveis, em várias línguas, no site de James Alison, no final do texto). Alison doutorou-se na Faculdade de Teologia de Belo Horizonte, no Brasil. Pertenceu aos dominicanos entre 1981 e 1995. No sábado participou no encontro promovido pelo Riacho. Na quarta-feira, por telefone, respondeu a questões do Expresso.

Esteve recentemente em Lisboa. Com que impressão ficou das aspirações dos homossexuais católicos portugueses?
Conheci muito poucos. Foi uma visita relâmpago, num fim-de-semana de Páscoa, complicado para a agenda de muitas pessoas. Mas as aspirações parecem-me muito parecidas às de outros "gays" noutras partes do mundo. Em Portugal percebi que existe aquela situação muito típica dos países mediterrânicos: a convivência "gay" é muito tranquila. Não há muitas figuras públicas (da televisão, políticos ou médicos, por exemplo) assumidas, algo que acontece cada vez mais noutros estados. Já quanto à Igreja portuguesa, creio que existe um silêncio total.

No panorama internacional (Europa e Américas, sobretudo), as reivindicações dos movimentos portugueses são um caso isolado ou inserem-se num fenómeno emergente?
Neste momento, trata-se de uma tendência universal. Em Espanha, por exemplo, já há matrimónio civil. A Igreja espanhola gritou alto contra a situação, mas o assunto tornou-se pacífico. Quando a sociedade aceita realidades assim, o protesto eclesiástico encontra ouvidos surdos. O fenómeno dissemina-se rapidamente, sobretudo em países sul-americanos, como Brasil, México ou Colômbia. Hoje em dia, a geração que pessoas com menos de 30 anos não entende o porquê das resistências da Igreja. E sente uma angústia por causa dessa incompreensão. A reivindicação do direito de cada um dizer honestamente quem é (pois é disso que se trata) tem-se espalhado muito rapidamente.

Que mecanismos ou razões permitem aos homossexuais serem mais tolerados dentro da Igreja Católica ou melhor tratados dentro de um determinada sociedade?
A Igreja Católica não pode afastar-se da lei civil. É muito difícil na Inglaterra, por exemplo, um cardeal falar em tons de ódio contra os "gays", porque há uma legislação contra um discurso que incite ao ódio. Assim, existe uma pressão das leis civis: estas condicionam uma maior abertura ou maior repressão da Igreja Católica. O triste desta questão é que, normalmente, a Igreja Católica resiste sempre às mudanças. Em Itália, por exemplo, a situação é ligeiramente diferente...

De que forma?
Há movimentos de homossexuais muito bem estruturados, que mantêm boas relações com a Igreja local. Mesmo com bispos. É o caso do movimento "La Fonte", protegido pela diocese de Milão. De um modo geral, a não ser que um determinado bispo tenha uma grande carga ideológica na sua actuação, o que a generalidade da estrutura eclesiástica deseja é que não se faça muito barulho com o assunto. Em todos os pontos, os grupos começam a reunir-se, sejam em terreno neutro, seja em espaços de uma paróquia, autorizados por um padre mais sensível à questão. As coisas desenvolvem-se a partir daí. A cumplicidade que se gera não é meramente nos vários níveis da estrutura da Igreja; é também na sociedade. Quando as situações já são dados adquiridos, claro que há bispos que podem gritar que é heresia! Mas há outros que dizem o contrário, pois o mais importante é que as pessoas se sintam bem dentro da Igreja

Há igrejas cristãs com maior abertura e tolerância face aos homossexuais?
Nos EUA há igrejas praticamente assentes na população "gay", como a Metropolitana ou Episcopaliana. Esta (a versão norte-americana da Igreja Anglicana) tem recorrentemente grandes problemas com os anglicanos. Os episcopalianos são "gay friendly" e têm mesmo um bispo que assume a sua homossexualidade. Já nas grandes igrejas protestantes há uma dupla realidade, que mostra divergências, entre uma ala "gay friendly" e outra homofóbica. Uma igreja muito mais intolerante do que a Católica é a Ortodoxa (sobretudo nos países eslavos). Nas paradas "gay" em Moscovo, por exemplo, elementos da Igreja Ortodoxa estão ao lado de neonazis e de "skinheads", ameaçando os manifestantes. No mundo ortodoxo é importante acompanhar a evolução da Igreja grega, um país da União Europeia, a caminhar para um sentido mais "gay friendly".

Como vê a posição doutrinária da Igreja Católica nesta questão?
A doutrina, na verdade, depende totalmente da avaliação de um dado objectivo. Ou ser-se "gay" é uma patologia (um desvio da natureza); ou então é uma anomalia natural, não patológica. Até recentemente a homossexualidade era considerada um desvio, um vício, um defeito de saúde (mental ou psíquica). Só que é cada vez mais difícil sustentar esta posição. Neste quadro, os "gays" não são mais nem menos perturbadas do que outras pessoas com determinada especificidade. É como ser canhoto, por exemplo.

Mas a doutrina prevalece?
Em boa verdade, a doutrina já mudou, mesmo sem as autoridades eclesiásticas quererem, ou o reconhecerem. Perante os factos - é hoje perfeitamente claro aquilo que um homossexual é -, há muito pouco para dizer. A Igreja não pode considerar intrinsecamente perversos os actos que procedem da natureza de cada pessoa. Ora, assim os actos não podem ser descritos como objectivamente desordenados. Ao fim ao cabo, prevalece uma doutrina formal. E mesmo os porta-vozes evitam justificar os seus argumentos com as teorias oficiais.

Tem uma produção bibliográfica sobre esta questão. Na apresentação da sessão proferida em Lisboa, o Riacho escreveu: "A ideia é procurar caminhos para a construção de uma vivência católica partilhada sem entrar em rivalidade com, ou ressentimento contra, o "statu quo" eclesiástico". Concorda com esta leitura muito prudente? O pragmatismo é a única via?
Não é uma questão de cautela: é de princípio. O grande problema de muitos "gays" é ficarem com um forte ressentimento, por razões todavia compreensíveis. O ponto-chave é não se deixarem arrastar, pois é fácil encontrar nas instâncias eclesiásticas um inimigo útil. A solução passa, com efeito, pela afirmação de uma sanidade mental e psíquica. Não podemos permitir que um mal que nos é infligido domine a nossa inteligência.

Versão integral da entrevista publicada na edição do Expresso de 29 de Março de 2008, 1º Caderno, página 25.

 
 
 

in http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/279138

 

As palavras do James são uma importante ajuda para uma reflexão séria e teológica do ser homossexual católico. Mais uma vez obrigado James pela sua vinda.

 

Abraço fraterno

 

Carlos


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publicado por Riacho, em 02.04.08 às 01:31link do post | favorito


Jacarta - A homossexualidade foi criada por Deus e é algo natural, por isso deve ser permitido dentro do Islão, concluiu um grupo de estudiosos muçulmanos na Indonésia.

O grupo afirmou que a rejeição sofrida pelos homossexuais na Indonésia por questões religiosas não faz sentido e se deve, em grande medida, a certas interpretações intolerantes do Corão, informou hoje o jornal local "The Jakarta Post".

Siti Musdah Mulia, membro da Conferência de Religiões e Paz do país, explicou que o livro sagrado para os muçulmanos diz que é uma bênção que todos os seres humanos sejam iguais, independentemente de sua raça, riqueza, posição social ou inclusive sua orientação sexual.

"Aos olhos de Deus, as pessoas são avaliadas em função de sua piedade", e julgá-las é "uma prerrogativa divina", ressaltou.

A editora da revista local "Mata Air", Soffa Ihsan, destacou que é necessário continuar com a "Ijtihad", o processo legal de fazer uma nova interpretação dos textos sagrados para evitar que fiquem ancorados no passado.



in http://portugalgay.pt/news/index.asp?uid=280308A



Pequenos passos vão sendo dados na descoberta da verdadeira mensagem dos textos sagrados. Punhamos de parte a nossa tendência de supervalorizar o negativo para libertos do estigma podermos vislumbrar o que de positivo vai acontecendo. Acreditemos na mensagem pascal. O Amor triunfará.



Abreijo



Carlos


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