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Vamos lá a pintar este sábado com as cores do arco-íris e passar uma mensagem se solidariedade às vítimas do bullying!
Que o Estado reconheça as uniões homossexuais. Que a Igreja se reserve, ao contrário, o juízo moral. Esse é o desejo expresso pelo bispo de Ragusa, Paolo Urso, em uma longa entrevista ao sítioQuotidiano.net, que aparece na página eletrônica de notícias da Cúria, Insieme.
A reportagem é do sítio Vatican Insider, 12-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
"Quando duas pessoas decidem, mesmo que sejam do mesmo sexo, a viver juntas – afirma –, é importante que o Estado reconheça esse estado de fato, que deve ser chamado com um nome diferente do matrimônio, senão não nos entendemos".
Dom Urso fala de uma Igreja de "portas abertas" e aborda as questões cruciais como a imigração, o pacifismo, a coabitação, a fecundação assistida. Mas é sobretudo sobre as uniões entre gays que Dom Urso expressa a opinião mais comprometedora. Pergunta-se ao bispo: há um atraso sobre essas questões? "Um Estado laico como o nosso – é a resposta – não pode ignorar o fenômeno da coabitação, deve se mexer e definir direitos e deveres para os parceiros. Depois, a avaliação moral caberá a outros".
Em 2005, por ocasião do referendo sobre a fecundação assistida, Dom Urso declarou ao Corriere della Sera que iria votar deixando a liberdade de consciência aos fiéis. Assim, pôs-se em contraste com o então presidente da CEI[Conferência dos Bispos da Itália], o cardeal Camillo Ruini, que tinha pedido a abstenção da Igreja.
Ele faria novamente essa escolha? "Sem dúvida, eu a faria novamente", responde. "Fui educado – acrescenta – na laicidade do Estado e no respeito das leis civis. Quando o cidadão é chamado a fazer escolhas concretas, a tarefa da Igreja é a de oferecer aos fiéis instrumentos para decidir autônoma e conscientemente. Por isso, eu disse ao meu povo: 'Informem-se, documentem-se, vejam se esse tipo de soluções são justas e julguem por si mesmos".
A ação de Ruini foi, segundo o prelado, "uma ação de estratégia política". "Mas eu acredito – concluiu – que os bispos não devem ter nada a ver com a política e com as suas lógicas".
"A alusão ao casamento homossexual (no discurso do Papa aos diplomatas) é no máximo indireta, e mesmo assim questionável", constata o texto da Equipe da Diversidade Católica que publicamos a seguir.
"Por que esta união atentaria contra a família tradicional? Os gays não têm obrigação de se tornarem héteros e de se casarem com pessoas de outro sexo. Até porque, para o direito eclesiástico, um matrimônio assim é nulo", afirma o breve artigo.
Eis o texto.
O discurso anual do papa Bento XVI aos diplomatas no Vaticano (1) recebeu uma dura manchete de uma agência internacional de notícias: casamento homossexual é 'ameaça' à humanidade, diz papa. E ainda: declarações são as mais fortes proferidas por Bento XVI contra união gay (2).
Quem se der ao trabalho de ler o pronunciamento do papa, vai encontrar uma gama de questões internacionais sob a ótica de um humanismo de inspiração cristã. São temas como a crise econômica mundial e sua incidência sobre as nações e sobre a juventude, os conflitos do Oriente Médio e da África, as manifestações em favor da democracia, as migrações, o acesso universal à educação, a liberdade religiosa, os desastres ecológicos, e a luta contra as alterações climáticas e contra a pobreza extrema. Há até uma menção à “Rio+20”, a próxima Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável.
O que supostamente disse o papa sobre a ameaça do casamento gay à humanidade? Eis o trecho:
[...]“a educação tem necessidade de lugares. Dentre estes, conta-se em primeiro lugar a família, fundada sobre o matrimônio entre um homem e uma mulher; não se trata duma simples convenção social, mas antes da célula fundamental de toda a sociedade. Por conseguinte, as políticas que atentam contra a família ameaçam a dignidade humana e o próprio futuro da humanidade”.
A alusão ao casamento homossexual é no máximo indireta, e mesmo assim questionável. Por que esta união atentaria contra a família tradicional? Os gays não têm obrigação de se tornarem héteros e de se casarem com pessoas de outro sexo. Até porque, para o direito eclesiástico, um matrimônio assim é nulo. Além do mais, as terapias de reversão são proibidas, pois a homossexualidade não é doença. Os héteros, por sua vez, não são gays enrustidos prestes a debandarem diante da possibilidade de união homo. Portanto, casamento homo e casamento hétero são de naturezas distintas e não concorrem entre si. Não há ameaça.
De qualquer maneira, o papa não disse aos diplomatas que o casamento gay é uma ameaça à humanidade, ainda que outras vezes tenha se manifestado contra esta forma de união. Há, no entanto, um ranço moralista que só enxerga proibição e condenação no ensinamento da Igreja, sobretudo a respeito de sexo. E todo o resto é irrelevante. Este ranço não está somente nos segmentos ultraconservadores da Igreja, mas também em certa imprensa facciosa que só quer fazer alarde para vender notícia.
Quantas questões de suma importância não foram levantadas pelo papa? Quantos desses assuntos não merecem séria reflexão e engajamento das nações, da opinião pública e dos organismos internacionais? Mas tudo isso é omitido pelo ranço moralista, que embolora as mentes e aliena as pessoas. Que Deus nos livre deste triste empobrecimento humano.
Notas:
1- http://www.vatican.va/holy_father/benedi
2- http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/0
Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/5056
No se lo digas a nadie é um filme peruano realizado por Francisco Lombardi baseado no livro de Jaime Bayly que também participou como guionista. O filme estreado em 1998 foi o primeiro com temática homossexual no Perú. Joaquín Camino (Santiago Magill) é um jovem homossexual da alta sociedade de Lima, por isso, é confrontado com os preconceitos dos seus pais e a rejeição de uma sociedade homofóbica e, supostamente, muito conservadora, embora altamente hipócrita. O filme mostra uma série de situações que acontecem com Joaquin, da adolescência à idade adulta. Este romance tal como o filme provocaram polémica em Lima: ao deixar a descoberto, grande quantidade de gays no armário que se movem num mundo muito conservador.