ESPAÇO DE ENCONTRO E REFLEXÃO ENTRE CRISTÃOS HOMOSSEXUAIS em blog desde 03-06-2007
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publicado por Riacho, em 29.08.16 às 23:30link do post | favorito

Colocamos abaixo o link para a entrevista de José António de Almeida no programa Vidas Alternativas sobre a Feira de Cuba de 2016 que decorrerá de 01 a 05 de Setembro e que vale apena ouvir.

Para ouvir a entrevista clique: aqui

 


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publicado por Riacho, em 29.07.16 às 11:41link do post | favorito

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João, no quinto aniversário da tua partida, continuas presente nos nossos corações e em tua memória, republicamos o texto que o José António de Almeida magistralmente escreveu para ti. 

 

IN MEMORIAM

JOÃO NORONHA E CASTRO

1954 - 2011

Havia no João uma invencível alegria. “Sou o homem mais feliz do mundo” foi uma das últimas frases que lhe ouvi, a poucos dias do fim. Fazia sempre, durante todo o longo período em que deu combate ao cancro, uma distinção entre as dores físicas que sentia e uma imensa reserva de alegria interior. Conheci o João na Capela do Rato, onde a sua presença resplandeceu, com muita graça e sábias palavras, nas reuniões do pequeno grupo de católicos de condição homossexual em que começou a tomar parte a partir de 2005 e que frequentou até à dissolução do grupo em 2008. Alto, robusto, de cabeça rapada, a sua pêra e bigode lembravam, sem que ele todavia o mencionasse, as célebres barbas de D. João de Castro, o lendário vice-rei da Índia, de quem era, por linhagem, descendente. Contagiado pelo entusiasmo e militância do João, foi na terna e fraterna companhia dele que participei, pela primeira vez, na Marcha Gay de Lisboa. Já muitíssimo debilitado pela doença, ainda manifestou a vontade de ir à Marcha, e sem ser difícil foi necessário  dissuadi-lo do desejo de concretizar tal propósito. Arquitecto por profissão, entre outras numerosas obras, projectou com grande beleza na Abrigada, perto de Alenquer, a título quase gratuito e conforme à sua enorme generosidade, dois edifícios numa cidadela do Movimento dos Focolares, movimento de inspiração cristã fundado por Chiara Lubich. Abrigada, a terra muitas vezes evocada que conserva algumas raízes do seu clã familiar, valor que cultivava. Tinha pela mãe um amor desmesurado e impossível de descrever. A ligação profunda que mantinha com o seu querido Francisco, desde tempo anterior ao momento em que nos conhecemos, nunca falhou e dela posso e devo dar testemunho. Vinha de muito longe, resistiu à provação da doença e foi fonte de consolação até ao minuto derradeiro. “Ontem, na cama, recebi um abraço tão forte”, “passei a noite a conversar com ele” e outras frases do género foram partilhadas com muitos de nós, seus amigos, em casa ou no hospital. Uma ligação firme e duradoira que soube enfrentar, posso dizê-lo, embora pareça indiscreto da minha parte, todos os cenários da vida sexual do João. Alguns namorados de ocasião, ao princípio, não compreendiam nem encaixavam o assunto muito bem. Depois, rapidamente, passavam a aceitar e até a olhar com respeito uma ligação tão antiga, fiel e verdadeira. Mas também com outras relações, de curso mais demorado, jamais houve, que eu saiba, um problema sério por causa disso. E acredito mesmo  que essa ligação entre o João e o Francisco, apesar da morte e até por causa da morte, é agora mais viva e forte do que nunca, pois o Francisco - como o João sempre lhe chamava, com aquela simplicidade que era timbre dos dois, sem jamais ostentar o título honroso do seu amigo e companheiro de toda a vida -, o Francisco que sempre o João trazia nos lábios com um sorriso e de quem nos falava de forma constante como é costume de quem muito ama, esse bondoso Francisco, canonicamente, responde também pelo nome, só um pouquinho mais comprido, de São Francisco de Assis. E vejo-o, de perfil, ao lado da sua cama. Até sempre, passarinho.

 

José António Almeida

 

Texto publicado na Time Out nº 204 de 24-08-2011


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publicado por Riacho, em 26.06.16 às 23:45link do post | favorito

Não é a primeira vez que o Papa Francisco se refere ao modo como ao longo dos tempos tem sido a relação do Vaticano com homossexuais, mas este domingo defendeu mesmo que os cristãos e e a Igreja Católica devem procurar o perdão de quem ofenderam. 

"Eu acho que a Igreja não deve apenas pedir desculpa a homossexuais que tenha ofendido, mas deve também pedir desculpa aos pobres, e às mulheres que foram exploradas, às crianças que tenham sido exploradas (sendo forçadas a) trabalhar. E deve pedir desculpas por ter abençoado tantas armas", disse, citado pela Reuters, quando questionado por jornalistas se concordava com as afirmações de um cardeal alemão que defendeu esta semana que a Igreja deveria procurar o perdão dos gays.

O Papa falou durante quase uma hora com jornalistas que o acompanharam numa viagem à Arménia. Quando questionado sobre o massacre de Orlando –um atentado este mês numa discoteca LGBTI do estado da Florida, nos EUA, que provocou a morte a 49 pessoas –, o Papa defendeu que a Igreja nem sempre fez o que podia: "A Igreja deve dizer que está arrependida por não se ter comportado como deveria muitas vezes, muitas vezes".

Mas a mensagem não era apenas para dentro da Igreja, mas sim para toda a comunidade. "Quando eu digo a 'Igreja', eu quero dizer nós, cristãos, porque a igreja é santa; nós somos os pecadores", acrescentou o Papa. "Nós, cristãos, devemos dizer que lamentamos."

Mas mais do que isso, o chefe da Igreja Católica disse que os gays "não devem ser discriminados. Devem ser respeitados e pastoralmente acompanhados".

Não é a primeira vez que o Papa Francisco fala de um assunto sensível para a Igreja Católica. No sínodo sobre a família, em Outubro de 2015, defendeu o acolhimento de gays, mas não o seu casamento. Sem nunca se referir concretamente às pessoas que vivem à margem das regras católicas – divorciados, homossexuais, pessoas que vivem em uniões de facto –, Francisco lembrou que a Igreja que lidera “não aponta o dedo para julgar os outros” e tem o dever de misericórdia, porque “uma Igreja com as portas fechadas atraiçoa-se a si mesma e à sua missão e, em vez de ser ponte, torna-se uma barreira”.

 

Fonte: https://www.publico.pt/mundo/noticia/papa-diz-que-igreja-deve-pedir-desculpa-a-gays-1736431


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publicado por Riacho, em 13.06.16 às 23:48link do post | favorito

Foi preciso percorrer muito caminho nos Estados Unidos ao longo de décadas para que uma variada comunidade de lésbicas, homossexuais, bissexuais e transexuais (LGBT) pudesse reunir-se num sábado à noite, sem esconder-se, em uma boate de uma cidade socialmente conservadora do sul do país, como é Orlando, para desfrutar de uma bebida e um pouco de música no fim de semana em que boa parte do país celebra o Orgulho Gay.

O comentário é de David Alandete, em artigo publicado por El País, 12-06-2016.

Em um desses locais, a casa noturna Pulse, morreram pelo menos 50 pessoas a tiros na madrugada deste domingo, alvo fácil de um radical armado até os dentes. Não é preciso esperar que a polícia conclua suas investigações. Com os fatos já basta: é uma matança, a primeira em décadas, em uma boate gay.

Orlando é um claro exemplo do muito que o país evoluiu desde que em 1969 um grupo de homossexuais e lésbicas começou a manifestar-se contra a repressão policial no pub Stonewall, de Nova York. Naquele momento os que demonstravam abertamente sua homossexualidade se tornavam proscritos, sujeitos a discriminação legal em todos os âmbitos imagináveis, desde a saúde até o emprego ou o Exército.

Meses depois dos distúrbios de Stonewall era inaugurado em Orlando o Walt Disney World, um dos maiores parques temáticos do mundo, consagrado à sublimação de algo tão conservador como o núcleo familiar, onde os príncipes buscavam formosas donzelas e estas sonhavam em ingressar na realeza pela via do casamento.

Hoje, até a DisneyWorld celebra dias gays neste mês de junho. Qualquer membro da comunidade LGBT pode entrar nesse vasto parque temático de Orlando para divertir-se abertamente, exibindo camisetas vermelhas para demonstrar que os conceitos de normal ou de família podem ser muito variados. É certo que a Disney não organiza oficialmente esse dia, mas o aceita com uma silenciosa solidariedade, abrindo os braços e suas caixas registradoras às dezenas de milhares de membros da comunidade LGBT que vão a Orlando nesses dias.

Pareceria, portanto, que os EUA haviam chegado à igualdade plena. Têm até pela primeira vez um presidente que apoia o casamento gay! A Suprema Corte até reconheceu o direito de os homossexuais se casarem, com todos os benefícios e obrigações que a lei estipula. Mas nada mais longe. E não por uma questão de direitos e liberdades, mas de aceitação social.

Voltemos à Disney como empresa que abriu caminho com um tratamento especial aos gays. Há três meses ameaçou deixar de fazer negócios com o Estado da Geórgia se o governador sancionasse uma lei que permitiria, por um lado, funcionários do registro civil a se negarem a oficiar uniões entre pessoas do mesmo sexo, por objeção de consciência e, por outro, organizações religiosas de despedir pessoas por sua condição sexual. Essa lei não é um episódio isolado. É uma cópia, de fato, de outra que tentaram aprovar no ano passado no Estado de Indiana.

O caso é que as leis podem ter avançado e que nas grandes cidades, como San Francisco, Nova York, Los Angeles eWashington, se possa viver a própria homossexualidade com liberdade, mas o que deveria ser normal é ainda considerado tratamento especial. Para que dois homens ou duas mulheres se deem a mão ou se beijem em público, aDisney não deveria precisar de um dia específico para os gays, como se essa comunidade devesse ficar contida em seu próprio perímetro.

Em algum momento no futuro será preciso ir mais além: se de verdade houvesse aceitação e normalidade social não seriam necessários os milhões de bares que há no mundo, como o Pulse, um lugar no qual foi tão fácil cometer um massacre. Os gays deveriam poder mostrar-se como tais onde quer que fosse, sem medos, sem riscos, sem agressões.

No momento, porém, isso é uma utopia, e não só nos EUA, mas também em países mais avançados em direitos LGBT,como a Espanha. Até que esse dia chegue será necessário que a comunidade gay tenha seus espaços de proteção e afirmação: dias especiais em parques temáticos, boates como a Pulse, manifestações do Orgulho Gay. E, no final, pouco mudaria que um radical, por motivos que logo as autoridades revelarão, abrisse fogo nessa casa noturna ou em qualquer outra, matando dezenas de pessoas, qualquer fosse seu sexo ou condição. Para esse tipo de loucura não há distinções que cheguem.

ORLANDO: PODERIA SER QUALQUER UM DE NÓS

Um HORROR! Poderia ser eu! Poderia ser Bruno! Poderia ser Markos! Poderia ser Evelyn! Poderia ser Fabiano! Poderia ser Lis! Poderia ser Léo! Poderia ser Rodrigo! Poderia ser Alessandra! Poderia ser Edy! Poderia ser Nicole! Poderia ser qualquer um de nós! Você conhece algum gay, alguma lésbica, alguma pessoa bissexual? Um amigo, um colega de trabalho, uma vizinha, uma prima? Pois el@ estaria morto se estivesse ontem em Orlando...
Não podemos deixar que esse horror continue!

Dia 15-06-2016 às 21:00 na Praça da Figueira, em Lisboa haverá uma vígilia: Unite for Orlando.

Para mais informações: https://www.facebook.com/events/981020615352711/

 

 

 

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publicado por Riacho, em 04.06.16 às 16:10link do post | favorito

AO

Riacho

A Assembleia Municipal de Lisboa, na sua sessão realizada no dia 17 de maio  p.p., deliberou e aprovou  o documento que abaixo se discrimina.

Mais se informa que para consultar o documento, na integra, deverá aceder ao sitio da AML, no endereço  indicado abaixo da parte deliberativa.

Voto nº 1/107 – “Voto de Saudação do dia internacional conta a homofobia, transfobia e bifobia e contra a discriminação” (PAN)

 

Aprovada por Unanimidade e Aclamação

 

Teor da Deliberação:

A Assembleia deliberou:

“a)Saudar a celebração do Dia Internacional Contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia;

b)Condenar todas as formas de violência e discriminação ainda existentes com base na orientação sexual, identidade ou expressão sexual;

c)Enviar este Voto a todos os órgãos de soberania, aos partidos políticos e associações ligadas à temática LGBTI.”

http://www.am-lisboa.pt/302000/1/004925,000073/index.htm

 

Com os melhores cumprimentos,

 

A Presidente

 

Helena Roseta


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publicado por Riacho, em 03.05.16 às 00:52link do post | favorito

“Francisco faz um contundente alerta contra o moralismo que muitas vezes reina em ambientes cristãos e na hierarquia da Igreja Católica, visando fomentar o devido respeito à consciência e à autonomia dos fiéis: “nos custa dar espaço à consciência dos fiéis, que muitas vezes respondem o melhor que podem ao Evangelho no meio dos seus limites, e são capazes de realizar o seu próprio discernimento perante situações onde se rompem todos os esquemas. Somos chamados a formar as consciências, não a pretender substituí-las” (AL 37). Nesta mesma direção, a formação moral das novas gerações deve se realizar de forma indutiva, de modo que um filho possa chegar a descobrir por si mesmo a importância de determinados valores, princípios e normas, em vez de impô-los como verdades indiscutíveis (AL 264)”, escrever Luís Corrêa Lima, professor no Departamento de Teologia da PUC-Rio, em artigo publicado na revista IHU On-Line desta semana.

Segundo ele, “a questão da homossexualidade é colocada lembrando que a Igreja deve assumir o comportamento de Jesus. Ele se oferece a todos sem exceção, com um amor sem fronteiras”.

Eis o artigo.

1. O pontificado de Francisco e o Sínodo

Francisco iniciou o seu pontificado com um firme propósito de renovação pastoral na Igreja Católica. Ele a convoca a ir às “periferias existenciais”, ao encontro dos que sofrem com as diversas formas de injustiças, conflitos e carências. O papa critica uma Igreja ensimesmada, entrincheirada em “estruturas caducas incapazes de acolhimento” e fechada aos novos caminhos que Deus lhe apresenta (FRANCISCO, 2013a). Esta abertura pastoral contemplou também os LGBT (gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais), que constituem uma população com crescente visibilização. Quando o papa retornou do Brasil a Roma, disse algo que teve muita repercussão: “Se uma pessoa é gay, procura o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para a julgar? [...] Não se devem marginalizar estas pessoas por isso” (FRANCISCO, 2013b). Esta declaração inédita na boca de um papa teve desdobramentos.

Nesse mesmo ano, ele convocou o Sínodo dos Bispos para tratar da família e seus desafios atuais, dando início a um período rico e criativo. A mensagem cristã no campo da sexualidade e da família tem uma grandeza e uma beleza inegáveis, mas também problemas e questionamentos inevitáveis. Em certos pontos, há uma notável disparidade entre o ensinamento da Igreja e vida da maioria dos fiéis.

No primeiro questionário preparatório do Sínodo, enviado a todas as dioceses católicas do mundo, perguntava-se, entre muitas outras coisas, que atenção pastoral se pode dar às pessoas que escolheram viver em uniões do mesmo sexo e, caso adotem crianças, o que fazer para lhes transmitir a fé. Entre 2014 e 2015, foram realizadas duas assembleias com três semanas de duração cada uma. Ocorreram muitos debates e entrevistas, produziram-se amplos relatórios, com uma notável repercussão na mídia. O Sínodo é uma instituição consultiva, bem como os seus relatórios e proposições. Após a sua realização, o papa publica uma exortação pós-sinodal, que é o ensinamento oficial da Igreja a respeito dos temas tratados. Neste caso, é o documento Amoris Laetitia, sobre o amor na família.

Mesmo sendo apenas consultivo, o Sínodo traz indicações muito relevantes sobre a situação eclesial, os consensos e as divergências existentes entre os bispos, que são muito importantes para o discernimento do papa. Os relatórios produzidos desde a convocação deste Sínodo apontaram claramente nesta direção: não mudar a doutrina sobre a família, fundada sobre a união exclusiva e indissolúvel entre um homem e uma mulher, mas ao mesmo tempo acolher sem condenar as pessoas que vivem em outras configurações familiares. O valor deste processo, mais do que os textos, é o debate aberto na Igreja sobre temas de sexualidade e família como nunca se viu nas últimas décadas. Isto ajuda a formar uma opinião pública que favorece a pastoral, a reflexão teológica e a recepção criativa da exortação pós-sinodal.

Na preparação da segunda assembleia, foram enviadas às dioceses perguntas sobre a atenção às famílias que têm “pessoas com tendência homossexual”, e sobre como cuidar destas pessoas à luz do Evangelho e propor-lhes as exigências da vontade de Deus sobre a sua situação. As dioceses alemãs e suíças responderam criticamente. Com base nas ciências humanas e na medicina, a orientação sexual é uma disposição inalterável e não escolhida pelo indivíduo. Por isso, falar simplesmente de “tendência homossexual” provocou irritação e foi percebido como uma expressão discriminatória (CEA, 2015, n. 40). A maior parte dos fieis considera justo o desejo de pessoas homossexuais de terem relacionamentos amorosos e formarem uniões. A exigência de que vivam em abstinência sexual foi considerada injusta e desumana. É inaceitável que homossexuais sejam considerados apenas como destinatários de uma pastoral, vistos como pessoas doentes ou precisando de ajuda. Deseja-se que sejam tratados com respeito e que seja apreciada a sua participação na Igreja. A impossibilidade de qualquer tipo de analogia entre o matrimônio (heterossexual) e a união homossexual, afirmada no primeiro relatório sinodal, não é aceita. Deseja-se que a Igreja reconheça, estime e abençoe as uniões homossexuais, ajudando os membros destas uniões a viverem valores importantes que têm, sim, analogia com o matrimônio (CES, 2015, n. 40).

Os questionários sinodais também foram respondidos por Juan Masiá, jesuíta radicado na Japão e pesquisador de bioética. Para ele, é necessário promover a acolhida de pessoas e de uniões homossexuais, bem como de famílias assim constituídas, na vida cotidiana e sacramental das comunidades eclesiais, sem discriminação. Deve-se reconhecer respeitosamente a legislação civil sobre as uniões homossexuais. É necessária uma revisão da hermenêutica bíblica, moral e teológica sobre a sexualidade à luz das ciências humanas, especialmente sobre a sexualidade pluriforme e as exigências educativas para uma convivência inclusiva. Não se pode afirmar taxativamente como ensinamento da Igreja a impossibilidade de analogia, mesmo remota, entre uniões homossexuais e o desígnio de Deus sobre o matrimônio. Seria presunçoso possuir o conhecimento certo e definitivo deste suposto desígnio divino (MASIÁ, 2015).

Mesmo com estas contribuições questionadoras, prevaleceram no Relatório Final do Sínodo os ensinamentos tradicionais da Igreja sobre a família fundada na união heterossexual e indissolúvel, juntamente com um olhar de misericórdia e uma busca de acolhimento dos que não vivem neste modelo. No encerramento da última assembleia sinodal, o papa fez um balanço bem realista das divergências entre os bispos:

Aquilo que parece normal para um bispo de um continente, pode resultar estranho, quase um escândalo – quase! –, para o bispo doutro continente; aquilo que se considera violação de um direito numa sociedade, pode ser preceito óbvio e intocável noutra; aquilo que para alguns é liberdade de consciência, para outros pode ser só confusão. Na realidade, as culturas são muito diferentes entre si e cada princípio geral [...] se quiser ser observado e aplicado, precisa ser inculturado (FRANCISCO, 2015c).

Muitos bispos, bem como a maioria dos fiéis de suas respectivas dioceses, não concordam com as posições dos alemães, dos suíços e do jesuíta radicado no Japão. As exortações pós-sinodais são elaboradas a partir dos consensos alcançados nas assembleias sinodais. E, neste aspecto, a Exortação Amoris Laetitia não é diferente. O magistério da Igreja em nível universal deve levar em conta os diferentes contextos dos Continentes e dos países. A tarefa de articular convergências e chegar a um denominador comum é complexa e difícil.

O papa Bento XVI certa vez relatou a missão que recebeu quando era cardeal, no tempo de João Paulo II, de coordenar o trabalho dos bispos para a elaboração do Catecismo da Igreja Católica. O livro deveria mostrar em que a Igreja hoje crê e como se pode crer razoavelmente. Ele confessa que ficou assustado com esta missão e duvidou que isso fosse exequível. Como é que pessoas vivendo em diferentes Continentes, não apenas geográficos, mas também intelectuais e espirituais, poderiam chegar a um texto com coesão interna e compreensível em todos os Continentes? Ele considera um prodígio o cumprimento desta missão (BENTO XVI, 2012). Diante da complexidade de se obter consensos e ao mesmo tempo de se respeitar as diferenças, o magistério tende a ser cauteloso nas inovações. A evolução das ciências, o senso dos fiéis e a teologia podem ajudar a Igreja a amadurecer seu juízo, mas isto leva tempo e este amadurecimento não é homogêneo. Porém, as igrejas locais, suas iniciativas apostólicas e a reflexão teológica podem avançar mais, criando um ambiente eclesial favorável para mudanças futuras de maior alcance.

2. A Amoris Laetitia (AL)

A Exortação do papa sobre a família é uma ampla dissertação, partindo da premissa de que a alegria do amor vivido nas famílias é também o júbilo da Igreja (AL 1). Muitas situações e questões contemporâneas são contempladas, lançando luzes sobre a vida familiar concreta. A Exortação está longe de ser um texto doutrinado abstrato e frio. A grande novidade está na forte sensibilidade pastoral, com matizes muito cuidadosos na aplicação da doutrina. Para o papa, nem todas as discussões doutrinais, morais e pastorais devem ser resolvidas com intervenção do magistério. Naturalmente, é necessária na Igreja uma unidade de doutrina e práxis, mas isto não impede que haja diferentes maneiras de interpretar alguns aspectos da doutrina ou algumas consequências que dela decorrem. Em cada país ou região, pode-se buscar soluções mais inculturadas, atentas às tradições e aos desafios locais (AL 3).

Francisco faz um contundente alerta contra o moralismo que muitas vezes reina em ambientes cristãos e na hierarquia da Igreja Católica, visando fomentar o devido respeito à consciência e à autonomia dos fiéis: “nos custa dar espaço à consciência dos fiéis, que muitas vezes respondem o melhor que podem ao Evangelho no meio dos seus limites, e são capazes de realizar o seu próprio discernimento perante situações onde se rompem todos os esquemas. Somos chamados a formar as consciências, não a pretender substituí-las” (AL 37). Nesta mesma direção, a formação moral das novas gerações deve se realizar de forma indutiva, de modo que um filho possa chegar a descobrir por si mesmo a importância de determinados valores, princípios e normas, em vez de impô-los como verdades indiscutíveis (AL 264).

Um dos desafios levantados é o das diversas formas de “uma ideologia, genericamente chamada gender (gênero), que nega a diferença e a reciprocidade natural de homem e mulher”. Afirma-se que ela promove uma identidade pessoal e uma intimidade afetiva radicalmente desvinculadas da diversidade biológica entre homem e mulher. Não se deve ignorar que o sexo biológico (sex) e o papel sociocultural do sexo (gender) podem se distinguir, mas não se separar (AL 56).

A questão da homossexualidade é colocada lembrando que a Igreja deve assumir o comportamento de Jesus. Ele se oferece a todos sem exceção, com um amor sem fronteiras. Às famílias que têm filhos homossexuais, reafirma-se que cada pessoa, independentemente da própria orientação sexual, deve ser acolhida e respeitada na sua dignidade, evitando-se toda discriminação injusta, agressão e violência. Um respeitoso acompanhamento deve ser assegurado, para que quantos manifestam a tendência homossexual disponham da ajuda necessária para compreender e realizar plenamente a vontade de Deus em sua vida. Porém, os projetos de equiparação das uniões homossexuais ao matrimônio são rejeitados por não haver comparação entre tais uniões e o desígnio divino sobre o matrimônio e a família (AL 250-251). A acolhida de pessoas homossexuais, já ensinada no Catecismo (n.3528), é trazida para o contexto das famílias com filhos homossexuais, onde isto é mais urgente. A oposição feita à equiparação das uniões homossexuais ao matrimônio, majoritariamente expressa no Sínodo, é reiterada na Exortação.

Em toda e qualquer circunstância, perante quem tenha dificuldade de viver plenamente a lei de Deus, deve ressoar o convite para percorrer o caminho do amor. A caridade fraterna é a primeira lei dos cristãos, conforme o mandamento de Jesus: “amai-vos uns aos outros, como eu vos amo” (Jo 15,12). Ela constitui a plenitude da lei (Gal 5,14). Sem diminuir o ideal evangélico, deve-se acompanhar com misericórdia e paciência as possíveis etapas de crescimento das pessoas, que se constroem dia a dia. A misericórdia do Senhor nos incentiva a realizar o bem possível (AL 306 e 308).

Não se pode dizer que todos os que estão numa situação chamada “irregular” vivem em estado de pecado mortal, privados da graça santificante. Um pastor não pode estar satisfeito apenas com a aplicação da lei moral aos que vivem nesta situação, como se fossem pedras atiradas contra a vida das pessoas. Por causa de condicionamentos ou de fatores atenuantes, pode-se viver na graça de Deus, amar e também crescer na vida da graça e da caridade, recebendo para isso a ajuda da Igreja que inclui os sacramentos. Por isso, deve-se lembrar aos sacerdotes que o confessionário, onde comumente se ministra o sacramento da penitência, não é uma sala de tortura, mas o lugar da misericórdia do Senhor. E a Eucaristia não é um prêmio para os perfeitos, mas um remédio generoso e um alimento aos que necessitam (AL 301, 305 e nota 351).

A questão do acesso aos sacramentos pelos que vivem em situação “irregular”, sobretudo os divorciados recasados, foi bastante polêmica desde a convocação do Sínodo. Há décadas que fiéis, pastores e teólogos buscam uma solução para isto. O papa não dá uma solução taxativa e abrangente, mas abre caminho aos pastores para que, no acompanhamento dos fiéis e no respeito ao seu discernimento, possam ministrar-lhes os sacramentos. As considerações sobre os fiéis em situação “irregular” também se aplicam aos que vivem em outras configurações familiares.

3. Em busca de caminhos

Como o próprio papa alertou, as culturas são muito diferentes entre si, e cada princípio geral precisa ser inculturado para ser observado e aplicado, com a devida atenção às tradições e aos desafios locais. E os fiéis, obedecendo à própria consciência, muitas vezes respondem o melhor que podem ao Evangelho no meio dos seus limites, com discernimento perante situações onde se rompem todos os esquemas. As conferências episcopais trazem contribuições importantes a esta inculturação e à pastoral, que são fruto de reflexões e práticas contextualizadas em diferentes realidades, com suas tradições e desafios.

A Exortação anterior do papa Francisco, Evangelii Gaudium, faz menção a um documento dos bispos franceses (EG, nota 60) reafirmando a doutrina da Igreja a respeito do matrimônio. Mas os bispos vão além. Eles repudiam a “homofobia”, empregando explicitamente este termo, e felicitam a evolução do direito que hoje condena toda discriminação e incitação ao ódio em razão da orientação sexual. Eles reconhecem que muitas vezes não é fácil para a pessoa homossexual assumir sua condição, pois os preconceitos são duradouros e as mentalidades só mudam lentamente, inclusive nas comunidades e nas famílias católicas. Estas são chamadas a acolher toda a pessoa como filha de Deus, qualquer que seja a sua situação. E numa união durável entre pessoas do mesmo sexo, para além do aspecto meramente sexual, a Igreja estima o valor da solidariedade, da ligação sincera, da atenção e do cuidado com o outro (CEF, 2012). Mesmo que não se equiparem ao matrimônio, são reconhecidos valores positivos nas uniões homoafetivas.

Outra menção do papa (EG nota 59) é um documento dos bispos norte-americanos sobre o ministério junto a pessoas homossexuais, com diretrizes para a assistência pastoral. Os bispos abordaram a questão do batismo de crianças criadas por uniões do mesmo sexo. Eles não aprovam a adoção de crianças por estas uniões. No entanto, aceitam que elas sejam batizadas se houver o propósito de que sejam educadas na fé da Igreja Católica (USCCB, 2006). Os bispos suíços, por sua vez, trataram da bênção de pessoas homossexuais. Eles afirmam que estas pessoas podem ser abençoadas, mas não a contração de uma união homossexual para não haver semelhança com o matrimônio sacramental (CES, 2002, nº3). Com isto, algumas possibilidades se abrem. No Ritual de Bênçãos da Igreja, por exemplo, há bênção de uma residência, com orações pelos que nela residem, bênção do local de trabalho e bênçãos para diversas circunstâncias. Portanto, pode-se abençoar pessoas homossexuais sem contrariar as normas da Igreja.

No Brasil, os bispos contemplaram este tema num documento sobre a renovação pastoral das paróquias. Eles tratam das novas situações familiares com realismo e abertura, incluindo as uniões do mesmo sexo. Os bispos reconhecem que nas paróquias participam pessoas unidas sem o vínculo sacramental e outras em segunda união. Há também as que vivem sozinhas sustentando os filhos, avós que criam netos e tios que sustentam sobrinhos. Há crianças adotadas por pessoas solteiras ou do mesmo sexo, que vivem em união estável. Eles exortam a Igreja, família de Cristo, a acolher com amor todos os seus filhos. Conservando o ensinamento cristão sobre a família, é necessário usar de misericórdia. Constata-se que muitos se afastaram e continuam se afastando das comunidades porque se sentiram rejeitados, porque a primeira orientação que receberam consistia em proibições e não em viver a fé em meio à dificuldade. Na renovação paroquial, deve haver conversão pastoral para não se esvaziar a Boa Nova anunciada pela Igreja e, ao mesmo tempo, não deixar de se atender às novas situações da vida familiar. “Acolher, orientar e incluir” nas comunidades os que vivem em outras configurações familiares são desafios inadiáveis (CNBB, 2014, nº217-218).

A tarefa de inculturar princípios gerais em diferentes contextos, bem como a de ajudar os fiéis a formarem sua consciência, deve ser assumida pela teologia. O papa exorta os teólogos a prosseguirem no caminho do Concílio Vaticano II, de releitura do Evangelho na perspectiva da cultura contemporânea. Estudar e ensinar teologia deve significar “viver em uma fronteira”, na qual o Evangelho encontra as necessidades das pessoas às quais é anunciado de maneira compreensível e significativa. Deve-se evitar uma teologia que se esgote em disputas acadêmicas ou que contemple a humanidade a partir de um castelo de cristal. Ela deve acompanhar os processos culturais e sociais, especialmente as transições difíceis, assumindo os conflitos que afetam a todos. Os bons teólogos, como os bons pastores, devem ter “cheiro de povo e de rua”, e com sua reflexão derramar “óleo e vinho nas feridas dos homens”, como o bom samaritano do Evangelho (FRANCISCO, 2015a).

Para o papa, o teólogo deve enfrentar o trabalho árduo de distinguir a mensagem de vida da sua forma de transmissão, de seus elementos culturais nos quais em um determinado tempo ela foi codificada. Não fazer este exercício de discernimento leva inevitavelmente a trair o conteúdo da mensagem. Faz com que a Boa Nova, verdadeiro sentido do Evangelho, deixe de ser nova e deixe de ser boa, tornando-se uma palavra estéril, vazia de toda sua força criadora, curadora e ressuscitadora. Assim se coloca em perigo a fé das pessoas de nosso tempo. A doutrina cristã não deve ser um sistema fechado, privado de dinâmicas capazes de gerar interrogações, dúvidas e questionamentos. Pelo contrário, ela tem rosto, corpo e carne, que se chama Jesus Cristo. É sua vida que é oferecida de geração em geração a todos os seres humanos, em todas as partes do mundo (FRANCISCO, 2015b).

A releitura do Evangelho na perspectiva da cultura contemporânea passa pelos estudos de gênero, que envolvem a diferença e a reciprocidade entre homem e mulher. Convém fazer alguns esclarecimentos e considerações. O termo “teoria de gênero”, do qual derivam as suspeitas de “ideologia de gênero”, é uma má tradução do inglês gender theory, pois neste caso theory não significa teoria, mas o conjunto de estudos teóricos. Os estudos de gênero são bastante heterogêneos. Às vezes eles se entrelaçam, mas outras vezes correm em paralelo sem se encontrar. Não há uma teoria unificadora contendo uma explicação abrangente. O que há é um acordo geral em considerar os complexos comportamentos, direta ou indiretamente concernentes à esfera sexual, como fruto de dimensões diferentes, não totalmente independentes e por sua vez complexas: o sexo anatômico, a identidade e o papel de gênero, e a orientação sexual. Não há uma coerência necessária entre o sexo anatômico, a percepção da própria identidade como masculina ou feminina, o desejo e a prática sexual. Na diversidade bio-psíquica de homem e mulher, há indivíduos heterossexuais e homossexuais, bem como indivíduos cisgêneros e transgêneros, que se identificam ou não com o sexo a eles atribuído ao nascerem.

Há uma perspectiva cristã de gênero propondo não renunciar à diferença entre homem e mulher e à sua importância fundamental, que tem raiz no sexo biológico e constitui o arquétipo do qual se origina a humanidade. Que não se pense nos processos sociais e culturais prescindindo in­teiramente do componente bioló­gico, da estrutura genética e neuronal do sujeito humano. Mas também que se evidencie o papel da cultura e das estruturas sociais, reconhecendo-se o mérito dos estudos de gênero em captar a relevância das vivências pessoais na definição da identidade de gênero. Isto contribui para a superação de preconceitos causadores de graves discriminações, que levaram e ainda levam à marginalização dos LGBT (PIANA, 2015).

4. Exemplos

A renovação pastoral promovida pelo papa também conta com gestos surpreendentes. No início de 2015, Francisco recebeu em sua casa a visita do transexual espanhol Diego Neria e de sua companheira Macarena. A história de Diego é emblemática da condição transexual, do preconceito feroz e do seu enfrentamento. Ele nasceu com corpo de mulher, mas desde criança sentia-se homem. No Natal, escrevia aos reis magos pedindo como presente tornar-se menino. Ao crescer, resignou-se à sua condição. “Minha prisão era meu próprio corpo, porque não correspondia absolutamente ao que minha alma sentia”, confessa. Diego escondia esta realidade o quanto podia. Sua mãe pediu-lhe que não mudasse o seu corpo enquanto ela vivesse. E ele acatou este desejo até a morte dela. Quando ela morreu, Diego tinha 39 anos. Um ano depois, ele começou o processo transexualizador. Na igreja que frequentava, despertou a indignação das pessoas: “como se atreve a entrar aqui na sua condição? Você não é digno”. Certa vez, chegou a ouvir de um padre em plena rua: “você é filha do diabo”! Mas felizmente teve o apoio do bispo de sua diocese, que lhe reconfortou e lhe animou. Diego se encorajou a escrever ao papa Francisco e a pedir um encontro com ele. O papa o recebeu e o abraçou no Vaticano, na presença da sua companheira. Hoje, Diego Neria é um homem em paz (HERNÁNDEZ, 2015).

Outros encontros com LGBT ocorreram, como uma visita a um presídio na Itália em que o papa teve uma refeição à mesa na companhia de presos transexuais. Nos Estados Unidos, Francisco recebeu na nunciatura apostólica o seu antigo aluno e amigo gay Yayo Grassi, e o companheiro dele. Grassi já tinha apresentado o seu companheiro ao papa dois anos antes. Este relacionamento nunca foi problema na amizade entre Grassi e o papa (GRASSI, 2015). Gestos como estes valem mais que mil palavras. Se todas as famílias que têm filhos ou parentes LGBT seguissem o exemplo do papa Francisco, recebendo-os em casa com seus companheiros, muitos problemas e dramas humanos seriam resolvidos.

No Brasil, começam a ser batizadas crianças filhas de uniões homoafetiva. Um batismo de gêmeos (na foto abaixo) ocorreu no Santuário do Cristo Redentor no Corcovado, Rio de Janeiro, em 2014. O padre Omar Raposo, que fez a celebração, declarou: “O batismo é para todos. A Igreja não nega o batismo a ninguém. Ao contrário, é mandato de Cristo que todos sejam batizados” (MACEDO, 2014). Assim a Igreja assume o comportamento de Jesus Cristo, que se oferece a todos sem exceção, com um amor sem fronteiras alcançando os que vivem em outras configurações familiares. A expressão maior deste amor acolhedor e inclusivo é o batismo das crianças.

5. Considerações finais

O pontificado de Francisco iniciou com um firme propósito de renovação pastoral da Igreja, voltando-se às periferias existenciais, criticando com consistência uma Igreja ensimesmada, entrincheirada em estruturas caducas incapazes de acolhimento e fechada aos novos caminhos que Deus lhe apresenta. O Sínodo dos Bispos sobre a família, com perguntas questionadoras, e a Exortação Pós-sinodal inovadora são passos muito importantes neste caminho. Cabe aos fiéis terem a coragem de obedecer à própria consciência e responder sem medo ao Evangelho em situações onde os esquemas se rompem. Cabe aos pastores buscarem criativamente as formas de inculturação dos princípios gerais, atentos às tradições e aos desafios locais. Cabe aos teólogos viverem na fronteira, assumindo com vigor os conflitos que afetam a todos.

O caminho da renovação pastoral é longo pois muitas estruturas caducas estão fortemente arraigadas na mente e na prática de várias comunidades eclesiais, em muitos ambientes. Certa vez, o papa deu um conselho precioso: “é melhor ficar longe dos sacerdotes rígidos, eles mordem” (FRANCISCO, 2015d). Não são só os sacerdotes rígidos que causam dano a tantas pessoas, mas também alguns movimentos religiosos e fiéis rigoristas. O papa Bento XVI já havia afirmado com lucidez que o cristianismo não é um conjunto de proibições, mas uma opção positiva. E acrescentou que é muito importante evidenciar isso novamente, porque essa consciência hoje quase desapareceu completamente (BENTO XVI, 2006). É muito bom que os papas reconheçam esse problema, pois há no cristianismo uma tradição multissecular de insistência na proibição, no pecado, na culpa, na ameaça de condenação e no medo. A historiografia fala de uma “pastoral do medo”, que com veemência culpabiliza as pessoas e as ameaça de condenação eterna para obter a sua conversão. Isto não se restringe ao passado, mas inunda o presente e devasta muitas pessoas, sobretudo os LGBT.

O ponto de partida do ensinamento cristão deve ser sempre o seu conteúdo positivo que é Boa Nova. O testemunho e a pregação de Francisco são primorosos quanto a isto, incluindo a Amoris Laetitia que começa com a alegria do amor vivido nas famílias. Mas os frutos são virão se as práticas e a pregações rigoristas forem neutralizadas, se todos forem devidamente alertados a ficarem longe delas. Os que sintonizam com o papa, onde quer que estejam, têm um papel imprescindível nesta grandiosa tarefa. A alegria do amor familiar deve inundar também os que vivem nas diversas configurações familiares.

Bibliografia:

BENTO XVI. Entrevista de Bento XVI em previsão de sua viagem à Baviera (I). 16/8/2006. .

____. Carta. In: Catecismo jovem da Igreja Católica. 2012.

CEA (CONFERENCIA EPISCOPAL ALEMANA). Respuestas de la conferencia episcopal alemana… . 2015. .

CEF (CONFÉRENCE DES ÉVÊQUES DE FRANCE). Elargir le mariage aux personnes de même sexe? Ouvrons le débat! 2012. .

CES (CONFÉRENCE DES ÉVÊQUES SUISSES). Note pastorale 10. 2002. .

____. Rapport de l’Eglise catholique de Suisse... . 2015. .

CNBB. Comunidade de comunidades: uma nova paróquia. 2014.

FRANCISCO. Solenidade de pentecostes. Homilia. 19/5/2013a.

____. Encontro com os jornalistas durante o voo de regresso. 28/7/2013b.

____. Carta. 3/3/2015a.

____. Mensagem. 1-3/9/2015b.

____. Discurso. 24/10/2015c.

____. Discurso. 20/11/2015d.

GRASSI, Y. Em Francisco, não há espaço para a homofobia. 6/10/2015. .

HERNÁNDEZ, A. B. El bendito encuentro entre Francisco y Diego. 26/1/2015. .

MACEDO, R. Igreja abençoa filhos biológicos de casal gay. 20/11/2014. .

MASIÁ, J. Sexualidad pluriforme y pastoral inclusiva. 2015. .

PIANA, G. Sexo e gênero: para além da alternativa. 16/7/2014. .

USCCB. Ministry to persons with a homosexual inclination: guidelines for pastoral care. 2006. .

Para ler mais:


Veja também:


Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/554405-os-lgbt-o-papa-e-a-familia


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publicado por Riacho, em 19.04.16 às 00:02link do post | favorito

"A meu ver, a Teologia Moral e Pastoral que perpassa toda a Exortação é a da Libertação, que é uma Teologia radicalmente humana e, por isso, cristã (evangélica). De fato, ser cristão ou cristã é ser radicalmente humano ou humana. Nunca alguém é humano ou humana demais", escreve Marcos Sassatelli, frade dominicano, doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP), professor aposentado de Filosofia da UFG.

Eis o artigo.

Na Exortação apostólica pós-sinodal sobre o amor na família “A Alegria do Amor” (“Amoris Laetitia” - AL) - datada de 19 de março (Solenidade de S. José) e divulgada no dia 8 deste mês de abril - o Papa Francisco recolhe os resultados de dois Sínodos sobre a família (outubro de 2014 e outubro de 2015), além de outras valiosas contribuições.

O que caracteriza a Exortação é sua profundidade humana e sua abordagem libertadora. De um lado, Francisco apresenta com clareza e simplicidade de irmão o projeto de matrimônio e família de Jesus de Nazaré como um ideal de vida que liberta, humaniza e leva à felicidade: uma meta a ser perseguida. De outro lado, o Papa, com muita sensibilidade e ternura, sabe compreender e respeitar os casais e as famílias nas diferentes situações concretas em que se encontram, com seus limites, seus problemas e suas dificuldades. Sabe enxergar e valorizar os aspectos positivos que existem em todas as situações matrimoniais e familiares como sinais da graça e da presença de Deus.

A meu ver, a Teologia Moral e Pastoral que perpassa toda a Exortação é a da Libertação, que é uma Teologia radicalmente humana e, por isso, cristã (evangélica). De fato, ser cristão ou cristã é ser radicalmente humano ou humana. Nunca alguém é humano ou humana demais. Mas como o ser humano faz parte do mundo e é mundo, faz parte da natureza e é natureza, podemos dizer que o cristianismo é um humanismo radical natural e, ao mesmo tempo, um naturalismo radical humano.

Tendo consciência da historicidade do ser humano, o critério que sempre guiou as minhas reflexões sobre Ética filosófica (Ética à luz da razão) e Ética teológica (Ética à luz da razão iluminada pela Fé) foi esse: é ético (ou moral) o comportamento mais humano possível numa determinada situação concreta.

Constato agora com alegria que é justamente esse o critério que guiou o Papa Francisco na elaboração da Exortação apostólica pós-sinodal: “A Alegria do Amor

Para o Papa Francisco a Ética (ou a Moral) matrimonial e familiar é uma Ética que - à luz da Palavra de Deus - parte da situação concreta em que se encontram os casais e as famílias. É o próprio Francisco que diz isso fazendo um resumo da Exortação.

“No desenvolvimento do texto, começarei por uma abertura inspirada na Sagrada Escritura, que lhe dê o tom adequado. A partir disso, considerarei a situação atual das famílias, para manter os pés assentes na terra. Depois lembrarei alguns elementos essenciais da doutrina da Igreja sobre o matrimônio e a família, seguindo-se os dois capítulos centrais, dedicados ao amor. Em seguida destacarei alguns caminhos pastorais que nos levem a construir famílias sólidas e fecundas segundo o plano de Deus, e dedicarei um capítulo à educação dos filhos. Depois deter-me-ei sobre um convite à misericórdia e ao discernimento pastoral perante situações que não correspondem plenamente ao que o Senhor nos propõe; e, finalmente, traçarei breves linhas de espiritualidade familiar” (AL, 6).

E ainda: “Quero reiterar que nem todas as discussões doutrinais, morais ou pastorais devem ser resolvidas através de intervenções magisteriais. Naturalmente, na Igreja, é necessária uma unidade de doutrina e práxis, mas isto não impede que existam maneiras diferentes de interpretar alguns aspectos da doutrina ou algumas consequências que decorrem dela. Assim há de acontecer até que o Espírito nos conduza à verdade completa (cf. Jo 16,13), isto é, quando nos introduzir perfeitamente no mistério de Cristo e pudermos ver tudo com o seu olhar. Além disso, em cada país ou região, é possível buscar soluções mais inculturadas, atentas às tradições e aos desafios locais. De fato, ‘as culturas são muito diferentes entre si e cada princípio geral (...), se quiser ser observado e aplicado, precisa ser inculturado’” (AL, 3)

Refletindo sobre a vida matrimonial e familiar, precisamos sempre ter presente o critério da gradualidade. “Durante muito tempo - afirma Francisco - pensamos que, com a simples insistência em questões doutrinais, bioéticas e morais, sem motivar a abertura à graça, já apoiávamos suficientemente as famílias, consolidávamos o vínculo dos esposos e enchíamos de sentido as suas vidas compartilhadas. Temos dificuldade em apresentar o matrimónio mais como um caminho dinâmico de crescimento e realização do que como um fardo a carregar a vida inteira. Também nos custa deixar espaço à consciência dos fiéis, que muitas vezes respondem o melhor que podem ao Evangelho no meio dos seus limites e são capazes de realizar o seu próprio discernimento perante situações onde se rompem todos os esquemas. Somos chamados a formar as consciências, não a pretender substituí-las” (AL, 37).

O Papa continua dizendo: “No mundo atual aprecia-se também o testemunho dos cônjuges que não se limitam a perdurar no tempo, mas continuam a sustentar um projeto comum e conservam o afeto. Isto abre a porta a uma pastoral positiva, acolhedora, que torna possível um aprofundamento gradual das exigências do Evangelho. No entanto, muitas vezes agimos na defensiva e gastamos as energias pastorais multiplicando os ataques ao mundo decadente, com pouca capacidade de propor e indicar caminhos de felicidade. Muitos não sentem a mensagem da Igreja sobre o matrimónio e a família como um reflexo claro da pregação e das atitudes de Jesus, o qual, ao mesmo tempo que propunha um ideal exigente, não perdia jamais a proximidade compassiva às pessoas frágeis como a samaritana ou a mulher adúltera” (AL, 38).

Na Exortação apostólica pós-sinodal, Francisco aplica à realidade do matrimônio e da família o ensinamento do Concílio Vaticano II: "O mistério do ser humano só se torna claro verdadeiramente no mistério do Verbo encarnado. (…) Cristo manifesta plenamente o ser humano ao próprio ser humano e lhe descobre a sua altíssima vocação" (A Igreja no mundo de hoje - GS, 22). “O pecado diminui o ser humano, impedindo-o de atingir a sua plena realização” (GS, 13). "Todo aquele que segue Cristo, o Homem perfeito, torna-se ele também mais ser humano" (GS, 41). "A fé esclarece todas as coisas com luz nova. Manifesta o plano divino sobre a vocação integral do ser humano. E por isso orienta a mente para soluções plenamente humanas" (GS, 11). Meditemos!

Oportunamente voltarei sobre o assunto, aprofundando os pontos principais da Exortação apostólica pós-sinodal: “A Alegria do Amor”.

Veja também:


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publicado por Riacho, em 27.10.15 às 20:46link do post | favorito

A Rede Global de Católicos do Arco-Íris (1) comenta o Relatório Final do Sínodo dos Bispos de 2015 sobre A Vocação e a Missão da Família na Igreja e no Mundo Contemporâneo.

A tradução é de Lula Ramires, do Grupo de Ação Pastoral da Diversidade de São Paulo. O texto nos foi remetido porFrancis McDonagh.

Eis o texto.

Reconhecemos que a apresentação pelos Bispos aos Papa Francisco não é mais do que um passo no processo do Sínodo e aguardará uma resposta e reflexão mais abrangentes por parte dele da maneira que ele irá determinar.

Sentimo-nos encorajados pelo Discurso de Encerramento do Papa ao Sínodo, sobretudo pelos seus comentários de que "também se tratava de se por a nu aqueles corações fechados, que frequentemente se escondem por detrás dos ensinamentos da Igreja ou das boas intenções, a fim de sentar-se na cadeira de Moisés e julgar, às vezes com superioridade e superficialidade, situações difíceis e famílias feridas... Tratava-se de tentar abrir horizontes mais amplos, colocar-se acima das teorias conspiratórias e pontos de vista cegos e inflexíveis, para defender e estender a liberdade dos filhos de Deus e para transmitir a beleza da Boa Nova cristã, por vezes incrustadas numa linguagem que é arcaica ou simplesmente incompreensível."

É claro que os Bispos não conseguiram chegar a um consenso mais positivo quanto à inadequação da terminologia utilizada anteriormente para descrever as variações da orientação sexual. Contudo, notamos nitidamente no Relatório Final do Sínodo (Parágrafo 76) o início de uma nova era de cuidado pastoral inclusivo para e com as pessoas LGBT, e suas família, algo que se espera será implementado pelas Dioceses no mundo inteiro. Uma vez que é explicitamente mencionado que `se deve dar atenção específica às famílias que tenham um membro com tendências homossexuais', não há, portanto, mais qualquer razão para não se incluir os próprios casais do mesmo sexo, bem como os filhos e filhas de pais ou mães do mesmo sexo neste enfoque pastoral.

Lamentamos que tenha ficado subentendido que o interesse maior de uma criança, em situação de adoção, necessariamente exige que a mesma seja criada por casais de sexos opostos. Tal afirmação está em franca contradição com consideráveis pesquisas nas ciências sociais e rebaixa a generosidade de casais de lésbicas e gays, bem a de pais e mães solteiros, no cuidado de crianças indesejadas (Parágrafo 65).

Também é infeliz que o Relatório Final conceda grande credibilidade ao termo 'ideologia de gênero', criado até mesmo sem qualquer comprovação científica, por pessoas que buscam uma desculpa para não ouvir e responder pastoralmente às realidades das vidas de LGBTs, bem como de seus pais e familiares (Parágrafo 8).

Rejeitamos firmemente a acusação sem base de que o socorro financeiro a países pobres esteja condicionado à introdução de leis que instituam o casamento entre pessoas do mesmo sexo (Parágrafo 76) e estamos alarmados com a não rejeição da criminalização, tortura e pena de morte infligida às pessoas LGBT em muitos países.

Embora o Sínodo de 2015 não tenha conseguido produzir uma declaração mais sólida quanto à aceitação de LGBTs, valorizamos os pedidos de desculpas ocorridos durante o encontro. Havia frases que se desculpavam pela linguagem anterior que era imprecisa e nociva ao se dirigir às pessoas LGBT e seus pais juntamente com um desejo de prosseguir com um estudo e reflexão mais intensivos sobre as realidades dos relacionamentos de casais do mesmo sexo e sua vida familiar. Foi aberta uma porta para uma escuta mais atenta e sensível às questões LGBT na Igreja através dos processos sinodais de 2014-2015 as quais, apesar da oposição, não pode mais ser fechada.

Nota:

1.- Uma rede internacional de 13 organizações de/com Católicos LGBT Catholics reuniu-se pela primeira vez durante o Sínodo de 2014 em Roma. Foi substituída pela Rede Global de Católicos do Arco-Íris (RGCAI) que foi formalmente lançada em sua Assembleia de Fundação, de 1 a 4 de outubro de 2015, com representantes de 30 países de todos os continentes.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/548329-quma-nova-era-de-cuidado-pastoral-inclusive-as-pessoas-lgbt-vai-se-iniciar-apos-o-sinodoq-afirma-rede-global-de-catolicos-do-arco-iris


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publicado por Riacho, em 05.10.15 às 20:25link do post | favorito

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Um padre polonês, Krysztof Olaf Charamsa, membro da Congregação para a Doutrina da Fé, revelou sua homossexualidade neste sábado, 03-10-2015,  nos jornais, um dia antes do Sínodo sobre a família, para sacudir a uma Igreja ‘paranoica’ sobre este tema.

O padre nasceu em Gdymia, Polônia, e tem 43 anos. Ele reconhece que tem um parceiro. “Sei que terei que renunciar ao meu ministério, ainda que é toda minha vida”, afirma em entrevista concedida ao jornal Corriere della Sera.

Sei que a Igreja me verá como alguém que não soube cumprir com o seu dever (de castidade), que se extraviou e, como se não fosse pouco, não como uma mulher, mas com um homem”, exclama.
Mas “não faço isto para viver com meu parceiro. Faço-o por mim, por minha comunidade, para a Igreja. É uma decisão muito mais profunda que nasce da minha reflexão sobre o que prega a Igreja”.

Sobre o tema da homossexualidade, “a Igreja está atrasada em relação aos conhecimentos que alcançou a humanidade”, opina, e assegura que “não se pode esperar por outros 50 anos”.

“Está na hora da Igreja abrir os olhos frente aos homossexuais crentes e entenda que a solução que propõe, ou seja, a abstinência total e uma vida sem amor, não é humana”, declara.

“O clero é amplamente homossexual e também, infelizmente, homófobo até a paranoia, porque está paralisado pela falta de aceitação para sua própria orientação sexual”, acrescenta na edição polaca da revista Newsweek.

“Desperta, Igreja, deixa de perseguir os inocentes. Não quero destruir a Igreja, quero ajuda-la e, sobretudo, quero ajudar a quem ela persegue. Minha saída do armário deve ser um chamado ao sínodo para que a Igreja cesse suas ações paranoicas contra as minorias sexuais”, afirma.

“Gostaria de dizer ao sínodo que o amor homossexual é um amor familiar, que necessita da família. Todos, incluídos os gays, as lésbicas e os transexuais, levam no coração um desejo de amor e de família”, disse ao jornal italiano, numa mensagem dirigida aos 360 participantes do sínodo que se reunirá a partir do domingo, 04-10-2015, no Vaticano.

O padre polaco confessa que sempre se sentiu homossexual mas que, no princípio, não o aceitava e repetia o que a Igreja impunha, “o princípio segundo o qual ‘a homossexualidade não existe’”.
 Depois de conhecer o seu parceiro, teve “o sentimento de se converter num padre melhor, de fazer homilias melhores, de ajudar melhor os outros e de ser cada vez mais feliz”, narra para a revista Newsweek.

Ao tomar conhecimento das suas declarações, o porta-voz do Vaticano, segundo nota divulgada pela Sala de Imprensa do Vaticano, afirmou na manhã de hoje:

“Acerca das declarações e entrevistas concedidas por Mons. Krzystof Charamsa cabe assinalar que  - apesar do respeito que merecem os fatos e as circunstâncias pessoais e as reflexões sobre elas – a decisão de declarar algo tão clamoroso na véspera da abertura do Sínodo resulta muito grave e não responsável, já que aponta na direção de submeter a Assembleia sinodal a uma pressão midiática injustificada. Certamente Mons. Charamsa não poderá mais desempenhar as tarefas precedentes na Congregação para a Doutrina da Fé e nas universidades pontifícias, enquanto que outros aspectos da sua situação competem ao seu Ordinário diocesano”.

Charamsa trabalha na Congregação para a Doutrina da Fé desde 2003,  é secretário adjunto da Comissão Teológica Internacional do Vaticano e leciona teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana e no Pontifício Ateneu Regina Apostolorum, em Roma.

Nunca até hoje, segundo o jornal Corriere della Sera, um religioso com uma função tão ativa no Vaticano tinha feito uma declaração do gênero.

Hoje Charamsa participa em Roma da primeira assembleia internacional dos católicos LGBT organizada por Global Network of Rainbow Catholics, na véspera do Sínodo sobre a família, na busca de aprofundar o diálogo com os gays católicos.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/547604-um-teologo-do-vaticano-revela-sou-gay

 


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